Desiluda-se!
(Romanos 14:12).
Cezar Braga Said
Quem nunca viveu uma desilusão?
Iludimo-nos quando criamos esperanças que não se
concretizam.
Quando acreditamos em alguém e nos decepcionamos.
Quando criamos expectativas sem pensar que podemos nos
frustrar.
Naturalmente que precisamos de alguma fantasia, sonho,
encantamento, a fim de seguirmos redescobrindo o sentindo da vida a cada
amanhecer.
Faz parte dessa jornada acreditar em alguém, num ideal, numa
religião, filosofia ou instituição que nos ofereça alguma explicação razoável e
nos permita vislumbrar certo horizonte, uma espécie de fonte em pleno deserto.
Mas será que desiludir-se é algo tão ruim assim?
*
É possível que não, especialmente quando isso representa uma
forma de libertação, um olhar mais amplo e profundo sobre nós e nossas
relações.
A desilusão, neste caso, pode ser o início de um novo tempo,
uma abertura de olhos, o primeiro passo para a ampliação da nossa consciência.
Do mesmo modo, certas desilusões abrem caminhos na mata
fechada da nossa ignorância e acendem estrelas na noite escura da nossa
ingenuidade, para que despertos e vigilantes, soframos menos.
Não existem casamentos perfeitos, trabalhos perfeitos,
lugares perfeitos, pessoas perfeitas.
O que existem são “relações perfeitas” para as nossas
necessidades de aprendizado e crescimento.
*
Por mais críticos e calejados que sejamos, vez por outra
criamos ilusões.
Algumas mantemos por anos, outras desfazemos rapidamente
como um castelo erguido na areia.
Mas, tanto numa quanto noutra situação,
sempre temos uma lição capaz de nos tornar um pouco mais experientes e
previdentes.
Há ocasiões em que criamos ilusões acerca de nós mesmos e
elas aparecem quando:
Julgamo-nos insubstituíveis.
Acreditamos ter muito para ensinar e pouco para aprender.
Cremos que a nossa religião, orientação sexual,
nacionalidade e visão de mundo são superiores.
Não achamos possível equivocar-nos sobre assunto algum.
Sentimo-nos incompreendidos por todos, especialmente pelos
que nos criticam.
Sempre poderemos despertar, perceber a extensão do
autoengano criado por uma pretensão de autossuficiência gerada pelo nosso
próprio ego.
Iludidos com alguém, por alguém ou por nós mesmos, ao
acordar do sono que nos pôs uma venda nos olhos, precisaremos seguir em frente.
E se conseguirmos fazer tal percurso sem culpar os outros e muito menos a nós
próprios, estaremos dando um passo importante para nos libertar e viver com
menos ilusões.
Portanto, não tema as desilusões, tenha cuidado sim, com as
ilusões.
Cezar Braga Said
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