terça-feira, outubro 13, 2026

A Caridade - Adolfo, Bispo de Argel



A Caridade 


Adolfo, Bispo de Argel

 

Eu sou a Caridade.


Em nada me assemelho à caridade cujas práticas seguis.


Aquela que entre vós usurpou o meu nome é fantasista, caprichosa, exclusiva, orgulhosa;


venho vos prevenir contra os defeitos que, aos olhos de Deus, diminuem o mérito e o brilho de suas boas ações.


Sede dóceis às lições que o Espírito de Verdade vos dá por minha voz.

Segui-me, meus fiéis: eu sou a Caridade.

*

Segui-me.


Conheço todos os infortúnios, todas as dores, todos os sofrimentos, todas as aflições que assediam a Humanidade.


Sou a mãe dos órfãos, a filha dos idosos, a protetora e sustentáculo das viúvas;


penso as chagas infectadas;


curo todas as doenças;


dou roupas, pão e um abrigo aos que não os tem;


subo às mais miseráveis águas-furtadas, às mais humildes mansardas;

 

bato à porta dos ricos e poderosos, porque, onde quer que viva uma criatura humana, sempre existirá, sob a máscara da felicidade, as mais amargas e acerbas dores.


Oh! quão grande é a minha tarefa!


Não poderei cumpri-la se não vierdes em meu auxílio.


Vinde a mim: eu sou a Caridade.

*

Não tenho preferência por ninguém.


Jamais digo aos que necessitam de mim: “Tenho os meus pobres; procurai alhures.”


Oh! falsa caridade, quantos males provocas!


Amigos, nós nos devemos a todos.


Crede-me: não recuseis vossa assistência a ninguém;


socorrei-vos uns aos outros com bastante desinteresse para não exigir nenhum reconhecimento de parte dos que tiverdes socorrido.


A paz do coração e da consciência é a doce recompensa de minhas obras: eu sou a verdadeira Caridade.

*

Ninguém conhece na Terra o número e a natureza de meus benefícios.


Só a falsa caridade fere e humilha aqueles a quem alivia.


Acautelai-vos contra esse funesto desvio;


as ações desse gênero não têm nenhum mérito perante Deus e atraem sobre vós a sua cólera.


Só Ele deve saber e conhecer os generosos impulsos de vossos corações quando vos tornais os dispensadores de seus benefícios.


Guardai-vos, pois, amigos, de dar publicidade à prática da assistência mútua;



não mais lhe deis o nome de esmola.


Crede em mim: eu sou a Caridade.


Tenho tantos infortúnios a aliviar que muitas vezes fico com o colo e as mãos vazios;


venho dizer-vos que espero em vós.


O Espiritismo tem por divisa Amor e Caridade;


e todos os verdadeiros espíritas quererão, no futuro, conformar-se a esse sublime preceito pregado pelo Cristo há dezoito séculos.


Segui-me, pois, irmãos;


eu vos conduzirei ao reino de Deus, nosso pai.


Eu sou a Caridade.



Adolfo, Bispo de Argel


FONTE

FEBNET. Disponível em http://www.sistemas.febnet. org.br/site/  indiceGeralDeRevistas/ verArtigo.php?CodArtigo=409& Palavra=Virtudes%20irm%C3%A3s.Acesso: 18 JUN 2021


segunda-feira, outubro 12, 2026

A Fé - Georges, Bispo de Périgueux

 



A Fé

Georges, Bispo de Périgueux


Sou a irmã mais velha da Esperança e da Caridade;


chamo-me Fé.

 

Sou grande e forte.

 

Aquele que me possui não teme nem o ferro, nem o fogo:

 

é à prova de todos os sofrimentos físicos e morais.


Irradio sobre vós com um facho cujos jatos cintilantes se refletem no fundo de vossos corações e vos comunico a força da vida.

 

Dizem, entre vós, que transporto montanhas; eu, porém, vos digo:

 

Venho erguer o mundo, porquanto o Espiritismo é a alavanca que me deve auxiliar. 


Uni-vos a mim; 


venho convidar-vos: sou a Fé.

 

Sou a Fé!

 

Moro com a Esperança, a Caridade e o Amor no mundo dos Espíritos Puros.

 

Muitas vezes deixei as regiões sublimadas e vim à Terra para vos regenerar, dando-vos a vida do Espírito.

 

Mas, excetuando os mártires dos primeiros tempos do Cristianismo e, de vez em quando, alguns fervorosos sacrifícios ao progresso da ciência, das letras, da indústria e da liberdade, só encontrei entre os homens indiferença e frieza, retomando tristemente o meu voo para o céu.

 

Julgais-me em vosso meio, mas vos enganais, porque a Fé sem obras é um simulacro de Fé.

 

A verdadeira Fé é vida e ação.

 

Antes da revelação espírita a vida era estéril; 


era uma árvore que, ressequida pelos raios, não produzia nenhum fruto.

 

Reconhecem-me por meus atos:

 

ilumino as inteligências, aqueço e fortaleço os corações; 


afasto para longe de vós as influências enganosas e vos conduzo a Deus pela perfeição do espírito e do coração.

 

Vinde abrigar-vos sob a minha bandeira; sou poderosa e forte:

 

eu sou a Fé.

 

Sou a Fé e o meu reino começa entre os homens;

 

reino pacífico, que os tornará felizes no presente e na eternidade.

 

A aurora do meu advento entre vós é pura e serena;

 

seu sol será resplandecente e seu crepúsculo virá docemente embalar a Humanidade nos braços de eternas felicidades.

 

Espiritismo!

 

Derrama sobre os homens o teu batismo regenerador.

 

Eu lhes faço um apelo supremo: 


eu sou a Fé.

 

Georges, Bispo de Périgueux


FONTE

FEBNET. Disponível em http://www.sistemas.febnet.org.br/site/indiceGeralDeRevistas/verArtigo.php?CodArtigo=409&Palavra=Virtudes%20irm%C3%A3s. Acesso: 18 JUN 2021.

 

Fé#DoutrinaEspírita#Febnet#Artigo#Mensagem

domingo, outubro 11, 2026

Francisco de Assis : O Menestrel de Deus -




Francisco de Assis : O Menestrel de Deus

 Alessandro Viana Vieira de Paula

 

Refletir sobre a trajetória de Francisco de Assis é mergulhar em uma das biografias mais belas e transformadoras da humanidade. 


Conhecido carinhosamente como o "Menestrel de Deus" — apelido carinhoso que traduz sua alma de poeta e cantor da simplicidade —, sua vida transcende os limites do tempo e das fronteiras religiosas, oferecendo lições profundas de amor, paz e renovação espiritual.

 

Com base nos registros da Doutrina Espírita e na inspiradora análise publicada na revista O Consolador (assinada por Alessandro Viana Vieira de Paula), trazemos um panorama rico e inspirador sobre este espírito sublime que iluminou a Idade Média e continua a nos guiar.

 


1. As Raízes Espirituais: De João Evangelista a Francisco


Na obra Dias Venturosos, o espírito Amélia Rodrigues, através da mediunidade de Divaldo Franco, revela que Francisco de Assis é a reencarnação de João Evangelista, um dos mais íntimos e dedicados apóstolos de Jesus.

 

O Discípulo Amado: João conviveu com o Cristo desde a juventude, escreveu um dos Evangelhos fundamentais do Novo Testamento e foi o único dos discípulos a desencarnar de forma natural.

 

A Mensagem da Reencarnação: Foi em seu Evangelho que ficou registrada a conversa entre Jesus e Nicodemos, onde o Mestre enfatiza a necessidade de "nascer de novo" — confirmando a veracidade e a importância da reencarnação na evolução humana.

 

O Retorno no Século XII: Com uma personalidade gentil e amorosa, aquele espírito de escol retorna ao mundo físico em Assis, em uma época marcada pela miséria moral e pelo distanciamento dos ensinamentos cristãos.

 



2. A Renovação do Cristianismo e o Encontro com o Papa


Naquela Idade Média, a Igreja Católica encontrava-se profundamente atrelada ao luxo temporal e indiferente ao sofrimento popular. 


Jesus, então, convidou Francisco a "reconstruir a Sua Igreja".

 

A princípio, Francisco interpretou o chamado de forma literal, dedicando-se a reerguer a igrejinha de São Damião. 


Rapidamente, porém, compreendeu o sentido maior: o verdadeiro templo a ser reerguido era o coração humano, através da prática viva da caridade e do amor ao próximo.


Renúncia Total: Renunciando à riqueza de sua família, Francisco reuniu amigos e peregrinou até o Palácio de Latrão, em Roma, para encontrar o Papa Inocêncio III. Embora tenha encontrado o pontífice imerso em pompa e diplomacia — recebendo apenas uma bênção protocolar —, isso não diminuiu seu ímpeto de servir.

 

Amor aos Desprezados e à Natureza: Francisco passou a dedicar sua existência aos marginalizados da época, como os hansenianos, e nutria uma simbiose impressionante com a natureza, amando profundamente os animais e os vegetais, que pareciam corresponder ao seu carinho.

 


3. O Método da Contestação Franciscana


Uma das lições mais atuais deixadas por Francisco de Assis, muito bem destacada pelo espírito Camilo na obra A Carta Magna da Paz (psicografia de Raul Teixeira), diz respeito à sua forma de lidar com os erros e injustiças do mundo: a contestação pelo bem.

 

Sem Violência: Francisco discordava profundamente dos rumos da sociedade e dos desvios eclesiásticos, mas nunca recorreu à violência, à crítica agressiva, ao anátema ou à acidez verbal.

 


Criar o Novo: Em vez de maldizer os ricos, ele optou por viver com os pobres. Em vez de romper violentamente com a Igreja equivocada, passou a viver em seu bojo toda a luz aprendida no Evangelho. Em vez de instigar lutas de classes, propôs condições de vida onde qualquer antagonismo perdia o sentido.

 

"Neste período de transição planetária, o vigor do exemplo pessoal, da fidelidade ao evangelho terá mais efeito do que discursos e palavras."

 


4. A Prece da Paz e o Corpo Frágil


A célebre oração atribuída a Francisco de Assis — “Senhor, faze de mim um instrumento da tua paz” — sintetiza uma decisão íntima e intransferível. 


Conforme aponta a literatura espírita, dizer "faze de mim" é um ato de voluntariado da alma, e buscar ser "um instrumento" significa somar forças coletivamente, e não se colocar como o salvador solitário.

 

Apesar de ter um corpo frágil, ter contraído malária e hanseníase, enfrentado a cegueira e severos jejuns, Francisco suportou tudo com serenidade sublime. Ao desencarnar em 4 de outubro de 1226, deixou suas últimas e marcantes palavras:

 


"Fiz o que me cabia... 

Que Cristo vos ensine o que vos cabe."

Francisco de Assis

 


Legado e Continuidade


Após sua passagem pela Terra, Francisco continuou sua abnegada tarefa no plano espiritual, auxiliando na expansão da Doutrina Espírita e integrando a constelação de espíritos nobres que patrocinaram a Codificação Espírita ao lado de seu antigo apostolado como João Evangelista.

 

Que possamos, inspirados pelo Menestrel de Deus, silenciar as críticas estéreis, abraçar a simplicidade e transformar a nossa própria vida em um Evangelho vivo de amor e paz.

 

VIEIRA DE PAULA, Alessandro Viana. Francisco de Assis, o Menestrel de Deus. Revista O Consolador, Ano 6 , N 300,24 Fev.2013.Disponível em <www.oconsolador.com.br>.Acesso: 4 Out.2026.

 

sábado, outubro 10, 2026

O Poder do Nome de Jesus: A Emocionante História de Chico Xavier e Valéria




O Poder do Nome de Jesus: 



A Emocionante História de Chico Xavier e Valéria



Entre as muitas belas páginas de caridade e amor ao próximo protagonizadas por Chico Xavier, poucas são tão comoventes quanto a sua convivência com Valéria. 


Durante cerca de seis anos, em Pedro Leopoldo, Chico e seus amigos dedicavam os sábados a visitar doentes e necessitados, levando preces e carinho a Valéria, uma jovem que se tornara hemiplégica e muda após uma enfermidade.   


Sempre com muita ternura, Chico a incentivava a pronunciar o nome de Jesus. 


Em um sábado de forte ventania, pouco antes de seu desencarne, Valéria surpreendeu a todos ao reunir suas forças e conseguir balbuciar, com imensa alegria: 


— Josusu, Josusu!   


Anos mais tarde, em 1976, já residindo em Uberaba e acamado devido a um infarto, Chico recebeu uma visita inesperada no silêncio de seu quarto. 


Uma moça de beleza extraordinária apareceu-lhe espiritualmente. 


Ao pedir que ele adivinhasse quem era, ela pronunciou a marcante palavra: 


— Josusu! 


Era Valéria, transformada e radiante, que retornava do plano espiritual para lhe trazer conforto, paz e reafirmar a grandiosidade da fé e do nome de Jesus.  


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Emmanuel. Jesus em nós. Ed:GEEM.


 

sexta-feira, outubro 09, 2026

Casamento - Martins Peralva

 


Casamento 

Martins Peralva

 

O matrimônio , sagrado em suas origens , tem reunido sob o mesmo teto os mais variados tipos evolutivos , o que vem demonstrar que a união , na Terra, funciona , às vezes como meio de consolidação de laços de pura afinidade espiritual, e, noutros casos , em maioria, como instrumento de reajuste.


O matrimônio constitui alguma coisa além da união dos corpos e Martins Peralva fundamentando-se nas obras ditadas pelo Espírito André Luiz faz sua tentativa de classificá-lo em cinco tipos principais , assim compreendidos: 

Acidentais; 

Provacionais; 

Sacrificiais; 

Afins (afinidade superior) 

Transcendentes.


Nos próximos posts , exploraremos as classificações  segundo o autor, compreendendo como cada modalidade desempenha um papel fundamental no aprimoramento moral da humanidade.

 

PERALVA, Martins.  Estudando a mediunidade, espiritismo e lar,  Cap. XVIII, p. 101-105. FEB.


Classificação Dos Casamentos 

 Martins Peralva

 



Casamentos Acidentais

Martins Peralva

 

Ocorre por efeito de atração momentânea, de almas ainda inferiorizadas. 


São as pessoas que se encontram, se veem, se conhecem, se aproximam, surgindo, daí, o enlace acidental, sem qualquer ascendente espiritual. 


Usando de seu livre arbítrio, uma vez que por ele construímos sempre o nosso destino. No nosso mundo, tais casamentos são comuns, ainda.


PERALVA, Martins.  Estudando a mediunidade, espiritismo e lar,  Cap. XVIII, p. 101-105. FEB.

 


Casamentos Provacionais

Martins Peralva

 

Reencontro de almas, para reajustamentos necessários à evolução delas.

 

São os mais frequentes.


 É por essa razão que há tantos lares onde reina a desarmonia, onde impera a desconfiança, onde os conflitos morais se transformam, tantas vezes, em dolorosas tragédias.

 

Deus permite a união deles, através das leis do Mundo, a fim de que, pelo convívio diário, a Lei Maior, da fraternidade, seja por eles exercida nas lutas comuns.

 

A compreensão evangélica, a boa vontade, a tolerância e a humildade são virtudes que funcionam à maneira de suaves amortecedores.

 

O Espiritismo, pelos conhecimentos que espalha, é meio eficiente para que muitos lares em provação, se reajustem e se consolidem, dando, assim, os primeiros passos na direção do Infinito Bem.

 

O Espírita esclarecido sabe que somente ele pagará as suas próprias faltas, porém sempre contando com o auxílio Divino.


PERALVA, Martins.  Estudando a mediunidade, espiritismo e lar,  Cap. XVIII, p. 101-105. FEB.





Casamentos Sacrificiais

Martins Peralva

 

Deus permite  o reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada, com o objetivo de redimir a que se perdeu pelo caminho.

 

Reúnem almas possuidoras de virtude a outras de sentimentos opostos.

 

Acontece quando uma alma esclarecida, ou iluminada se propõe ajudar a que se atrasou na jornada ascensional.

 

Como a própria palavra indica, é casamento de sacrifício, para um deles.

 

E o sacrificado tanto pode ser a mulher como o homem.

 

Quem ama não pode ser feliz se deixou na retaguarda, torturado e sofredor, o objeto de sua afeição.


Volta, então, e, na qualidade de esposo ou esposa, recebe o viajor retardatário, a fim de, com o seu carinho e com a sua luz, estimular-lhe a caminhada. 

 

O Evangelho nos lares, como em toda a parte, funciona à maneira de estimulante da harmonia e construtor do entendimento.

 

PERALVA, Martins.  Estudando a mediunidade, espiritismo e lar,  Cap. XVIII, p. 101-105. FEB.

 


Casamentos Afins

Martins Peralva

 

Reencontro de   corações amigos, para consolidação de afetos.

 

São os que reúnem almas esclarecidas e que muito se amam.

 

São Espíritos que, pelo casamento, no doce aconchego do lar, consolidam velhos laços de afeição.

 

PERALVA, Martins.  Estudando a mediunidade, espiritismo e lar,  Cap. XVIII, p. 101-105. FEB.

 


Casamentos Transcendentes

Martins Peralva

 São Almas engrandecidas no Bem que se buscam para realizações imortais.


São constituídos por almas que se reencontram, no plano físico, para as grandes realizações de interesse geral.

 

A vida desses casais encerra uma finalidade superior.

 

O ideal do Bem e do Belo enche-lhes as horas e os minutos repletando-lhes as almas de doce ventura, acima de quaisquer vulgaridades terrenas, acima das emoções inferiores, o amor puro e santo.

 

Todos nós passamos, ou passaremos ainda, segundo o caso, por essa sequência de casamentos: acidentais, provacionais e sacrificiais, até alcançarmos no futuro, sob o sol de um novo dia, a condição de construirmos um lar terreno na base do idealismo transcendental ou da afinidade superior.

 

E enquanto caminhamos, o Espiritismo, abençoada Doutrina, cumulará os nossos dias das mais santas esperanças…

 

Algumas vezes o lar é um santuário, um templo, onde almas engrandecidas pela legítima compreensão exaltam a glória suprema do amor sublimado.

 

Porém, a maioria dos lares funcionam como oficina e hospital purificadores, onde, sob o calor de rudes provas e dolorosos testemunhos, Espíritos frágeis caminham, lentamente, na direção da Vida Superior.

 

PERALVA, Martins.  Estudando a mediunidade, espiritismo e lar,  Cap. XVIII, p. 101-105. FEB.