Pachelbel - Canon In D Major

segunda-feira, setembro 30, 2013

Quem oferece flores - Momento Espírita





Quem oferece flores



Quem oferece flores está sempre perfumado.


A frase é uma das muitas adaptações já sofridas por um possível provérbio chinês antigo.


Em outra versão lê-se que um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores.


Na essência dessa ideia está o ensino de que somos nós os maiores beneficiados por uma boa ação praticada, por uma doação, por um gesto de carinho.


Quem recebe as flores poderá se perfumar ou não, se encantar ou não, ficar agradecido ou dar pouca importância.


Porém, quem oferece o ramalhete já está perfumado.


Não temos controle sobre a reação do outro. Não sabemos se irá aproveitar bem, se saberá dar o verdadeiro valor àquilo que fizemos ou dissemos.


Mas, ao tomar a decisão de colher as rosas já estamos nos encharcando de sua essência delicada e bela.


Depois, transportando-as e permanecendo em sua companhia por um tempo, presenteamos nossos próprios olhos e pensamentos com imagens floridas.


Por vezes nos preocupamos em demasia em como o outro irá receber, se saberá valorizar, se saberá agradecer, e acabamos intranquilizando a alma.


A alma de quem oferece florescências não precisa se angustiar, pois já está mergulhada no bem, inundada de amor, do verdadeiro amor, aquele que não espera retorno nem reconhecimento.


É claro que sempre torcemos pelo sorriso no rosto de quem recebeu nosso presente, como se ele fosse a confirmação de que nossa ação foi nobre.


Porém, a confirmação maior está em nossa consciência, que sempre nos avisa, que sempre nos sinaliza quando estamos no caminho dos sentimentos nobres.


Aí está o pouco de perfume que permanece em nossas mãos.


Sempre saímos ganhando quando nos doamos, quando nos preocupamos com o outro. Essa é uma das grandes bênçãos da caridade – ela nos preenche.


Igualmente, se pensarmos pelo lado negativo, das ações maléficas, imaginemos mãos cheias de lama, prontas para atirar no outro.


Quem atira a lama já está coberto dela. É o primeiro que se suja e se prejudica e, mesmo que a jogue longe, mirando em algo ou alguém, sempre permanecerá com as mãos lamacentas.


Isso nos leva a entender que sempre temos a escolha: de estar com as mãos perfumadas ou cheias de lama.


*   *   *


Ofereço-lhe as flores de minh´alma,


Colhidas aqui e ali, nos campos que percorri,


Nas vidas que vivi, durante este tempo em que já sou eu.


Ofereço-lhe meus sorrisos e minha arte,


A arte de misturar as palavras multicolores, como flores, fazendo um jardim,


Ofereço-lhe meu tempo mais precioso, pois tempo que se passa junto é muito maior do que aquele que se passa só,


Ofereço-lhe companhia, não de quem pensa igual, mas de quem pensa ao lado, ouve, respeita e entende outros tipos de pensares.


Ofereço-lhe o que há de melhor em mim... E o mais curioso é que não me esvazio. Não, ao fazer isso, sinto-me ainda maior.






Redação do Momento Espírita.Disponível no CD Momento Espírita, v.24, ed. Fep. Disponível em www.momento.com.br.

domingo, setembro 29, 2013

Porquês da vida - Momento Espírita





Porquês da vida



Quem é que, nas horas de silêncio e recolhimento, nunca interrogou à natureza e ao seu próprio coração, perguntando-lhes o segredo das coisas, o porquê da vida, a razão de ser do Universo?


Onde está aquele que jamais procurou conhecer seu destino, levantar o véu da morte, saber se Deus é uma ficção ou uma realidade?


Não seria um ser humano, por mais descuidado que fosse, se não tivesse considerado, algumas vezes, esses tremendos problemas.


A dificuldade de os resolver, a incoerência e a multiplicidade das teorias que têm sido feitas, as deploráveis consequências que decorrem da maior parte dos sistemas já divulgados, todo esse conjunto confuso, fatigando o espírito humano, os têm relegado à indiferença e ao ceticismo.


Portanto, o homem tem necessidade do saber, da luz que esclareça, da esperança que console, da certeza que o guie e sustente.


Mas tem também os meios para conhecer, a possibilidade de ver a verdade se destacar das trevas e o inundar de sua benfazeja luz.


Para isso, deve se desligar dos sistemas preconcebidos, descer ao fundo de si mesmo, ouvir a voz interior que nos fala a todos, e que os sofismas não podem enganar: a voz da razão, a voz da consciência.


O que importa ao homem saber, acima de tudo, é: o que ele é, de onde vem, para onde vai, qual o seu destino.


As ideias que fazemos do Universo e de suas leis, da função que cada um deve exercer sobre este vasto teatro, são de uma importância capital.


Por elas dirigimos nossos atos. Consultando-as, estabelecemos um objetivo em nossas vidas e para ele caminhamos.


Nisso está a base, o que verdadeiramente motiva toda civilização.


Tão superficial é seu ideal, quanto superficial é o homem.


Para as coletividades, como para o indivíduo, é a concepção do mundo e da vida que determina os deveres, fixa o caminho a seguir e as resoluções a adotar.


*   *   *


Há certa dormência no homem materialista. Ele dorme para os valores reais da alma, da vida maior.


Vê-se esperto, antenado, ligado em tudo o que há de mais novo no mundo, mas não percebe que está dormindo ainda.


Em algum momento, terá de despertar...


Alguns despertam com reveses repentinos. Outros acordam com o sofrimento de uma doença ou a morte violenta entre os seus.


Mas há aqueles que desvelam o novo mundo através do amor e do estudo.


Quando o intelecto é guiado pelo amor, pelo bem, pela boa vontade, conseguimos despertar para a nova vida, a vida verdadeira, sem a necessidade de passar por nada traumático.


Que nossa vida seja repleta de porquês. Que não aceitemos as coisas pelo fato de sempre terem sido desse ou daquele jeito.


Que a razão nos guie e que essa razão possa estar cada vez mais apurada.


Mas que nos guie também o coração, pois é dentro dele que encontraremos as respostas que só o amor saberá dar.


A fé raciocinada deve ser nossa meta. O amor inteligente, nosso guia sempre.





Redação do Momento Espírita, com base na Introdução, item I, do livro O porquê da vida,de Léon Denis, ed. FEB.  Disponível em www.momento.com.br.

sábado, setembro 28, 2013

Felicidade - agora ou depois? - Momento Espírita




Felicidade - agora ou depois?



Você costuma afirmar que a felicidade foge de você? Que sempre que você está para conquistá-la, ela se vai, como fumaça ao vento?


Você não será porventura daqueles, como muitos de nós, que coloca a sua felicidade no futuro? Algo que é projetado e que um dia, quem sabe, poderá ser alcançado?


Talvez justamente aí resida a grande dificuldade de ser feliz. Não sabemos apreciar o momento que passa, o que temos, o que somos, onde estamos.


Vejamos. Quando andamos a pé, nossa felicidade está em comprar um carrinho. Não importa o tamanho, a cor, o ano. Importante que rode, que nos leve de um lado a outro, sem longas esperas em terminais de ônibus.


Quando, afinal, conseguimos adquirir o carro e começamos a utilizar, passamos a desejar ter um maior, mais confortável, mais econômico, melhor, enfim. E nisso passa a residir a nossa felicidade.


Sequer nos damos tempo de ficar felizes por termos o primeiro carro. Termos alcançado uma meta.


Quando não temos casa própria, sonhamos com ela. Ficar livres do fantasma do aluguel, podermos, em nossa propriedade, fazer o que desejamos, sem precisar pedir autorização ao proprietário.


Um dia, então, alcançamos o nosso desejo. Eis-nos na casa própria. Em vez de ficarmos felizes, plantarmos um jardim, e ir colocando os pequenos mimos cá e lá, enfeitando nosso cantinho particular, começamos a sonhar com uma casa maior.


Ou, então, em um bairro melhor, com mais comodidades. Afinal, seria interessante que cada membro da família tivesse seu próprio quarto e seu banheiro.


E sonhamos, e sonhamos.


Ora, desejar progredir é próprio do ser humano. Desejar melhorar as condições de vida é natural. Contudo, o que não nos permite sermos felizes, em momento algum, é não valorizarmos a conquista realizada.


E aprendermos que a felicidade não está especialmente em ter coisas, mas em saber dar a elas o seu devido valor.


Mais precioso que o carro, é a possibilidade de andar com as próprias pernas. É ter braços para estreitar, apertar contra o peito quem se ama.


Melhor que a casa onde se reside é gozar da felicidade de um lar, que quer dizer família, lugar de morar, de se expandir, de crescer, de amar e ser feliz.


Eis o segredo da felicidade. Eis porque encontramos seres que nada ou quase nada possuem e sabem sorrir.


Eis porque as crianças, que ainda não entraram no esquema do consumismo, ficam felizes por poder brincar, correr com os amigos.


Elas esquecem se está frio ou calor, se é hora de comer ou de dormir. O importante é gozar até o último momento da brincadeira com os amigos. Por isso, todos os dias, elas nos dizem com seus sorrisos: É possível ser feliz na Terra.


*   *   *


Saúde o seu dia com a oração da gratidão a Deus.


Você está vivo.


Enquanto a vida se expressa, se multiplicam as oportunidades de crescer e ser feliz.


Cada dia é uma bênção nova que Deus lhe concede, dando-lhe prova de amor.


Acompanhe a sucessão das horas, cultivando otimismo e bem-estar.





Redação do Momento Espírita, com pensamentos finais do cap. 1, do livro Vida feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.Disponível em www.momento.com.br.




sexta-feira, setembro 27, 2013

Raio de Luz - Momento Espírita




Raio de Luz

                                                         
Todas as noites, antes de fazer os filhos adormecerem, um pai muito carinhoso conversava com eles, enquanto lhes afagava os cabelos anelados.


Diariamente, escolhia um assunto que encontrava no Evangelho ou em algum acontecimento do cotidiano.


Naquela noite sem luar, quando as nuvens encobriam as estrelas, ele arranjou uma forma diferente de chamar a atenção das crianças.


Colocou-as no sofá da sala e disse-lhes que não se assustassem com a escuridão. Ele apagaria todas as luzes da casa, de propósito.


E assim o fez.


Deixou a casa às escuras e sentou-se no meio dos filhos que o aguardavam apreensivos.


Perguntou-lhes o que eles eram capazes de ver em meio àquele breu.


O menininho mais velho comentou que conseguia distinguir os contornos da cadeira que estava a sua frente, mas que não conseguia saber ao certo qual objeto produzia a sombra que se apresentava um pouco mais adiante.


O pai, aproveitando a oportunidade, esclareceu:


Nossos olhos acostumam-se com a ausência de luz e acabam conseguindo, com algum esforço, distinguir alguns objetos.


Porém, não é possível notar tudo quando a luz nos falta.


Alguns contornos podem enganar nossos sentidos.


Muitos detalhes passam despercebidos.


As cores deixam de ser perceptíveis.


A ausência de luz dificulta nosso caminhar porque não conseguimos notar com segurança para onde estamos indo.


Nesse momento, ele acendeu uma vela que trazia consigo.


As crianças exultaram diante da claridade que se fez na sala.


Vejam! - Convidou o pai. - Percebam como tudo parece diferente na presença da luz.


As sombras já não mais nos confundem.


Agora as formas assumem contornos mais exatos.


Como é mais fácil buscar um caminho, quando há luz a mostrar a direção correta.


Encantadas com a singela, porém, inesquecível descoberta, as crianças concordaram com o pai, enquanto o cobriam de carinhos antes de serem levados para a cama.



A maior glória da alma que deseja participar na obra de Deus será transformar-se em luz na estrada de alguém.


Registramos a luz sem nos adentrar em sua grandeza.


O raio de luz penetra a furna escura, levando a réstia de claridade que espanca as trevas.


Adentra o vale sombrio e estimula o florescer.


Atinge a gota d´água e reverte-a em um diamante multicolorido.


Visita o pântano e transforma-o em jardim, em pomar.


Viaja pelo ar, aquece vidas e as alimenta.


Beija as corolas e desata perfumes inesquecíveis.


Aninha-se no cristal e ele reverbera, embelezando-se ainda mais.




Não nos deixemos adoecer pelo amolentamento.


Há tantas possibilidades de darmos utilidade e beleza à vida.


Com o exemplo da luz, o Criador convida-nos a fazer o mesmo.


Desfaçamos as sombras nos corações.


Drenemos os charcos das almas.


Projetemos alegrias fomentadoras de vida naqueles que se encontram combalidos pela tristeza e pelo desalento.


Sejamos também um raio de luz, espraiando brilho e calor, beleza e harmonia, em todos os momentos, iluminando, assim, também, nossos próprios caminhos.




Redação do Momento Espírita.Disponível em www.momento.com.br

Um sonho que findou - Momento Espírita





Um sonho que findou


Imagine se um dia o homem inventasse um aparelho para escutar pensamentos! Imagine que esse aparelho pudesse detectar os pensamentos de quem se prepara para nascer. Se isso acontecesse, é possível que ouvíssemos algo mais ou menos assim:


Enfim, vou realizar o meu grande sonho! Um sonho grandioso demais para mim. Para algumas pessoas, pode parecer banal porque, com certeza, elas nem sequer compreendem como ele é precioso.


Mas, é o meu sonho. O meu desejo mais intenso: viver. Depois de muitos, muitos planos, muito tempo de expectativa, vou viver!


Vou ganhar a vida como oportunidade inestimável para crescer, aprender, realizar, amar, ter a chance que todos têm de construir e gravar na Terra sua passagem por ela.


Vou nascer. Faltam alguns meses, mas eu já estou completo há semanas.


O dia de eu ver a luz do sol, de sentir o ar entrar em meus pulmões está perto. Ah, como deverá estar a cor do céu nessa hora?


Estou ansioso para sentir o cheiro de minha mãe. Qual a cor dos seus olhos? O que será que verei primeiro: o seu sorriso de felicidade ou a sua lágrima de agradecimento a Deus?


Quem irá me balançar primeiro no colo, ela ou papai? Meu pai! Como será sua voz, suas mãos? Decerto devem ser grandes, bem maiores do que as minhas. Assim eu me sentirei bem protegido e amparado.


Vou adorar correr pela casa, procurando você, mamãe. Vou tomar banho cantando e rir de suas brincadeiras.


Você me verá perder o primeiro dentinho e tomará da minha mão para me ensinar a desenhar as primeiras letras. E eu vou escrever bem bonito, bem grande, dentro de um coração: mamãe!


*   *   *


Sonho, sonhei até há pouco. Mas hoje meu grande sonho foi transformado em pesadelo. Gritei por minha mãe porque ouvi dizer que a gente grita pela mãe, quando está com medo.


E eu tive tanto medo. Gritei. Mas ninguém me ouviu! Fui sentindo cada golpe da lâmina afiada. Encolhi-me, tentei fugir, mas não tinha para onde ir.


O ninho quente de amor se transformou numa câmara ensanguentada de morte.


Nem em todas as guerras se planejou câmara mais eficiente de matar. Um lugar onde o condenado não tem voz, não pode correr, não tem como se defender e nem querem saber se ele está sentindo alguma coisa.


*  *  *


Sonhei um sonho impossível. Sonhei um sonho de vida e amor. Sonhei estar aí, com você, mamãe.


O sonho acabou, a vida foi apagada e uma grande dor ficou em seu lugar.


Já não sei se voltarei a sonhar um dia. No momento, faço parte daqueles que não têm o direito de sonhar com a vida.


Mas quem sabe você encontre nas crianças que conseguiram viver e foram abandonadas, alguém que tenha sonhado como eu e que está à espera de um colo arrependido e cheio de amor.


*   *   *


Quando formos abençoados pelas missões da maternidade e da paternidade, jamais cogitemos de destruir a vida que ainda não desabrochou no mundo.


Não pensemos nos embaraços e nos problemas que eventualmente tenhamos que enfrentar. Ao contrário, pensemos nas tantas alegrias com que a Divindade nos brindará através das carícias de ternura das mãozinhas delicadas e dos risos infantis que nos encherão os ouvidos.


E não esqueçamos que um dia nós também batemos à porta de um coração materno, rogando pousada. Porque ele nos acolheu, agora estamos aqui, eu a falar e você a me escutar.


Pensemos nisso.





Redação do Momento Espírita, com base no texto Aos que sonham, de Cristina Damma F. Dias, da revista Harmonia, número 84, de outubro 2001.Disponível em www.momento.com.br.


quinta-feira, setembro 26, 2013

Você é insubstituível - Momento Espírita



Você é insubstituível



Quantas vezes você já ouviu a frase: Ninguém é insubstituível?


Pensando bem, ninguém é insubstituível, no sentido de que todos os seres humanos somos transitórios.


Hoje estamos aqui e amanhã poderemos não mais estar. E, a qualquer momento, poderemos ser substituídos no cargo que ocupamos, na realização da tarefa que nos devotamos.


E essa é uma realidade de muitas instituições, onde as pessoas são descartadas, por qualquer motivo ou motivo algum.


Contudo, ao se repensar bem a frase, percebemos que ela é inverídica sob variados aspectos.


Basta se faça um passeio pela História da Humanidade e logo descobriremos pessoas que fizeram a grande diferença no mundo.


No campo da arte, recordemos de Beethoven. Ele morreu em 1827. Quem o substituiu?


Embora tantos músicos depois dele, ninguém compôs sinfonias como ele o fez.


Nunca mais houve outra Sonata ao luar. Ele foi único. E ouvindo as suas sonatas, seus concertos quem recorda que ele era surdo?


Único e insubstituível também foi Gandhi, o líder pacifista e principal personalidade da Independência da Índia.


Quem ensinou a não violência como ele o fez? Quem, depois dele liderou uma marcha para o mar, por mais de 320 quilômetros para protestar contra um imposto?


Quem conseguiu a independência de um país da forma que ele o fez?


E que se falar de Martin Luther King Junior? Depois dele, alguém teve um sonho que custasse a própria vida?


Um sonho em que os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos se sentassem à mesa da fraternidade.


Um sonho de que os homens não fossem julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caráter.


Ele morreu em 1968. Quem o substituiu?


Quem substituiu Madre Teresa de Calcutá, com seu amor, seu bom senso, sua capacidade de entender a necessitada alma humana?


Quem substituirá o colo de mãe ao filho pequeno?


Quem poderá substituir o abraço da amada que partiu, do filho, do esposo que realizou a grande viagem?


Tudo isso nos leva a pensar que cada pessoa tem um talento especial, uma forma de ser particular e, com isso, marca sua passagem por onde passa.


Outros virão e tomarão seu lugar, realizarão suas tarefas, dispensarão amor, farão discursos importantes, mas ninguém como ela mesma.


Um órfão encontrará amparo e ternura em amorosos braços, o esposo poderá tornar a se casar mas nunca será uma substituição.


A outra pessoa tem outros valores, outros talentos, outra forma de ser.


Pensemos, pois, que, de verdade, cada um de nós onde está, com quem está, é insubstituível.


O que cada um de nós realiza, a ternura que oferece, a amizade que dispensa, o carinho que exprime é único.


Isso porque somos Criação Divina inigualável.


Criados à imagem e semelhança do Criador, com nuances especiais, conquistadas ao longo das eras e que se expressam no sentir, no agir, no falar.


Pensemos nisso e, em nossa vida, valorizemos mais as qualidades dos amigos, familiares, colegas, conhecidos, tendo em mente que cada um deles é insubstituível.


E valorizemo-nos porque também somos insubstituíveis no coração das pessoas e no mundo.







Redação do Momento Espírita. Disponível no cd Momento Espírita, v. 22, ed. Fep. Disponível em www.momento.com.br.

Crendo em Deus - Momento Espírita





Crendo em Deus 



Há um pensamento popular que diz que pouco importa se você não acredita em Deus. O importante é que Deus sempre acredita em você.


E há uma grande verdade nisso. Se hoje alguém afirma que não acredita em Deus, será um processo momentâneo.


Logo mais, nessa ou em próxima existência, do lado de cá ou do lado de lá da vida, perceberá o equívoco e, mais maduro, irá entender que Deus existe.


Afinal, alegam esses, nunca a ciência provou a existência de Deus. Para crer nEle, afirmam os materialistas, é necessário ter fé.


Porém, esquecem eles de refletir que tampouco a ciência conseguiu provar que Deus não existe.


Logo, para crer na não existência de Deus, para ser materialista, também é necessário ter fé.


Assim, entre as duas questões de fé, reflitamos com a razão.


Podemos não conseguir provar a existência ou ainda compreender a essência de Deus, mas conseguimos ver as obras de Sua Criação, os reflexos de Sua atuação.


Como explicar que o acaso seja capaz de fazer com que a matéria, poeira esparsa no Universo, aglomere-se e gere planetas, vida, inteligência?


Como explicar a infinitude dos astros no Universo, bailando no oceano cósmico: planetas, galáxias, nebulosas, como um relógio preciso e harmonioso?


Como explicar que uma única célula, aliando-se a outra, dê origem a um organismo de alta complexidade, formado por trilhões de células, com as mais variadas especializações?


E ainda, como explicar que esse mesmo organismo seja capaz de criar, imaginar, se emocionar e amar, somente como fruto do acaso da natureza?


Como falar das mágicas da natureza, como o instinto dos animais, que faz espécies já adultas buscarem as mesmas nascentes, praias, regiões, onde nasceram, para também se acasalarem, perpetuando a espécie?


Acaso as letras do alfabeto, jogadas a esmo, poderão, sem a intervenção do intelecto e da criatividade de um poeta, se transformarem em versos de delicada beleza?


Basta olhar as obras da Criação para entender a grandiosidade de Deus.


Com esse entendimento, o rei hebreu Davi escreveu em um de seus salmos: Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos.


Embora nossa capacidade intelectual e emocional tenha dificuldades para compreender que é Deus, podemos afirmar ser Ele a inteligência suprema, a causa primeira de todas as coisas do Universo.


Ou, conforme sintetiza João, o Evangelista, Deus é amor. E basta.


A partir disso, cabe a cada um de nós, filho de Deus, viver conforme Sua proposta.


Cabe a cada um de nós exercitar e fomentar o amor em nossa intimidade.


Será através do amor vivenciado e cultivado em nós que passaremos a compreender e entender a Deus.


O entendimento de Deus virá quando nosso coração se encher dEle, amando-O acima de todas as coisas e amando ao próximo como a nós mesmos, tal como nos recomenda Jesus.


Quando alcançarmos esse patamar, nossa alma estará plena de esplendor, tendo absorvido os luminosos raios do seu Pai e Criador.





Redação do Momento Espírita. Disponível em www.momento.com.br.