Pachelbel - Canon In D Major

quarta-feira, julho 31, 2013

Calma para o êxito - Joanna de Ângelis





Calma para o êxito


Joanna de Ângelis




Em todos os passos da vida, a calma é convidada a estar presente.




Aqui, é uma pessoa tresvairada, que te agride...


Ali, é uma circunstância infeliz, que gera dificuldade...


Acolá, é uma ameaça de insucesso na atividade programada...


Adiante, é uma incompreensão urdindo males contra os teus esforços...


É necessário ter calma sempre.


A calma é filha dileta da confiança em Deus e na Sua justiça, a expressar-se numa conduta reta que responde por uma atitude mental harmonizada.


Quando não se age com incorreção, não há por que temer-se acontecimento infeliz.


A irritação, alma gêmea da instabilidade emocional, é responsável por danos, ainda não avaliados, na conduta moral e emocional da criatura.


A calma inspira a melhor maneira de agir, e sabe aguardar o momento próprio para atuar, propiciando os meios para a ação correta.


Não antecipa, nem retarda.


Soluciona os desafios, beneficiando aqueles que se desequilibram e sofrem.


Preserva-te em calma, aconteça o que acontecer.


Aprendendo a agir com amor e misericórdia em favor do outro, o teu próximo, ou da circunstância aziaga, possuirás a calma inspiradora da paz e do êxito.




FRANCO, Joanna de Ângelis pelo Espírito Joanna de Ângelis.

terça-feira, julho 30, 2013

Realidades - André Luiz




Realidades


André Luiz




O palhaço que você ironiza é, freqüentemente, valoroso soldado do bom ânimo.

*

A mulher, extremamente adornada, que você costuma desaprovar, em muitas ocasiões está procedendo assim para ajudar numerosas mãos que trabalham.

*

A cantora que baila sorrindo e da qual você comumente se afasta entediado, na suposição de conservar a virtude, geralmente procura ganhar o pão para muitos familiares necessitados, merecendo consideração e respeito.

*

O homem bem-posto, que lhe parece preguiçoso e inútil, talvez esteja realizando trabalhos que você jamais se animaria a executar.

*

Não julgue o próximo pelo guarda-roupa ou pela máscara.
A verdade, como o Reino de Deus, nunca surge com aparências exteriores.





XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito André Luiz. Agenda Cristã , p. 49.

Há o momento certo para tudo, aprenda a esperar - Humberto Pazian






Há o momento certo para tudo, aprenda a esperar


Para viver bem...



Humberto Pazian



Observe a natureza.


O agricultor semeia o campo.


As pequeninas sementes são entregues aos cuidados do sol, da água e da terra.



No momento certo, rompe-se e germina.



Do pequeno caule que se ergue em direção ao céu, frondosas arvores alimentarão, com seus frutos, famílias inteiras.



Tem sido assim desde o inicio dos tempos.


Quando será que confiaremos na grande Inteligência que a tudo governa, provendo, inclusive, as nossas necessidades?





PAZIAN, Humberto. Para viver bem.p. 140.

segunda-feira, julho 29, 2013

Desobsessão Natural - Suely Caldas Schubert





Desobsessão Natural

Suely Caldas Schubert



“Aquele que encontrou Jesus já começou o processo de libertação interior e de desobsessão natural.” - Eurípedes Barsanulfo 


Encontrar Jesus! Tal como Paulo de Tarso e Eurípedes Barsa­nulfo O encontraram.


Encontrar Jesus significa libertação. 


Libertação do passado, dos erros que nos aprisionam como pesadas grilhetas. 



Libertação de nós mesmos.


Encontrar Jesus, realmente, significará mudança radical na in­timidade do nosso ser. 


Será a reforma interior definitiva — o nasci­mento de um homem novo, que veio finalmente à luz dAquele que é a Luz do Mundo.


Essa, conforme afirma Eurípedes, a desobsessão natural.


Bem poucos encontraram Jesus em plenitude. 



A maioria de nós O estamos buscando ainda.


Entretanto, aquele que efetivamente encontrá-Lo ficará virtual­mente transformado.


Identificação com o Cristo significa a eclosão do Amor verda­deiro.


Mas, o que se depreende é que nós estamos descobrindo, enxer­gando e sentindo o Cristo, progressivamente. 


Lentamente a Sua presença vai sendo percebida em nosso coração. 


E o Espiritismo veio contribuir de maneira decisiva para esse reencontro sublime, quando tivermos atingido a plenitude da vivência cristã e espírita.



Que não desanimemos de tentar. 


Que não nos desviemos do ca­minho, porque já o tempo escasseia. 



Importa manter acesa a chama da fé e a luz da esperança.


Embora os empeços na jornada, resultantes da nossa pouca evo­lução, tudo fazem, para nos sustentar, os seres invisíveis que nos amam e que nos impelem a prosseguir. 


São os cireneus do amor, que vêm nos apoiar e que aguardam a nossa ascensão.


Os sacrifícios que a luta hodierna nos impõem; a firmeza e a coragem de que devemos revestir-nos para resistir às tentações das sombras; os pesados tributos de dor com que a violência e a permis­sividade dos costumes nos oneram; o esforço titânico para lutar contra as forças negativas, que vêm de fora para dentro e aquelas outras que se movem de dentro para fora, representam para todos nós a arena dos sacrifícios onde fomos colocados para testemunhar a nossa fidelidade ao Cristo.


Estamos na imensa arena do mundo, onde as lutas são acerbas e os testemunhos, muita vez, cruciais.


Que a Doutrina Espírita, que nos ilumina a alma, possa real­mente nos tornar iluminados, no testemunho de fidelidade, de amor e de fé que formos capazes de oferecer.


Então, quando tudo terminar, quando se apagarem aos nossos olhos carnais as luzes do mundo, que possamos abandonar o invólu­cro físico com a serenidade de quem perseverou até o fim.


Nessa hora, sentiremos o Amor do Cristo a nos envolver e com­preenderemos, por certo, que conseguimos realizar alguma coisa no processo do aperfeiçoamento.


E, meditando no infinito que nos aguarda, recobraremos as energias para prosseguir na jornada, que um dia nos conduzirá até Jesus.




SCHUBERT,Suely Caldas. Obsessão Desobsessão.


Autodesobsessão - André Luiz





Autodesobsessão


André Luiz



Se você já pode dominar a intemperança mental...



Se esquece os próprios constrangimentos, a fim de cultivar o prazer de servir...



Se sabe cultivar o comentário infeliz, sem passá-lo adiante...



Se vence a indisposição contra o estudo e continua, tanto quanto possível, em contato com a leitura construtiva...



Se olvida mágoas sinceramente, mantendo um espírito compreensivo e cordial, à frente dos ofensores...



Se você se aceita como é, com as dificuldades e conflitos que tem, trabalhando com tudo aquilo que não pode modificar...



Se persevera na execução dos seus propósitos enobrecedores, apesar de tudo que se faça ou fale contra você...



Se compreende que os outros têm o direito de experimentar o tipo de felicidade a que se inclinem, como nos acontece...



Se crê e pratica o princípio de que somente auxiliando o próximo, é que seremos auxiliados...



Se é capaz de sofrer e lutar na seara do bem, sem trazer o coração amargoso e intolerante...



Então, você estará dando passos largos para libertar-se da sombra, entrando, em definitivo, no trabalho da autodesobsessão.






XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito André Luiz. Do livro Passos da Vida .

sábado, julho 27, 2013

O novo Papa - Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Arthur Lins de Vasconcellos

                


O novo Papa


 Divaldo Pereira Franco pelo Espírito  Arthur Lins de Vasconcellos 




Meus caros confrades


Meus votos de muita paz.


Permitam-me algumas breves considerações.


O mundo moderno, especialmente o Ocidente, viveu nos últimos dias a expectativa da eleição papal, quando o supremo chefe da Igreja Católica Apostólica Romana seria erguido ao trono pontifício, para a governança do imenso rebanho que se espalha pelo mundo.


A pompa, o poder arbitrário, os interesses econômicos em jogo, os conciliábulos políticos, ofereceram aos veículos midiáticos valiosa contribuição para comentários intérminos.


E hoje, quando foi eleito o Papa, e escolheu o nome de Francisco, homenageando o Pobrezinho de Assis e o inolvidável Francisco Xavier, divulgador do Cristianismo nas Índias, no Japão, nas Filipinas, simbolizando a humildade do primeiro e a solidariedade do segundo, perspectivas felizes abrem-se para um reinado transitório que deve deixar assinaladas marcas históricas no seio da sociedade.


A multissecular organização humana tem vivido de crises.


Crimes hediondos foram praticados na ignorância da noite medieval.


Homicídios cruéis e bem urdidos, guerras lamentáveis e perseguições inomináveis mancharam-lhe as páginas com o sangue de milhões de vítimas, em detrimento da sublime política de amor enunciada e vivida por Jesus-Cristo.


Uma nova crise de dimensões imensas, não há muito, cindiu a estrutura religiosa política e econômica do Vaticano tornado Estado.


A postura indigna dos administradores do Banco do Vaticano, as chagas morais e purulentas do comportamento de alguns dos seus representantes religiosos, as exigências da modernidade, a necessidade de ampliar os horizontes e atualizá-los, de maneira compatível com os comportamentos hodiernos constituem desafios máximos para Sua Santidade.


Merece considerar que toda organização rígida sofre as injunções penosas do tempo e toda edificação que pretende preservar a tradição sem a necessária adaptação ao meio ambiente e às novas formulações da vida, transformam-se em decomposições carunchadas que o tempo vence.
Das lições inolvidáveis do Mestre no meio da multidão, passou-se da convivência com o populacho sofrido e excluído da sociedade para a opulência da atualidade, com olvido da pureza do Evangelho.


Nada obstante, porque mais de um bilhão de criaturas pertencem ao rebanho, Jesus contempla com misericórdia as astúcias humanas e inspira todos aqueles que são honestos na busca do Bem a que encontrem rápidas soluções para os imensos problemas que ora se abatem sobre a sociedade e a grandiosa Instituição.


Merece considerar que o novo Papa, aclimatado a uma vida austera e simples, despojado das tradições do poder e do orgulho foi elegido para poder criar uma nova ponte, facultando a compreensão da vivência do Evangelho de Jesus, naquele sentido transcendental e santo da fraternidade e da compaixão.


Dois requisitos tornam-se inseparáveis para definir a legitimidade de qualquer doutrina religiosa: estabelecer a estrutura do Bem e da Caridade através do amor e não fazer a outrem o que não deseja que se lhe faça.


Todas as teologias aí perdem os seus focos. Ou encontram a diretriz que não seguem, estabelecendo paradigmas severos de interpretações complexas para o grande desafio do Amor ou são consumidas pelo tempo.

*

Sem a essência da vida na sua total simplicidade, o Espiritismo, com a tarefa de restaurar o Cristianismo na sua expressão mais singela, deve aprender com a lição destes séculos a preservar a pureza da fé, a fraternidade legítima e manter o espírito de compaixão e de solidariedade, para não se converter em uma perigosa organização político-religiosa-econômica como o mundo exige, falhando no objetivo essencial, que é iluminar as almas.


O Espiritismo possui como paradigma essencial a caridade, como Francisco a viveu com o próprio coração, em Assis, e por onde deixou as pegada marcadas de sangue nos caminhos percorridos. E também como executou o outro Francisco, Xavier, levando Jesus às imensas multidões e sensibilizando-as de tal forma que as conversões eram volumosas e festivas.


O exemplo desses Apóstolos, o espírita moderno deve e pode compreender, buscando imitá-los.


A missão que lhe cabe construir no mundo é a da fraternidade, que os governos não logram em razão das paixões políticas, nem a cultura vã que escraviza no intelectualismo vazio, nem a tecnologia, que faculta todo conforto imaginável, mas é responsável pelas guerras de extermínio...


Só Jesus pode realizá-la.
Todos nós, em uníssono, inscrevamos em nosso mundo íntimo a vida incomparável do Galileu, que a nós nos fascina, entregando-nos, como rebanho, ao Seu cajado amigo de segurança.


Agradecemos a vossa paciência para com as nossas reflexões.


O confrade


Arthur Lins de Vasconcellos




Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, em 13 de março de 2013, na data da eleição do Papa Francisco  na reunião mediúnica do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador – BA.Em 6.5.2013. Disponível em http://www.divaldofranco.com.br/mensagens.php?not=321. Acesso: 27 JUL 2013.



Reclamações - André Luiz




Reclamações

André Luiz



Aprendamos a evitar reclamações para não agravar dificuldades.


Perante situações em que a corrigenda se faça realmente necessária, entregue as circunstâncias aos responsáveis pela orientação delas, que sabem quando e como intervir.


Se você achou o ponto nevrálgico de alguma crise, terá encontrado o lugar onde o proveito geral lhe pede auxílio.


Procurando retificar algum erro, vale mais o seu conhecimento do bem que o seu conhecimento do mal.


Resguardando a harmonia de todos, imagine- se na condição da pessoa em que você pretende colocar o seu problema.


Reflita nas tribulações que provavelmente es-tará atravessando a criatura a quem você deseja apresentar a sua crítica.


A sua reclamação não lhe trará vantagem alguma.


Azedume para com as pessoas das quais você espera cooperação e serviço é o modo mais seguro de preveni-las contra o seu próprio interesse.


Qualquer pessoa, quando cultive a paz, pode retirar-se em paz do lugar, onde se julgue em desarmonia ou desapreço.


Experimente desculpar sempre, porquanto aquilo que nos parece falha nos outros, pode surgir por falha igualmente em nós e, em se tratando de desculpar, se hoje podemos dar, chegará sempre para cada um de nós o dia de receber.




XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito André Luiz.

Dom Helder Câmara (Espírito) em Psicografia Recente





Dom Helder Câmara (Espírito) em Psicografia Recente



Recentemente foi lançado no mercado cultural um livro mediúnico trazendo as reflexões de um padre depois da morte, atribuído, justamente, ao Espírito de Dom Hélder Câmara, bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife, desencarnado no dia 28 de agosto de 1999 em Recife, Pernambuco.


É do conhecimento geral, principalmente dos católicos brasileiros: Dom Hélder Câmara foi um dos fundadores da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e grande defensor dos direitos humanos durante o regime militar brasileiro, cuja luta, nesse processo político da nossa história, o notabilizou no mundo todo, como uma das figuras mais expressivas do século XX, na defesa dos fracos contra a tirania dos fortes e dos pobres contra a usura dos ricos. Pregava uma igreja simples voltada para os pobres e a não-violência.


Por sua atuação, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Foi indicado quatro vezes para o prêmio Nobel da Paz. Em 1969 - Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Saint Louis, Estados Unidos. Este mesmo título foi-lhe conferido por diversas universidades brasileiras e estrangeiras: Bélgica, Suíça, Alemanha, Holanda, Itália, Canadá e Estados Unidos.


Foi intitulado cidadão honorário de 28 cidades brasileiras e da cidade de São Nicolau, na Suiça e Rocamadour, na França. Recebeu o prêmio Martin Luther King, nos EUA e o prêmio Popular da Paz, na Noruega e diversos outros prêmios internacionais.


Por isso, o livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio espírita e grande polêmica entre os católicos.


O que causou mais espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom Hélder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões.


Marcelo Barros secretariou Dom Hélder Câmara no período de 1966 a 1975 e tem 30 livros publicados. Ao prefaciar o livro Novas Utopias, do Espírito Dom Hélder, reconhecendo a autenticidade do comunicante, pela originalidade de suas idéias e, também, pela linguagem, é como se a Igreja Católica viesse a público reconhecer o erro no qual incorreu muitas vezes, ao negar a veracidade do fenômeno da comunicação entre vivos e mortos, e desse ao livro de Carlos Pereira, toda a fé necessária como o Imprimatur do Vaticano.


É importante destacar, ainda, que os direitos autorais do livro foram divididos em partes iguais, na doação feita pelo médium, à Sociedade Espírita Ermance Dufaux e ao Instituto Dom Hélder Câmara, de Recife, o que, aliás, foi aceito pela instituição católica, sem nenhum constrangimento.


No prefácio do livro aparece também o aval do filósofo e teólogo Inácio Strieder e a opinião favorável da historiadora e pesquisadora Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados à Igreja Católica. Conforme eles mesmos disseram, essa obra talvez não seja uma produção direcionada aos espíritas, que já convivem com o fenômeno da comunicação, desde a codificação do Espiritismo; mas, para uma grandiosa parcela da população dentro da militância católica, que é chamada a conhecer a verdade espiritual, porque "os tempos são chegados"; estes ensinamentos pertencem à natureza e, consequentemente, à todos os filhos de Deus.


A verdade espiritual não é propriedade dos espíritas ou de outros que professam estes ensinamentos e, talvez, porque, tenha chegado o momento da Igreja Católica admitir, publicamente, a existência espiritual, a vida depois da morte e a comunicação entre os dois mundos.








Na entrevista com Dom Hélder Câmara, realizada pelos editores, o Espírito comunicante respondeu as seguintes perguntas sobre a vida espiritual:


- Dom Hélder, mesmo na vida espiritual, o senhor se sente um padre?

- Não poderia deixar de me sentir padre, porque minha alma, mesmo antes de voltar, já se sentia padre. Ao deixar a existência no corpo físico, continuo como padre porque penso e ajo como padre. Minha convicção à Igreja Católica permanece a mesma, ampliada, é claro, com os ensinamentos que aqui recebo, mas continuo firme junto aos meus irmãos de Clero a contribuir, naquilo que me seja possível, para o bem da humanidade.


- Do outro lado da vida, o senhor tem alguma facilidade a mais para realizar seu trabalho e exprimir seu pensamento ou ainda encontra muitas barreiras com o preconceito religioso?

- Encontramos muitas barreiras. As pessoas que estão do lado de cá reproduzem o que existe na Terra. Os mesmos agrupamentos que se formam aqui se reproduzem na Terra. Nós temos as mesmas dificuldades de relacionamento, porque os pensamentos continuam firmados, cristalizados em determinados pontos que não levam a nada. Mas, a grande diferença é que por estarmos com a vestimenta do espírito, tendo uma consciência mais ampliada das coisas podemos dirigir os nossos pensamentos de outra maneira e assim influenciar aqueles que estão na Terra e que vibram na mesma sintonia.


- Como o senhor está auxiliando nossa sociedade na condição de desencarnado?

- Do mesmo jeito. Nós temos as mesmas preocupações com aqueles que passam fome, que estão nos hospitais, que são injustiçados pelo sistema que subtrai liberdades, enriquece a poucos e colocam na pobreza e na miséria muitos; todos aqueles desvalidos pela sorte. Nós juntamos a todos que pensam semelhantemente a nós, em tarefas enobrecedoras, tentando colaborar para o melhoramento da humanidade.


- Como é sua rotina de trabalho?

- A minha rotina de trabalho é, mais ou menos, a mesma. Levanto-me, porque aqui também se descansa um pouco, e vamos desenvolver atividades para as quais nos colocamos à disposição. Há grupos que trabalham e que são organizados para o meio católico, para aqueles que precisam de alguma colaboração. Dividimo-nos em grupos e me enquadro em algumas atividades que faço com muito prazer.


- Qual foi a sua maior tristeza depois de desencarnado? E qual foi a sua maior alegria?

- Eu já tinha a convicção de que estaria no seio do Senhor e que não deixaria de existir. Poder reencontrar os amigos, os parentes, aqueles aos quais devotamos o máximo de nosso apreço e consideração e continuar a trabalhar, é uma grande alegria. A alegria do trabalho para o Nosso Senhor Jesus Cristo..


- O senhor, depois de desencarnado, tem estado com freqüência nos centros espíritas?

- Não.Os lugares mais comuns que visito no plano físico são os hospitais; as casas de saúde; são lugares onde o sofrimento humano se faz presente.
Naturalmente vou à igreja, a conventos, a seminários, reencontro com amigos, principalmente em sonhos, mas minha permanência mais freqüente não é na casa espírita.


- O senhor já era reencarnacionista antes de morrer?

- Nunca fui reencarnacionista, diga-se de passagem. Não tenho sobre este ponto um trabalho mais desenvolvido porque esse é um assunto delicado, tanto é que o pontuei bem pouco no livro. O que posso dizer é que Deus age conforme a sua sabedoria sobre as nossas vidas e que o nosso grande objetivo é buscarmos a felicidade mediante a prática do amor. Se for preciso voltar a ter novas experiências, isso será um processo natural.


Mediunidade

- Qual é o seu objetivo em escrever mediunicamente?

- Mudar, ou pelo menos contribuir para mudar, a visão que as pessoas têm da vida, para que elas percebam que continuamos a existir e que essa nova visão possa mudar profundamente a nossa maneira de viver.


- Qual foi a sensação com a experiência da escrita mediúnica?

- Minha tentativa de adaptação a essa nova forma de escrever foi muito interessante, porque, de início, não sabia exatamente como me adaptar ao médium para poder escrever. É necessário que haja uma aproximação muito grande entre o pensamento que nós temos com o pensamento do médium. É esse o grande problema de todos nós porque o médium precisa expressar aquilo que estamos intuindo a ele. No início foi difícil, mas aos poucos começamos a criar uma mesma forma de expressão e de pensamento, aí as coisas melhoraram. Outros (médiuns) pelos quais tento me comunicar enfrentam problemas semelhantes.


- Foi uma surpresa saber que poderia se comunicar pela escrita mediúnica?

- Não. Porque eu já sabia que muitas pessoas portadoras da mediunidade faziam isso. Eu apenas não me especializei, não procurei mais detalhes, deixei isso para depois, quando houvesse tempo e oportunidade. Imaginamos que haja outros padres que também queiram escrever mediunicamente, relatar suas impressões da vida espiritual.


- Por que Dom Hélder é quem está escrevendo?

- Porque eu pedi. Via-me com a necessidade de expressar aos meus irmãos da Terra que a vida continua e que não paramos simplesmente quando nos colocam dentro de um caixão e nos dizem "acabou-se". Eu já pensava que continuaria a existir, sabia que haveria algo depois da vida física. Falei isso muitas vezes. Então, sentir a necessidade de me expressar por um médium, quando estivesse em condições e me fossem dadas as possibilidades. É isto que eu estou fazendo.


- Outros padres, então, querem escrever mediunicamente em nosso país?

- Sim. E não são poucos. São muitos aqueles que querem usar a pena mediúnica para poder expressar a sobrevivência após a vida física. Não o fazem por puro preconceito de serem ridicularizados, de não serem aceitos, e resguardam as suas sensibilidades espirituais para não serem colocados numa situação de desconforto. Muitos padres, cardeais até, sentem a proteção espiritual nas suas reflexões, nas suas prédicas, que acreditam ser o Espírito Santo, que na verdade são os irmãos que têm com eles algum tipo de apreço e colaboram nas suas atividades.


- Como o senhor se sentiu em interação com o médium Carlos Pereira?

- Muito à vontade, pois havia afinidade, e porque ele se colocou à disposição para o trabalho. No princípio foi difícil juntar-me a ele por conta de seus interesses e de seu trabalho. Quando acertamos a forma de atuar foi muito fácil, até porque, num outro momento, ele começou a pesquisar sobre a minha última vida física. Então ficou mais fácil transmitir-lhe as informações que fizeram o livro.


- O senhor acredita que a Igreja Católica irá aceitar suas palavras pela mediunidade?

- Não tenho esta pretensão. Sabemos que tudo vai evoluir e que um dia, inevitavelmente, todos aceitarão a imortalidade com naturalidade, mas é demais imaginar que um livro possa revolucionar o pensamento da nossa Igreja. Acho que teremos críticas, veementes até, mas outros mais sensíveis admitirão as comunicações. Este é o nosso propósito.


- É verdade que o senhor já tinha alguns pensamentos espíritas quando na vida física?

- Eu não diria espírita; diria espiritualista, pois a nossa Igreja, por si só, já prega a sobrevivência após a morte. Logo, fazermos contato com o plano físico depois da morte seria uma consequência natural. Pensamentos espíritas não eram, porque não sou espírita. Sem nenhum tipo de constrangimento em ter negado alguns pensamentos espíritas, digo que cheguei a ter, de vez em quando, experiências íntimas espirituais.


Igreja


- Há as mesmas hierarquias no mundo espiritual?

- Não exatamente, mas nós reconhecemos os nossos irmãos que tiveram responsabilidades maiores e que notoriamente têm um grau evolutivo moral muito grande. Seres do lado de cá se reconhecem rapidamente pela sua hombridade, pela sua lucidez, pela sua moralidade. Não quero dizer que na Terra isto não ocorra, mas do lado de cá da vida isto é tudo mais transparente; nós captamos a realidade com mais intensidade. Autoridade aqui não se faz somente com um cargo transitório que se teve na vida terrena, mas, sobretudo, pelo avanço moral.


- Qual seu pensamento sobre o papado na atualidade?

- Muito controverso esse assunto. Estar na cadeira de Pedro, representando o pensamento maior de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma responsabilidade enorme para qualquer ser humano.. Então fica muito fácil, para nós que estamos de fora, atribuirmos para quem está ali sentado, algum tipo de consideração. Não é fácil. Quem está ali tem inúmeras responsabilidades, não apenas materiais, mas descobri que as espirituais ainda em maior grau.
Eu posso ter uma visão ideológica de como poderia ser a organização da Igreja; defendi isso durante minha vida. Mas tenho que admitir, embora acredite nesta visão ideal da Santa Igreja, que as transformações pelas quais devemos passar merecem cuidado, porque não podemos dar sobressaltos na evolução. Queira Deus que o atual Papa Ratzinger (Bento XVI) possa ter a lucidez necessária para poder conduzir a Igreja ao destino que ela merece.


- O senhor teria alguma sugestão a fazer para que a Igreja cumpra seu papel?

- Não preciso dizer mais nada. O que disse em vida física, reforço. Quero apenas dizer que quando estamos do lado de cá da vida, possuímos uma visão mais ampliada das coisas. Determinados posicionamentos que tomamos, podem não estar em seu melhor momento de implantação, principalmente por uma conjuntura de fatores que daqui percebemos. Isto não quer dizer que não devamos ter como referência os nossos principais ideais e, sempre que possível, colocá-los em prática.


- Espíritas no futuro?

- Não tenho a menor dúvida. Não pertencem estes ensinamentos à nossa Igreja, ou de outros que professam estes ensinamentos espirituais. Portanto, mais cedo ou mais tarde, a nossa Igreja terá que admitir a existência espiritual, a vida depois da morte, a comunicação entre os dois mundos e todos os outros princípios que naturalmente decorrem da vida espiritual.


- Quais são os nomes mais conhecidos da Igreja que estão cooperando com o progresso do Brasil no mundo espiritual?

- Enumerá-los seria uma injustiça, pois há base em todas as localidades.
Então, dizer um nome ou de outro seria uma referência pontual porque há muitos, que são poucos conhecidos, mas que desenvolvem do lado de cá da vida um trabalho fenomenal e nós nos engajamos nestas iniciativas de amor ao próximo.


Amor

- Que mensagem o senhor daria especificamente aos católicos agora depois da morte?

- Que amem, amem muito, porque somente através do amor vai ser possível trazer um pouco mais de tranqüilidade à alma. Se nós não tentarmos amar do fundo dos nossos corações, tudo se transformará numa angústia profunda. O amor, conforme nos ensinou o Nosso Senhor Jesus Cristo, é a grande mola salvadora da humanidade.


- Que mensagem o senhor deixaria para nós espíritas?

- Que amem também, porque não há divisão entre espíritas e católicos ou qualquer outra crença no seio do Senhor. Não há. Essa divisão é feita por nós, não pelo Criador. São aceitáveis porque demonstram diferenças de pontos de vista, no entanto,
a convergência é única, aqui simbolizada pela prática do amor, pois devemos unir os nossos esforços.


- Que mensagem o senhor deixaria para os religiosos de uma maneira geral?

- Que amem. Não há outra mensagem senão a mensagem do amor. Ela é a única e principal mensagem que se pode deixar.








FONTE
PEREIRA, Carlos pelo Espírito Dom Helder Câmara.Novas Utopias. Ed. Dufaux.