Pachelbel - Canon In D Major

domingo, março 31, 2013

Tempo certo - Hammed






Tempo certo

Hammed



 “... Aquele que semeia saiu a semear; e, enquanto semeava, uma parte da semente caiu ao longo do caminho...”



“... Mas aquele que recebe a semente numa boa terra é aquele que escuta a palavra, que lhe presta atenção e que dá fruto, e rende cento, ou sessenta, ou trinta por um.”(Capítulo 17, item 5).



Na vida, não existe antecipação nem adiamento, somente o tempo propício de cada um. 



A humanidade, em geral, recebe as sementes do crescimento espiritual a todo o instante.



Constantemente, a Organização Divina emite ideias de progresso e desenvolvimento, devendo cada indivíduo absorver a sementeira de acordo com suas possibilidades e habilidades existenciais.



A Natureza nos presenteia com uma diversidade incontável de flores, que nos encantam e fascinam. 



Certamente, não as depreciaríamos apenas por achar que vários botões já deveriam ter desabrochado dentro de um prazo determinado por nós, nem as repreenderíamos por suas tonalidades não ser todas iguais conforme nossa maneira de ver.



Nem poderíamos sequer compará-las com outras flores de diferentes jardins, por estarem ou não mais viçosas. Deixemos que elas possam germinar, crescer e florir, segundo sua natureza e seu próprio ritmo espontâneo. Isso será sempre mais óbvio.



Parece racional que ofereçamos a quem amamos o mesmo consentimento, porque cada ser tem seu próprio ―marco individual nas estradas da vida, e não nos
é permitido violentar sua maneira de entender, comparando-o com outros, ou forçando-o com nossa impaciência para que ―cresçam e ―evoluam‖, como nós acharíamos que deveria ser.



Cada um de nós possui diferenças exteriores, tanto no aspecto físico como na forma de se vestir, de sorrir, de falar, de olhar ou de se expressar. Por que então haveríamos de florescer a toque de caixa?



Nossa ansiedade não faz com que as árvores dêem frutos instantâneos, nem faz com que as roseiras floresçam mais céleres. Respeitemos, pois, as possibilidades e as limitações de cada indivíduo.



Jesus, por compreender a imensa multiformidade evolucional dos homens, exemplificou nessa parábola a dissemelhança das criaturas, comparando-as aos diversos terrenos nos quais as sementes da Vida foram semeadas.



As que caíram ao longo do caminho, e os pássaros as comeram, representam as pessoas de mentalidade bloqueada e restringida, que recusam todas as possibilidades de conhecimento que as conteste, ou mesmo, qualquer forma que venha modificar sua vida ou interferir em seus horizontes existenciais. 



São seres de compreensão e aceitação diminuta ou quase nula. São comparáveis aos atalhos endurecidos e macerados pela ação do tempo.



Outras sementes caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita terra, mas logo brotaram. Ao surgir o sol, queimaram-se porque a terra era escassa e suas raízes não eram suficientemente profundas.



Foram logo ressecadas porque não suportaram o calor da prova; e, por serem qualificadas como pessoas de convicção flutuante‖, torraram rapidamente seus projetos e intenções.



Nossas bases psicológicas foram recolhidas nas experiências do ontem. São raízes do passado que nos dão manutenção no presente para ir adiante, nos processos de iluminação interior.



Quando os caules não são suficientemente profundos e vetustos, há bloqueios tanto em nossa consciência intelectual como na emocional. Um mecanismo opera de forma a assimilar somente o que se pode digerir daquela informação ou ensinamento recebido.



Assim, a disponibilidade de perceber a realidade das coisas funciona nas bases do potencial e da viabilidade evolutiva‖ e, portanto, impor às pessoas que sejam sensíveis ou que progridam, além de desrespeito à individualidade, é fator perigoso e destrutivo para exterminar qualquer tipo de relacionamento. 



Os espinheiros que, ao crescer, abafaram as sementes representam as idéias sociais‖ que impermeabilizam a mentalidade dos seres humanos, pois, no tempo do Mestre, as leis do Torah asfixiavam e regulamentavam não somente a vida privada, mas também a pública. 



Os indivíduos que não pensam por si mesmos acabam caindo nos domínios das normas e regras, sem poder erguer em demasia a sua mente, restrita pelas idéias vigentes, o que os sentencia a viver numa frustração grupal, visto que seu grau de raciocínio não pode ultrapassar os níveis permitidos pela comunidade.



Jesus de Nazaré combateu sistematicamente os espinhos da opressão na pessoa daqueles que observavam com rigor rituais e determinações das leis, em detrimento da pureza interior. 


Dessa forma, Ele desqualificou todo espírito de casta entre as criaturas de sua época. 



As demais sementes, no entanto, caíram em boa terra e deram frutos abundantes. 



O que é um ―solo fértil? 



Nossos patrimônios de entendimento, de compreensão e de discernimento não ocorrem por acaso, porquanto nenhum aprendizado nos envolverá profundamente se não estivermos dotados de competência e habilidades propiciadoras. 



A boa absorção ou abertura de consciência acontece somente no momento em que não nos prendemos na forma. Aprofundarmo-nos no conteúdo real quer dizer:


-Quem não quebra a noz, só lhe vê a casca. Mas para quebrar a noz e preciso senso e noção, base e atributos que requerem tempo para se desenvolverem convenientemente.



A consciência da criatura, para que seja receptiva, precisa estar munida de despertamento natural e amadurecimento psicológico.



Reforçando a idéia, examinemos o texto do apóstolo Marcos, onde encontramos: ―porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga. O Mestre aceitava plenamente a diversidade humana.



Ele se opunha a todo e qualquer nivelamento psicológico e, portanto, lançou a Parábola do Semeador, a fim de que entendessemos que o melhor apoio que prestaríamos a nossos companheiros de jornada seria simplesmente esperar em silêncio e com paciência.



Portanto, compreendamos que a nós, somente, compete semear; sem esquecer, porém, que o crescimento e a fartura na colheita dependem da chuva da determinação humana‖ e do solo generoso‖ da psique do ser, onde houve a semeadura.




ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco pelo Espírito Hammed . Renovando Atitudes, CAP. 13
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sábado, março 30, 2013

Sacudir o pó - Hammed





Sacudir o pó

Hammed




 “... Quando alguém não quiser vos receber, nem escutar vossas palavras, sacudi, em saindo dessa casa ou dessa cidade, o pó de vossos pés...”



“... Assim diz hoje o Espiritismo aos seus adeptos: não violenteis nenhuma consciência; não forceis ninguém a deixar sua crença para adotar a vossa...” (Capítulo 21, itens 10 e 11).



Não nos influenciemos pelos feitos alheios. Nossas atitudes devem realmente nascer de nossas inspirações mais íntimas, e não constituir uma forma de ―reagir contra as atitudes dos outros.



Não permitamos que emoções outras determinem nosso modo peculiar de pensar e agir; caminhemos sobre nossas próprias pernas, determinando como agir ―Quando alguém não quiser vos receber, sacudi o pó de vossos pés. 



A recomendação de Jesus poderá ser assim interpretada: não devemos impor aos outros o constrangimento de convencê-los à nossa realidade, como se nossa maneira de traduzir as leis divinas fosse a melhor; nem achar que a Verdade é propriedade única, e que somente coubesse a nós a posse exclusiva desse patrimônio.



Em muitas ocasiões, a título de aconselhar melhores opções e diretrizes, no sentido de esclarecer e priorizar a seleção de atitudes dos outros, que, na verdade caberia a eles próprios desempenhar, nós extrapolamos nossas reais funções e limites, transformando o que poderia ser esclarecimento e orientação em abuso e ocupação indevida dos valores e domínios dos indivíduos.



Sentimos necessidade de ―corrigir opiniões, ―indicar caminhos, ―induzir experiências, privando as pessoas de exercer opções e de vivenciar suas próprias experiências. 



Deixando-as cair e se levantar, amar e sofrer, estamos, ao contrário, permitindo que elas mesmas possam angariar seus próprios conhecimentos e, dessa forma, estruturar sua maturação e crescimento pessoal.



―Deixar casas e cidades que não nos ouvem as palavras é demonstrar que não temos a pretensão de únicos possuidores da revelação divina e que, não fosse nossa intermediação, as criaturas estariam desprovidas de outros canais de instrução e conhecimento divino.



―Reter o pó em vossos pés é não ter a visão da imensidade e diversidade das possibilidades universais, que apóiam sempre as criaturas de conformidade com sua idade astral e sempre no momento propício para seu crescimento íntimo.



A Vida Maior tem inúmeras vias de inspiração e revelação, a fim de conduzir os indivíduos a seu desenvolvimento espiritual; portanto, não devemos nos arvorar em indispensáveis dignitários divinos.



Lancemos as sementes sem a pretensão de aplausos e reconhecimentos, mesmo porque talvez não haja florescimento imediato, mas na terra fértil dos sentimentos humanos haverá um dia em que o campo produzirá a seu tempo.



Ao aceitarmos as pessoas como indivíduos de personalidade própria, respeitando suas opiniões, idéias e conceitos, até mesmos seus preconceitos, estaremos dando a elas um fundamental apoio para que escutem o que temos para dizer ou esclarecer, deixando depois que elas mesmas, conforme lhes convier, mudem ou não suas diretrizes vivenciais.



Talvez o servo imprudente, arraigado no orgulho, esperasse louros dourados de consideração e entendimento de todos os que o escutassem, e que fosse amplamente compreendido em suas intenções, mas por enquanto, na Terra, o plantio é ainda difícil e as colheitas não são generosas.



Há muitas criaturas intransigentes e rigorosas que não entendem, impõem; não ensinam, pregam; não amam, manipulam; não respeitam, criticam; e por não usarem de sinceridade é que fazem o gênero de ―suposta santidade.



Portanto, se não formos bem acolhidos nos labores que desempenhamos na Seara de Jesus, silenciemos sem qualquer ―reação aos contratempos e aguardemos as providências das ―Mãos Divinas.



Nesse afã, prossigamos convictos de nosso ideal de amor, palmilhando, entre as realizações porvindouras rumo ao final feliz, nosso próprio caminho, cujo mapa está impresso em nosso coração.






ESPIRITO SANTO NETO, Francisco pelo Espírito Hammed. Renovando Atitudes, CAP.10.

sexta-feira, março 29, 2013

O Perfume de Jesus - Paulo Roberto Gaefke






O Perfume de Jesus


Paulo Roberto Gaefke



Poucas horas antes de ser levado para o seu martírio final,Jesus foi perfumado por aquela mulher na casa de Simão, que lavou-lhe os pés com suas lágrimas e secou-as com seus cabelos.



Quebrando o vaso de alabastro, perfumou-o e chorando copiosamente se retirou, sentindo sua alma liberta e aliviada.



Quando Simão e os demais perguntaram para Jesus se Ele sabia do passado daquela mulher, o Mestre imediatamente perguntou:



"Quem sofre mais? Aquele que deve 50 ou 500 moedas?



Ao ouvir a resposta de que sofre mais quem mais deve, o Senhor do Amor,perdoou aquela mulher, que entrou para a história, ao perfumar o próprio Cristo,demonstrando a sua humildade e amor.



Dizem que naquela tarde, as três horas, na hora em que expirou a vida no corpo de Jesus, o dia se fez noite, o véu do santuário rasgou-se em dois e muitos mortos se levantaram dos túmulos.



No meio desse caos, das trevas que se formaram, algumas pessoas, puderam sentir no ar, aquele perfume do vaso de alabastro, o perfume de Jesus, o perfume de amor.



É esse perfume que eu quero que você sinta agora entrando pela sua vida.



É esse aroma amoroso que eu quero que penetre agora no seu espírito e nunca mais saia da sua vida.



Feche os olhos e pense em Jesus.



Pense no Jesus vivo.



Pense que você está agora entrando na casa de Simão e leva o seu perfume preferido para ungir o Nosso Senhor.



Veja o sorriso de Jesus com a sua presença, encoste a sua cabeça no peito Dele e deixe Ele te afagar os cabelos.



Chore, solte todas as suas dores, aflições, conflitos, e abandone-se no abraço do Cristo.



Lave os pés de Jesus com suas lágrimas, enquanto sua alma é lavada e redimida pelo Seu infinito amor.



Esse é o seu momento, não se preocupe com os outros.



Olhe agora para os olhos de Jesus, veja toda a beleza desse olhar que penetra no fundo da sua alma e compreenda definitivamente que Ele te ama mais do que tudo e você é a ovelha amada que Ele veio recuperar.



Ao sair, quando abrir os olhos, não estranhe o perfume de rosas espalhado no ar.



É Jesus, que veio marcar a sua presença definitiva na sua vida, e nunca mais você vai se sentir sozinho.



Nunca mais vai se sentir abandonado, pois este perfume, esse amigo, essa luz, vai estar sempre em sua vida.



Essa luz chamada Jesus vai iluminar a sua vida e você vai ser feliz, porque você merece toda a felicidade deste mundo.



"E, estando Ele em Betânia, assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso,veio uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com unguento de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça.“

Servilismo - Hammed





Servilismo

Hammed



 “... A obediência e a resignação, duas virtudes companheiras da doçura, muito ativas, embora os homens as confundam erradamente com a negação do sentimento e da vontade.


A obediência é o consentimento da razão, a resignação é o consentimento do coração...”(Capítulo 9, item 8).



A subserviência pode esconder falta de iniciativa, passividade indesejável, complexo de inferioridade e uma imaturidade de personalidade.



Obedecer não é negar a vontade e o sentimento, mas exercitar o próprio poder de escolha para cooperar com os outros na produção de algo maior e melhor do que aquilo que se faria sozinho.



Assim considerando, a obediência deve ser uma postura interna, racional, lógica, compreensiva e a mais consciente possível.



Os problemas do servilismo ou da subserviência nas criaturas foram gerados em muitas circunstâncias na infância, quando pais instigavam o medo e a ameaça como forma de obter obediência dos filhos. Trata-se de um propósito cômodo e muito rápido, mas contra-indicado na complexa tarefa de educar.



Adultos que herdaram tal formação familiar, se não forem espíritos maduros e decididos, com farta bagagem espiritual e valores desenvolvidos, poderão viver com essa ―intrusão educacional.



Esse modo forçado de obedecer aos outros desenvolve neles uma postura de anulação das próprias metas, pois substitui sua independência pela vontade alheia.
Outros tantos trazem das vivências anteriores sentimentos de culpa por abandonarem sem nenhuma consideração entes queridos. 



São verdadeiros ―clichês mentais arquivados no inconsciente profundo, que detonam em forma de obediência e servidão compulsória, para compensar o passado infeliz.



A Psicologia, por seu turno, assevera que certos indivíduos desequilibrados por conflitos herdados na infância trazem enraizados em sua personalidade uma necessidade enorme de satisfazer seus ―sentimentos de mando e ―de autoridade, sempre impondo ordens, métodos e regras que, obedecidos passivamente, lhes trazem um enorme prazer e satisfação.



Essas pessoas ao entrarem em contato com personalidades submissas, compensarão sua neurose de ―dar ordens‖, e em muitos casos, somam ao seu impulso agressivo a ―neurose de autoridade, satisfazendo assim suas características sádicas, dominando e afligindo essas criaturas servis, por anos e anos.



O ser humano que se sujeita a ordens de comando vive constantemente numa confusão mental, absorvendo na atmosfera íntima uma sensação de ―não ter agradado o suficiente. 



Numa tentativa inútil de cumprir e concordar com ordens recebidas, cai quase sempre na decepção, na revolta e na indignação, pois esperava receber amor e consideração pela obediência executada.



Muitos de nós tivemos pais que nunca se importaram em nos ―impor limites, fatores indispensáveis para que a criança aprenda a conhecer o ―não‖, evitando a ilusão de que terá tudo a seu dispor e que jamais encontrará obstáculos e dificuldades.



Viver querendo ter sempre nossos desejos realizados e executados é ―exigir obediência‖, a qualquer preço, daqueles que nos cercam.



Paralelamente, com o passar do tempo, essa postura pode se tornar inversa. 



Ao invés de exigirmos sujeição de todos os nossos pontos de vista, passamos a ―nunca dizer não, sempre tentando satisfazer os outros, sempre dizendo ―sim, ainda que precisemos ir às últimas conseqüências.



Por outro lado, uma pessoa que ―nunca diz não só pode ser ―desonesta, porque diz que ―faz e ―dá muito mais do que ―tem e ―pode, expondo-se sempre ao risco de ser tachada de hipócrita e, além de tudo, de não realizar sua própria missão na Terra, porque se arvorou em correr atrás das realizações dos outros.



―A obediência é o consentimento da razão. 



Quem consente alguma coisa permite que se faça ou não, conforme achar conveniente à sua maneira de agir e pensar. 



―A resignação é o consentimento do coração, ou melhor, os sentimentos falarão mais alto e a criatura abdicará o seu direito em favor de alguém, ou de uma causa, por livre e espontânea vontade, já que o direito era de sua competência.



Efetivamente, a obediência e a resignação, virtudes às quais Jesus de Nazaré se referia, não são aquelas que ―os homens as confundem erradamente com a negação do sentimento e da vontade, conforme bem define o espírito Lázaro no texto em reflexão.



Lembremo-nos, portanto, de que servir nem sempre será considerado virtude, visto que essa postura de nossa parte pode simplesmente estar camuflando uma obrigação compulsiva de agradar a todos, bem como pode estar desviando-nos de nossa real missão na Terra, que é crescer e amadurecer espiritualmente.





ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco pelo Espírito Hammed. Renovando Atitudes, Cap. 15.

quinta-feira, março 28, 2013

Amar não sofrer - Hammed






Amar não sofrer

Hammed




“Perguntais se é permitido abrandar as vossas próprias provas: essa questão leva a esta: é permitido àquele que se afoga procurar se salvar? Àquele que tem um espinho cravado, de o retirar?...”


“... contentai-vos com as provas que Deus nos envia, e não aumenteis sua carga, às vezes tão pesada...” (Capítulo 5, item 26.)



Sofremos porque ainda não aprendemos a amar; afinal, a lei divina nos incentiva ao amor, como sendo a única forma capaz de promover o nosso crescimento espiritual.



Os métodos reais da evolução só acontecem em nós quando entramos no fluxo educativo do amor. 



Sofrer por sofrer não tem significado algum, pois a dor tem como função resgatar as almas para as faixas nobres da vida, por onde transitam os que amam em plenitude.



Temos acumulado inúmeras experiências nas névoas dos séculos, em estâncias onde nossas almas estagiaram, e aprendido invariavelmente que só repararíamos nossos desacertos e equívocos perante a vida através do binômio ―dor-castigo.



Nas tradições da mitologia pagã, aprendemos com os deuses toda uma postura marcada pela dor. 



A princípio, os duelos de Osíris, Sete Hórus, do Antigo Egito. 



Mais além, assimilamos ―formas-pensamentos‖ das desavenças e vinganças entre Netuno e Júpiter no Olimpo, a morada dos deuses da Grécia.



Por outro lado, não foi somente entre as religiões idólatras que incorporamos essas formas de convicção, mas também nos conceitos do Velho Testamento, onde exercitamos toda uma forma de pensar, na exaltação da dor como um dos processos divinos para punir todos aqueles que se encontravam em falta.



A palavra ―talião significa ―tal, do latim ―talis, definida como a ―Lei de Talião, ou seja, ―Olho por olho, dente por dente.18 Significa que as criaturas deveriam ter como castigo a dor, ―tal qual fizeram os outros sentir. Constatamos, assim, a idéia de que se tinha do poder divino era caracterizada por atributos profundamente punitivos.



Já afirmava: ―e Deus na sua ira lhes repartirá as dores‖;19 o Gênesis, em se referindo aos castigos da mulher: ―multiplicarei os teus trabalhos e em meio da dor darás à luz a filho.



São algumas dentre muitas assertivas que nos levaram a formar crenças profundas de que somente o sofrimento era capaz de sublimar as almas, ou reparar negligências, abusos e crimes.



No ―Sermão do Monte, Jesus Cristo se refere à Lei de Talião revogando-a completamente: 




―Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se alguém te bater na face direita, apresenta-lhe também a outra .



 Longa foi a estiagem dos métodos conetivos pela dor, contudo o Mestre instalou na Terra o processo da educação pelo amor. 



Apesar de Jesus ter invalidado a lei do ―tal crime, tal castigo, ela ainda prevalece para todos os seres humanos que não encontraram no amor uma forma de ―vive e pensar. 



Realmente, durante muito tempo, a dor terá função dentro dos imperativos da vida, estimulando as pessoas às mudanças e às renovações, por não aceitarem que o amor muda e renova e, portanto, utiliza-se dos ―cilícios mentai, como meios de suplícios e tormentos, para se autopunirem, pondo assim em prática toda sua ideologia de ―exaltação à falta-punição.



Crenças não são simplesmente credos, máximas ou estímulos religiosos, mas também princípios orientadores de fé e de idéias, que nos proporcionam direção na vida. 



São verdadeiras forças que poderão limitar ou ampliar a criação do bem em nossa existência.




Mudar para o amor como método de crescimento, reformulando idéias e reestruturando os valores antigos é sairmos da posição de vítimas, mártires ou pobres coitados, facilitando a sintonização com as correntes sutis e amoráveis dos espíritos nobres que subiram na escala do Universo, amando.



Podemos, sim, ―sutiliza nossas energias cármicas, amando, ou ―desgastá-la penosamente, se continuarmos a reafirmar nossas crenças punitivas do passado.



Reforçar o ―espinho cravado‖ ou não retirá-lo é opção nossa. 



Lembremo-nos, porém, de que idéias arraigadas e adotadas seriamente por nós tendem a motivar-lhes a própria concretização.





ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco pelo Espírito Hammed. Renovando Atitudes, Cap, 21.

quarta-feira, março 27, 2013

Pré-ocupação - Hammed






Pré-ocupação

Hammed




“... Observai os pássaros do céu: eles não semeiam nem colhem...”


“... Observai como crescem os lírios dos campos: eles não trabalham nem fiam...”


“... não estejais inquietos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta o seu mal.” (Capítulo 25, item 6.)



A estratégia da preocupação é nos manter distantes do momento presente, imobilizando as realizações do agora em função de coisas que poderão ou não acontecer.



Desperdiçamos, por conseqüência, tempo e energias preciosas, obcecados com os eventos do porvir, sobre os quais não temos qualquer tipo de comando, pois olvidamos que tudo que podemos e devemos dirigir é somente nossas próprias vidas.



São realmente diversas as preocupações sobre as quais não temos nenhum controle: a doença dos outros, a alegria dos filhos, o amor das pessoas, o julgamento alheio sobre nós, a morte de familiares e outras tantas. Podemos, porém, nos ―pré-ocupar‖ o quanto quisermos com essas questões, que não traremos a saúde, a felicidade, o amor, a consideração ou mesmo o retorno à vida, porque todas elas são coisas que fogem às nossas possibilidades.



Outra questão é quando passamos por enormes desequilíbrios causados pelo desgaste emocional de nos ocuparmos antes do tempo certo com coisas e pessoas, o que ocasiona insônias, decepções e angústias pelo temor antecipado do que poderá vir a acontecer no amanhã.



Não confundamos ―pré-ocupação com ―previdência, porque se preparar ou ser precavido para realizar planos para dias vindouros é tino de bom senso e lógica; mas prudência não é preocupação, porque enquanto uma é sensata e moderada, a outra é irracional e tolhe o indivíduo, prejudicando-o nos seus projetos e empreendimentos do hoje.



Nossa educação social estimula o vício do ―pensamento preocupante‖, principalmente no convívio familiar, onde teve início o fato de relacionarmos preocupação com ―dar proteção.



Passamos a nos comportar afirmando: ―Lógico que eu me preocupo com você, eu o amo, ―Você tem que se preocupar com seus pais, ―Quem tem filhos vive em constante preocupação.



Pensamos que estamos defendendo e auxiliando os entes queridos, quando na verdade estamos confinando-os e prejudicando-os por transmitir-lhes, às vezes, de modo imperceptível, medo, insegurança e pensamentos catastróficos.



―Não estejais inquietos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.



A cada dia basta seu mal.



O Criador provê suas criaturas como necessário, porquanto seria impossível a Natureza criar em nós uma necessidade sem nos dar meios para supri-la. 




―Vede os pássaros do céu, vede os lírios dos campo.



Além do mais, pedia-nos que fizéssemos observações de como a vida se comporta e que deixássemos de nos ―pré-ocupa, convidando-nos a olhar para nossa criação divina que a todos acolhe.



O Mestre queria dizer com essas afirmativas que tudo o que vemos tem ligação conosco e com todas as partes do Universo e que somos, em realidade, participantes de uma Natureza comum. As mesmas causas que cooperam para o benefício de uns cooperam da mesma forma para o de outros. Quando há confiança, existe fé; e é essa fé que abre o fluxo divino para a manutenção e prosperidade de nossa existência, dando-nos juntamente a proteção que buscamos em todos os níveis de nossa vida.





ESPIRITO SANTO NETO, Francisco pelo Espírito Hammed. Renovando atitudes.