Pachelbel - Canon In D Major

quinta-feira, março 16, 2017

D. Pedro II - Humberto de Campos






D. Pedro II

Humberto  de Campos


Enquanto os vivos se reuniam em torno do monumento que o Brasil erigiu ao Patriarca da Independência, no Rio de Janeiro, os grandes "mortos" da Pátria igualmente se colocavam entre os encarnados, aliando-se ao povo carioca nas suas comovedoras lembranças.



Também acorri ao local da festa votiva dos Brasileiros, acompanhado do meu amigo José Porfírio de Miranda, antigo milionário do Pará, que a borracha elevara às culminâncias da fortuna, conduzindo-o em seguida, aos declives da miséria, nos seus caprichosos movimentos.


Os vivos e mortos do Brasil se reuniam na mesma vibração afetiva das recordações suaves, enviando ao nobre organizador da vida política da nacionalidade um pensamento de amizade e de veneração.



Antigo companheiro nosso, também no plano invisível, em plena via pública acercou-se de mim, exclamando:


- Chegas um pouco tarde. 


José Bonifácio já não está presente; mas, poderás ainda conseguir uma proveitosa entrevista para os teus leitores. 


Sabes quem saiu daqui neste momento?


- Quem? 


Pergunto eu, na minha fome de notícias.


- O Imperador.


- D. Pedro II?


- Ele mesmo. 


Após lembrar a grande figura do Patriarca, dirigiu-se com alguns amigos para Petrópolis, a reavivar velhas lembranças...


Em meu íntimo, havia um alvoroço de emoções. 


Lembrei-me de que, em toda a minha existência de jornalista no mundo, só enxergara um monarca dentro dos meus olhos: o rei Alberto I, dos Belgas, quando, no Clube dos Diários, a elite dos intelectuais do país lhe oferecera a homenagem de uma comovida admiração.


E ponderei se haveria mérito em consultar o pensamento de um rei, no outro mundo, onde todas as majestades desaparecem. 


Recordei a figura do grande imperador que Victor Hugo considerava o monarca republicano.


Com os olhos da imaginação, vi-o, de novo, na intimidade dos Paços de São Cristóvão: o perfil heráldico, onde um sorriso de bondade espalhava o perfume da tolerância; as barbas compridas e brancas, como as dos santos das oleografias católicas; o olhar cheio de generosidade e de brandura, irradiando as mais doces promessas.


Um vivo, em havendo de ir a Petrópolis, é obrigado ao trajeto penoso dos ônibus, embora as perspectivas maravilhosas do mais belo trecho de todas as estradas do Brasil; os desencarnados, porém, não necessitam de semelhantes sacrifícios. 


Num abrir e fechar de olhos, eu e o meu amigo nos encontrávamos na encantadora cidade das hortências onde os milionários do Rio de Janeiro podem descansar nas mais variadas épocas do ano.


Não fomos encontrar o Imperador nos antigos edifícios em que estabelecera a residência patriarcal de sua família; mas, justamente num recanto de jardim, contemplando as deliciosas paisagens da Serra da Estrela e apreciando o sabor das recordações amigas e doces.


Acerquei-me da sua individualidade, com um misto de curiosidade e de profundo respeito, procurando improficuamente identificar os dois companheiros que o rodeavam.


- Majestade! 


- Tentei chamar-lhe a atenção com a minha palavra humilde e obscura.


- Aproximem-se meus amigos! 


-  respondeu-me com benevolência e carinho - 


Aqui não existe nenhuma expressão de majestade. 


Cá estão, fraternalmente comigo, o Afonso(Afonso Celso de Assis Figueiredo, Visconde de Ouro Preto. Foi presidente do último gabinete ministerial que teve a monarquia)  e o Luiz(Luiz Felipe Gastão de Orleans, Conde d'Eu. Foi genro de D. Pedro II, por ter casado com a princesa Isabel. , como três irmãos, sentindo eu muito prazer na companhia de ambos. Se o mundo nos irmana sobre a Terra, a morte nos confraterniza no espaço infinito, sob as vistas magnânimas do Senhor.


E, fazendo uma pausa, como quem reconhece que há tempo de falar e tempo de ouvir, conforme nos aconselha a sabedoria da Bíblia, exclama o Imperador com bondade:


- A que devo o obséquio da sua interpelação?


- Majestade! 


- Respondi, confundido com a sua delicadeza - desejara colher a sua opinião com respeito ao Brasil e aos Brasileiros. 


Estamos no limiar do cinquentenário de República e seria interessante ouvir o vosso conselho paternal para os vivos de boa vontade. 


Que pensais destes quarenta e tantos anos de novo regime?



- Minha palavra  - Retrucou D. Pedro - não pode ter a importância que a sua generosidade lhe atribui. 


Que poderia dizer do Brasil, senão que continuo a amá-lo com a mesma dedicação de todos os dias? 


Do plano invisível, para o mundo, prosseguimos no mesmo labor de construção da nacionalidade. 


As convenções políticas dos homens não atingem os espíritos desencarnados. 


O exílio termina sempre na sepultura, porque a única realidade é o amor, e o amor, eliminando todas as fronteiras, nos ligou para sempre ao torrão brasileiro. 


Não tenho o direito de criticar a República mesmo porque todos os fenômenos políticos e sociais do nosso país tiveram os seus pródomos no mundo espiritual, considerando-se a missão do Brasil dentro do Evangelho. 


Apenas quero dizer que não só os republicanos, mas também nós os da monarquia, estávamos redondamente enganados. 


O erro da nossa visão, quando na Terra, foi supor no Brasil o mesmo espírito anglo-saxão que a Inglaterra legara aos Norte-americanos. 


Eu também fui apaixonado pelo liberalismo, mas a verdade é que, em nossa terra, prevaleciam outros fatores mesológicos e, até agora, não temos sabido conciliar os interesses da nação com esses imperativos.


A ausência de tradição nos elementos de nossa origem como povo estabeleceu uma descentralização de interesses, prejudicial ao bem coletivo do país. 


Para a formação nacional, não vieram da metrópole os espíritos mais cultos. Pesando, de um lado, os africanos, revoltados com o cativeiro, e, de outro, os índios, revoltados com a invasão do estrangeiro na terra que era propriedade deles, a balança da evolução geral ficou seriamente comprometida. Sentimentos excessivos de liberdade não nos permitiram um refinamento de educação política. 


Todos querem mandar e ninguém se sente na obrigação de obedecer. 


Quando no Império, possuíamos a autoridade centralizadora da Coroa, prevalecendo sobre as ambições dos grupos partidários que povoavam os nossos oito milhões de quilômetros quadrados; mas, quando os republicanos sentiram de perto o peso das responsabilidades que tomaram à sua conta, os espíritos mais educados reconheceram o desacerto das nossas concepções administrativas. 


Enquanto as nações da Europa e os Estados Unidos podiam empregar livremente em nosso país os seus capitais, a título de empréstimos vultosos que desbaratavam compulsoriamente a nossa economia, o Brasil podia descansar na monocultura, fazer a política dos partidos e adiar a solução dos seus problemas para o dia seguinte, dentro de um regime para o qual não se achava preparado em 1889. 


Mas, quando se manifestou a crise mundial de 1929, todas as instituições políticas sofreram as mais amplas renovações, dentro dos movimentos revolucionários de 1930. 


Os capitais estrangeiros não puderam mais canalizar suas disponibilidades para a nossa terra, controlados pelos governos autárquicos dos tempos que correm, e o Brasil, acordou para a sua própria realidade. 


Aliás, nós, os desencarnados, há muito tempo procuramos auxiliar os vivos na sua tarefa.


- Quer dizer que também tendes inspirado os labores dos estadistas brasileiros?


- Sim, de modo indireto, pois não podemos interferir na liberdade deles. 


Há alguns anos, procurei auxiliar Alberto Torres nas suas elucubrações de ordem social e política. 


Em geral, nós os desencarnados, buscamos influenciar, de preferência, os organismos mais sensíveis à nossa ação e Torres era o instrumento de nossas verdades para a administração. 


A realidade, porém, é que ele falou como Jeremias. 


Somente a gravidade da situação conseguiu despertar o espírito nacional para novas realizações.


- Majestade, as vossas palavras me dão a entender que aprovais o novo estado de coisas do Brasil. 


Aplaudistes, então, a queda da denominada república velha, sob as vibrações revolucionárias de 1930?


- Com as minhas palavras - disse ele bondosamente - não desejo exaltar a vaidade de quem quer que seja, nem deprimir o esforço de ninguém. 


Não posso aplaudir nenhum movimento de destruição, pois entendo que, sobre a revolução, deve pairar o sentimento nobre da evolução geral de todos, dentro da maior concórdia espiritual. 


Considere que, examinando a minha consciência, não me lembro de haver fortalecido nenhum sentimento de rebeldia nos meus tempos de governo; entretanto, muito sofri, verificando que eu poderia ter suavizado a luta entre os nossos estadistas e os políticos da América espanhola. 


Outra forma de ação poderíamos ter empregado no caso de Rosas e de Oribe e mesmo em face do próprio Solano Lopes3, cuja inconsciência nos negócios do povo ficou evidentemente patenteada. E note-se que o problema se constituía de graves questões internacionais. 


O nosso mal foi sempre o desconhecimento da realidade brasileira. 


Os nossos períodos históricos têm sofrido largamente os reflexos da vida e da cultura europeias. 


Nos tempos do Império, procurei saturar-me dos princípios democráticos da política francesa, tentando aplicá-los, amplamente, ao nosso meio, longe das nossas realidades práticas. 


Os republicanos, como Benjamin Constante, Deodoro, etc., deram-se a estudar a "República Americana", de Bryce, distantes dos nossos problemas essenciais. 


Quando regressei das lutas terrestres, procurei imediatamente colaborar na consolidação do novo regime, afim de que a 3 Alusão às lutas e guerra em que se envolveu o Brasil com as Repúblicas do Uruguai, Argentina e do Paraguai. 


Divisão e os desvarios de muitos dos seus adeptos não terminassem no puro e simples desmembramento do país. 


Graças a Deus, conseguimos conduzir Prudente de Morais ao poder constitucional, para acabarmos reconhecendo agora as nossas realidades mais fortes. 


Devo, todavia, fazer-lhe sentir que não me reconheço com o direito de opinar sobre os trabalhos dos homens públicos do país. 


Cabe-me, sim, rogar a Deus que os inspire, no cumprimento de seus austeros deveres, diante da pátria e do mundo. 


O grande caminho da atualidade é a organização da nossa Economia em matéria de política, e o desenvolvimento da Educação, no que concerne ao avanço sociológico dos tempos que passam. 


Os demais elementos de nossas expressões evolutivas dependem de outros fatores de ordem espiritual, longe de todas as expressões transitórias da política dos homens.


A essa altura notei que a minha curiosidade jornalística começava a magoar a venerável entidade e mudei repentinamente de assunto.


- Majestade, que dizeis da grande figura hoje lembrada?


- O vulto de José Bonifácio foi sempre objeto de meu respeito e de minha amizade. 


E olhe que foi ele o mais sensato organizador da nacionalidade brasileira, cujo progresso acompanha, carinhosamente, com a sua lealdade sincera. 


Hoje, que se comemora o centenário da sua desencarnação, devemos relembrar o seu regresso de novo ao Brasil, em meados do século passado, tendo sido uma das mais elevadas expressões de cultura, na Constituinte de 1891.


Dispunha-me a obter novos esclarecimentos; mas, o Imperador, acompanhado de amigos, retirava-se quase que abruptamente da nossa companhia, correspondendo fraternalmente a outros apelos sentimentais.


Palavras amigas de adeus e votos de ventura no plano imortal e eu e o meu amigo José Porfírio lá ficávamos com a suave impressão da sua palavra sábia e benevolente.


Daí a momentos, o meu companheiro quebrava o silêncio de minha meditação:


- Humberto, os monarquistas tinham razão!... 


Este velho é um poço de verdade e de experiência da vida! 


Você deve registrar esta entrevista, oferecendo aos vivos estas palavras quentes de conhecimento e de sabedoria!...


E aqui estou escrevendo para os meus ex-companheiros pelo estômago e pelo sofrimento.


Acreditarão no humilde cronista desencarnado?


Não guardo dúvidas nesse sentido. 


Penso que obteria mais amplos resultados, se fosse ao Cemitério do Caju e gritasse a palavra do Imperador, para dentro de cada túmulo.





XAVIER, Francisco Cândido  pelo Espírito D. Pedro II. Novas Mensagens pelo Espírito Humberto de Campos. FEB, p. 4-6.




Família Imperial 

Preces Gerais - Coletânea de Preces Espíritas - Evangelho na Rede com Ya...

domingo, março 12, 2017

Os Que Te Invejam - Irmão José






Os Que Te Invejam

 Irmão José




Muitos daqueles que te invejam, não sabem que te invejam o peso da cruz;

As tuas grandes lutas que desconhecem;

As acerbas provações que desconhecem;

As fragilidades que, tantas vezes, te fazem sucumbir;

As lágrimas que vertes as escondidas;

Os conflitos íntimos que disfarças com melancólico sorriso;

Os dramas de consciência que não podes compartilhar com ninguém;

Os andrajos que te cobrem o espírito necessitado de paz;

Os tormentos cotidianos que te abeiram do desequilíbrio;

Os assédios aos quais resistes, mercê do amparo da Divina Misericórdia;

A solidão em que vives, embora sempre rodeado de tanta gente...

Os que te invejam não sabem!...




BACELLI, Carlos A. pelo Espírito Irmão José. Do livro Dias Melhores.





" Procuremos renascer a cada dia numa mesma reencarnação, sempre com chances de errarmos menos...

Vivamos com alegria e otimismo, pois o Divino Amigo, sempre estará velando por nós, se nos mantivermos sintonizados com as regiões do bem e do amor.

Apesar de ainda estagiarmos num mundo de expiações e provas, a cada dia temos exemplos de amor e bondade e teremos sempre muito a agradecer...

Procuremos fazer das experiências, oportunidades de crescimento, pois já ouvimos várias vezes que o diamante precisa ser passado no buril , para se transformar numa joia tão almejada por tantos"...

Desejamos a todos uma semana permeada de muita Paz ...



Carinhosamente

Não nos deixes entregues a tentação - Evangelho na Rede com Yasmim Madeira

segunda-feira, março 06, 2017

Nunca se diga inútil... - André Luiz



Nunca se diga inútil...


André Luiz 


Por agora: você não é um anjo.


No entanto é capaz de ser uma pessoa reta e nobre; não terá santidade para mostrar, mas possui vastas possibilidades de agir em benefício do próximo;


não apresenta qualidades perfeitas, contudo, você detém recursos preciosos de servir.


Talvez não consiga revelar alto índice de cultura intelectual, porém, consegue amparar a muitos companheiros com excelente orientação.


Provavelmente, não lhe será possível movimentar grandes riquezas do mundo, entretanto nada lhe impedirá o esforço de acumular tesouros de bondade no coração e de irradiai-los em gestos de compreensão e de amor.


Por fim é provável que você ainda não conheça o que seja a felicidade, mas pode adquiri-la se você quiser, aprendendo a trabalhar em favor dos outros e entender a perdoar, encorajar e sorrir.


XAVIER, Francisco Cãndido pelo Espírito André Luiz

Parábola da Figueira em Vegetação - Evangelho na Rede com Yasmim Madeira

Coragem da Fé - Yasmin Madeira


sexta-feira, março 03, 2017

O que devo à minha mãe - Momento Espírita





O que devo à minha mãe


 Contemplando uma criança que dorme, tranquila, no berço, descobrimos o quão frágil é o ser humano e o quanto deve a uma mulher chamada mãe.


Quem quer que olhe para o próprio umbigo há de recordar da estreita ligação para com sua mãe que, durante nove meses, o alimentou, agasalhou, abrigou e protegeu em seu ventre.


E as primeiras noções de vida todos as recebemos de nossa mãe. 


Foi ela quem nos apontou o jardim e nos fez descobrir a borboleta colorida, a flor e o espinho, a chuva e o sol, a beleza do arco-íris.


Enquanto nós seguíamos as formigas do jardim, no seu ir e vir de carregadeiras incansáveis, foi ela quem nos falou da persistência e do trabalho.


Enquanto nos apontava a aranha, tecendo a sua teia, após o vento forte a ter destruído mais de uma vez, foi nossa mãe quem nos falou da paciência e dos milagres que ela produz.


E quando, nas primeiras brincadeiras, alguém nos derrubava, era sempre ela quem nos lecionava o perdão.


Quando começamos a perceber as diferenças entre crianças e adultos, velhos e moços, foi nossa mãe quem nos segredou aos ouvidos os valores do respeito e da consideração.


Na infância ela consertou nossos brinquedos, costurou a roupa nova para a boneca que havia sido esquecida na chuva.


Na adolescência, mais de uma vez consertou-nos o coração despedaçado pelos primeiros pequenos reveses no namoro.


Nosso primeiro sorriso foi a imitação do seu e foi ela quem nos ensinou a utilizá-lo para quebrar o gelo, ou para iniciar um pedido de desculpas.


Enquanto pequenos, ela nos fez sempre sentir protegidos e amados. 


Quando a curiosidade nos fez estender o dedo em direção ao besouro e ele grudou ali, foi para ela que corremos, em busca do socorro.


Quando o cãozinho pulou e nos fez cair, lambendo-nos o rosto, em manifestação de carinho, apavorando-nos, foi ela quem nos tomou nos braços, sossegou e depois nos ensinou que, por vezes, as criaturas não sabem expressar muito bem seu afeto e que as devemos ensinar.


Foi ela quem nos desvendou o segredo das cores, dos números e das letras, mesmo antes de adentrarmos os bancos escolares. 


E tudo de maneira informal, como uma doce brincadeira que nos permitia aprender, sem cansar.


Incentivando-nos à pesquisa, quantas vezes ela nos permitiu incursões de aventura em seu armário e suas gavetas, deixando-nos descobrir tesouros maravilhosos, entre bijuterias, colares, anéis, lenços e tantas outras coisas miúdas, que eram todo nosso encantamento.


Seus livros foram os primeiros que nos enriqueceram o intelecto. 


Livros usados, marcados a caneta, lápis ou pedacinhos de papel. 


Livros cheios de anotações que nos ensinaram como se devia ler, anotando, perguntando, pesquisando.


As músicas de sua predileção foram as que nos embalaram a infância, junto com as canções da sua voz que nos acalmavam nas noites de chuva forte, raios e trovões.


E, mais do que tudo, porque desde o primeiro instante detectou que somos um Espírito imortal, plantou com imenso carinho a lição do amor em nós.


Seu intuito era que o que quer que nos tornássemos a serviço do mundo, soubéssemos que, acima de tudo, onde quer que estejamos, o que quer que façamos, o ser a quem devemos sempre servir é nosso irmão em humanidade.





Redação do Momento Espírita.Disponível em www.momento.com





Um Anjo Chamado Mãe!

Nesta data tão especial , na qual nossa querida mãe estaria completando mais uma data natalícia , gostaríamos de registrar aqui, de coração para coração a nossa imensa gratidão por tudo que fez por nós, transmitindo-nos o seu imenso saber diante da vida , valores que enriqueceram a quem " teve ouvidos para ouvir" , " sensibilidade para se educar" e " coração para amar".


Foi mãe incondicional , mãe amiga, mãe presente, mãe atual, mãe que estimulava,que jogava para frente, mãe que nos apontava sempre o melhor caminho a seguir , respeitando as nossas escolhas sempre com bom censo,mãe guerreira,  mãe que nos ensinou pelo exemplo a prática da caridade,   a amar a Deus, a nós mesmos e ao próximo.


Resumindo: " Mãe de uma sabedoria ímpar, que desejamos retornar ao seu convívio nas próximas reencarnações, se Deus assim o permitir".


Também gostaríamos de registrar que meu pai ao seu lado, foi uma pessoa de fundamental importância na nossa educação, o amor que os uniu e que tenho certeza, ainda os une, era transcendente e através do mesmo, nos legaram grandes ensinamentos, que até hoje carregamos em nossa bagagem espiritual.


Nos dizeres da escritora Ana Jácomo, nossa mãe era uma dessas almas perfumadas. 


E tomo a liberdade de expressar com o texto dessa querida escritora o que sentimos por nossa mãe, nessa data tão especial, a quem gostaria de dedicar todas as flores que colhemos em nosso caminhar, na presente reencarnação, flores materiais e principalmente as espirituais, que levaremos um dia na nossa bagagem...


Mamãe, obrigada por tudo !

Receba o nosso carinho, amor, saudade e eterna gratidão e a certeza de que mesmo distante fisicamente, se encontra presente em cada um dos nossos momentos ...







Texto Original de  Almas perfumadas

de Ana Cláudia Saldanha Jácomo


Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. 


De sol quando acorda. 


De flor quando ri. 


Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. 


Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. 


Lambuzando o queixo de sorvete. 


Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. 


O tempo é outro. 


E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

*

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. 

De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. 

Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. 

Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. 

Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. 

Ao lado delas,pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

*


Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. 

Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. 

Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. 

Recebendo um buquê de carinhos. 

Abraçando um filhote de urso panda. 

Tocando com os olhos os olhos da paz. 

Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

 *

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. 

Do brinquedo que a gente não largava. 

Do acalanto que o silêncio canta. 

De passeio no jardim. 

Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. 

Corre em outras veias. 

Pulsa em outro lugar. 

Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

 *
Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. 

Minha avó era alguém assim. 


Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores. 


A minha, foi uma delas. 


E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado, que ela mudou de frasco, mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou. 


E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de Edith, para me falar de amor.







Minha mãe foi uma dessas almas perfumadas que  numa temporada, se vestiu de mãe, para nos  falar de amor.


 ... Mesmo havendo partido nos deixou o seu perfume maternal com o qual nos sentimos sempre acariciados .


Pedimos a Deus que as nossas vibrações de carinho, de amor, de gratidão cheguem até ela não só nesta data mas em todas os demais dias...