Pachelbel - Canon In D Major

sábado, julho 31, 2010



Nossa dádiva


Momento Espírita



O sol buscava a linha do horizonte, e o manto escuro da noite já se espalhava pelos campos, quando o trabalhador deixou a lavoura e tomou o caminho de volta para casa.


Caminhava a passos largos com a colheita do dia às costas, quando notou que, em sentido contrário, vinha luxuosa carruagem revestida de estrelas.


Contemplando-a fascinado, viu-a parar junto dele e, quase assustado reconheceu a presença do Senhor do Mundo, que saiu dela e estendeu-lhe a mão a pedir-lhe esmolas...


O que? refletiu espantado.


O Senhor da Vida a rogar auxílio a mim, que nunca passei de mísero escravo na aspereza do solo?


Mas, como o Senhor continuava esperando, mergulhou a mão no alforje de trigo que trazia e entregou ao Divino pedinte apenas um grão da preciosa carga.


O Senhor agradeceu e partiu.


Quando, porém, o pobre homem do campo voltou a si do próprio assombro, observou que doce claridade vinha do alforje poeirento...


O grão de trigo, do qual fizera sua dádiva, tornara à sacola transformado em uma pedra de ouro luminescente...


Deslumbrado gritou:


Louco que fui!... Por que não dei tudo o que tenho ao Senhor da Vida?

O apólogo retrata um pouco da atual realidade da Terra.


Quando o materialismo compromete edificações veneráveis da fé, no caminho dos homens, o Cristo pede cooperação para a sementeira do Seu Evangelho, junto ao


Seu rebanho sofrido.


No entanto, nós costumamos agir como o lavrador.


Não estamos dispostos a ofertar a nossa dádiva em benefício do bem comum. E quando fazemos, damos apenas uma pequena migalha.


O Senhor da Vida não necessita das coisas materiais porque todas lhe pertencem, no entanto, solicita a nossa autodoação em prol da edificação de um mundo moralmente melhor.


Assim como o verme executa sua tarefa embaixo do solo; a chuva e o vento fazem seu papel no contexto da natureza.


Assim como o sol, a lua e os demais astros trabalham para que haja harmonia no Universo...


Assim como as abelhas e outros insetos fazem a tarefa da polinização, possibilitando a fecundação da vida..


Assim também o Senhor da Vida espera de nós a dádiva da polinização do Seu amor junto aos Seus filhos.


A pequena dádiva da paciência e da tolerância...


A esmola convertida em salário justo, dignificando o homem...


Uma migalha de afeto doada com sinceridade...


O sorriso capaz de despertar a alegria em alguém....


Um minuto de atenção a um enfermo solitário...


A palavra sincera capaz de esclarecer e consolar...


Uma semente de esperança plantada no coração de alguém que sofre... São nossas pequenas dádivas que se converterão em luz a iluminar nossa própria caminhada.


Pense nisso!

O Senhor da Vida está sempre a solicitar a nossa colaboração para que Seus objetivos nobres se concretizem na face da Terra.


Sabedores de que nossas pequenas dádivas se converterão em tesouros eternos, não as economizemos como o lavrador. Agindo assim não teremos que dizer:


Louco que fui!... Por que não dei tudo o que tenho ao Senhor da Vida?

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita com base no texto Dedicatória, do livro Cartas e Crônicas, do Espírito Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.


Disponível<http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=819&stat=3&palavras=Nossa%20dádiva&tipo=t>




Perfil do amor


Momento Espírita



No infinito do tempo e além do espaço, quando o divino pensamento se expandiu na atividade criadora, a sua irradiação matriz modeladora tornou-se a primeira emissão de amor de que se tem notícia.


Desde então, tudo quanto pulsa e vibra é conseqüência dessa força motriz, que vivifica, tornando-se a gênese essencial de onde surgem as manifestações vitais.


O amor, por isso mesmo, é a vida em crescimento, que desdobra o germe latente atraído pelo magnetismo central do amor gerador.


Onde reinem os problemas, o amor enseja a necessidade do conhecimento, a fim de que se alcancem as soluções.


Quando os seres se atraem – vegetais, animais e humanos – para o milagre da forma, é o amor que os impele ao fenômeno da comunhão.


O amor é sutil e enternecedor, com capacidade tansformadora, mediante a qual se perpetuam as expressões da vida que, em jamais se extinguindo, alteram-se e renovam-se, desdobrando-se em formas diferentes até culminarem na perfeição.


A mão que dilacera a árvore com instrumentos cortantes ou fere a entranha da terra para lograr a bênção da utilidade ou do pão, representa o amor que trabalha e produz, repetindo a experiência inicial da ação de Deus.


A dor que despedaça a alegria e assinala fundamente os sentimentos, ainda é o amor, na sua condição de realizador incessante, trabalhando os metais ásperos do ser, a fim de que se arrebente a forma grosseira, libertando a essência ditosa, qual ocorre com a semente que despedaça o envoltório rude para que o carvalho esplenda e frondeje.


Na maternidade ou na paternidade, o amor gera e protege, sacrifica-se e doa-se até a exaustão, de forma que a felicidade se expresse na realização do filho.


O sorriso, que explode jovial, e a lágrima, que suavemente escorre da ânfora do coração, traduzem as valiosas manifestações do amor em júbilo ou em sofrimento, mas, sempre amor.


O ódio então representa a loucura momentânea do amor, que se recuperará sob as bênçãos do sofrimento e da transformação natural em direção à vida.


Somente o amor possui a força transformadora para a realização dos objetivos existenciais.


O animal que apóia a prole e a defende, também ama, na forma de instinto, enquanto o ser, possuidor de razão, exterioriza-o com lucidez e cuidado.


Na sombra densa como no pântano venenoso, onde reinam a ameaça e a peste, o amor, acendendo luz e drenando o charco, altera-lhes a paisagem, que se faz claridade, jardim ou pomar.


Tudo ama.


Deus é amor, afirmou o apóstolo João.


Quando a criatura humana amar com a profundidade real que a leva a esquecer-se de si mesma, o seu amor evitará a guerra e libertará as vidas, por ser a força do bem inteiramente livre e saudavelmente direcionada.


No amor se iniciam todas as coisas e seres, e no amor se purificarão todas as formas da criação.


***


O amor é de essência divina e todos nós, do primeiro ao último, temos, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado.


Por isso, amemos e felicitemo-nos, colocando na estrada do amor sinais de luz, a fim de que nunca mais haja sombra por onde o amor tenha transitado a derramar sua invencível claridade.


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro “Perfis da vida”, ditado pelo Espírito Guaracy P. Vieira, através da mediunidade de Divaldo Franco, cap. Perfil do amor, ed. Leal e no cap. XI, item 9, de O Evangelho segundo o Espiritismo, ed. FEB.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=794&stat=3&palavras=Perfil%20do%20amor&tipo=t>


sexta-feira, julho 30, 2010



Faça seu tempo feliz



Momento Espírita



Se você caminha pelas estradas terrenas, cotidianamente, percebe o quanto costumam ser negativas, pessimistas ou depressivas as expressões da vida de cada um.

As falas diversas dos seus interlocutores, se é que você mesmo não se enquadra nesse rol de negativas e de negatividades.

Jamais, ou poucas vezes, acha-se alguém com entusiasmo pela existência, expressando tal entusiasmo.


Poucos bendizem as horas no corpo físico, com todos os seus acontecimentos a facultar crescimento amplo ou diminuto.


Abrem-se os comentários da vida, habitualmente, pelas afirmativas de que as coisas em torno estão muito ruins, quando menos, diz-se que as coisas estão mais ou menos.


É de costume a pessoa lamentar-se pelos familiares que não são carinhosos, que não são atenciosos, que não são dedicados.


De outro modo, fala-se que estão doentes, que são doentes, que são maus.
Vêem-se as conjunturas políticas e sociais do mundo com tamanho pessimismo, que costuma-se asseverar que “não há mais jeito”; “que tudo vai de mal a pior”; “nesse campo ninguém presta”.


Os amigos são para esses negativos, verdadeiros traidores, que não merecem a sua amizade; comenta-se que, em toda parte, o mal vai tomando dianteira.


Se o assunto é vício, drogas etc. Ouvem-se falas como “ninguém escapa”; “todo mundo usa”; “é uma calamidade”.


O trabalho profissional é chato, cansativo, expiatório, e, então, para que trabalhar?


Todavia, vale a pena meditar um pouco sobre tudo isso.


Pare um pouco e pense sobre a sua vida, seus objetivos.


Melhore o nível psíquico do seu dia-a-dia. Você não precisa ser deficiente intelectual diante dos fatos do mundo.


Porém, mesmo sabendo das coisas equivocadas que se passam no mundo a sua volta, procure extrair o melhor de cada dia.


Tente observar as coisas boas, bonitas, formosas que estão acontecendo ao seu derredor.


Você pode atrair bênção ou tormentos, luz ou sombra, tristeza ou alegria. Só depende da sua própria disposição.


Aprenda a extrair o que há de melhor na terra, ao redor dos seus passos.


Busque fazer o seu dia brilhante, feliz, inaugurando, onde se move, o regime de otimismo, de alegrias.


Trabalhe de tal maneira que a sua sensibilidade seja passada a todas as pessoas que estão ao seu redor.


Entusiasme-se com a sua saúde e a dos seus.


Sorria, a cada manhã, com o passeio do sol nas avenidas azuis do céu...


Agradeça ao Senhor supremo pela família, pela saúde, pelas chances de estudar, de trabalhar, sem maiores problemas.


Erga a sua oração ao Criador e, sintonizando nas faixas felizes do bem, transforme a sua existência no mundo físico num campo de muito boas realizações.


Faça do seu dia um dia venturoso, realizando a sua parte para que todo o mundo melhore, se aprimore, com um pouco do seu esforço.


Pense nisso!


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em mensagem do Espírito Joanes, psicografada pelo médium J. Raul Teixeira, em 15/03/2000, na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói - RJ.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1415&let=F&stat=0>


O Espírito Daniel ao lado do pai, após seu retorno à Pátria Espiritual.

A morte não existe



Momento Espírita




Nos Estados Unidos, o livro Talking to heaven, que reproduz as conversas do médium Van Praagh, com os mortos, tem sido um sucesso.



O autor do livro, que é o próprio médium, defende a tese de que não existe morte, mas apenas vida.



A grande busca de livros como esse e outros do gênero demonstra o interesse dos homens pelo que vulgarmente se chama sobrenatural, nesta virada de milênio.



O ser humano, trazendo em si mesmo a intuição da imortalidade, tem buscado ao longo dos tempos, provar que não é apenas um amontoado de ossos e músculos.



Todavia, mergulhando no corpo físico, pelas portas da reencarnação, grande parte dos seres passa a duvidar da vida após a morte, quando deixa um ser querido nas portas do túmulo e dele se afasta por tempo indeterminado.



Façamos uma comparação que talvez torne mais clara a questão da imortalidade.
Imaginemos que um navio, carregado de emigrantes, parta para destino longínquo.



Leva homens, mulheres e crianças de todas as condições, parentes e amigos dos que ficam.



Algum tempo depois da partida, surge a notícia de que o navio naufragou. Nenhum vestígio resta dele, nenhuma notícia sobre sua sorte.



Acredita-se que todos os passageiros pereceram e o luto penetra em todas as suas famílias.



Entretanto, a equipagem inteira, sem faltar um único homem, foi ter a uma ilha desconhecida, abundante e fértil, onde todos passam a viver ditosos.



Ninguém, todavia, sabe disso.



Porém, um belo dia, outro navio aporta a essa terra e lá encontra sãos e salvos todos os supostos náufragos.



A boa notícia se espalha com a rapidez do relâmpago e todos exclamam felizes: Não estão perdidos os nossos amigos e familiares! E rendem graças a Deus.



E, embora não possam ver-se uns aos outros, correspondem-se e permutam demonstrações de afeto e, assim, a alegria substitui a tristeza e a saudade se transforma em esperança de um reencontro futuro.



Tal é a imagem da vida terrena e da vida de Além-túmulo.



O segundo navio, por comparação, seriam as inúmeras mensagens dos mortos, ditadas através dos médiuns, trazendo-nos a boa notícia da sobrevivência dos que partiram antes de nós.



E, para quem busca, com sinceridade, as provas da vida após a morte, as encontrará na vasta literatura que fala sobre o assunto.



* * *



Durante o sono podemos manter contato com os seres que já partiram para a Pátria espiritual.



Ao contrário do que se pensa, os encontros entre vivos e mortos são muito comuns.



Tanto isso é uma realidade, que vários filmes e telenovelas enfocam o assunto com naturalidade.



Assim, o fato de sabermos que as pessoas que amamos continuam vivas no Além-túmulo é, verdadeiramente, uma notícia consoladora.



Pensemos nisso!



Redação do Momento Espírita, com base no item 62, do cap. I, do livro A gênese, de Allan Kardec, ed. Feb, e em Entrelinhas do jornal Gazeta do Povo, do dia 14/03/98.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2323&let=M&stat=0>


quinta-feira, julho 29, 2010



O bem que se faz


Momento Espírita



Quando a ingratidão te bater à porta, não digas: Nunca mais ajudarei a ninguém!


Quando a impiedade daqueles a quem beneficiaste chegar ao teu lar, não exclames: Para mim, chega!


Não sofras e nem te arrependas de ter ajudado.


Nem reclames: E eu que lhes dei tudo!


Não retribuas mal por mal, pois que assim, vitalizarás o próprio mal.


O bem que se faz a alguém é sempre luz que se acende na intimidade.


Naturalmente, gostarias de receber gratidão, amizade, compreensão. Todos apreciamos experimentar os frutos da gratidão.


Pensa que a árvore jamais pergunta a quem lhe colhe os frutos para onde os carregará ou o que pretende fazer deles.


Ela se felicita por poder dar. Por se multiplicar através da semente que, atirada ao solo, o abençoa com novas dádivas de alegria.


Segue-lhe o exemplo.


Teus frutos bons, que produzam bons frutos além...


Tuas nobres tarefas, que se desdobrem em tarefas superiores mais tarde.


Fica com a alegria de fazer, de doar. Nunca com a idéia de colher reconhecimento ou gratidão.


Porque esperar gratidão pode ser também uma espécie de pagamento.


Sê tu sempre grato mas não esperes pelo reconhecimento de ninguém.


O bem que faças, viajando sem parar em muitos corações, espalhará luz no longo curso da tua vida.


Amanhã ou depois, nos caminhos sem fim do futuro, mesmo que não o saibas ou que o tenhas esquecido, esse bem te alcançará, mais formoso, mais fecundo.


Assim, prossegue ajudando sempre. Observa como age a natureza.


O rio não cogita de examinar as bênçãos que conduz em suas águas, nem interpela o solo por onde segue.


Deixa-se jorrar, beneficiando a terra, a agricultura, as gentes.


O perfume, bailando no ar, nada pede para se espalhar até onde possa.


O grão não espera nada, além de ser triturado, para se converter em alimento.


O sol não escolhe lugar para visitar com luz, calor e vida.


A chuva não tem preferência por onde espalhar vitalidade.


Todos cooperam em nome da Divindade, sem exigências e sem reclamações.


São úteis e passam. Nada esperam, nada impõem.


Age desta forma, tu também e transforma-te num cálice de bênçãos, servindo sempre.

* * *
Se a tristeza te visitar a alma, ante a ingratidão de tantos a quem doaste o que possuías de melhor, recorda o Mestre de todos nós.


Ele disse que estava no meio de nós, como Aquele que serve.


E, tendo derramado o Seu amor, plenificando de vida a todos os que se Lhe aproximaram, recebeu na hora extrema a ingratidão do abandono.


Mesmo assim, até hoje, Ele prossegue, convidando: Vinde a Mim.


Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida./


Ninguém vai ao Pai senão por Mim.

Texto da Redação do Momento Espírita com base no cap. Benefício e gratidão, do livro Dimensões da verdade, do Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1367&stat=3&palavras=Nuvens%20que%20passam&tipo=t>


quarta-feira, julho 28, 2010



Esperança no futuro


Pelo Espírito Rosângela C. Lima



Olha bem para essa linha do horizonte,
Onde o céu, encantado, encontra a Terra,
Onde o homem respira, e onde ele erra,
Tendo as marcas de Deus na própria fronte.

Olha, com atenção, esse futuro,
Que o ser humano aguarda, em plena luta,
Entre sorriso e pranto, e na labuta
Pelo império do amor, lindo e maduro.

Jamais desprezes a tua existência,
Entregando-te à mágoa e ao desalento.
Acende a luz de Deus no pensamento
E serve-O com profunda reverência.

Viver no mundo em luta renitente
Confere-nos valores indizíveis,
Sob a ação dos Bons Anjos que, invisíveis,
Dos céus trazem luz para toda a gente.

Aguarda no porvir, que já vislumbras,
A regeneração tão anelada.
Persiste íntegro e nobre na jornada,
E abre-te ao Sol, sem sombras nem penumbras.

Olha o horizonte onde deves chegar,
Após semeares bênçãos nas estradas.
Une-te às Almas Bem-aventuradas,
E deixa-te viver, servir e amar.


Busca manter alteada a tua confiança
Na vontade perfeita do Senhor,
E age no bem, com brio, com valor,
Empunhando o estandarte da esperança


Rosângela C. Lima. Mensagem psicografada por Raul Teixeira,em 21.06.2006, na Sociedade EspíritaFraternidade, Niterói-RJ.


Disponível <http://www.raulteixeira.com/mensagens.php?not=222>



Estás preocupado?


Pelo Espírito Camilo


É compreensível que te surpreendas em estado de preocupação, quando te defrontes com os diversos desafios do teu cotidiano.

Não será tarefa simplista o ter que dar conta dos quefazeres domésticos, associados aos da profissão e do convívio social.

Realmente, concebe-se que são tantas coisas a pesar sobre o teu sentimento, sobre os teus pensamentos, sobre o teu humor, que, vez que outra, percebes que foste invadido por ondas de preocupações, para o que abriste as portas morais.


Entretanto, vale parar um pouco e meditar acerca desse fenômeno.


Quando te preocupas, passas a dispender largas quotas das tuas energias na direção do objeto da tua preocupação.


Se a causa é válida, converge a preocupação em ação positiva e benfazeja, ao invés de te manteres paralisado à frente do desafio.


Se o móvel da preocupação não tiver a marca do legítimo valor, se o teu estado psicológico prende-se ao desejo de posse, ao ciúme, à falta de fé em Deus ou a qualquer capricho nocivo à saúde da alma, é chegado o tempo de, à custa dos necessários esforços, te desligares dessa sintonia, que te irá minando o mundo íntimo, sem que encontres solução, podendo escorregar para valões de desespero, mágoa, ódio ou indiferença, ou em estado extremo, podendo impulsionar-te para o crime, que tem variado espectro para as almas lúcidas que conhecem, ainda que por simples informações, as orientações das Leis Divinas.


Desse modo, estuda com clareza as fontes e motivos das tuas preocupações, considerando com o Celeste Guia que a cada dia já basta o seu mal.


Na certeza de que estás no mundo a fim de aprender, crescer e amar, nos roteiros da felicidade, não te permitas sucumbir ante problemas de saúde, financeiros, mal-entendidos ou familiares.


Aprende a resolver, um após outro, os teus problemas e, na certeza de que o tempo é o fator de resolução de todos os enigmas, entrega as tuas preocupações ao Criador e marcha adiante aguardando a luz do novo dia, que sempre brilha após as noites de horror e sombras.


Não te deixes aturdir pelas exageradas preocupações, trabalhando com valor e afinco o cerne de ti mesmo.


Camilo. Psicografia de Raul Teixeira.

Disponível <http://www.raulteixeira.com/mensagens.php?not=238>





Tens coragem de mudar-te?

Pelo Espírito Camilo


No mundo, amiúde te vês assinalado por conflitos variáveis, em função dos padrões de comportamento que adotas para a tua rota humana.


É comum que não costumes desenvolver as reflexões, procurando conhecer-te um pouco melhor.


É comum que copies modelos do mundo, que te entusiasmam por algum tempo, sem que analises as consequências desses modos comportamentais, relativamente à realidade espiritual em que te achas mergulhado.


Parece que não dás importância para o próprio crescimento, para o próprio progresso.


Será que imaginas que os teus equívocos sejam menos equívocos que os dos teus irmãos?


Será que supões que, embora o tempo passe para todos, não passará do mesmo modo para ti?


Será que admites que a severidade das leis da consciência atinge somente a consciência dos outros?


Urge que a alma em estágio de progresso na Terra aprenda a superar o disfarçado egoísmo, demandando estradas de inadiável renovação, deixando para trás a infância, para galgar a adultidade espiritual que não deve mais ser procrastinada.


Porventura, tens coragem para te modificares, para melhor?


Se constatas positivamente, é tempo de te confiares aos empreendimentos do bem, onde quer que estejas, esforçando-te para superar os óbices, aplicando-te a converter sombras em claridade, certo de que contas com a feliz assistência dos Prepostos do Cristo, dessa falange de bondosos Guias que derramam sobre a tua vida, por amor a Jesus, as sublimes energias que te capacitarão a seguir adiante, modificando todos os teus hábitos danosos, em qualquer área da tua existência, começando dos que te pareçam mais fáceis de serem derrotados, enquanto conquistas forças novas para alcandorares-te aos topos luminosos da harmonia íntima.


Camilo.

Psicografia de J. Raul Teixeira.


Disponível <http://www.raulteixeira.com/mensagens.php?not=240>


terça-feira, julho 27, 2010



Tragédia no Circo


Pelo Espírito Irmão X


Naquela noite, da época recuada de 177, o concilium de Lião regurgitava de povo.


Não se tratava de nenhuma das assembléias tradicionais da Gália, junto ao altar do Imperador, e sim de compacto ajuntamento.


Marco Aurélio reinava, piedoso, e, embora não houvesse lavrado qualquer resolução em prejuízo maior dos cristãos, permitira se aplicassem na cidade, com o máximo rigor, todas as leis existentes contra eles.



Ninguém examinava necessidades ou condições. Mulheres e crianças, velhos e doentes, tanto quanto homens válidos e personalidades prestigiosas, que se declarassem fiéis ao Nazareno, eram detidos, torturados e eliminados sumariamente.


Através do espesso casario, a montante da confluência do Ródano e do Saône, multiplicavam-se prisões, e no sopé da encosta, mais tarde conhecida como colina de Fourvière, improvisara-se grande circo, levantando-se altos tapumes em torno de enorme arena.


As pessoas representativas do mundo lionês eram sacrificadas no lar ou barbaramente espancadas no campo, enviando-se os desfavorecidos da fortuna, inclusive grande massa de escravos, ao regozijo público.



As feras pareciam agora entorpecidas, após massacrarem milhares de vítimas, nas mandíbulas sanguissedentas. Em razão disso, inventavam-se tormentos novos.


Verdugos inconscientes ideavam estranhos suplícios.


Senhoras cultas e meninas ingênuas eram desrespeitadas antes que lhes decepassem a cabeça, anciães indefesos viam-se chicoteados até a morte.


Meninos apartados do reduto familiar eram vendidos a mercadores em trânsito, para servirem de escravos domésticos em províncias distantes, e nobres senhores tombavam assassinados nas próprias vinhas. Mais de vinte mil pessoas já haviam sido mortas.


Naquela noite, a que acima nos referimos, anunciou-se para o dia seguinte a chegada de Lúcio Galo, famoso cabo de guerra, que desfrutava atenções especiais do Imperador por se haver distinguido contra a usurpação do general Avídio Cássio, e que se inclinava agora a merecido repouso.


Imaginaram-se, para logo, comemorações a caráter.


Por esse motivo, enquanto lá fora se acotovelavam gladiadores e trovadores, o patrício Álcio Plancus, que se dizia descendente do fundador da cidade, presidia a reunião a pedido do Propretor (magistrado abaixo do Juíz), programando os festejos.


- Além das saudações, diante dos carros que chegarão de Viena - dizia, algo tocado pelo vinho abundante -, é preciso que o circo nos dê alguma cena de exceção...


O lutador Setímio poderia arregimentar os melhores homens; contudo, não bastaria renovar o quadro de atletas...


- A equipe de dançarinas nunca esteve melhor - aventou Caio Marcelino, antigo legionário da Bretanha que se enriquecera no saque.


- Sim, sim... - concordou Álcio - instruiremos Musônia para que os bailados permaneçam à altura...


- Providenciaremos um encontro de auroques (boi selvagem, bisão) - lembrou Pérsio Níger.


- Auroques! Auroques!... - clamou a turba em aprovação.


- Excelente lembrança! - falou Plancus em voz mais alta - mas, em consideração ao visitante, é imperioso acrescentar alguma novidade que Roma não conheça...


- Um grito horrível nasceu da assembléia:


- Cristãos às feras! Cristãos às feras!


Asserenado o vozerio, tornou o chefe do conselho:


- Isso não constitui novidade! E há circunstâncias desfavoráveis. Os leões recém-chegados da África estão preguiçosos... Sorriu com malícia.


- Ouvi, porém, alguns companheiros, ainda hoje, e apresentaremos um plano que espero resulte certo. Poderíamos reunir,nesta noite, aproximadamente mil crianças e mulheres cristãs, guardando-as nos cárceres... E, amanhã, coroando as homenagens, ajuntá-las-emos na arena, molhada de resinas e devidamente cercada de farpas embebidas em óleo, deixando apenas passagem estreita para a liberação das mais fortes. Depois de mostradas festivamente em público, incendiaremos toda a área, deitando sobre elas os velhos cavalos que já não sirvam aos nossos jogos... Realmente, as chamas e as patas dos animais formarão muitos lances inéditos...


- Muito bem! Muito bem! - rugiu a multidão, de ponta a ponta da sala. -


Urge o tempo - gritou Plancus - e precisamos do concurso de todos... Não possuímos guardas suficientes...


E erguendo ainda mais o tom de voz:


- Levante a mão direita quem esteja disposto a cooperar.


Centenas de circunstantes, incluindo mulheres robustas, mostraram destra ao alto, aplaudindo em delírio.


Encorajado pelo entusiasmo geral, e desejando distribuir a tarefa com todos os voluntários, o dirigente da noite enunciou, sarcástico e inflexível:


- Cada um de nós traga um... Essas pragas jazem escondidas por toda parte... Caçá-las e exterminá-las é o serviço da hora...

***

Durante a noite inteira, mais de mil pessoas, ávidas de crueldade, vasculharam residências humildes e, no dia subsequente, ao Sol vivo da tarde, largas filas de mulheres e criancinhas, em gritos e lágrimas, no fim de soberbo espetáculo, encontraram a morte, queimadas nas chamas alteadas ao sopro do vento, ou despedaçadas pelos cavalos em correria.

***
Quase dezoito séculos passaram sobre o tenebroso acontecimento...

Entretanto, a justiça da Lei, através da reencarnação, reaproximou todos os responsáveis, que, em diversas posições de idade física, se reuniram de novo para dolorosa expiação, a 17 de dezembro de 1961, na cidade brasileira de Niterói, em comovedora tragédia num circo.

XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espíreito Irmão X. Extraído do livro "Cartas e Crônicas", texto de número "6", 9a. Edição pela FEB.



A Escolha é Livre

Buscai e achareis


Na Terra ou no Espaço, na posição de encarnados ou desencarnados, encontraremos, sempre, aquilo que buscarmos durante as experiências evolutivas .


Agindo por nós mesmos, ou atendendo a sugestões de Espíritos menos esclarecidos, colheremos, hoje ou amanhã, o fruto de nossas próprias obras.


A nossa vida, de acordo com a simbologia lembrada pelos Espíritos Superiores, pode ser comparada a uma balança comum. E o livre arbítrio representará, sempre, o fiel dessa balança .


Numa das conchas, acumular-se-ão as nossas criações inferiores, acrescidas das sugestões menos dignas de nossos adversários desencarnados.


Na outra, as nossas criações mais elevadas unir-se-ão aos pensamentos inspirados pelos benfeitores, anjos de guarda ou Espíritos familiares.


Colocadas, assim, em pé de igualdade, as duas conchas, o livre arbítrio, isto é, a vontade consciente fará que uma delas predomine sobre a outra, criando-nos, tal escolha, consequências ruinosas ou benéficas, segundo o caminho escolhido.


E' livre a escolha .


Os amigos da Espiritualidade, mesmo os mais abnegados, não equacionam, inteiramente, os nossos problemas.


Inspiram-nos, em nossas silenciosas indagações, deixando, todavia, que a deliberação final nos pertença, com o que valorizam esse inapreciável tesouro que se chama Livre Arbítrio.


Sem a liberdade, embora relativa, do Livre Arbítrio, o progresso espiritual não seria consciente, mas se efetivaria, simplesmente, pela força das coisas.


Na Escola da Vida, os Instrutores Espirituais procedem com os homens à maneira dos professores com as crianças : dão informes sobre as lições, explicam-nas, referem-se a fontes de consulta, indicam livros e autores.


Mas deixam que os alunos, durante o ano letivo, se preparem no sentido de que, nos exames finais, obtenham, pelo esforço próprio, boa vontade e aplicação, notas que assegurem promoção à série seguinte.


O aluno irresponsável achará, no fim do ano, o que buscou- a reprovação, a vergonha.


O aluno aplicado, que se consagrou ao estudo, achará, igualmente, o que buscou - as alegrias da aprovação.


Tudo de acordo com a lição do Mestre.


"Buscai e achareis. "


Em nossa jornada evolutiva - nascendo, vivendo, morrendo, renascendo ainda e progredindo continuamente -, somos alunos cujo livre arbítrio escolhera, na maioria das vezes, o caminho das facilidades .


Os Instrutores Espirituais têm sido, para todos nós, devotados mestres, que nos observam a incúria e a desídia, porém aguardam, pacientes e compreensivos, que as lições do tempo e da dor nos induzam ao reajustamento.


Jamais se apoquentam, quando verificam que pendemos para a concha das sugestões utilitaristas, pois sabem que, buscando a Ilusão, encontraremos, mais adiante, as folhas perdidas das desilusões .


Não ignoram que, batendo à porta dos enganos, elas se alargarão diante de nós, a fim de que, partilhando o banquete das futilidades, sejamos compelidos, mais tarde, a buscar, nos padrões do Evangelho, o roteiro para experiências mais elevadas.


Num planeta como a Terra, bem inferiorizado, falanges numerosas de entidades desencarnadas inspiram-nos com tal frequência que a sua intensidade - a intensidade de Sua influenciação - não pode ser medida .


No Evangelho e no Espiritismo, estão os recursos imprescindíveis à nossa segurança.


A prática do bem, a confiança em Deus, o esclarecimento pelo estudo, o trabalho constante no Bem, tudo isto, com o amparo da prece, preservar-nos-á do assédio de entidades que, em nome de velhos propósitos de vingança, ou por simples perversidade, procuram dificultar a nossa ascensão.


Batendo à porta dos que sofrem, para levar-lhes a mensagem consoladora do Evangelho e o socorro de nossas mãos, encontraremos, um dia, a resposta do Céu aos nossos anseios de libertação .


Sendo livres para a escolha, acharemos, sem dúvida, o que buscarmos.

Martins Peralva - extraído do livro Estudando o Evangelho - À Luz do Espiritismo - 2º ed. FEB


PODES, SE QUERES


Joanna de Ângelis



Fracassado é aquele que abandona a luta ou nega-se a travá-la.

Dificilmente logrará vitória quem se recusa a enfrentar os desafios do cotidiano.

O homem são as suas tarefas, que devem ser enfrentadas com decisão e coragem.

Em todo cometimento multiplicam-se as dificuldades e as problemáticas se repetem.

Quedas e aparentes insucessos são experiências que, repetidas, favorecem o homem com o êxito que deve perseguir até o fim.

Desistir do empreendimento porque se apresente difícil, significa abandonar-se a contínuos insucessos.

Não recear jamais, nem ceder à tentação da desistência na luta de ascensão.

***

Se queres, podes.

Quando te propões a realizar os labores que te dizem respeito, abres-te à vitória, que deves colimar na oportunidade própria.

Simon Bolívar, o excelente Libertador de quase metade da América do Sul não poucas vezes perdeu batalhas e esteve preso. Porque não desistiu, perseverando nos ideais e lutando, triunfou.

Benito Juarez, órfão e pobre, humilhado e sob injunções terríveis, contribuiu para a liberdade do México, mais do que qualquer outro herói.

Franklin Delano Roosevelt, paralítico, vitimado numa cadeira de rodas não se compadeceu do próprio estado de saúde e desempenhou relevante papel no seu país, como Primeiro Mandatário, revelando-se extraordinário libertador, durante a Segunda Guerra Mundial.

Édison experimentou quase 10.000 testes para lograr o êxito da lâmpada elétrica e porque insistiu sem desânimo, ofereceu à Humanidade um valioso contributo.

Faraday, até aos 14 anos, permaneceu numa Gráfica, na condição de encadernador. Lendo um dos livros em que trabalhava, interessou-se pela eletricidade, revelando-se pioneiro esta tecnologia de grande utilidade para a Humanidade.

Cervantes sofreu incompreensões e experimentou a miséria, teve os seus escritos desconsiderados, viveu em regime de mendicância para não morrer de fome, não obstante, prosseguindo, legou-nos o “Dom Quixote de la Mancha” de valor literário e filosófico inegável.

Camões, sem uma vista, fez-se cantor de “Os Luzíadas”.

Confúcio, aos 55 anos, foi abandonado pelo seu mestre. Sem desânimo, prosseguiu oferecendo extraordinária contribuição filosófica para o pensamento universal.

Maomé, na busca de fiéis, padeceu terrivelmente, até que, sem abandonar a luta, espalhou o Alcorão pela Terra.

Buda, procurando a iluminação, provou solidão e abandono, conseguindo que a mensagem da paz passasse a impregnar as vidas…

A história de Jesus é por demais conhecida para que se ampliem considerações…

A galeria daqueles que não desistiram e confiaram na vitória que souberam esperar, é muito grande.

Não te abatas ante impedimentos nem persigas sucessos improvisados, imediatos, que cedem lugar a terríveis desencantos.

Se queres vencer superando quaisquer problemas, prossegue em paz, insistindo na ação operosa e confiante, assim conseguindo o fanal que é a meta essencial da tua vida.

Disse Jesus: “aquele que perseverar até o fim, este será salvo”.

É necessário permanecer fiel e otimista.

Se queres, portanto, a vitória, insiste.

FRANCO, Divaldo Pereira. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Da obra “Otimismo”, Bahia: Livraria Espírita Alvorada, 1983, p. 45 a 47.



SAÚDE E BEM ESTAR


Joanna de Ângelis



O planejamento de qualquer projeto responde pela qualidade da futura realização. Previsões e detalhes, cálculos e referências, organograma e execução, constituem a base do labor, do qual decorrem os êxitos ou insucessos.

Da planificação até a concretização do empreendimento, quaisquer alterações têm que ser estudadas, a fim de serem introduzidas sem prejuízo para o conjunto ou excesso de gastos não previstos.

Na mesma linha de raciocínio, uma cuidadosa sementeira de cardos, com adubação freqüente, outra colheita não resultará, senão de espinhos e acúleos.

A criatura humana torna-se o que pensa, o que sustenta mentalmente se desenvolve até a fixação.

Lamentavelmente porém, expressiva maioria de indivíduos somente acalenta idéias negativas, lucubra pessimismo, agasalha mal-estares. Como resultado, enfraquecem-se-lhes as resistências morais, debilitam-se-lhes os valores espirituais e alimentam-se da própria insânia.

Há determinadas provações que são inevitáveis, por procederem de desmandos de outras existências. Podem, entretanto, através de construções mentais e humanas edificantes, serem alteradas, atenuadas e até liberadas, pois que atos saudáveis granjeiam mérito para superar aqueles que são danosos.

Não te atenhas aos atavismos infelizes, revivendo-os, comentando-os, reestruturando-os nos campos mental e verbal. Eles não te abandonarão, enquanto não os deixes.

Queixas-te de insucessos, dissabores, enfermidades, desamor; e, no entanto, aferras-te a eles de tal forma que perdes o senso de avaliação da realidade, rotulando-te como infeliz e estacionando aí, sem qualquer esforço de renovação.

Afirma a sabedoria popular com propriedade: Pedra que rola não cria limo, sugerindo alteração de rota, movimento, realização.

Esforça-te para desconsiderar as ocorrências desagradáveis, perturbadoras.

Planeja o teu presente, estabelece metas para o futuro e põe-te a trabalhar sem desfalecimento, sem autocomiseração, sem amargura.

Podes e deves alterar para melhor o clima que respiras, o ambiente no qual te encontras.

Não basta pedires a Deus ajuda, porém, deves fazer a tua parte, sem o que, pouco ou nada conseguirás. Saúde ou doença, bem ou mal-estar dependem de ti.

Narra-se que um sábio caminhava com os discípulos por uma via tortuosa, quando encontraram um homem piedoso que, ajoelhado, rogava a Deus o auxiliasse a tirar do atoleiro o carro em que seguia.

Todos olharam o devoto, sensibilizaram-se e prosseguiram.

À frente, alguns quilômetros vencidos, havia um outro homem, que tinha, igualmente, o carro atolado num lamaçal. Este, porém, esbravejava reclamando, mas tentava com todo empenho liberar o veículo.

Comovido, o sábio propôs aos discípulos ajudá-lo.

Reunidas todas as forças, logo o transporte foi retirado e, após agradecimentos, o viajante prosseguiu feliz.

Os aprendizes surpresos, indagaram ao mestre: – O primeiro homem orava, era piedoso e não o ajudamos. Este, que era rebelde e até vociferava, recebeu nosso apoio. Por que?

Sem perturbar-se, o nobre professor elucidou:

– O que orava, aguardava que Deus viesse fazer a tarefa que a ele competia. O outro, embora desesperado por ignorância, empenhava-se, merecendo auxílio.

Será, pois, ideal, que sem reclamar e pensando corretamente te disponhas a retirar do paul o carro da tua existência, a fim de seguires feliz adiante com saúde e bem-estar.

FRANCO, Divaldo Pereira. Pelo Espírito Joanna de Ângelis.


PERDOAR


Joanna de Ângelis


Sim, deves perdoar! Perdoar e esquecer a ofensa que te colheu de surpresa, quase dilacerando a tua paz. Afinal, o teu opositor não desejou ferir-te realmente, e, se o fez com essa intenção, perdoa ainda, perdoa-o com maior dose de compaixão e amor.

Ele deve estar enfermo, credor, portanto, da misericórdia do perdão.

Ante a tua aflição, talvez ele sorria. A insanidade se apresenta em face múltipla e uma delas é a impiedade, outra o sarcasmo, podendo revestir-se de aspectos muito diversos.

Se ele agiu, cruciado pela ira, assacando as armas da calúnia e da agressão, foi vitimado por cilada infeliz da qual poderá sair desequilibrado ou comprometido organicamente. Possivelmente, não irá perceber esse problema, senão mais tarde.

Quando te ofendeu deliberadamente, conduzindo o teu nome e o teu caráter ao descrédito, em verdade se desacreditou ele mesmo.

Continuas o que és e não o que ele disse a teu respeito.

Conquanto justifique manter a animosidade contra tua pessoa, evitando a reaproximação, alimenta miasmas que lhe fazem mal e se abebera da alienação com indisfarçável presunção.

Perdoa, portanto, seja o que for e a quem for.

O perdão beneficia aquele que perdoa, por propiciar-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental.

Felizes são os que possuem a fortuna do perdão para a distender largamente, sem parcimônia.

O perdoado é alguém em débito; o que perdoou é espírito em lucro.

Se revidas o mal és igual ao ofensor; se perdoas, estás em melhor condição; mas se perdoas e amas aquele que te maltratou, avanças em marcha invejável pela rota do bem.

Todo agressor sofre em si mesmo. É um espírito envenenado, espargindo o tóxico que o vitima. Não desças a ele senão para o ajudar.

Há tanto tempo não experimentavas aflição ou problema – graças à fé clara e nobre que esflora em tua alma – que te desacostumaste ao convívio do sofrimento. Por isso, estás considerando em demasia o petardo com que te atingiram, valorizando a ferida que podes de imediato cicatrizar.

Pelo que se passa contigo, medita e compreenderás o que ocorre com ele, o teu ofensor.

O que te é Inusitado, nele é habitual.

Se não te permitires a ira ou a rebeldia – perdoarás!

A mão que, em afagando a tua, crava nela espinhos e urze que carrega, está ferida ou se ferirá simultaneamente. Não lhe retribuas a atitude, usando estiletes de violência para não aprofundares as lacerações.

O regato singelo, que tem o curso impedido por calhaus e os não pode afastar, contorna-os ou para, a fim de ultrapassá-los e seguir adiante.

A natureza violentada pela tormenta responde ao ultraje reverdescendo tudo e logo multiplicando flores e grãos.

E o pântano infeliz, na sua desolação, quando se adorna de luar, parece receber o perdão da paisagem e a benéfica esperança da oportunidade de ser drenado brevemente, transformando-se em jardim.

Que é o “Consolador”, que hoje nos conforta e esclarece, conduzindo uma plêiade de Embaixadores dos Céus para a Terra, em missão de misericórdia e amor, senão o perdão de Deus aos nossos erros, por intercessão de Jesus?!

Perdoa, sim, e intercede ao Senhor por aquele que te ofende, olvidando todo o mal que ele supõe ter-te feito ou que supões que ele te fez, e, se o conseguires, ama-o, assim mesmo como ele é.

“Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes”. Mateus: 18-22.

“A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacifico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas”. O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. X – Item 4.

FRANACO, Divaldo Pereira. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Do livro Florações Evangélicas.


BEM E MAL SOFRER


Joanna de Ângelis



Afasta a nuvem cinzenta do pessimismo e da queixa, enquanto a dor se demora contigo, concedendo ao sol da esperança a oportunidade de fulgir ante os teus olhos acostumados às sombras das recriminações.


Enquanto não te disponhas ao combate contra a autopiedade e a autoflagelação por morbidez, ninguém poderá fazer nada por ti.


Observa o voo ligeiro da ave colorida, o desabrochar de uma flor, a vitória da germinação de uma semente, o canto de delicado filete dágua na frincha da rocha, o triunfo da árvore, o milagre do pão, o deslumbramento do nascente, o ritmo da vida nos insetos, nos animais, em toda parte, e encontrarás as mãos divinas agindo, produzindo, zelando…


A inteligência e o dom do raciocínio não te foram concedidos através das múltiplas etapas da evolução para que somente reclames, amaldiçoes, azorragues…


Não lances invectivas contra isto ou aquilo, antes faze algo para corrigir seja o que for que não esteja certo. Se o dever que reclamas nos outros se corporificasse em teus atos, outros possivelmente aprenderiam contigo otimismo e ação, produzindo para melhorar todas as coisas que podem e devem ser melhoradas.


Quando te entregas ao desânimo e o espalhas, conspiras contra a ordem natural, o equilíbrio e o progresso da vida. É pernicioso mal sofrer, malbaratando a oportunidade de aproveitar bem a lição do sofrimento.


Procuras sofismar quanto ao bem e ao mal, tentando fugir à responsabilidade.


O bem é tudo quanto estimula a vida, produz para a vida, respeita e dignifica a vida.


O mal é toda ação mental, física ou moral que atinge a vida perturbando-a, ferindo-a, matando-a.


Se cultivas os cogumelos do pessimismo, respiras, evidentemente, em clima de sombras morais e umidade psíquica asfixiante.


Inadvertidamente enfermas e por irresponsabilidade laboras e colaboras no mal.


*


Tens nos olhos duas estrelas engastadas no céu da face. Põe-nos a derramar a claridade da visão feliz pela senda onde segues, apesar de estares sofrendo.


Utiliza as mãos no algo produzir, embora sob acúleos de dores.


Ouve em derredor! Há mutilados esperando tuas mãos e teus pés, cegos do corpo e cegos da razão, necessitados dos teus olhos e da claridade do teu discernimento, mais sofredores do que tu próprio.


Acalma o vozerio agitado da tua mente alvoroçada pela revolta, ou desperta-a, atormentada que se encontre nos tecidos da comodidade, da preguiça ou do cansaço de sofrer, e escutarás, sim, mil vozes, algumas tão debilitadas pela fraqueza que será mister um grande esforço para identificá-las, chorando e rogando socorro baixinho às fortunas que possuis no corpo e no espírito e teimas por desperdiçar, ignorando-as.


Não te revoltes no crisol das dores, mesmo que sejam dores reais. A dor chega para que o espírito triunfe sobre ela, ao invés de ser por ela esmagado.


Mas se tuas legítimas aflições forem muito grandes e esmagadoras, invoca Jesus, quando na vida dolorosa, esmagado sob a cruz, e no entanto aconselhando e advertindo as mulheres piedosas de Jerusalém, ou cravejado, logo depois, no madeiro de infâmia, convocando dois estranho e desafortunados salteadores, neles semeando as esperanças do Reino de Deus, instantes antes do momento extremo, e refaze as tuas forças, reconsidera a situação, recompõe os joelhos desconjuntados e avança, confiante, cantando a certeza de que, após a partida libertadora, uma madrugada sublime te alcançará, fazendo-te ditoso por fim, vitorioso com o bem.


FRANCO, Divaldo Pereira. Pelo Espírito Joanna de Ângelis . Da obra “Lampadário Espírita”, da Editora FEB – Federação Espírita Brasileira .



PERDOA-TE


Joanna de Ângelis



A palavra evangélica adverte que se deve ser indulgente para com as faltas alheias e severo em relação às próprias.


Somente com uma atitude vigilante e austera no dia-a-dia o homem consegue a autorealização.


Compreendendo que a existência carnal é uma experiência iluminativa, é muito natural que diversas aprendizagens ocorram através de insucessos que se transformam em êxitos, após repetidas, face aos processos que engendram.


A tolerância, desse modo, para com as faltas alheias, não pode ser descartada no clima de convivência humana e social.


Sem que te acomodes à própria fraqueza, usa também de indulgência para contigo.


Não fiques remoendo o acontecimento no qual malograste, nem revitalizes o erro através de sua incessante recordação.


Descobrindo-te em gravame, reconsidera a situação, examinando com serenidade o que aconteceu e regulariza a ocorrência.


És discípulo da vida em constante crescimento.


Cada degrau conquistado se torna patamar para novo logro.


Se te contentas, estacionando, perdes oportunidades excelentes de libertação.


Se te deprimes e te amarguras porque erraste, igualmente atrasas a marcha.


Aceitando os teus limites e perdoando-te os erros, mais facilmente treinarás o perdão em referência aos demais.


Quando acertes, avança, eliminando receios.


Quando erres, perdoa-te e arrebenta as algemas com a retaguarda, prosseguindo.


O homem que ama, a si mesmo se ama, tolerando-se e estimulando-se a novos e constantes cometimentos, cada vez mais amplos e audaciosos no bem.


FRANCO, Divaldo Pereira. Pelo Espírito Joanna de Ângelis . Do livro Filho de Deus, Salvador/BA:LEAL, Brasil, 1992.

VIDA EM FAMÍLIA


Joanna de Ângelis



Os filhos não são cópias xerox dos pais, que apenas produzem o corpo, graças aos mecanismos do atavismo biológico.


As heranças e parecenças físicas são decorrências dos gametas, no entanto, o caráter, a inteligência e o sentimento procedem do Espírito que se corporifica pela reencarnação, sem maior dependência dos vínculos genéticos com os progenitores.


Atados por compromissos anteriores, retornam, ao lar, não somente aqueles seres a quem se ama, senão aque¬loutros a quem se deve ou que estão com dívidas…


Cobradores empedernidos surgem na forma fisiológica, renteando com o devedor, utilizando-se do processo superior das Leis de Deus para o reajuste de contas, no qual, não poucas vezes, se complicam as situações, por indisposições dos consortes…


Adversários reaparecem como membros da família para receber amor, no entanto, na batalha das afinidades padecem campanhas de perseguição inconsciente, experimentando o pesado ônus da antipatia e da animosidade.


A família é, antes de tudo, um laboratório de experiências reparadoras, na qual a felicidade e a dor se alternam, programando a paz futura.


Nem é o grupo da bênção, nem o élan da desdita.


Antes é a escola de aprendizagem e redenção futura.


Irmãos que se amam, ou se detestam, pais que se digladiam no proscênio doméstico, genitores que destacam uns filhos em detrimento dos outros, ou filhos que agridem ou amparam pais, são Espíritos em processo de evolução, retornando ao palco da vida física para a encenação da peça em que fracassaram, no passado.


A vida é incessante, e a família carnal são experiências transitórias em programação que objetiva a família universal.


Abençoa, desse modo, com a paciência e o perdão, o filho ingrato e calceta.


Compreende com ternura o genitor atormentado que te não corresponde às aspirações.


Desculpa o esposo irresponsável ou a companheira leviana, perseverando ao seu lado, mesmo que o ser a quem te vinculas queira ir-se adiante.


Não o retenhas com amarras de ódio ou de ressentimento. Irá além, sim, no entanto, prossegue tu, fiel, no posto, e amando…


Não te creias responsável direto na provação que te abate ante o filho limitado, física ou mentalmente.


Tu e ele sois comprometidos perante os códigos Divinos pelo pretérito espiritual.


O teu corpo lhe ofereceu os elementos com que se apresenta, porém, foi ele, o ser espiritual, quem modelou a roupagem na qual comparece para o compromisso libertador.


Ante o filhinho deficiente não te inculpes. Ama-o mais e completa-lhe as limitações com os teus recursos, preenchendo os vazios que ele experimenta.


Suas carências são abençoados mecanismos de crescimento eterno.


Faze por ele, hoje, o que descuidaste antes.


A vida em família é oportunidade sublime que não deve ser descuidada ou malbaratada.


Com muita propriedade e irretorquível sabedoria, afirmou Jesus, ao doutor da Lei:
“Ninguém entrará no reino dos céus, se não nascer de novo…


E a Doutrina Espírita estabelece com segurança:


“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre — é a lei. Fora da caridade não há salvação.”


FRANCO,Divaldo Pereira .Pelo Espírito Joanna de Ângelis.Da obra: S.O.S. Família

segunda-feira, julho 26, 2010

Tela de Renoir



Com o que tenhas


Momento Espírita



Na vida, é bastante comum as pessoas invejarem umas às outras. Algumas apreciariam ter facilidade de se expressarem em público porque, afinal, para tantos isto parece tão fácil.


Outras gostariam de ser admiradas pela sua beleza, à semelhança de criaturas que o são, parecendo atraírem os olhares onde quer que estejam.


Enfim, é um desfilar contínuo de desejos de ser como o outro, de ter o que o outro tem etc.


Uma cantora e estrela da TV americana teve oportunidade de narrar uma de suas experiências de vida. Algo, diz ela, que lhe aconteceu em torno de seus treze anos de idade e que influenciou definitivamente sua carreira e seu modo de ser.


Foi nessa época que ela recebeu a chance de realizar uma tournê por várias cidades americanas com uma famosa cantora.


Apresentando-se em ambientes fechados de igrejas, elas atraíam público sempre entusiasta.


Della Reese afirma que toda vez que se apresentava dava o máximo de si. Buscava entoar as notas mais altas, sustentava-as por tempo mais longo, enfim, era um show em que se exibia.


Esquecia-se muitas vezes que estava cantando em templos religiosos e entoando hinos que deveriam ter o objetivo único de louvar ao Senhor e sensibilizar as criaturas para as coisas espirituais.


Com o tempo ela foi observando que o seu modelo, a famosa Mahalia Jackson inspirava ao povo sentimentos diferentes dos que ela conseguia. As pessoas a ouviam com respeito e assombro.


Afinal, o que será que ela tinha que Della Reese não tinha? Foram necessárias muitas apresentações para ela descobrir.


Aconteceu, afinal que, em uma determinada localidade, encontraram uma garota, uma lavradora de tranças longas que cantava maravilhosamente. Foi o suficiente para a jovem sentir-se enciumada. Com certeza, ela seria preterida.


No entanto, quando manifestou seu mau humor e sua raiva à famosa Mahalia, esta lhe deu em poucas palavras a lição:


Não se trata de cantar melhor, de sustentar por mais tempo as notas ou de alcançar tonalidades mais agudas. Trata-se de sentir a presença de Deus. Não estamos numa competição. Estamos a serviço de Deus.


E concluiu: Fique feliz por Ele ter chamado você. Mas, lembre-se de que você não é a única a quem Ele chamou.


* * *


Saibamos observar e descobrir como Deus coloca talentos nos lugares mais estranhos.


Della Reese afirma que jamais conseguiu cantar como cantoras extraordinárias que a inspiraram, mas conseguiu ser ela mesma. Cantar como ela mesma, dar o que tinha de seu.


E considerou que a presença daquela mulher em sua adolescência foi a dose exata da Providência Divina se manifestando para que ela aprendesse a ser grata e valorizasse o que possuía.


* * *


Todos somos filhos de Deus e todos possuímos dádivas que nos foram dadas por Ele.


Todos trazemos a este mundo talentos que nos cabe aproveitar bem. Uns possuem a inteligência aguçada, a sabedoria, recursos materiais. Outros a facilidade para as artes, a comunicação etc.


Cada um de nós está colocado estrategicamente em um lugar especial, para ali crescer e auxiliar os outros a crescerem, para progredir e ajudar o progresso dos que convivem conosco.

Redação do Momento Espírita com base no artigo O toque de um anjo, de Seleções Reader´s Digest, de abril de 1998.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2683&stat=0>