Pachelbel - Canon In D Major

quinta-feira, junho 30, 2011


Uma doação insignificante 

Momento Espírita



 Ela passa pelo conjunto residencial três vezes na semana. Quase todos a conhecem.


Faça frio ou faça sol, ela anda pelas ruas empurrando seu pesado carrinho, recolhendo papéis, latas, vidros. Tudo que possa ser vendido para reciclagem.


Nunca está zangada. Quando perguntamos se ela consegue sustentar a família, daquela forma, diz: Sim, graças a Deus.


Quando lhe indagamos a respeito dos filhos, ela nos informa que sua filha está casada, tem um bebê. Que eles têm dificuldades para suprir todas as necessidades da criança e, por isso, ela auxilia o casal.


Também diz que tem um menino de oito anos, que está na escola.


Já nos habituamos a guardar tudo separado, para lhe facilitar a tarefa: metal, vidro, papel.


Ela chega e vai recolhendo tudo e agradece. Agradece por lhe darmos nosso lixo.


Dia desses, resolvemos lhe oferecer algo mais. E lhe entregamos uma bandeja com quatro copos de iogurte. Nossas crianças já estão enjoadas de seu consumo.


Mudamos de marca, compramos com polpa, depois com pedacinhos de fruta, para variar.


O rosto da mulher se ilumina. Meu filho vai adorar isto, diz ela.


Dias depois nos conta da alegria do seu menino ao tomar um a cada dia. Como se fosse uma sobremesa, uma recompensa. Algo especial.


E nossos filhos cansados de se servirem sempre das mesmas coisas, desejando algo diferente. Porque vivem fartos.


Mais uns dias e, porque fosse feriado, o garoto acompanhou a mãe nas suas andanças.


Ao nos ver, no portão, foi apontando: Foi aquela dona que deu prá gente o iogurte, mãe?


E, ao sinal afirmativo, correu em nossa direção, agradecendo e dizendo como ficara feliz. Quatro dias de felicidade.


Tomei devagarinho, disse ele. Para sentir bem o gosto e não esquecer por muito tempo. Agradeço demais.


Um gesto tão simples. Algo tão pequeno. E fez tanta diferença. Quatro dias de felicidade para um menino que não passa fome, mas tem vontade de comer algo diferente.


Como nossos filhos que se levantam, saciados, da mesa e perguntam:


O que tem mais para comer?


Ou, em meio à tarde: Estou com fome. O que tem para comer nesta casa?


Mas eles não desejam pão com manteiga. Querem algo especial ao paladar.


Será que, olhando essas crianças que vivem em casebres quase a desabar, ou que acompanham os pais nas longas jornadas, catando lixo pelas ruas, pensamos que elas têm desejos especiais?


Vontade de comer chocolate, de tomar um sorvete, um hambúrguer, fritas, iogurte.


Afinal, o que apreciam os nossos filhos? Eles também.





É hora de pararmos de dar somente pão, sopa, para saciar a fome.


É hora de dar algo mais. Um capricho, mas que ilumina os olhos da infância.


Os filhos da pobreza têm sonhos, como os nossos filhos. Têm vontades, exatamente como os nossos.


Pensemos nisso e nos tornemos mais sensíveis. Podemos começar tendo em nosso carro, ou na bolsa, um chocolate, uma guloseima extra para oferecer a um deles, que encontremos pelas calçadas, pelas ruas.


E quando nos dispusermos atender as necessidades dos carentes sociais, quando pensarmos em cestas básicas, pensemos nas crianças.


E coloquemos algo mais: uma barra de chocolate, do especial que gostamos ou nossos filhos apreciam.


Um suco que acabou de ser lançado, bolachas recheadas, de boa marca, enfim, tudo aquilo que gostamos. Tudo aquilo que costumamos comprar para os nossos filhos.


Porque afinal a diferença entre aquelas crianças e as nossas é somente que não estão em nosso lar.


Pensemos nisso.


Redação do Momento Espírita.

Disponível em www.momento.com.br




O Trabalho

Joanna de Ângelis


Após a tensão experimentada no trânsito sufocante, chegas invariavelmente ao local de trabalho, com mau humor, cansaço ou indisposição.


Relacionas então as necessidades que deves suprir, e sofres sob a conjuntura que se te impõe, no trabalho diário.


Vês outros indivíduos que parecem prósperos e felizes, usufruindo benefícios da vida, que nunca te chegaram, e a amargura começa a aninhar-se no teu sentimento doído.


Evita cair no desalento, face à insinuação falsa.


O trabalho é dom da vida, que dignifica e mantém o homem.


Em toda parte, o trabalho se impõe como lei mantenedora do equilíbrio.


Sem ele tudo retornará ao caos do princípio, e os objetivos superiores naufragariam no tédio e na ociosidade doentios.


Busca, portanto, motivação para fazeres bem o teu trabalho, renovando-te nele e nele colocando os teus melhores empenhos, de modo a te enriqueceres de justa gratificação emocional em relação ao teu maravilhoso meio de ganhar com nobreza o pão diário.



FRANCO,Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis do livro Episódios Diários .


quarta-feira, junho 29, 2011


Colheita da gratidão


Momento Espírita


Tratava-se de um Congresso Estadual. As pessoas chegavam de todas as bandas e os largos corredores de acesso ao auditório principal se apresentavam movimentados.


Pequenos grupos se formavam, aqui e ali, onde abraços e risos se misturavam, percebendo-se que se tratava de reencontros de amigos.


Amigos de cidades diferentes, de outros Estados que novamente se encontravam. A expectativa, para a sessão de abertura, era de dez mil pessoas.


Os voluntários estavam em toda parte: na recepção, no setor de informações, nas livrarias, onde grande era igualmente a movimentação.


Uma senhora conversava, animada, com amigos, quando se aproximou um dos voluntários, pedindo-lhe ajuda para uma das livrarias.


O movimento se fizera de tal intensidade que os atendentes precisavam de um apoio extra.


Feliz por servir, a senhora logo se postou atrás do balcão. Entre sorrisos e cumprimentos, a um indicava o lançamento mais recente em livro, cd e dvd.


A outro, esclarecia a respeito do conteúdo do produto que tinha em mãos.


Vendia, acondicionava em sacolas e entregava a mercadoria. Bastante conhecida, detinha-se a brincar com um ou outro dos que se achegavam para tomar ciência das novidades editoriais.


Então, alguém lhe perguntou: Poderia me dizer se, há uns catorze anos, a senhora esteve na Maternidade Y, a visitar algum parente seu?


A pergunta surpreendeu a voluntária. Contudo, consultou os arquivos da memória e respondeu de forma afirmativa.


Há catorze anos, pelo período de trinta dias, estivera, muitas vezes, na citada Maternidade.


Sua sobrinha nascera prematura e estava no Centro de Terapia Intensiva Neonatal.


E concluiu: Desculpe-me, mas por que a pergunta?


Então, entre a emoção mal contida, os olhos marejados de lágrimas, disse a indagante:


Eu nunca soube seu nome. Mas jamais esqueci seu rosto. Fico muito feliz em encontrá-la, agora e poder lhe agradecer.


E, ante o surpreso silêncio, ela continuou: Eu sou aquela mulher que a senhora viu a chorar na recepção.


Sem me conhecer, notando meu desespero, se aproximou de mim e perguntou: "Por que chora tanto? O que aconteceu?"


E eu contei sobre a doença do meu filhinho de poucos meses, do pavor de perdê-lo, da dor de ter que deixá-lo hospitalizado, das tantas incertezas da minha alma de mãe ansiosa.


Então, a senhora me envolveu em um abraço terno e me disse: "Confie em Deus. Entregue seu filho aos cuidados dEle.


Ore, acalme-se e guarde a certeza: seu filho ficará bem."


E eu me acalmei, ao influxo das vibrações que recebi do seu abraço.


Orei, esperei. E meu filho aí está, prestes a completar seus quinze anos.


Por isso, por aquele dia ter acalmado o desespero de uma estranha, eu lhe agradeço.


A partir de hoje, tenho um nome para guardar em gratidão.


Um abraço prolongado encerrou a narrativa.


A senhora sequer lembrava do fato mas, em sua intimidade, agradeceu a Deus pela felicidade de colher flores no seu caminho.


Flores de gratidão de uma estranha, guardadas há pouco mais de catorze anos.


Verdadeiramente, pensou, o bem faz bem a quem o realiza.



Redação do Momento Espírita, com base em fato.

Disponível em www.momento.com.br

terça-feira, junho 28, 2011





Lições para bem viver 

Momento Espírita 


O pensador russo Giurdzhiev que, no início do século passado, já falava em autoconhecimento e na importância de se saber viver, traçou algumas regras de vida que foram colocadas em destaque no Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris.


Segundo os especialistas em comportamento humano, quem consegue praticar a metade dessas lições, com certeza terá mais harmonia íntima e menos estresse.


As regras são as seguintes:


Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo.


Repita essas pausas na vida diária e pense em você, analisando suas atitudes.


Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.


Planeje seu dia, sim, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.


Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.


Esqueça, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, em casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser, você mesmo.


Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimônias.


Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.


Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os, porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.


Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem achar que isso é o máximo a se conseguir na vida.


Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias enquanto ansiedade e tensão. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.


Saiba que a família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.


Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca.


É preciso ter sempre alguém em quem se possa confiar e falar abertamente, ao menos num raio de cem quilômetros.


Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta.


Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental. Escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.


Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo... para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.


A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente.


Uma hora de intenso prazer substitui com folga três horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca as oportunidades de se divertir.


Não abandone suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé.


Por fim, entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: você é o que fizer de você mesmo.

* * *

Grande número de pessoas gasta boa parte do seu tempo em esforços inúteis e desnecessários.


Uns gastam horas tentando fazer com que os outros aceitem suas ideias.


Outros perdem horas de sono pensando no que irão dizer no dia seguinte, numa conversa que não acontecerá.


Existem aqueles que se detêm por longo tempo alimentando ilusões.


Isso prova que fazemos esforços inúteis ou até prejudiciais ao nosso bem-estar.


Assim, anote as regras de Giurdzhiev e prepare-se para uma vida de melhor qualidade.


Redação do Momento Espírita, baseado em informações contidas no site http://www.psiconselhos.com.br/psico/dicasv.php3. Disponível no CD Momento Espírita v. 7 e no livro Momento Espírita v. 3, ed. Fep.
 


O animal satisfeito dorme 

Momento Espírita



O pensamento que intitula esta reflexão é de Guimarães Rosa, e encerra, por trás de aparente obviedade, um profundo alerta existencial.


O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital, toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão.


Rende-se assim à sedução do repouso e imobiliza-se na perigosa acomodação.


A advertência é preciosa pois, segundo o pensador Mario Sérgio Cortella, que aborda o tema, a satisfação conclui, encerra, termina.


A satisfação não deixa margem para a continuidade, para prosseguimento, para a persistência, para desdobramento.


A satisfação acalma, limita, amortece.


Diz ainda, que, quando alguém nos fala: Fiquei muito satisfeito com você ou Estou muito satisfeito com seu trabalho, é algo assustador.


Explica ele que tal expressão pode ser entendida como uma barreira ao crescimento, dizendo que nada mais de nós desejam, ou que aquele é nosso limite, nossa possibilidade.


O está bom como está pode ser um grande cerceador da evolução, pois pode nos acomodar à situação atual.


Segundo ele, seria muito melhor ouvir a seguinte expressão: Seu trabalho é bom mas fiquei insatisfeito, e portanto, quero conhecer outras coisas.


Percebamos que ele se utiliza da expressão insatisfeito, não para criticar ou depreciar o trabalho, mas para incentivar seu autor à continuidade.


Um bom filme, por exemplo, não é aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando quietos para a tela, enquanto passam os créditos, desejando que não acabe?


Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos no colo, absortos e distantes, pensando que poderia não terminar?


Uma boa festa, um bom passeio, uma boa viagem, não é aquela que desejamos se prolongue, que nunca acabe?


É desta forma que, segundo Cortella, a vida de cada um também deve ser, afinal de contas, não nascemos prontos e acabados.


Ainda bem, pois estar plenamente satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento.


Termina ele dizendo que somos seres de insatisfação, e precisamos alguma dose de ambição em nossas existências.


O animal satisfeito dorme, pois não tem objetivos de vida, não tem razão para sair do lugar.


O ser insatisfeito, sedento por melhorar-se, pára por pouco tempo, avalia-se, celebra e valoriza o que já conseguiu. Depois, segue em frente, rumo ao inexplorado.


* * *

A reencarnação e suas leis são um grande incentivo ao progresso.


Como se acomodar perante um horizonte sem limites?


Como parar de caminhar sabendo que muito nos aguarda à frente?


Como deixar de buscar o aprimoramento constante, se percebemos que quanto mais conseguimos, mais felicidade conquistamos?


Despertemos, aqueles de nós que ainda dormimos o sono da acomodação!



Redação do Momento Espírita com base no texto Não nascemos prontos, do livro Não nascemos prontos - provocações filosóficas, de Mário Sérgio Cortella, ed. Vozes.

Disponível em www.momento.com.br




Transitoriedade 

Momento Espírita


Em face das preocupações que te ocupam a tela mental, levando-te a inquietações desnecessárias, seria válido que fizesses uma avaliação em torno de teu comportamento.


Convidamos a uma rápida análise de fatos ocorridos em tua existência.


Retorna, psiquicamente, há apenas cinco anos, no teu passado recente e procura recordar as aflições que então te maceravam a alma.


Enfermidades que te minavam o organismo, ameaçando-te a existência física; problemas de sentimento emocional que te entristeciam; solidão amarga em que te refugiavas; incertezas no trabalho que te oferecia recursos para uma vida honrada; expectativa em torno de metas que pareciam tardar; abandono de amigos que se apresentavam como irmãos...


Mudemos a tônica das lembranças.


Talvez estivesses cercado pela ternura de afetos que te afirmavam ser de natureza eterna; possuías saúde e equilíbrio orgânico invejáveis; quem sabe tivesses motivações emocionais para avançar; independência econômica, segurança no trabalho, bem-estar social e harmonia doméstica.


Cinco anos. Em apenas cinco anos, observa quantas mudanças ocorreram no trânsito das tuas horas.


As enfermidades ameaçadoras partiram, os males desapareceram, o trabalho se te afirmou ideal, novos amigos vieram ter contigo...


Surgiram metas promissoras e não poderias supor, naquela ocasião que, em determinado momento futuro, te encontrarias fortalecido e alegre, considerando os problemas então vigentes.


Cinco anos...


Provavelmente, o afeto que acariciavas saiu do teu lado, deixando-te em aflição; a saúde bateu em retirada, os sentimentos ficaram em transtorno...


O ganha-pão tornou-se-te lugar de sofrimento; os recursos de que dispunhas mudaram de mãos; a convivência social modificou-se em relação às pessoas...


E ainda, o lar, que parecia tão bem estruturado, encontra-se em frangalhos...


Essas ocorrências tiveram lugar em somente sessenta meses!


* * *

A existência humana é transitória e cheia de surpresas.


O que parece duradouro, torna-se de rápida permanência.


A segurança diminui ou a intranquilidade asserena-se.


Tudo está em constante modificação.


O importante é saber como conduzir-se nas múltiplas etapas em que a vida se manifesta.


Ninguém se encontra, na Terra, em regime de exceção, portanto, sem ocorrências inesperadas, tanto boas quanto más, alegres quanto aflitivas.


Sendo um planeta de provações e de expiações, a transitoriedade é a sua marca.


O que é muito bom, porque, da mesma forma que as questões gentis e felizes alteram-se, também aquelas de natureza destrutiva, angustiante, cedem lugar a outras mais amenas e confortadoras.


Não fosse assim, e ninguém suportaria a presença do sofrimento sem consolo, nem esperança.


Desse modo, nunca te permitas perturbar por acontecimentos que fazem parte do teu currículo evolutivo, já que tudo ocorre de acordo com a programação básica mais útil à tua libertação espiritual.


Nos momentos bons, carreguemos as forças, o ânimo. Nos momentos pesarosos, aprendamos, reflitamos e, em todos eles, continuemos crescendo para Deus.


Redação do Momento Espírita com base no cap. 28, do livro O amor como solução, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

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segunda-feira, junho 27, 2011


A Imensa Alegria de Servir

Momento Espírita



Toda natureza é um desejo de serviço.

Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco.

Onde houver uma árvore para plantar, planta-a tu.

Onde houver um erro para corrigir, corrige-o tu.

Onde houver uma tarefa que todos recusem, aceita-a tu.



Sê quem tira:

a pedra do caminho,

o ódio dos corações

e as dificuldades dos problemas.



Há a alegria de ser sincero e de ser justo.

Há, porém, mais do que isso,

a imensa alegria de servir.



Como seria triste o mundo

se tudo já estivesse feito,

se não houvesse uma roseira para plantar,

uma iniciativa para lutar!



Não te seduzam as obras fáceis.

É belo fazer tudo que os outros se recusam a executar.

Não cometas, porém, o erro

de pensar que só tem merecimento executar as grandes obras.

Há pequenos préstimos que são bons serviços:

enfeitar uma mesa.

Arrumar uns livros.

Pentear uma criança.



Aquele é quem critica,

este é quem destrói;

sê tu quem serve.



Servir não é próprio dos seres inferiores:

Deus, que nos dá fruto e luz, serve.

Poderia chamar-se: O Servidor.

E tem os Seus olhos fixos nas nossas mãos

e pergunta-nos todos os dias:

Serviste hoje?


* * *

Gabriela Mistral, poetisa chilena, em seu belíssimo poema nos emociona com uma proposta de vida maravilhosa.


O Poeta dos poetas, certa vez também afirmou que quem desejasse ser o primeiro, fosse o servo de todos.


Servir é a receita infalível da felicidade presente e futura.


Presente, pois quem serve, quem se doa, quem ajuda, já recebe no coração a paz que tal ato propicia. Uma paz sem igual: a paz da consciência tranquila.


Futura, pois quem serve semeia concórdia, fraternidade - merecendo colher o mesmo nos passos seguintes da existência imortal do Espírito.


Todo dia nos apresenta diversas oportunidades de servir. Que possamos estar atentos a elas, e não desperdiçar nenhuma chance, nenhuma dessas experiências enriquecedoras.


Parafraseando a poetisa, perguntamos: Você já serviu hoje?



Redação do Momento Espírita com base no poema A imensa alegria de servir, de Gabriela Mistral.


Disponível em www.momento.com.br

domingo, junho 26, 2011



Trabalhar em Equipe com os Benfeitores Espirituais

Luzia Mathias


Quantas vezes nos sentimos lutando sozinhos contra a adversidade?


Será que nessas horas difíceis somos abandonados pelos amigos espirituais?


Ou será que nos isolamos dele?


Sobre isso vamos ouvir o testemunho de Denis...


Mas, antes de conhecermos o que o nosso novo amigo tem a nos revelar sobre a atuação dos benfeitores espirituais em sua vida, vale fazermos um balanço sobre como anda o nosso próprio sentimento em relação ao assunto. Este balanço fará com que aproveitemos melhor o testemunho de Denis que já, já, iremos conhecer.


Pense bem!


O que você acha? Mesmo um grande espírito missionário precisa, como nós, da ajuda dos amigos espirituais? Em que circunstâncias? Não estaria ele pronto para vencer sozinho todas as dificuldades inerentes à sua tarefa?


Pensou?


Então, agora leia as palavras que o nosso patrono dirige aos seus amigos espirituais, dedicando-lhes sua primeira grande obra doutrinária: o livro Depois da Morte.


"Aos nobres e grandes Espíritos que me revelaram o mistério augusto do destino, a lei do progresso na imortalidade, cujos ensinos consolidaram em mim o sentimento da justiça, o amor da sabedoria, o culto do dever, cujas vocês dissiparam as minhas dúvidas, apaziguaram as minhas inquietações; às almas generosas que me sustentaram na luta, consolaram na prova, e elevaram meu pensamento até às alturas luminosas em que se assenta a Verdade, eu dedico estas páginas."

Por esta dedicatória, podemos deduzir que o nosso missionário, assim como nós, experimentou o desconhecimento das verdades espirituais, tinha o sentimento de justiça, o amor da sabedoria e o culto do dever necessitados de consolidação. Além disso, novamente como cada um de nós, experimentou as trevas da dúvida e a luta interna com as próprias inquietações. Como cada um de nós, eventualmente, sentiu-se frágil diante das provas, da dor.


Então, qual será a diferença, entre nós e o grande Léon Denis?


Ele mesmo responde em sua humilde dedicatória. A diferença é que ele, assim como Joana d'Arc, como Jesus, como Francisco de Assis, como todos os incríveis missionários que conhecemos, ouvia as vozes da Espiritualidade Superior e buscava seguir-lhe as orientações. Desta maneira, criava para a Espiritualidade Superior as condições de sintonia necessárias para que Ela pudesse elevá-lo pelo pensamento "até às alturas luminosas em que se assenta a Verdade".


Para ouvir a voz dos Espíritos Superiores, trabalhar em equipe com eles, basta estudar a Doutrina Espírita e aprender a fazer silêncio interior para ouvi-los falar em nosso próprio íntimo.


E depois de ouvi-los, segui-los!


Assim fez Léon Denis.


Assim nós podemos fazer!


Depois... é só correr para o abraço!


Retirado da Revista Estudos Espíritas - Fevereiro de 1998 - Edições Léon Denis

Disponível em http://www.espacoespirita.net. Acesso: 26 JUN 2011.