Pachelbel - Canon In D Major

segunda-feira, novembro 30, 2015

Oração de Júbilo - Eros





Oração de Júbilo 

Eros



Senhor, ajudai-me:

A prosseguir na existência humana
Como se houvesse encontrado um tesouro sem igual.


A vencer as vicissitudes
Como se me encontrasse em um festival de bênçãos.


A contemplar a imortalidade
Como se estivesse fitando um rosto querido.


A confiar no futuro
Como se já pudesse vivê-lo hoje.


A perdoar a agressão
Como se me fosse uma oferenda.


A entender a ignorância
Como se iluminasse um tabernáculo na escuridão.


A superar a melancolia
Como se acendesse uma luz de esperança.


A construir o bem
Como se lançasse uma ponte para o infinito.


A erguer os caídos
Como se as mãos carregassem soluções.


A atravessar os pântanos
Como se os pés possuíssem asas.


A enfrentar a morte
Como uma experiência de libertação.


A amar e servir
Como se me significassem os únicos objetivos existenciais.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Oração de Júbilo.

domingo, novembro 29, 2015

Oração por Paciência - Emmanuel





Oração  por  Paciência

Emmanuel

  
Senhor!


Fortalece-nos a fé para que a paciência esteja conosco.


Por Tua paciência, vivemos.


Por Tua paciência, caminhamos.


Auxilia-nos, por misericórdia, a aprender a tolerância, a fim de que estejamos em Tua paz.


É por Tua paciência que a esperança nos ilumina e a compreensão se nos levanta no íntimo da alma.


Agradecemos todos os dons de que nos enriqueces a vida, mas Te rogamos que nos resguardes a paciência de uns para com os outros, para que estejamos Contigo, tanto quanto estás conosco, hoje e sempre.


 
XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito de Emmanuel.



A fábula da águia e da galinha - Leonardo Boff





A fábula da águia e da galinha

Leonardo Boff*



Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. 


Oxalá nos faça pensar sempre a respeito.


"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.

Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. 


Cresceu como uma galinha.


Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.


Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:


- Esse pássaro aí não é uma galinha. 


É uma águia.


- De fato, disse o homem.


- É uma águia. 


Mas eu a criei como galinha. 


Ela não é mais águia. 


É uma galinha como as outras.


- Não, retrucou o naturalista.


- Ela é e será sempre uma águia. 


Este coração a fará um dia voar às alturas.


- Não, insistiu o camponês. 


Ela virou galinha e jamais voará como águia.


Então decidiram fazer uma prova. 


O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse:


- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!


A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. 


Olhava distraidamente ao redor. 


Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. 


E pulou para junto delas.


 O camponês comentou:


- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!


- Não, tornou a insistir o naturalista. 


- Ela é uma águia. 


E uma águia sempre será uma águia. 


Vamos experimentar novamente amanhã.


No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.


Sussurrou-lhe:


- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!


Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.


O camponês sorriu e voltou a carga:


- Eu havia lhe dito, ela virou galinha!


- Não, respondeu firmemente o naturalista. 


- Ela é águia e possui sempre um coração de águia. 


Vamos experimentar ainda uma última vez. 


Amanhã a farei voar.


No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. 


Pegaram a  águia, levaram-na para o alto de uma montanha. 


O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas.


O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:


- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!


A águia olhou ao redor. 


Tremia, como se experimentasse nova vida. 


Mas não voou. 


Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.


Foi quando ela abriu suas potentes asas.


Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. 


E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto.


Voou. 


E nunca mais retornou."



Existem pessoas que nos fazem pensar como galinhas. 


E ainda até pensamos que somos efetivamente galinhas. 


Porém é preciso ser águia. 


Abrir as asas e voar. 


Voar como as águias. 


E jamais se contentar com os grãos que jogam aos pés para ciscar.”  




Leonardo Boff* é teólogo, escritor e professor de ética da UERJ.



Fonte

BOFF, Leonardo. Folha de São Paulo. A fábula da águia e da galinha . Disponível em http://www.catequisar.com.br/mensagem/reflexoes/06/msn_147.htm. Acesso: 09 AG. 2016.










Presunção e grandeza real - Eros





Presunção e grandeza real

Eros



Sobre verdejante relva uma violeta colorida exalava perfume.


Um animal invejoso, então, ameaçou-a:


- Esmago-te e se acaba a tua beleza.


Respondeu-lhe a flor:


- Se o fazes, abençoo-te com o meu perfume e viverei impregnada em ti.


Desgostoso com o brilho do pirilampo, coaxou o sapo repelente:


- Cubro-te de baba peçonhenta e apago tua luz.


O inseto pequenino sorriu e contestou:


- Sacudindo tua peçonha de sobre mim, prosseguirei brilhando.


A flauta, recostada num estojo de veludo, zombou de ágil rouxinol numa gaiola de frágeis talas de palmeira:


- Sou maior do que tu e mais nobre. 


Toda feita de prata, passeio por mãos perfumadas e recebo os beijos do artista que me sopra. 


E tu?


A avezita feliz, surpreendida com o motejo, redarguiu:


- De minha parte, não tenho inveja de ti. 


É certo que és bela e forte, enquanto sou pequeno e frágil. 


Apesar disso, consigo algo que jamais lograrás: sem que ninguém me sopre, eu canto.


E passando à ação, pôs-se a trinar, embevecido.


A vela tremeluzente, espalhando fraca luminosidade, gabou-se de haver vencido a sombra.


A estrela de primeira grandeza, fulgurante no Infinito, todavia não comentou nada.


A lagarta rastejante reclamava por viver naquela situação lastimável.


A vida escutou-a e deixou-a dormir.


Quando despertou, flutuava no ar como leve e feliz borboleta.



O regato risonho acusou a vegetação da margem porque esta lhe roubava o líquido precioso.


Arrancada, impunemente, por mãos irresponsáveis, dela o córrego sorriu, vitorioso.


Sem a defesa natural, que a sombra lhe propiciava, a ardência do Sol, por sua vez, absorveu a água, e o regato desapareceu.


O pavio, na lamparina, petulante, disse ao azeite em que mergulhava:


- Como te desprezo, pegajoso e desagradável, que és.


O combustível calou e prosseguiu, humilde, permitindo-lhe arder e iluminar, pois que tal, era o seu mister.


A soberba fenece, após o brilho ilusório, enquanto a humildade permanece e felicita.


Seja você aquele cuja importância ninguém nota, mas, quando se encontra ausente, nada funciona.


Cumpra, assim, com o seu dever, e não se preocupe com a presunção ou a fatuidade dos que estão enganados em si mesmos.


Você é vida! 


Aja com inteireza e nunca passará.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Do livro Em algum lugar do futuro, 2.ed, 1987, p. 10.

sábado, novembro 28, 2015

Meditar para agir - Eros





Meditar para agir

Eros


Fascinado pela realidade transcendente, o asceta abandonou o mundo que lhe parecia hostil, e mergulhou em profunda meditação, no santuário da Natureza direcionando o pensamento para a busca divina, logrou superar os condicionamentos corporais, passando a gozar da plenitude.


As viagens do desdobramento espiritual se lhe amiudaram, e, atendido por discípulos emocionados, que passaram a acompanhá-lo, encarregando-se da manutenção das necessidades físicas, que se lhe tomaram mínimas, ao retornar, cada vez, mais exaltava o transe, preconizando o desprezo pela Terra.


Longos dias passava em meditação, realizando o milagre de viver no mundo e conviver com os Mestres nas Altas Esferas, volvendo sempre, mais triste e mais amargo face aos seus limites humanos.


Num grande encontro espiritual defrontou venerando Mestre, que o esclareceu:


- Reencarnaste para viver no mundo e servir aos homens. 


Recomeçaste a experiência para ajudar, daqui havendo partido com a tarefa de transformar o meio doente, no qual se movimentam as criaturas. 


Foste investido do dever de conduzir a esperança e acender as luzes da fé e do amor nos corações e mentes infelizes. 


Certamente, o reconforte que experimentas na vida estuante é recompensa, que somente se logra após a ação praticada e a luta vencida.


“Fugir do mundo é entorpecer o sentimento e anestesiar a razão".


“Volta à convivência com os companheiros e dá-lhes o que tens conquistado". 


"Ajuda-os a ascender". 


"A meditação é um meio para alcançar-se a ação do bem, que é a finalidade superior da vida.”



Após uma pausa, que se fez natural, o Mensageiro concluiu:


- Buscando a realidade transcendente, ama o teu irmão caído e levanta-o, a fim de que, juntos, se ergam às cumeadas redentoras.


O asceta caiu das regiões felizes, e, abrindo-se ao amor e à compaixão na Terra, tornou-se uma lição viva de caridade e fé, descendo aos homens para aprender a subir a Deus, porque somente na ação se revelam os propósitos de todo aquele que diz crer.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Do livro Em algum lugar do futuro, 2.ed, 1987, p. 06-07.


sexta-feira, novembro 27, 2015

O que acontece em uma Reunião Espírita do outro lado

Sintonia da vida - Eros





Sintonia da vida

Eros


O aluno acercou-se do sábio mestre e indagou:


- Tenho buscado o caminho da sabedoria. 


Desde jovem estudo sem cessar. 


Os segredos das Matemáticas e as sutilezas da Lingüística, a harmonia da Música, os detalhes da Geografia e os fatos da História têm-me sido uma preocupação constante.


“Amo a Poesia e cultivo a Estética, viajo nos infinitos caminhos da Astronomia, busco o requinte do Verbo e me afadigo para interpretar a Teologia.


“Sinto-me cansado, quando poderia estar feliz e sofro soledade no momento em que poderia estar pleno.


“ Que me falta, mestre?”


O amigo da Sabedoria real meditou um pouco e respondeu sem vacilação:


- Iluminaste o cérebro e deste beleza aos sentimentos, no entanto não te importaste com a Ciência e Arte mais valiosa, aquela que melhor gratifica, isto sem desdouro para as outras correntes do conhecimento.


- E qual é? - indagou, ansioso.


- A de amar-servindo e servir-amando - ripostou o mestre. 


- Iniciando-a pelos exercícios da amizade, a música do amor preenche a pauta feliz das horas e os demais contributos da inteligência como da beleza, fazem-se um coro harmonioso para que estue essa fantástica sinfonia da Vida.



FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Do livro Em algum lugar do futuro, 2.ed, 1987, p. 09-10.



quinta-feira, novembro 26, 2015

Sonho e vida - Eros





Sonho e vida

Eros


O lago plácido refletia o luar de prata, enquanto o homem apaixonado se enamorava de Selene.


A brisa leve e perfumada derrubou pequenina folha sobre a superfície tranquila das águas, arrebentando o cromo poético.



Enquanto o deserto abrasador se alongava, o viajante cansado se ajoelhou emocionado e feliz: mas estava diante da miragem de um oásis verdejante...



Deitou-se o caminhante na praia imensa,e, sedento, não podia sorver uma baga do líquido precioso do mar salgado.



Cultivando o corpo que ia morrer descuidava-se de si mesmo, que seguiria por toda a Eternidade.



Sentia fome e possuía grãos. 


Impaciente, cozeu-os todos e se alimentou com fartura. 


Porque não tivesse usado a previdência, depois pereceu esfaimado.


Comovido, o artista se demorava estudando fotos da natureza, enquanto, em derredor, havia uma festa natural no jardim, no pomar, na floresta que ele nunca tinha tempo de contemplar.



O orador infundia entusiasmo nos ouvintes, decantando a beleza e a glória do sofrimento, que ele ainda não tivera ocasião de experimentar.



O mundo é rico de fantasias, fantasistas e fantasmas...


A realidade sorrateira, porém, chega e põe um ponto final, doloroso, na ilusão.


Feliz é aquele que, ante o licor não se embriaga, nem diante da imaginação enlouquece.


Viver o programa da realidade com beleza, é a conquista mais auspiciosa pela qual deve lutar, quem planeja possuir a paz.



FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Do livro Em algum lugar do futuro, 2.ed, 1987, p. 09.