Pachelbel - Canon In D Major

domingo, julho 31, 2011














Espiritualidade e Saúde



Luiz Antônio de Paiva*



Em 1947, a Organização Mundial da Saúde definiu – um avanço para a época – que “a saúde não é apenas a ausência de doença, mas o estado mais completo de bem-estar físico, psíquico e social”. Desde então o conceito evoluiu muito, pois novas dimensões do homem têm sido consideradas e que muito afetam o seu bem-estar.




Um importante aspecto do homem integral, a espiritualidade, tem sido negligenciado pela nossa cultura orientada pelo reducionismo materialista. Entretanto, cientistas de vários ramos da ciência, como antropólogos, médicos, biólogos, filósofos, físicos etc. têm demonstrado que a religiosidade e, consequentemente, a espiritualidade é intrínseca ao homem. Alguns estudos chegaram ao ponto de levantar a hipótese de que nossa configuração cerebral, determinada por nossos genes, compeliu o homem à crença em Deus e na alma. E que esta função teria grande importância evolucionária, pois foi a partir dela que o homem tornou-se gregário e veio a desenvolver a fala. Em outras palavras, foi a religiosidade inata que nos fez tal como somos.



Conquanto haja tais constatações, cientistas agnósticos e ateus insistem em atribuir tais características ao acaso, esse extraordinário Acaso que teceu o fio condutor da evolução das espécies até o homem, e determinou leis perfeitas que sustentam o Universo. Talvez Acaso seja o novo nome de Deus.



Grandes centros acadêmicos de pesquisa em todo o mundo, incluindo Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e até mesmo o Brasil têm realizado estudos e pesquisas sobre saúde e espiritualidade. Dentro do mais acurado rigor científico pesquisam como a oração, a fé, a religião, isto é, a espiritualidade, desempenha importante papel na manutenção da saúde e do bem-estar, assim como na recuperação mais célere das enfermidades. No Brasil, os estudos têm sido realizados em várias Universidades, principalmente nas públicas, como USP, UNIFESP, UNICAMP, UNESP, Universidade Federal do Ceará, Universidade Federal do R. G. do Sul e Universidade de Brasília.



Nos Estados Unidos, destaca-se o Duke’s Center para estudos da Religião e da Espiritualidade, da renomada Universidade de Duke. Merece citação os trabalhos de pesquisa liderados pelo seu diretor, o médico Harold Koenig, Ph. D, e que é autor do livro já traduzido para o vernáculo, “Manual de Religião e Saúde”.



Os trabalhos de Harold Koenig têm demonstrado inequivocamente que “os praticantes ativos de uma crença podem obter benefícios físicos e mentais, entre eles, um sistema imunológico mais resistente e menor propensão a determinadas doenças, bem como melhor capacidade de recuperação de enfermidades”.



O médico Fernando Lucchesse, doutor em cardiologia e professor dos cursos de mestrado e doutorado da Universidade Federal do R. G. do Sul, define saúde de uma forma muito mais completa: diz que é o bem-estar físico, psíquico, familiar, financeiro, profissional, ambiental e espiritual. Refere que 70% das mortes ocorrem em decorrência de três epidemias que vivenciamos na atualidade: aterosclerose, depressão e neuroses, que por sua vez têm decisivo impacto nas causas de infarto, acidentes vasculares cerebrais e câncer.



O Dr. Lucchesse afirma que a alma doente adoece o corpo e que, em especial, o “trio maléfico” composto pela raiva, inveja e vaidade são os maiores vilões. Diríamos nós que este trio está presente em todos aqueles que inconsciente ou conscientemente praticam o egoísmo, tido pelo Espiritismo, juntamente com o orgulho, como razão principal para a infelicidade humana.



Se viver é a arte do encontro, o mais importante encontro é conosco mesmo, com a nossa realidade essencial. E a espiritualidade faz parte desta realidade, conquanto preterida e ignorada pela insana adesão aos falsos valores do ter a todo custo, do consumismo compulsivo e da comparação com os outros (inveja).



O despertar da espiritualidade e o seu cultivo far-nos-á reconciliados, serenos, mais saudáveis e, sobretudo, mais felizes com o que temos e com o que somos. Não é o que as religiões dizem, mas o que a ciência está a reconhecer e recomendar. “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” Jesus - Mateus 6, 33.



Luiz Antônio de Paiva é médico psiquiatra e vice-presidente da Associação Médico-Espírita de Goiás*.







FONTE

Revista Cristã do Espiritismo.

Disponível em http://ww2.rcespiritismo.com.br/. Acesso: 31 JUL 2011.




Onde está a felicidade?

Humberto Pazian

Muitos místicos, religiosos e filósofos, tanto do presente como do passado, já afirmaram que a vida de cada um de nós é o resultado daquilo que pensamos. Vemos o mundo por uma lente transparente escolhida por nós, que filtra as imagens que nos chegam. Alguns enxergam a vida por uma lente cinzenta, triste, acreditando que o mundo seja assim, enquanto outros a veem por uma lente colorida, alegre, entendendo que tudo e todos à sua volta sejam da mesma maneira. Você sabe a cor de sua lente?


“A felicidade não é deste mundo”. Aqui vai uma boa desculpa para aqueles que insistem em ficar desanimados ou tristes, pois tentam justificar sua falta de vontade para viver bem com base nestas palavras de Jesus. Como espíritas, entendemos que a vida verdadeira é a do espírito e, consequentemente, a da matéria é ilusória e passageira. Mas por que razão temos de ser infelizes?


Acreditamos que o Mestre tenha dado ênfase à vida espiritual para nos ensinar que não devemos viver exclusivamente para a matéria, mas que saibamos dosar a parcela adequada às coisas do espírito. Embora a eternidade nos aguarde e o tempo que aqui ficarmos seja sempre muito pouco, se nós soubermos como pensar e agir, teremos um período bom e, com certeza, muito feliz aqui na Terra.


Reprogramando a vida


Um outro fator importante para todos aqueles que buscam a felicidade é aquilo que se acredita a respeito da vida. Quando encarnamos, trazemos em nossa memória espiritual aquilo que pensamos e acreditamos sobre tudo, sendo que algumas coisas ficam adormecidas e outras surgem de forma intuitiva nos momentos de necessidade. Somado a isso, há também todo o aprendizado que conquistamos durante a infância, além daquele que vamos adquirindo ao longo de nossa existência. Muitas ideias se juntam às antigas e, com isso, moldam e reconstroem nosso jeito de ser e pensar.


Alguns desses conceitos foram plantados em nosso inconsciente e são aceitos como verdades absolutas, os chamados “paradigmas”. Essas “verdades” atuam de tal forma em nossas vidas que podem nos levar à alegria ou à tristeza, à saúde ou à doença, à miséria ou à prosperidade. São elas as “lentes” que filtram nossa maneira de apreciar a vida, daí toda a sua importância. A localização dessas crenças e a troca por outras mais apropriadas ao bem viver são de suma importância para uma vida feliz e, por isso, afirmamos que a felicidade depende da maneira como pensamos e, consequentemente, agimos.


Portanto, a reprogramação da nossa vida depende de nós mesmos. A interpretação dos fatos que nos cercam é que nos faz ter uma visão boa ou ruim da existência. A mensagem contida nos ensinamentos do mestre Jesus pode nos conduzir à verdadeira felicidade quando observada em um clima de otimismo e alegria. Como podem notar, ser feliz é muito fácil, basta querer, acreditar e se observar, já que, com certeza, esse tesouro está dentro de cada um de nós. Descubra-se e seja feliz!


Fonte

Revista Cristã do Espiritismo.
Disponível em http://ww2.rcespiritismo.com.br .Acesso: 31 JUL 2011
 



 " Gentileza Gera Gentileza " não só no presente, mas pela eternidade...




"As mãos que servem à sociedade, são mais sagradas do que os lábios que oram".  Sai Baba Gita


sábado, julho 30, 2011


Agindo com bom senso


Como você costuma buscar a solução para os problemas que surgem na sua vida?


Talvez esta pergunta pareça tola, mas o assunto é de extrema importância quando desejamos corrigir o passo e evitar novos tropeços.


O que geralmente acontece, quando desejamos resolver algum problema, é fazer exatamente o caminho mais difícil.


No entanto, como o sucesso da ação depende do meio utilizado ou da estratégia criada para a solução, vale a pena pensar um pouco sobre nossa forma de agir.


Por vezes, nos movimentamos freneticamente para um lado e para o outro, e esquecemos de que movimentos desordenados não nos levarão a lugar nenhum.


Movimentar-se nem sempre significa agir com discernimento.


Comumente confundimos a urgência com a pressa, e atropelamos as coisas.


A situação pode exigir atitudes urgentes, o que não significa apressadas.


Quando agimos apressadamente, sem fazer uso da razão, é mais fácil o equívoco. Quando agimos sob o domínio da emoção, o resultado é quase sempre desastroso.


A emoção não é boa conselheira, quando se trata de resolver questões urgentes.


Um exemplo pode tornar mais fácil a nossa compreensão.


Se uma cobra venenosa nos morde e inocula seu veneno em nosso corpo, o que fazer?


Uns saem correndo atrás da víbora para matá-la, e acabar de vez com o problema, numa atitude insana de vingança.


Seria essa a decisão acertada?


A movimentação só faria o veneno se espalhar rapidamente pela corrente sanguínea, piorando as coisas.


No entanto, a ação mais eficaz seria buscar ajuda o mais breve possível, para evitar danos maiores.


Mas nem sempre a ira nos permite agir sensatamente.


Se uma pessoa nos ofende ou nos contraria frontalmente, geralmente revidamos ou mantemos o efeito do veneno durante dias, meses ou anos...


Ressentimento quer dizer sentir e voltar a sentir muitas vezes.


Quando isso acontece, a mágoa vai se tornando cada vez mais viva e mais intensa.


A ação mais acertada, neste caso, não seria tratar de eliminar o veneno de nossa intimidade?


Para tomar decisões lúcidas, é preciso fazer uso da razão, e não se deixar levar pela emoção.


Quando a emoção governa nossas ações, geralmente o arrependimento surge logo em seguida.


Assim sendo, é importante pensar bem antes de agir para evitar que, em vez de solucionar os problemas, os compliquemos ainda mais.


Se, num momento crítico, a emoção nos tomar de assalto, é melhor sair de cena por alguns instantes, ou deixar que os ânimos se acalmem, antes de qualquer atitude.


Quando agimos com calma, fazendo uso da razão, é mais fácil encontrar soluções definitivas, em vez de piorar as coisas.


Lembre-se de que, em vez de correr atrás da cobra que nos mordeu, é mais racional buscar a solução do problema.


Quando você estiver às voltas com um problema qualquer, lembre-se de que a solução ou a complicação dependerá da sua ação.


Por isso, busque tomar a decisão mais favorável à resolução.


Lembre-se, ainda, de que a pressa nem sempre é boa conselheira e procure agir com sabedoria, que é sinal de bom senso.


Redação do Momento Espírita

Disponível em www.momento.com.br
 
 

sexta-feira, julho 29, 2011




E se a vida fosse uma estrada? 



Cada um de nós caminha pela vida como se fosse um viajante que percorre uma estrada.


Há os que passam pouco tempo caminhando e os que ficam por longos anos.


Há os que veem margens floridas e os que somente enxergam paisagens desertas.


Há os que pisam em macia grama e os que ferem os pés em pedras pontudas e espinhos.


Há os que viajam em companhias amigas, assinaladas por risos e alegria. E há os que caminham com gente indiferente, egoísta e má.


Há os que caminham sozinhos - inclusive crianças - e os que vão em grandes grupos.


Há os que viajam com pai e mãe. E os que estão apenas com os irmãos. Há quem tenha por companhia marido ou esposa.


Muitos levam filhos. Outros carregam sobrinhos, primos, tios. Alguns andam apenas com os amigos.


Há quem caminhe com os olhos cheios de lágrimas e há os que se vão sorridentes.


Mas, mesmo os que riem, mais adiante poderão chorar. Nessa estrada, nunca se conheceu alguém que a percorresse inteira sem derramar uma lágrima.


Pela estrada dessa nossa vida, muitos caminham com seus próprios pés. Outros são carregados por empregados ou parentes.


Alguns vão em carros de luxo, outros em veículos bem simples. E há os que viajam de bicicleta ou a pé.


Há gente branca, negra, amarela. Mas se olharmos a estrada bem do alto, veremos que não dá para distinguir ninguém: todos são iguais.


Há gente magra e gente gorda. Os magros podem ser assim por elegância e dieta ou porque não têm o que comer.


Alguns trazem bolsas cheias de comida. Outros levam pedacinhos de pão amanhecido.


Muitos gostam de repartir o que têm. Outros dão apenas o que lhes sobra. Mas muita gente da estrada nem olha para os viajantes famintos.


Há pessoas que percorrem a estrada sempre vestidas de seda e cobertas de jóias. Outros vestem farrapos e seguem descalços.


Há crianças, velhos, jovens e casais, mas quase todos olham para lugares diferentes.


Uns olham para o próprio umbigo, outros contemplam as estrelas, alguns gostam de espiar os vizinhos para fofocar depois.


Uma boa parte conta o dinheiro que leva e há os que sonham que um dia todos da estrada serão como irmãos.


Entre os sonhadores há os que se dedicam a dar água e pão, abrigo e remédio aos viajantes que precisam.


Há pessoas cultas na estrada e há gente muito tola. Alguns sabem dizer coisas difíceis e outros nem sabem falar direito.


Em geral, os sabichões não gostam muito da companhia dos analfabetos.


O que é certo mesmo é que quase ninguém na estrada está satisfeito. A maioria dos viajantes acha que o vizinho é mais bonito ou viaja de forma bem mais confortável.


É que na longa estrada da vida, esquecemos que a estrada terá fim.


E, quando ela acabar, o que teremos?


Carregaremos, sim, a experiência aprendida durante o tempo de estrada e estaremos muito mais sábios, porque todas as outras pessoas que vimos no caminho nos ensinaram algo.


A estrada de nossa existência pode ser bela, simples, rica, tortuosa. Seja como for, ela é o melhor caminho para o nosso aprendizado.


Deus nos ofereceu essa estrada porque nela se encontram as pessoas e situações mais adequadas para nós.


Assim, siga pela estrada ensolarada. Procure ver mais flores. Valorize os companheiros de jornada, reparta as provisões com quem tem fome.


E, sobretudo, não deixe de caminhar feliz, com o coração em festa, agradecido a Deus por ter lhe dado a chance de percorrer esse caminho de sabedoria.


Redação do Momento Espírita


Disponível no CD Momento Espírita, v. 14, ed. Fep.

Disponível em www.momento.com.br

quarta-feira, julho 27, 2011



Prece de Cáritas




DEUS, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai força àquele que passa pela provação;

dai luz àquele que procura a verdade, pondo no coração do homem a compaixão e a caridade.


Deus, dai ao viajor a estrela guia;

ao aflito a consolação;

ao doente o repouso.


Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, a criança o guia, ao órfão o pai.


Senhor, que a vossa bondade se estenda sobre tudo que Criastes.


Piedade Senhor, para aqueles que não vos conhecem, esperança para aqueles que sofrem.

Que a Vossa bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé.

Deus, um raio, uma faísca do Vosso amor pode abrasar a terra.
Deixa-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão.

Um só coração, um só pensamento subirá até Vós como um grito de reconhecimento e amor.

Como Moisés sobre a montanha, nos Vós esperamos com os braços abertos, oh! Poder... oh! Bondade... oh! Beleza... oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte alcançar a Vossa misericórdia.

Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós.

Dai-nos a caridade pura;

dai-nos a fé e a razão;

dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas, o espelho onde deve refletir a Vossa Santa e Misericordiosa imagem.



Mme. W. Krill.Ditado pelo Espírito Cáritas.25 de dezembro de 1873. Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB.




Viver com Alegria

Joanna de Ângelis


Sauda o dia nascente com alegria de viver aureolada pela gratidão a Deus.

Cada novo dia é abençoada oportunidade de crescimento espiritual e de iluminação interior.

Atravessar o rio dos problemas de uma para a outra margem, onde se encontram as formosas atividades de engrandecimento moral, é a tarefa inteligente da pessoa que anela pela conquista da felicidade.

Quando se abre a mente e o coração à alegria, é possível descobri-Ia em toda parte, bastando olhar-se para a Vida, e ei-la jubilosa…

Quando se adquire a consciência da responsabilidade, de imediato sente-se que se é livre, mas essa liberdade é sempre conquistada pela ação que se converte em bênção de amor.

Somente através do amor perfeito é que o ser humano pode considerar-se realmente livre de todas as amarras, mesmo que essa aquisição seja lograda, de alguma forma, através do sofrimento.

O sofrimento faz mal, no entanto, não é um mal, porque oferece os recursos valiosos para a aquisição do bem permanente.

Eis porque o trabalho de qualquer natureza deve ser realizado com o sentimento de amor, o que equivale a uma postura de liberdade em ação.

Quando o amor não está presente no sentimento, a alegria não se enfloresce, porque permanece sombreada pelas dúvidas e suspeitas, porquanto somente através do amor é que se adquire a perfeição, em face dos mecanismos de ação que movimenta.

Pessoas existem que afirmam não poderem amar porque não compreendem o seu próximo, tendo dificuldade em aceitá-lo conforme é. A questão, no entanto, é mais sutil, e deve ser formulada nos seguintes termos: porque não ama, torna-se difícil compreender, em razão dos caprichos egoísticos que dificultam a bondade em relação aos outros.

Quando o amor se instala, a alegria de viver esplende como resultado da própria alegria de ser consciente.

A alegria não é encontrada em mercados ou farmácias, mas nos recônditos do coração que sente e ama, favorecendo-lhe o surgimento como um contínuo amanhecer.

Basta que se lhe ausculte a intimidade, e ei-la triunfante sobre a noite das preocupações.

Em realidade, viver com alegria não impede a presença dos sofrimentos que fazem parte do processo da evolução. Pelo contrário, é exatamente por serem compreendidos como indispensáveis que proporcionam satisfações e bem-estar.

Sempre que possível expressa a tua alegria de viver.

* * *

Os sentimentos cultivados transformam-se em estímulos para as ações que se materializarão mais tarde.

Se permitires que a tristeza torne-se companheira frequente das tuas emoções, a melancolia em breve estará instalada nos teus sentimentos, tirando a beleza da existência.

Se te apoias à queixa contumaz, a tua será uma conduta amargurada, fazendo-te indisposto e desagradável.

Se optas pelo cultivo de ideais enobrecedores de qualquer natureza, o entusiasmo pela sua preservação fará dos teus dias um contínuo encantamento.

Se tens o hábito de encontrar sempre o melhor, quase invisível ou imperceptível, nos acontecimentos menos felizes, desfrutarás de esperança e de júbilos permanentes.

A existência física não é uma viagem miraculosa ao país da fantasia, mas uma experiência de evolução assinalada por processos de refazimento uns e outros de conquistas inevitáveis, que geram sofrimento porque têm a finalidade de desbastar os duros metais da ignorância e aquecer o inverno do primarismo…

É natural, pois, que a dor seja companheira do viajante carnal.

Quando jovem, tudo são expectativas, ansiedades, incertezas…

Quando na idade madura, a colheita de reflexos da juventude propicia, quase sempre, insatisfações e desencantos.

Quando na velhice, em face do desgaste, o aborrecimento pela perda da agilidade, da memória, da audição, da visão, da facilidade que era habitual, se manifesta…

Sempre haverá motivo para reclamação, porque cada dia tem a sua própria quota de aflição, que deve ser aceita com bonomia e naturalidade.

Com a alegria de viver instalada no imo, sempre haverá uma forma de encarar os acontecimentos, concedendo-lhe validade e dele retirando a melhor parte, como afirmou Jesus, aquela que não lhe será tirada, porque representa conquista inalienável para a mente e para o coração.

Adapta-te, desse modo, às ocorrências existenciais, alegrando-te por estares no corpo, fruindo a oportunidade de corrigir equívocos, de realizar novos tentames, de manter convivências saudáveis, de enriquecimento incessante…

A vida com alegria é, em si mesma, um hino de louvor a Deus.

Não te permitas, portanto, a convivência emocional com as manifestações negativas do caminho por onde transitas.

Observa as margens do teu caminho e rega-as, mesmo que seja com suor e lágrimas, a fim de que as sementes do Divino Amor que se encontram nelas sepultadas, germinem e transformem-se nas flores que adornarão a tua marcha ascensional.

Liberta-te, mesmo que te seja exigido um grande esforço, das heranças primárias, filhas da agressividade, do inconformismo, dos impositivos egoístas que te elegem como especial no mundo, e considera que fazes parte da grande família terrestre, sujeito como todos os demais às injunções dos mecanismos da evolução.

* * *

Alguém que cultiva a alegria de viver já possui um tesouro. Esparze-o onde te encontres e oferta-o a quem se te acerque, tornando mais belo o dia a dia de todos os seres com o sol do teu júbilo.

Se já encontraste Jesus, melhor razão tens para a alegria, porque envolto na Luz do mundo, nenhuma sombra te ameaça.

Serás, ao longo da vilegiatura carnal, o que te faças a cada instante, conforme o és, resultado do que te fizeste.

Alegra-te com a vida que desfrutas e agradece sempre a Deus a glória de saber e de amar para agir com acerto.



FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis.Página psicografada  na manhã de 29 de maio de 2009, no G-19, em Zurique, Suíça.


"O preconceito nos retém no casulo humano". Gabi

O homem certo 

Momento Espírita


 Embora digamos o contrário, ainda guardamos n’alma muito preconceito.


Preconceito de raça, de cor, de religião. Costumamos catalogar as pessoas pela forma como se vestem, como se sentam, como falam.


Quem trabalha com voluntários, já deve ter se surpreendido, mais de uma vez, com resultados de pessoas que pareciam, a princípio, totalmente inadequadas.


A psiquiatra Elisabeth Klüber-Ross narra uma das suas mais positivas experiências.


Ela fora chamada à casa de um homem para uma consulta. Largado em uma cama, totalmente paralisado, incapaz de falar, era um farrapo humano.


Através de um quadro de fala que utiliza para se comunicar com doentes que não conseguem se expressar, a doutora soube do seu drama.


Segundo ele, a esposa estava tentando se livrar dele. Há quatro anos cuidava dele e agora estava fazendo arranjos para o mandar a um hospital.


Ele sabia que tinha poucas semanas de vida. Durante 4 anos ele viu os seus filhos crescerem e isso lhe deu forças para suportar a doença.


Queria que a doutora pedisse à esposa que agüentasse só mais algumas semanas. Ele prometia que morreria logo para não continuar a ser uma carga tão pesada para ela.


Questionada, a esposa, em lágrimas, confessou que estava procurando um internamento, sim. Ela não suportava mais. Estava no fim da sua força física.


Precisava de um homem, dizia. Um homem forte que pudesse ficar com seu marido das 8 da noite às 8 da manhã, para que ela pudesse dormir.


Todos os que já cuidaram de um paciente durante 24 horas por dia sabem que nenhum ser humano consegue fazer isso durante 4 anos, sem exaurir-se.


De toda forma, a Dra. Elisabeth pediu que ela tivesse paciência por 5 dias. Nesse período, dispunha-se a encontrar alguém para ajudar.


Era preciso que fosse um voluntário. A família não tinha mais recursos. Nos dias que se seguiram, durante as suas aulas, a psiquiatra começou a procurar o homem ideal.


O tempo estava se esgotando e só o que conseguiu foi um homem que ela achava extremista.


Ele era cheio de manias. Alimentava-se somente de arroz integral e vegetais crus. Viajava de um lado a outro, à procura de gurus.


Sentava-se todo encolhido. Enfim, nada que o credenciasse. Contudo, ele disse: “quero fazer esse tipo de trabalho.”


A doutora tentou assustá-lo: “estaria ele disposto a trabalhar 12 horas por dia?


A cuidar de um homem que não consegue falar? Que não consegue escrever nem um bilhete?


Dia e noite? Sem remuneração?”


Ele aceitou todas as condições.


Pois o voluntário que parecia tão estranho, não somente foi trabalhar para aquela família como fez o melhor trabalho que qualquer outro poderia ter feito.


Durante as semanas que antecederam a morte do paciente, ele lhe preparou refeições especiais, massageou-lhe os pés, leu para ele.


Realmente cuidou dele, com carinho, dedicação. Depois da morte do enfermo, ainda permaneceu na casa por mais duas semanas.


Queria ter certeza de que a família ficaria bem.

***

Não se deixe enganar pelas aparências. Nem faça juízo precipitado de quem você não conhece.


Permita que a pessoa possa demonstrar os tesouros que guarda na intimidade.


Dê-lhe um espaço para o trabalho. Permita-lhe a floração.


Se houver necessidade de uma poda, um pequeno arranjo, você poderá providenciar, na seqüência.


Mas não abafe as sementes da bondade que desejam florescer e frutificar no coração das criaturas.


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. O casulo e a borboleta, do livro "O túnel e a luz" da Dra. Elisabeth Kübler-Ross, ed. Verus.

Disponível em www.momento.com.br