Pachelbel - Canon In D Major

sexta-feira, março 08, 2013

Bem aventurados os simples - Valerium






Bem aventurados os simples


Valerium



Caíra a noite e o viajante pedia socorro a Deus.



Sentia-se doente.



Longa fora a caminhada.



Doía-lhe o corpo.



Estava exausto.



Orando sempre, encontrou árvore acolhedora que lhe pareceu agasalhante refúgio.



No pé do tronco anoso, grande cova caprichosamente forrada de raízes era leito ao luar.



- Oh! - suspirou o viajor fatigado - Deus ouviu-me! Afinal, o repouso!



Ajoelhou-se e ia estender o manto roto no chão, quando verdadeira nuvem de maruins surgiu no assalto.



Picadas na cabeça, no rosto, nas mãos, nos pés...



E eram tantos os dardos vivos e volantes em derredor que o pobre recuou espavorido, para dormir ao relento, entre as pedras e espinheiros da retaguarda.



De corpo dorido, pensava desalentado:



- Tolo que sou de acreditar na oração! Estou sozinho! Nada de Deus!



Na manhã seguinte, porém, retomando a marcha, voltou à árvore do caminho e, somente aí, reconheceu, admirado, que a grande cova de que fora obrigado a afastar-se era a moradia de vários escorpiões.


*


Não descreia da prece em tempo algum. 


E nos casos em que você encontre empecilhos para possuir o a que mais aspira, guarde, entre aborrecimentos e provações, a certeza de que, muitas vezes, o que lhe parece uma situação invejável não passa de ninho enganador, onde se ocultam os lacraus da morte.




VIEIRA, Waldo pelo Espírito Valérium. Bem - Aventurados os Simples.

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