sexta-feira, junho 05, 2009

Tela de Boudin



Nossas preocupações

Por Momento Espírita




Como você lida com suas preocupações?



Existe alguma, neste exato momento, que esteja lhe consumindo as energias, os seus pensamentos?



Pois bem, vejamos o que nos diz Dale Carnegie, em trecho de sua obra Como evitar preocupações e começar a viver.



Narra ele o caso de um aluno seu que, certo dia, sofreu um colapso nervoso.



A causa? Preocupações.



O estudante confessa:Eu me preocupava com tudo: preocupava-me porque era muito magro; porque pensava que estava perdendo cabelo; porque receava não ganhar dinheiro suficiente para casar.Preocupava-me porque sentia que jamais seria um bom pai; porque pensava que não estava levando uma vida decente; porque pensava que tinha uma úlcera no estômago.Não podia mais trabalhar, renunciei ao emprego.



Criei, dentro de mim, tal tensão, que parecia mais uma caldeira com excesso de pressão e sem válvula de segurança.



A pressão tornou-se tão insuportável, que alguma coisa tinha de acontecer.



E aconteceu.



Se você nunca sofreu um colapso nervoso – diz ele – peça a Deus que jamais tal lhe aconteça, pois nenhuma dor física pode exceder o sofrimento que tanto aflige uma mente atormentada.



Meu colapso foi tão sério, que eu não podia falar nem mesmo com os membros de minha família.



Não me era possível controlar os pensamentos.



Sentia-me completamente tomado pelo medo.



Cada novo dia era um dia de agonia.



Considerava que todos tinham me abandonado – até mesmo Deus.



Sentia-me tentado a jogar-me no rio e terminar com tudo de uma vez.



Resolvi, porém, em lugar disso, fazer uma viagem à Flórida, na esperança de que a mudança de cenário pudesse fazer-me bem.



Ao subir no trem, meu pai me entregou uma carta e recomendou-me que não a abrisse antes de chegar à Flórida.



Chegando lá, alguns dias se passaram, e procurei arranjar trabalho num cargueiro, mas não tive sorte.



De modo que passava o tempo na praia.



Sentia-me mais infeliz na Flórida do que o era em casa.



Abri, pois, o envelope, para ver o que meu pai escrevera.



A nota dizia:“Meu filho, você está a 1.500 milhas de casa e não se sente de modo algum diferente, não é assim?Sabia que você não se sentiria, porque levou em sua companhia a única coisa que é a causa de todas as suas preocupações – você mesmo.Não há nada que não esteja bem em seu corpo ou em seu cérebro.Não foram as situações com que você deparou que o venceram: foi a maneira de você pensar nessas situações.O homem é o que ele pensa do fundo do seu íntimo. Quando você compreender isso, meu filho, pode vir para casa, pois estará curado.”



* * *



Há motivos, sim, para preocupações, porém, relevantes e profundas, aquelas que dizem respeito às questões espirituais, tendo em vista o impositivo do progresso que te espera.



Elas, no entanto, não se podem converter em inquietações que te prejudiquem a conduta emocional, porque fazem parte do teu programa de evolução.


Redação do Momento Espírita com base na parte IV do livro Como evitar preocupações e começar a viver, deDale Carnegie, ed. Companhia editora nacional e nocap. 23 do livro O amor como solução, pelo EspíritoJoanna de Ângelis, psicografia deDivaldo Pereira Franco, ed. Leal



Um silêncio eloquente

Momento Espírita



O hábito de reclamar e altercar é bastante difundido.



Ante a mínima contrariedade ou decepção, reclamações e discussões costumam surgir.



Tem-se a impressão de que todos esperam uma vida perfeita.



Como a perfeição não é deste mundo, explodem os destemperos e os atritos.



A esposa se agasta com a pouca atenção que sustenta receber do esposo.



O empregado reclama das exigências do patrão.



O chefe se irrita com as falhas dos subordinados.



Irmãos se atacam, sob o menor pretexto.



Estudantes blasfemam contra o professor exigente.



Mestres discursam a respeito da pouca dedicação de seus discípulos.



Quem tem alguma enfermidade se acha uma vítima da vida.



Aquele que cuida de parente enfermo também bufa contra o destino.



De um modo ou de outro, as criaturas em geral parecem contrariadas.



À míngua de um mundo cor-de-rosa no qual possam viver, fazem com que todos saibam que estão descontentes.



Não têm o cuidado de processar no próprio íntimo os seus dissabores.



Não se indagam da razão pela qual passam por dificuldades.



Especialmente, olvidam o silêncio como forma de preservar a paz do próximo.



Mas há um exemplo sobre o qual convém refletir.



Trata-se do comportamento de Jesus logo após Sua prisão.



O Mestre Divino jamais poderia ser acusado de omisso.



Sempre Se posicionou com firmeza, em defesa do bem e da verdade.



Levantou com desassombro Sua voz contra as hipocrisias dos fariseus.



Esclareceu de modo vigoroso os que faziam do Templo um local de comércio.



Contudo, na hora de Seu testemunho maior, calou a própria voz.



A caminho do calvário, passou em espetáculo para o povo, com a alma mergulhada em um maravilhoso e profundo silêncio.



Sem proferir a mais leve acusação, caminhou humilde, coroado de espinhos.



Não Se agastou com a ignorância que Lhe colocou nas mãos uma cana imunda, à guisa de cetro.



Não Se incomodou com as cusparadas dos populares exaltados.



No momento do calvário, Jesus atravessou as ruas de Jerusalém em um silêncio pleno de significados.



Como se desfilasse diante da Humanidade inteira, ensinou a virtude da tranquila submissão à vontade de Deus.


* * *


Antes de reclamar da vida, reflita sobre esse exemplo.


Jesus era puro e não desdenhou o sacrifício.


Entretanto, você certamente ainda carece de muitas experiências para completar seu processo evolutivo.


Se a vida lhe faz exigências, aquiesça.


Não espere a todo momento ser auxiliado e compreendido.


Habitue-se a ser quem entende e ampara.


Tendo em mente o maravilhoso silêncio de Jesus, aprenda a também silenciar suas queixas.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. XII do livro Boa nova,pelo Espírito Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.

terça-feira, junho 02, 2009



NUNCA DEIXE DE SONHAR


Momento Espírita



Ao chegar a este mundo, trazemos os olhos cheios de simplicidade e de uma alegria ingênua, contagiante...




Nessa época de infância, despreocupada e leve, quantos sonhos carregamos! A imaginação corre livre. Não há limites para a mente fértil. Tudo é possível.
Mas crescemos. E a vida vai se encarregando de apagar um pouco do brilho dos nossos olhos.




Ouvimos tantas vezes a palavra "não" que, aos poucos, nos revestimos de uma cautela exagerada. Passamos a ter medo de ousar ir além, de transpor até mesmo pequeninos limites.




Devagar, muito lentamente, passamos a colocar cada vez mais freios na alma, a exercer autocensura, a matar a imaginação.




Antes de sonhar, repreendemos a nós mesmos: "Ah, isso não é possível!" Ou "Isso não vai dar certo." E nem nos permitimos imaginar algo novo e ousado.
Mas, pensemos, vale a pena viver de forma tão metódica? Com cada passo contado? Com os sonhos reprimidos?




A resposta é não. Não vale a pena sufocar os sonhos, que podem ser a ponte para uma vida mais feliz e plena.




Um sonhador é alguém que não se acomoda. Está sempre buscando algo de bom, de novo, de diferente. É um idealista, um lutador.




Observe que não estamos falando de pessoas rebeldes, daquelas que desejam apenas quebrar regras como forma de provocação.




Falamos de pessoas que aspiram viver em um mundo mais justo, abençoado por gestos de fraternidade e cheio de ética, alegria e paz.




Você lembra quando John Lennon cantou que era um sonhador, mas que não era o único?




Na música "Imagine", ele imaginava um planeta livre de preconceitos religiosos, sem que as fronteiras dos países impedissem os homens de ser irmãos.




Pois é. O que Lennon queria mesmo era que mais sonhadores se juntassem a ele, para que o Mundo fosse um só, muito mais unido, mais solidário e amoroso.
Vamos atender a esse convite?




Sim, porque atender a esse chamado de irmandade é também aderir à mensagem de grandes líderes religiosos, de filósofos, de homens de bem.




Lembremos que a Humanidade caminha porque há quem sonhe. Inventores, cientistas, sacerdotes, pensadores em geral são grandes sonhadores.




Gandhi sonhou que a independência da Índia seria conquistada sem violência. E conseguiu dobrar o poderoso império britânico, sem pegar em armas. Apenas com gestos de amor, com seriedade e com uma vontade férrea.




São homens como esse os verdadeiros sonhadores. Não aguardam sentados. Não se deixam abater. Não permitem que o pessimismo alheio os contamine.




Sonhadores movem o Mundo, a partir de ideais que eles tornam realidade. Os seus são sonhos de bem-estar, de fraternidade, de gestos amorosos.




Permita-se, você também, sonhar coisas belas, buscar mudanças positivas. Toque as estrelas com as pontas dos dedos. Sonhe.




Sonhe, sim. Todos os dias, todas as horas. E tente fazer seus sonhos se materializarem, para mudar o Mundo para melhor.




Redação do Momento Espírita.Disponível em

segunda-feira, junho 01, 2009



Declaração de Bens


Hélio Fraga (texto verdadeiro)



O pai moderno, muitas vezes perplexo, aflito, angustiado, passa a vida inteira correndo atrás do futuro e se esquecendo do agora.



Na luta para edificar este futuro, ele renuncia ao presente.



Por isso, é um homem ocupado, sem tempo para os filhos, envolvido em mil atividades _ tudo com o objetivo de garantir o seu amanhã.



E com que prazer e orgulho, cada ano, ele preenche sua declaração de bens para o Imposto de Renda.



Cada nova linha acrescida foi produto de muito esforço, muito trabalho.



Lote, casa, apartamento, sítio _ tudo isso custou dias, semanas, meses de luta.



Mas ele está sedimentando o futuro de sua família.



Se ele parte um dia, por qualquer motivo, já cumpriu sua missão e não vai deixar ninguém desamparado.



E para ir escrevendo cada vez mais linhas na sua relação de bens, ele não se contenta com um emprego só _ é preciso ter dois ou três; vender parte das férias, em vez de descansar junto à família; levar serviço para fazer em casa, em vez de ficar com os filhos; e é um tal de viajar, almoçar fora, discutir negócios, marcar reuniões, preencher a agenda _ afinal, ele é um executivo dinâmico, faz parte do mundo competitivo, não pode fraquejar.




No entanto, esse homem se esquece de que a verdadeira declaração de bens, o valor mais alto, aquele que efetivamente conta, está em outra página do formulário do Imposto de Renda __ mais precisamente, naquelas modestas linhas, quase escondidas, onde se lê “relação dos dependentes”. Aqueles que dependem dele, os filhos que ele colocou no mundo, e a quem deve dedicar o melhor de seu tempo.



Os filhos são novos demais, não estão interessados em lotes, casas, salas para alugar, aumento de renda bruta _ nada disso. Eles só querem um pai com quem possam conviver, dialogar, brincar.




Os anos vão passando, os meninos vão crescendo, e o pai nem percebe, porque se entregou de tal forma ao trabalho _ vulgo construção do futuro _ que não viveu com eles, não participou de suas pequenas alegrias, não os levou ou buscou no colégio, nunca foi a uma festa infantil, não teve tempo para assistir a coroação da menina _ pois um executivo não deve desviar sua atenção para essas bobagens. São coisas de desocupados.




Há filhos órfãos de pais vivos, porque estão “entregues” _ o pai para um lado, a mãe para o outro, e a família desintegrada, sem amor, sem diálogo, sem convivência. E é esta convivência que solidifica a fraternidade entre os irmãos, abre seu coração, elimina problemas, resolve as coisas na base do entendimento.



Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos, porque correm de um lado para o outro o dia inteiro _ ginástica, natação, judô, balé, aula de música, curso de Inglês, terapia, lição de piano, etc._ e só se encontram de passagem em casa, um chegando, o outro saindo.



Não vivem juntos, não saem juntos, não conversam _ e, para ver os pais, quase é preciso marcar hora.




Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar vivida, a única mensagem que tenho para dar _ e que tem sido repetida exaustivamente em paróquias, encontros familiares, movimentos e entidades _ é esta : não há tempo melhor aplicado do que aquele destinado aos filhos.




Dos 18 anos de casado, passei 15 anos correndo e trabalhando, absorvido por muitas tarefas, envolvido em várias ocupações, totalmente entregue a um objetivo único e prioritário : construir o futuro para três filhos e minha mulher.



Isso me custou longos afastamentos de casa, viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão, uma vida sempre agitada, atarefada, tormentosa, e apaixonante na dedicação à profissão escolhida _ e que foi, na verdade, mais importante do que minha família.




E agora, aqui estou eu, de mãos cheias e de coração aberto, diante de todos vocês, que me conhecem muito bem.



Aqui está o resultado de tanto esforço: construí o futuro, penosamente, e não sei o que fazer com ele, depois da perda do Luiz Otávio.



De que valem casa, carros, sala, lote, e tudo o mais que foi possível juntar nesses anos todos de esforço, se ele não está mais aqui para aproveitar isso com a gente?



Se o resultado de 30 anos de trabalho fosse consumido agora por um incêndio, e desses bens todos não restasse nada mais do que cinzas, isso não teria a menor importância, não ia provocar o menor abalo em nossa vida, porque a escala de valores mudou, e o dinheiro passou a ter um peso mínimo e relativo em tudo.



Se o dinheiro não foi capaz de comprar a cura e a saúde de um filho amado (segundo informações constantes do site

www.velhosamigos.com.br o seu filho teria morrido de cancer aos 12 anos) , para que serve ele? Para ser escravo dele?


Eu trocaria _ explodindo de felicidade _ todas as linhas da declaração de bens por uma única linha que eu tive de retirar, do outro lado da folha : o nome do meu filho na relação dos dependentes. E como me doeu retirar essa linha na declaração de 1983, ano base de 82.



Helio Fraga, jornalista em Belo Horizonte, MG . Esta crônica consta do livro do próprio autor “A Família, Último Lugar?” (3ª edição) publicado pelas Edições Paulinas. O jornalista Helio Fraga, que foi cronista esportivo, também publicou outros livros relacionados com o assunto narrado na crônica. Entre eles “O Menino Valente” e “Ser Pai”, cujas rendas são recolhidas ao Hospital Mário Penna na capital mineira.