quinta-feira, abril 01, 2010



Vida religiosa


Momento Espírita



Religião significa religamento, religar, reunir a alma ao seu Criador. Esse é o sentido de religião que vem do latim religare.


A vida religiosa decorre desse sentimento religioso.


Dessa forma, não somos religiosos porque frequentamos um templo religioso ou porque tenhamos um rótulo de religião.


Tampouco porque pratiquemos esse ou aquele ritual no campo da crença.


Somos religiosos pelo estilo de vida que levamos na Terra.


Por isso, muito importante verificar como é a nossa vida religiosa.


Será que a nossa religião nos leva a vivenciar no dia-a-dia, no cotidiano, as coisas mais importantes para a nossa vida na Terra?


A vivência religiosa é um modus operandi, é um modo de ser diante da existência.


Existem indivíduos que se afirmam materialistas, ateístas mas vivem com determinada dignidade, numa linha de respeito ao semelhante, de amor ao próximo, de respeito às leis que, certamente, podemos garantir que eles têm uma vida religiosa de alto nível.


São materialistas mas não usurpam nada de ninguém. São incapazes de tripudiar sobre a ignorância ou a necessidade alheia.


Isso quer dizer que vivência religiosa, em essência, nada tem a ver com o ritual externo que chamamos de crença.


Essa vivência, para ser realmente religiosa, tem que se desenvolver de tal modo que nos conduza à religação com Deus, à ligação de novo com o Criador.


Deve nos levar à maturidade. Exige de nós reflexão e essa reflexão vai nos ajudando no processo do amadurecimento a fim de que sejamos, na condição de religiosos, pessoas alegres.


Alegria não significa viver sorrindo o tempo todo. Alegria é esse estado íntimo de saber-se representante do bem, de admitir que está fazendo aquilo para o que renasceu, cumprindo a vontade de Deus no mundo.


Cada vez que saímos de casa para trabalhar com disposição, com coragem - isso é motivo de alegria.


Quando levantamos pela manhã e beijamos nossos filhos, nos despedimos dos esposos - isso é motivo de alegria.


A vida religiosa deixa de ser a vida do templo e passa a ser a vida na vida, a nossa incorporação às Leis de Deus, nosso ajustamento à vida da sociedade, cumprindo as leis, cumprindo os nossos deveres, pagando nossos impostos, na certeza de que a religião existe para nos ensinar a viver no mundo.


A nossa vivência na Terra é um desafio e a vivência religiosa nos leva a ser pessoas dinâmicas, joviais, mas compenetradas.


Ao lado da nossa alegria, do nosso esporte, do nosso lazer, da nossa arte, sabermos que o que façamos vai alcançar outros corações, vai fermentar em outras almas, vai germinar em outros territórios emocionais.


Então, temos responsabilidades com tudo quanto dizemos, fazemos, brincamos, sorrimos, com tudo quanto cantamos, com tudo quanto gozamos.


A vida religiosa é esse mundo interno que abrimos para o mundo externo.


Lembremos Jesus Cristo que estabeleceu que a boca fala daquilo que está cheio o coração.


Pensemos nisso.


Redação do Momento Espírita, com base no Programa televisivoVida e valores - Vida religiosa, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2570&stat=0>




Como se faz um herói


Momento Espírita


Talvez um herói se faça com umas gotas de amor, idealismo e uma grande vontade de promover o bem.


Ao menos para o jovem britânico Nicolas Winton a fórmula foi essa.


Tudo começou no ano de 1938, quando ele tinha somente 29 anos e viu cancelado seu plano de férias de final de ano. Atendendo ao convite de um amigo, ele foi para a Tchecoslováquia. O que Winton viu o deixou estarrecido.


Eram milhares de refugiados desesperados que tinham que deixar o país rapidamente.


De imediato ele percebeu que deveria fazer algo por eles. E fez.


Teve a ideia de retirá-los daquela terra, já sob o poder da Alemanha nazista.


Por conta própria, escreveu a vários países pedindo ajuda. Organizou uma primeira lista de nomes e recebeu resposta positiva da Suécia e da Grã-Bretanha.
De volta ao seu país, conseguiu o apoio de organizações beneficentes e encontrou pessoas dispostas a adotar os refugiados.


Também obteve os recursos necessários para o transporte e quando o primeiro trem chegou à Grã-Bretanha, lá estava ele, na plataforma, para a recepção.


Foram salvas 669 crianças por esse jovem. Crianças que se transformaram em escritores, engenheiros, biólogos, cineastas, construtores, jornalistas, guias turísticos.


Todos adultos generosos, que adotaram crianças, trabalham como voluntários, fazem o bem, como gratidão pelas suas próprias vidas.


Infelizmente, lamenta Nicolas, um novo grupo com quase 200 passageiros não pode partir para a liberdade, porque no dia 1º de setembro de 1939 eclodiu a guerra.


Todos os meios de transporte foram bloqueados e os que não conseguiram sair, foram enviados aos campos de concentração.


Dizem que quem salva uma vida, salva a Humanidade. Que se pode dizer de alguém que salvou mais de 600?


Mas, um herói não para depois de um ato heroico. E, por isso, Nicolas tornou-se voluntário da Cruz Vermelha, na França, durante a guerra.


Trabalhou posteriormente nas Nações Unidas e, ao se aposentar, dedicou-se exclusivamente ao trabalho voluntário.


Vivendo no interior da Inglaterra, ele cuida do seu jardim e ainda usa o tempo para ajudar um asilo.


Não se considera um herói porque diz que fez o que todos consideravam impossível, simplesmente porque o seu lema é: Se não é obviamente impossível, deve haver uma maneira de fazer.


Discreto, nem à esposa com quem se casou em 1948, ele narrou o que fizera.


Foi em 1988 que o fato se tornou conhecido e ele passou a receber homenagens do Governo tcheco, da Rainha da Inglaterra, dos Estados Unidos e dos que foram salvos por sua atitude heroica.


Sua vida, seus méritos e a operação de resgate estão contidas na biografia escrita por nada menos do que uma das crianças que ele salvou: Vera Gissing, que o conheceu nos seus 80 anos de idade.


* * *


Um herói se faz com umas gotas de amor, idealismo e uma grande vontade de promover o bem.


Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Nicolas Winton.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2569&stat=0>




Maturidade espiritual


Momento Espírita



Durante a infância, o ser humano experiencia a fase do egocentrismo. Acredita que o mundo gira em torno dele próprio.


A criança espera que tudo seja do jeito que gosta.


Acredita ter direito ao melhor presente, à comida preferida e exige a atenção da família toda para si.


É possível estabelecer uma comparação entre essa fase natural da evolução física e a evolução espiritual.


Afinal, homens são Espíritos que temporariamente vestem um corpo de carne.


Enquanto um homem tem a atenção focada em seus prazeres e necessidades, ele está na infância espiritual.


Por mais antigo que seja, ainda não atingiu a maturidade.


Considera absolutamente necessário defender seu espaço e fazer valer suas prerrogativas.


Como uma criança, entende ser justo o que o beneficia.


Assim é o discurso infantil a respeito da justiça.


Qualquer pequeno dever é injusto.


A mínima contrariedade representa opressão.


Já as vantagens todas, por grandes que sejam, são naturais.


A maturidade espiritual revela-se por uma diferente compreensão do justo.


O olhar já não está todo em vantagens e desejos.


Não há mais a percepção de que o mundo precisa atender todas as suas necessidades.


Gradualmente, o homem compreende que o direito nasce do dever bem cumprido.


Ele também entende que a vida em sociedade pressupõe renúncia.


Não é possível que todos realizem as próprias fantasias.


Se isso ocorresse, haveria o caos.


Há necessidade de limites e de concessões para a harmonia social.


O homem maduro aprende a prestar atenção nos direitos dos outros, pois o ideal do justo já despertou nele.


Sabe que a justiça é uma arte que implica dar a cada um aquilo que é seu.


Por isso, não avança no patrimônio do semelhante.


Não quer vantagens inapropriadas e nem aceita privilégios que os demais não podem ter.


Compreende que a família do próximo é tão respeitável quanto a dele.


Sabe que o patrimônio público é sagrado, pois voltado ao atendimento das necessidades coletivas.


Respeita profundamente a honra e as construções afetivas dos outros.


Seu senso ético não lhe permite baixezas, razão pela qual também tem a própria honra em grande conta.


O espetáculo das misérias humanas revela o quanto ainda são imaturas as criaturas, sob o prisma espiritual.


Entretanto, todas serão conduzidas à maturidade, pelos meios infalíveis de que a vida dispõe.


Cedo ou tarde, compreenderão quão pouco adianta amealhar bens e posições à custa da própria dignidade.


Quem se permite baixezas tem um despertar terrível, após a morte do corpo.


Assimila que, na cata de vantagens, se tornou um mendigo na verdadeira vida.


Percebe que sacrificou o permanente pelo transitório e perdeu tempo, pois terá de recomeçar o aprendizado.


Pense nisso.


Redação do Momento Espírita.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2568&stat=0>




Voltar a nascer


Momento Espírita




Você acredita em reencarnação? Acredita que alguém que tenha morrido possa retornar a viver, em outro corpo?


Acha que isso tudo é somente uma grande fantasia, excelente para enredo de filmes, matéria literária para encher páginas e mais páginas de revistas?


Talvez algo sensacional para títulos de manchetes?


Pois aquela senhora de 86 anos cultivava as saudades do seu irmão há mais de seis décadas quando um casal entrou em contato com ela.


A princípio, de forma muito prudente, como a sondar seus sentimentos e depois, revelando enfim que, em sua casa, seu filho dizia ter sido irmão dela.


Anne Barron lembrava de que, no dia 3 de março de 1945, estava em sua sala de estar, fazendo a limpeza.


Estava ansiosa porque toda a família iria se reunir em sua casa para aguardar, em breves dias, o retorno do irmão.


Então, ela sentiu como se ele estivesse ali, ao lado dela. E falaram e falaram. Eram muito ligados.


A reunião nunca aconteceu porque James foi dado como desaparecido em uma missão, como piloto.


O dia em que desaparecera? 3 de março.


Agora, um menino de 5 anos estava ao telefone, para falar com ela. Ele a chamou de Annie.


Ela estremeceu. Somente seu irmão a chamava dessa forma. A conversa foi muito interessante.


O garoto tinha conhecimento de muitas coisas da família. Referia-se ao pai e à mãe de ambos como um irmão faria.


O menino se lembrava com riqueza de detalhes do alcoolismo do pai, de que uma outra irmã, de nome Ruth, tinha sido colunista social de um jornal da cidade.


A quantidade de minúcias da família sobre as quais conversavam Anne e o novo James era impressionante.


Com o tempo, quaisquer dúvidas foram eliminadas da mente de Anne. Aquele era seu irmão, que voltara a viver, em outro corpo.


Então, ela resolveu mandar para a cidade onde ele morava, um presente.


Era um quadro que a mãe deles havia pintado do filho quando ele era criança.


Quando o recebeu, a primeira pergunta do pequeno a Anne foi:


Onde está o quadro que ela pintou de você?


Anne ficou sem fôlego. Apenas ela sabia que sua mãe pintara dois retratos: seu e de seu irmão.


O retrato de Anne estava no sótão. Ninguém no mundo sabia disso, só ela.


A cada vez que com ele falava ao telefone, ela tinha mais certeza: aquele garoto era um Espírito familiar.


Quando o ouvia, ela não podia deixar de reconhecer que era o Espírito do seu irmão, morto na guerra, que voltara.


Quando se encontraram, pela primeira vez, face a face, ele a olhou atentamente.


Quieto, ele a ficou examinando com o olhar, avaliando. Algo como se estivesse tentando encontrar o rosto da irmã de 24 anos na mulher de agora 86 anos. Ela envelhecera. Ele renascera.


Não demorou muito e conversavam, de forma natural, com afetividade, identificando-se um com o outro.


* * *


A reencarnação é Lei natural e todos os Espíritos a ela se submetem, até alcançar a perfeição.


Foi isso que Jesus ensinou ao falar a Nicodemos: Em verdade, em verdade te digo: ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.


Redação do Momento Espírita, com base nos caps. 32 e 33 do livro A volta, de Bruce e Andréa Leininger com Ken Gross, ed. Bestseller.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2567&stat=0>