terça-feira, agosto 03, 2010



Devoção filial



Momento Espírita



Existem exemplos, ao longo da História, que falam do amor e da extrema dedicação filial.


Recordamo-nos de uma lenda romana dos tempos finais da República. Muitas foram as perseguições injustas a velhos servidores daquele regime. Afinal, o Império estava por surgir.


Os governantes de Roma chegaram a decretar que velhos servidores da República fossem banidos da cidade.


Entre esses, havia um velho doente. Ora, ele adoecera simplesmente servindo a Roma, que tanto amava.


Por isso mesmo decidiu, apesar da insistência do filho, que não sairia da cidade.
Velho estava, pensou. E doente. Se deveria aguardar a morte, por que fazê-lo distante das terras que tanto amava e que servira, com total dedicação?
Preferiria morrer em sua própria cama.


Chegou finalmente a noite do último dia que lhe era permitido ficar. Se fosse apanhado dentro dos muros de Roma, após o prazo, seria morto.


O filho tornou a insistir para que o pai se salvasse.


Sei que você nem consegue andar, meu pai. Mas eu o carregarei. Deixe-me cuidar de você. Reunirei todas as minhas forças para levá-lo para fora da cidade.


Tanto insistiu que o pai acabou por ceder. O rapaz carregou a preciosa carga às costas e seguiu pelas ruas de Roma.


A multidão se apinhava para ver a incrível cena e, ante os esforços do filho, aplaudia, incentivando-o.


Os poderosos simplesmente olhavam. De certa forma, se comoveram e decidiram não interferir.


Aproximava-se a hora em que o velho seria morto se fosse encontrado dentro dos muros da cidade e era ainda grande a distância que separava os dois do portão.


As forças estavam quase no fim. O rapaz se curvava ante o peso do fardo. Mesmo assim avançava, devagar, lento. E a multidão aplaudia.


Conseguiu sair da cidade nos últimos instantes do prazo. Porém, o velho cônsul ainda não estava a salvo. Era preciso deixar as terras romanas.


Encobertos pelas sombras da noite, Appius carregou seu pai até a praia, onde embarcaram para outras terras, a salvo.


Para que nunca fosse esquecido esse gesto de amor filial, ele foi inscrito nos anais da quase extinta República romana.


* * *


O mandamento Honrai a vosso pai e a vossa mãe quer dizer muito mais do que respeitar os que deram a vida aos filhos.


Quer dizer também assisti-los na necessidade e lhes proporcionar repouso na velhice. Cercá-los de cuidados como eles fizeram com os pequenos, no período da infância.


Esse dever se estende naturalmente às pessoas que fazem as vezes de pai e de mãe, as quais tanto maior mérito têm, por abrigarem os filhos alheios em seu seio, alimentando-os com seu amor e carinho.


Os filhos devem aos pais não só o estritamente necessário, devem-lhes também os pequenos nadas supérfluos, os cuidados amáveis, os agradinhos que, ao final, não são mais do que apenas o retorno do que receberam em sua infância e juventude.


Este o verdadeiro sentido do mandamento do Decálogo.

Redação do Momento Espírita, com base no item 3 do cap. XIV do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb e na lenda romana Appius, recontada por H. Twitchell, de O livro das virtudes, v. II, de William J. Bennett, ed. Nova fronteira.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2694&stat=0>


segunda-feira, agosto 02, 2010




Oi Jesus, eu sou o Zé...


Momento Espírita



Cada dia, ao meio dia, um pobre velho entrava na igreja e, poucos minutos depois, saía. Um dia, o sacristão lhe perguntou o que fazia, pois havia objetos de valor na igreja.


Venho rezar, respondeu o velho.


Mas é estranho, disse o sacristão, que você consiga rezar tão depressa.


Bem, retrucou o velho, eu não sei rezar aquelas orações compridas. Mas todo dia, ao meio dia, eu entro na igreja e falo:


"Oi Jesus, eu sou o Zé. Vim visitar você."


Num minuto, já estou de saída. É só uma oraçãozinha, mas tenho certeza que Ele me ouve.


Alguns dias depois, Zé sofreu um acidente e foi internado num hospital. Na enfermaria, passou a exercer grande influência sobre todos.


Os doentes mais tristes tornaram-se alegres e, naquele ambiente onde antes só se ouviam lamentos, agora muitos risos passaram a ser ouvidos.


Um dia, a freira responsável pela enfermaria aproximou-se do Zé e comentou: Os outros doentes dizem que você está sempre tão alegre, Zé...


O pobre enfermo respondeu prontamente: É verdade, irmã. Estou sempre muito alegre! E digo-lhe que é por causa daquela visita que recebo todos os dias. Ela me faz imensamente feliz.


A irmã ficou intrigada. Já tinha notado que a cadeira encostada na cama do Zé estava sempre vazia. Aquele velho era um solitário, sem ninguém.


Quem o visita? E a que horas? perguntou-lhe.


Bem, irmã, todos os dias, ao meio dia, Ele vem ficar ao pé da cama por alguns minutos, talvez segundos... Quando olho para Ele, Ele sorri e me diz:
"Oi Zé, eu sou Jesus, vim te visitar".

A história é singela e seu autor é desconhecido.


No entanto, o ensinamento que contém nos faz refletir profundamente.


Fala-nos da fé, da simplicidade, da dedicação e da perseverança.


Quem de nós dispõe, como o Zé, diariamente, de alguns minutos para falar com Jesus?


Muitos ainda confundimos a oração com um amontoado de palavras que vão saindo da boca, destituídas de sentimento e de humildade.


Quantos de nós temos tal perseverança, tanto nas horas de alegria quanto nas de dor, para elevar o pensamento a Jesus, confiando-lhe a nossa intimidade, com a certeza de que Ele nos ouvirá?


A oração é uma ponte que se distende da alma opressa para que o alívio possa chegar.


É o fio misterioso, que nos coloca em comunhão com as esferas divinas.


É um bálsamo que cura nossas chagas interiores.


É um templo, em cuja doce intimidade encontraremos paz e refúgio.


Enfim, para as sombras da nossa alma, a oração será sempre libertadora alvorada, repleta de renovação e luz.


É importante que cultivemos a fé inabalável nas soberanas leis que regem a vida e das quais o Sublime Galileu nos trouxe notícias.


É preciso orar, ainda que a nossa oração seja singela, mas que seja movida pelo sentimento.


* * *


Orando, chegarás ao Senhor, que te deu, na prece, um meio seguro de comunicação com a infinita bondade de Deus, em cujo seio dessedentarás o espírito aflito...


Redação do Momento Espírita com base em história de autor desconhecido, e pensamentos extraídos do verbete Oração, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb e do verbete Oração, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, do Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.Disponível no CD Momento Espírita, v. 3, ed. Fep.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1702&let=O&stat=0>




Oração para vencer o medo e a insegurança


Gerson Simões Monteiro



Muitas pessoas tem medo de tudo: de doenças, de furacões, de sair na rua, do fim do mundo, etc., enfim, de coisas difíceis de acontecer. É claro que entrar em pânico não resolve; porém, ter prudência sim, para evitar o que pode ser evitado, e jamais pensar o pior. Aliás, o psicólogo inglês Engler apurou, em uma pesquisa, que apenas 2% das nossas preocupações são justas e merecem a nossa atenção. Isso significa que 98% das nossas preocupações não têm sentido, e só servem para sobrecarregar a nossa mente. Essa é a pura verdade.


Por isso, não podemos esquecer, nesse caso, o ensinamento de Jesus: “Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim”. Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Sua luz brilha sobre todos os tempos, penetrando o mundo há mais de vinte séculos. Ele nunca nos deixou desamparados e jamais nos deixará, até o fim dos tempos!


Eis porque a melhor coisa para mantermos o equilíbrio emocional diante da vida é orarmos para vencer o medo e a insegurança. Orar é um ato de fé, de confiança na bondade de Deus, que nos criou para sermos felizes por toda a eternidade. Portanto, nas horas em que nos sentirmos inseguros, oremos com toda a fé e convicção, dizendo assim:


- Jesus, diante de Tua Misericórdia, rogo a luz do entendimento para aceitar a Divina Vontade em qualquer circunstância da vida. Concede-me, Senhor, forças e coragem a fim de vencer as minhas dificuldades, e ajuda-me a que jamais seja dominado pelo medo do que possa acontecer. Afasta de mim qualquer pensamento de insegurança, porque confio no Teu Eterno Amor, sabedor de que Deus a tudo preside e tudo deixa acontecer para o nosso bem!


Ajuda-me a encontrar a estrada luminosa do futuro que a Bondade de Deus reserva para mim, como compensação por todo o bem que eu fizer aos meus irmãos em humanidade. E mesmo diante dos erros e das fraquezas humanas, que semeiam tanta descrença e insegurança em nossos caminhos, não permite, Mestre Amado, que eu jamais perca a esperança na vitória do bem, pois ele há de triunfar sobre o mal por toda a eternidade.



Gerson Simões Monteiro


Vice-Presidente da Funtarso E-mail: gerson@radioriodejaneiro.am.br

Disponível <http://www.radioriodejaneiro.am.br/anx/imprensa/20060521GMParaVencerAInsegurancaExtra.pdf>

domingo, agosto 01, 2010



A visão de cada um


Momento Espírita



Dois homens, muito enfermos, ocupavam uma mesma enfermaria em um grande hospital.


Sua única comunicação com o mundo de fora era uma janela. Um deles tinha a sua cama perto da janela e, todos os dias, tinha permissão para se sentar em sua cama, por algumas horas. Tudo como parte do tratamento dos pulmões.


O outro, cuja cama ficava no lado oposto do pequeno cômodo ficava o dia todo deitado de barriga para cima.


Todas as tardes, quando o homem cuja cama ficava perto da janela era colocado sentado, ele passava a descrever para o companheiro de quarto o que havia lá fora.


Falava do grande parque, cheio de grama verde, de árvores frondosas e flores mais além, em canteiros bem cuidados. Descrevia o lago, onde havia patos e cisnes. Falava das crianças que jogavam migalhas de pão para as aves, e dos barcos de brinquedo que coloriam as tardes de verão.


Falava dos casais de namorados que passeavam de mãos dadas entre as árvores, dos jogos de bola muito disputados entre a criançada.


Dizia que bem além da linha das árvores, ele podia ver um pouco da cidade, o contorno dos altos prédios contra o azul do céu.


O homem deitado somente escutava e escutava. Houve um dia em que ouviu, preocupado, o caso de uma criança que quase caiu no lago, sendo salva a tempo por sua mãe.


Num outro dia, a descrição minuciosa foi a respeito dos lindos vestidos das moças que saudavam a primavera em flor.


O homem deitado quase podia ver o que o outro descrevia, tantos eram os detalhes e a emoção do companheiro sentado. E, aos poucos, foi se tomando de inveja.


Por que somente o outro, que ficava perto da janela, podia ter aquele prazer? Por que ele também não podia ter aquela mesma oportunidade?


Enquanto assim pensava, mais se envergonhava e, no entanto, não conseguia evitar que tais pensamentos o atormentassem.


Certa noite, enquanto estava ali olhando para o teto, como sempre, percebeu que o outro começou a passar mal. Acordou tossindo, parecendo sufocar.


Com desespero, o botão de emergência foi acionado. As enfermeiras correram. O médico veio. Nova aparelhagem respiratória foi providenciada, mas tudo em vão. O homem morreu.


Pela manhã, seu corpo sem vida foi retirado dali. Então, o homem que permanecia sempre deitado, pediu para que o colocassem na cama do outro, próximo da janela.


Logo que assim foi feito e a enfermeira saiu do quarto, ele fez um grande esforço, apoiou-se sobre o cotovelo, na tentativa de se erguer no leito.


A dor era intensa mas ele insistiu. Com muita dificuldade, ele olhou pela janela e viu... apenas um enorme, alto e feio muro de pedras nuas.


* * *


A vida tem o colorido que a pessoa lhe dá. A paisagem se torna cinzenta ou plena de luz de acordo com as lentes de que se serve a pessoa para olhá-la.


Sofrer a enfermidade e se fechar na dor ou enfeitar de vivas cores o quadro que vive, é opção individual.


Há os que sofrem pouco e se desesperam, aumentando sua carga de dissabores, com as lentes escuras e sombrias de que se servem para contemplar tudo e todos.


Há os que sofrem muito e se dizem tranquilos, padecendo serenos.


Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria desconhecida.Disponível no livro Momento Espírita, v. 1, ed. Fep.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2692&stat=0>