quarta-feira, março 02, 2011



O zelador da fonte

Momento Espírita


Conta uma lenda austríaca que em determinado povoado, havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo Conselho Municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade.


O cavalheiro com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca.


Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos.


Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina.


Rodas d'água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite.


As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária.


Os anos foram passando. Certo dia, o Conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente.


Um dos membros do Conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte.


De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade.


E para que? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma.


Seu discurso a todos convenceu. O Conselho Municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte de imediato.


Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas.


Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes.


Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura.


Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens.


O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d'água começaram a girar lentamente, depois pararam.


Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado.


O Conselho Municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido.


Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte.


Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d'água voltaram a funcionar.


Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso.

* * *


Assim como o Conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores.


Aqueles que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas; os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos.


Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa.


Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los.


Mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável.


O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável.

Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá.

Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para ser felizes!


Pensemos nisso!


Redação do Momento Espírita com base no cap. O zelador da fonte, de Charles R. Swindoll, do livro Histórias para o coração, de Alice Gray, ed. United Press.

Disponível em www.momento.com.br

terça-feira, março 01, 2011



PRECE DA GRATIDÃO


Amélia Rodrigues

Senhor Jesus,
muito obrigada...
Pelo ar que nos dás,
pelo pão que nos deste,
pela roupa que nos veste,
pela alegria que possuímos,
por tudo de que nos nutrimos...

Muito obrigada pela beleza da paisagem,
pelas aves que voam no céu de anil,
pelas Tuas dádivas mil..
Muito obrigada, Senhor,
pelos olhos que temos...
Olhos que vêem o céu,
que vêem a terra e o mar,
que contemplam toda beleza...
Olhos que se iluminam de amor
ante o majestoso festival de cor
da generosa Natureza!

E os que perderam a visão?
Deixa-me rogar por eles ao Teu nobre coração!
Eu sei que depois desta vida,
além da morte,
voltarão a ver com alegria incontida...
Muito obrigada pelos ouvidos meus,
pelos ouvidos que me foram dados por Deus.
Obrigada, Senhor,
porque posso escutar o Teu nome sublime e,
assim, posso amar...
Obrigada pelos ouvidos que registram
a sinfonia da vida no trabalho,
na dor,
na lida...
O gemido e o canto do vento nos galhos do olmeiro,
as lágrimas doridas do mundo inteiro
e a voz longínqua do cancioneiro...
E os que perderam a faculdade de escutar?
Deixa-me por eles rogar.
Sei que em Teu Reino voltarão a sonhar...

Obrigada, Senhor,
pela minha voz,
mas também pela voz que ama,
pela voz que canta,
pela voz que ajuda,
pela voz que socorre,
pela voz que ensina,
pela voz que ilumina
e pela voz que fala de amor,
obrigada, Senhor!

Recordo-me,
sofrendo,
daqueles que perderam o dom de falar
e o Teu nome não podem pronunciar.
Os que vivem atormentados na afasia
E não podem cantar nem de noite,
nem de dia.
Eu suplico por eles
sabendo, porém,
que mais tarde,
no Teu reino voltarão a falar...

Obrigada, Senhor,
por estas mãos
que são minhas alavancas da ação,
do progresso,
da redenção...

Agradeço pelas mãos que acenam adeuses,
pelas mãos que fazem ternura,
e que socorrem na amargura.
Pelas mãos que acarinham,
pelas mãos que elaboram as leis
pelas mãos que cicatrizam feridas
retificando as carnes sofridas
balsamizando as dores de muitas vidas!
Pelas mãos que trabalham o solo,
que amparam o sofrimento e estancam lágrimas,
pelas mãos que ajudam os que sofrem,
os que padecem...

Pelas mãos que trabalham nestes traços,
como estrelas sublimes fulgindo em meus braços!
E pelos pés que me levam a marchar,
ereto,
firme a caminhar.
Pés de renúncia
que seguem humildes e nobres sem reclamar...
E os que estão amputados,
os aleijados,
os feridos,
os deformados,
eu rogo por eles e posso afirmarque no Teu Reino,
após a lida dolorosa da vida,
hão de poder bailare em transportes sublimes outros braços afagar...
Sei que a Ti tudo é possível
Mesmo que ao mundo parece impossível...

Obrigada, Senhor,
pelo meu lar,
o recanto de paz ou escola de amor,
a mansão da glória...


Obrigada, Senhor,
pelo amor que eu tenho e pelo lar que é meu...
Mas, se eu sequer nem um lar tiver
ou teto amigo
para me aconchegar
nem outro abrigo para me confortar...
Se eu não possuir nada,
senão as estradas e as estrelas do céu,
como leito de repouso e o suave lençol,
e ao meu lado ninguém existir,
vivendo e chorando sozinho ao léu
sem alguém para me consolar...
Direi,
cantarei, ainda:
"Obrigada, Senhor porque Te amo
e sei que me amas,
porque me deste a vida
jovial, alegre,
por Teu amor favorecida...

Obrigada, Senhor, porque nasci...
Obrigada porque creio em Ti
e porque me socorres com amor,
hoje e sempre,
obrigada, Senhor..."

Pelo Espírito Amélia Rodrigues ::Psicografia :: Divaldo Pereira Franco ::Poema recebido pelo médium em 21/11/62


Cidade maravilhosa


Momento Espírita



A segunda capital do Brasil, Rio de Janeiro, é cantada e conhecida como a cidade maravilhosa. Aquela cheia de encantos mil.


E, verdadeiramente o é. Chegar àquela cidade e contemplar, à distância, o Cristo Redentor no alto do morro, é comovente.


E depois, se sucedem as praias, a natureza em total exuberância, a entrada da Baía de Guanabara, o mar beijando a orla...


Um verdadeiro encanto para quem tem olhos de ver e não se detém somente nas dificuldades que aquela metrópole, à semelhança de outras tantas, padece.


Talvez, por isso, aquele jovem de uma localidade do interior do Estado tenha se surpreendido, ao receber uma nota em que sua amiga se referia à cidade em que ele reside como maravilhosa.


Maravilhosa em que?, redarguiu.


A cidade onde moro não é nenhuma metrópole, não tem nenhuma atração especial e o máximo que temos em beleza é a praça central, com alguns canteiros e bancos para desfrutar do sol.


A resposta que recebeu o deixou emocionado.


Amigo, para mim, o local onde moram os meus amigos, será sempre maravilhoso. Isso porque eu sei que, chegando ali, encontrarei as flores da amizade em ricos ramalhetes para me receber.


Sei que, passeando pelas ruas, poderei sentir o perfume dessa virtude que alimenta as nossas vidas exalando de cada coração.


Sei que, mesmo em dias de chuva e frio, encontrarei o calor dos seus abraços e o sol dos seus sorrisos.


Por isso, acredite, a sua cidade é maravilhosa. Ali residem você e outros tantos amigos, cujas fotos trago muito bem guardadas, no álbum do coração.


Quando viajo pelo mundo, quando chego às cidades onde ninguém me conhece e a ninguém conheço, tenho o cuidado de fechar os olhos e folhear esse precioso álbum.


As faces de cada um dos que residem nessa cidade passam pela minha memória e acalentam a minha soledade.


Sei então que não estou só. Os amigos distantes vibram por mim, me indagam de notícias, me enviam seu carinho em torpedos diários, em e.mails que chegam a horas perdidas da madrugada.


Existem sim, no mundo, localidades de espetacular beleza, que enchem os olhos com suas alamedas bem desenhadas, flores em abundância, jardins e praças esculturais.


Cidades que ofertam belezas naturais, com rios de águas cantantes, pontes de invejável arquitetura.


Cidades antigas que conservam o romantismo das ruelas estreitas, entre o casario de uma ou outra época. Cidades culturais, cidades modernas, de linhas arrojadas, edifícios que desafiam as alturas, monumentos extraordinários que honram a criatividade humana, sempre insuperável em suas manifestações.


Sim, já visitei muitas cidades e fotografei um número imenso de logradouros, museus, bibliotecas, pontes, riachos e concertos de cores da natureza.


Já fotografei obras de incalculável valor, que atestam como o homem é verdadeiramente esse ser que deixa seus traços de imortalidade nas expressões da arquitetura, da engenharia, da pintura, da escultura. Tantas e diversificadas concretizações da sua grandiosidade de filho de Deus.


Mas, de todas, a mais maravilhosa cidade das que já visitei, conheci, admirei é, sim, essa cidade onde estão os meus amigos.


Essa cidade onde estão os ramalhetes perfumados que me envolvem a alma em afagos, carinho e atenção.


Redação do Momento Espírita.

Disponível em www.momento.com.br

 


Isso se chama amor...


Momento Espírita


Você surgiu como suave melodia trazida pela brisa; dilatou-se no silêncio de minha alma e fez-se moldura em meu viver.


Isso se chama ventura.


Há algo em você que transparece num olhar, como estrela no céu atapetado de astros e exterioriza-se num sorriso como canção tocada na harpa dos ventos.


Isso se chama ternura...


Sem olhar, você me percebe; sem falar, você me diz; sem me tocar, você me abraça...


Isso se chama sensibilidade.


Quando me perco em labirintos escuros, você me mostra o caminho de volta...


Quando exponho meus tantos defeitos, você faz de conta que não nota...


Se enlouqueço, você me devolve a razão...


Isso se chama compaixão.


Nos dias em que as horas passam lentas, sem graça e sem luz, nos seus braços eu encontro alento.


Quando os dias alegres de verão partem e em seu lugar chega o outono, cobrindo o chão com folhas secas, e o verde exuberante cede lugar ao cinza, nos seus braços encontro harmonia.


Isso se chama aconchego.


Quando você está longe, no espelho da saudade eu vejo refletida a certeza do reencontro.


Nas noites sem estrelas, quando a escuridão envolve tudo em seu manto negro, você me aponta a carruagem da madrugada, que vem despertar o dia com suas carícias de luz...


Isso se chama esperança.


Quando as marés dos problemas parecem tragar em suas ondas as minhas forças, em seus braços encontro reconforto.


Se as amarguras pairam sobre meus dias, trazendo desgosto e dor, sua presença me traz tranquilidade.


Você é um raio de sol, nos dias escuros...


É ave graciosa que enfeita a amplidão azul...


Você é alma e é coração.


É poema e é canção...


É ternura e dedicação...


Nada impõe, tudo compreende, tudo perdoa...


Sua companhia é doce melodia, é convite a viver...


... E tudo isso se chama amor!


Surge depois que as nuvens ilusórias da paixão se desvanecem.


Que a alma se mostra nua, sem enfeites, sem fantasias, sem máscaras...


Enfim, o amor é esse sentimento que brota todos os dias, como a flor que explode de um botão, ao mais sutil beijo do sol...


Isso, sim, se chama amor...



Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 10, ed. Fep.

Disponível em www.momento.com.br