terça-feira, junho 28, 2011



O animal satisfeito dorme 

Momento Espírita



O pensamento que intitula esta reflexão é de Guimarães Rosa, e encerra, por trás de aparente obviedade, um profundo alerta existencial.


O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital, toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão.


Rende-se assim à sedução do repouso e imobiliza-se na perigosa acomodação.


A advertência é preciosa pois, segundo o pensador Mario Sérgio Cortella, que aborda o tema, a satisfação conclui, encerra, termina.


A satisfação não deixa margem para a continuidade, para prosseguimento, para a persistência, para desdobramento.


A satisfação acalma, limita, amortece.


Diz ainda, que, quando alguém nos fala: Fiquei muito satisfeito com você ou Estou muito satisfeito com seu trabalho, é algo assustador.


Explica ele que tal expressão pode ser entendida como uma barreira ao crescimento, dizendo que nada mais de nós desejam, ou que aquele é nosso limite, nossa possibilidade.


O está bom como está pode ser um grande cerceador da evolução, pois pode nos acomodar à situação atual.


Segundo ele, seria muito melhor ouvir a seguinte expressão: Seu trabalho é bom mas fiquei insatisfeito, e portanto, quero conhecer outras coisas.


Percebamos que ele se utiliza da expressão insatisfeito, não para criticar ou depreciar o trabalho, mas para incentivar seu autor à continuidade.


Um bom filme, por exemplo, não é aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando quietos para a tela, enquanto passam os créditos, desejando que não acabe?


Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos no colo, absortos e distantes, pensando que poderia não terminar?


Uma boa festa, um bom passeio, uma boa viagem, não é aquela que desejamos se prolongue, que nunca acabe?


É desta forma que, segundo Cortella, a vida de cada um também deve ser, afinal de contas, não nascemos prontos e acabados.


Ainda bem, pois estar plenamente satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento.


Termina ele dizendo que somos seres de insatisfação, e precisamos alguma dose de ambição em nossas existências.


O animal satisfeito dorme, pois não tem objetivos de vida, não tem razão para sair do lugar.


O ser insatisfeito, sedento por melhorar-se, pára por pouco tempo, avalia-se, celebra e valoriza o que já conseguiu. Depois, segue em frente, rumo ao inexplorado.


* * *

A reencarnação e suas leis são um grande incentivo ao progresso.


Como se acomodar perante um horizonte sem limites?


Como parar de caminhar sabendo que muito nos aguarda à frente?


Como deixar de buscar o aprimoramento constante, se percebemos que quanto mais conseguimos, mais felicidade conquistamos?


Despertemos, aqueles de nós que ainda dormimos o sono da acomodação!



Redação do Momento Espírita com base no texto Não nascemos prontos, do livro Não nascemos prontos - provocações filosóficas, de Mário Sérgio Cortella, ed. Vozes.

Disponível em www.momento.com.br




Transitoriedade 

Momento Espírita


Em face das preocupações que te ocupam a tela mental, levando-te a inquietações desnecessárias, seria válido que fizesses uma avaliação em torno de teu comportamento.


Convidamos a uma rápida análise de fatos ocorridos em tua existência.


Retorna, psiquicamente, há apenas cinco anos, no teu passado recente e procura recordar as aflições que então te maceravam a alma.


Enfermidades que te minavam o organismo, ameaçando-te a existência física; problemas de sentimento emocional que te entristeciam; solidão amarga em que te refugiavas; incertezas no trabalho que te oferecia recursos para uma vida honrada; expectativa em torno de metas que pareciam tardar; abandono de amigos que se apresentavam como irmãos...


Mudemos a tônica das lembranças.


Talvez estivesses cercado pela ternura de afetos que te afirmavam ser de natureza eterna; possuías saúde e equilíbrio orgânico invejáveis; quem sabe tivesses motivações emocionais para avançar; independência econômica, segurança no trabalho, bem-estar social e harmonia doméstica.


Cinco anos. Em apenas cinco anos, observa quantas mudanças ocorreram no trânsito das tuas horas.


As enfermidades ameaçadoras partiram, os males desapareceram, o trabalho se te afirmou ideal, novos amigos vieram ter contigo...


Surgiram metas promissoras e não poderias supor, naquela ocasião que, em determinado momento futuro, te encontrarias fortalecido e alegre, considerando os problemas então vigentes.


Cinco anos...


Provavelmente, o afeto que acariciavas saiu do teu lado, deixando-te em aflição; a saúde bateu em retirada, os sentimentos ficaram em transtorno...


O ganha-pão tornou-se-te lugar de sofrimento; os recursos de que dispunhas mudaram de mãos; a convivência social modificou-se em relação às pessoas...


E ainda, o lar, que parecia tão bem estruturado, encontra-se em frangalhos...


Essas ocorrências tiveram lugar em somente sessenta meses!


* * *

A existência humana é transitória e cheia de surpresas.


O que parece duradouro, torna-se de rápida permanência.


A segurança diminui ou a intranquilidade asserena-se.


Tudo está em constante modificação.


O importante é saber como conduzir-se nas múltiplas etapas em que a vida se manifesta.


Ninguém se encontra, na Terra, em regime de exceção, portanto, sem ocorrências inesperadas, tanto boas quanto más, alegres quanto aflitivas.


Sendo um planeta de provações e de expiações, a transitoriedade é a sua marca.


O que é muito bom, porque, da mesma forma que as questões gentis e felizes alteram-se, também aquelas de natureza destrutiva, angustiante, cedem lugar a outras mais amenas e confortadoras.


Não fosse assim, e ninguém suportaria a presença do sofrimento sem consolo, nem esperança.


Desse modo, nunca te permitas perturbar por acontecimentos que fazem parte do teu currículo evolutivo, já que tudo ocorre de acordo com a programação básica mais útil à tua libertação espiritual.


Nos momentos bons, carreguemos as forças, o ânimo. Nos momentos pesarosos, aprendamos, reflitamos e, em todos eles, continuemos crescendo para Deus.


Redação do Momento Espírita com base no cap. 28, do livro O amor como solução, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Disponível em www.momento.com.br



segunda-feira, junho 27, 2011


A Imensa Alegria de Servir

Momento Espírita



Toda natureza é um desejo de serviço.

Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco.

Onde houver uma árvore para plantar, planta-a tu.

Onde houver um erro para corrigir, corrige-o tu.

Onde houver uma tarefa que todos recusem, aceita-a tu.



Sê quem tira:

a pedra do caminho,

o ódio dos corações

e as dificuldades dos problemas.



Há a alegria de ser sincero e de ser justo.

Há, porém, mais do que isso,

a imensa alegria de servir.



Como seria triste o mundo

se tudo já estivesse feito,

se não houvesse uma roseira para plantar,

uma iniciativa para lutar!



Não te seduzam as obras fáceis.

É belo fazer tudo que os outros se recusam a executar.

Não cometas, porém, o erro

de pensar que só tem merecimento executar as grandes obras.

Há pequenos préstimos que são bons serviços:

enfeitar uma mesa.

Arrumar uns livros.

Pentear uma criança.



Aquele é quem critica,

este é quem destrói;

sê tu quem serve.



Servir não é próprio dos seres inferiores:

Deus, que nos dá fruto e luz, serve.

Poderia chamar-se: O Servidor.

E tem os Seus olhos fixos nas nossas mãos

e pergunta-nos todos os dias:

Serviste hoje?


* * *

Gabriela Mistral, poetisa chilena, em seu belíssimo poema nos emociona com uma proposta de vida maravilhosa.


O Poeta dos poetas, certa vez também afirmou que quem desejasse ser o primeiro, fosse o servo de todos.


Servir é a receita infalível da felicidade presente e futura.


Presente, pois quem serve, quem se doa, quem ajuda, já recebe no coração a paz que tal ato propicia. Uma paz sem igual: a paz da consciência tranquila.


Futura, pois quem serve semeia concórdia, fraternidade - merecendo colher o mesmo nos passos seguintes da existência imortal do Espírito.


Todo dia nos apresenta diversas oportunidades de servir. Que possamos estar atentos a elas, e não desperdiçar nenhuma chance, nenhuma dessas experiências enriquecedoras.


Parafraseando a poetisa, perguntamos: Você já serviu hoje?



Redação do Momento Espírita com base no poema A imensa alegria de servir, de Gabriela Mistral.


Disponível em www.momento.com.br

domingo, junho 26, 2011



Trabalhar em Equipe com os Benfeitores Espirituais

Luzia Mathias


Quantas vezes nos sentimos lutando sozinhos contra a adversidade?


Será que nessas horas difíceis somos abandonados pelos amigos espirituais?


Ou será que nos isolamos dele?


Sobre isso vamos ouvir o testemunho de Denis...


Mas, antes de conhecermos o que o nosso novo amigo tem a nos revelar sobre a atuação dos benfeitores espirituais em sua vida, vale fazermos um balanço sobre como anda o nosso próprio sentimento em relação ao assunto. Este balanço fará com que aproveitemos melhor o testemunho de Denis que já, já, iremos conhecer.


Pense bem!


O que você acha? Mesmo um grande espírito missionário precisa, como nós, da ajuda dos amigos espirituais? Em que circunstâncias? Não estaria ele pronto para vencer sozinho todas as dificuldades inerentes à sua tarefa?


Pensou?


Então, agora leia as palavras que o nosso patrono dirige aos seus amigos espirituais, dedicando-lhes sua primeira grande obra doutrinária: o livro Depois da Morte.


"Aos nobres e grandes Espíritos que me revelaram o mistério augusto do destino, a lei do progresso na imortalidade, cujos ensinos consolidaram em mim o sentimento da justiça, o amor da sabedoria, o culto do dever, cujas vocês dissiparam as minhas dúvidas, apaziguaram as minhas inquietações; às almas generosas que me sustentaram na luta, consolaram na prova, e elevaram meu pensamento até às alturas luminosas em que se assenta a Verdade, eu dedico estas páginas."

Por esta dedicatória, podemos deduzir que o nosso missionário, assim como nós, experimentou o desconhecimento das verdades espirituais, tinha o sentimento de justiça, o amor da sabedoria e o culto do dever necessitados de consolidação. Além disso, novamente como cada um de nós, experimentou as trevas da dúvida e a luta interna com as próprias inquietações. Como cada um de nós, eventualmente, sentiu-se frágil diante das provas, da dor.


Então, qual será a diferença, entre nós e o grande Léon Denis?


Ele mesmo responde em sua humilde dedicatória. A diferença é que ele, assim como Joana d'Arc, como Jesus, como Francisco de Assis, como todos os incríveis missionários que conhecemos, ouvia as vozes da Espiritualidade Superior e buscava seguir-lhe as orientações. Desta maneira, criava para a Espiritualidade Superior as condições de sintonia necessárias para que Ela pudesse elevá-lo pelo pensamento "até às alturas luminosas em que se assenta a Verdade".


Para ouvir a voz dos Espíritos Superiores, trabalhar em equipe com eles, basta estudar a Doutrina Espírita e aprender a fazer silêncio interior para ouvi-los falar em nosso próprio íntimo.


E depois de ouvi-los, segui-los!


Assim fez Léon Denis.


Assim nós podemos fazer!


Depois... é só correr para o abraço!


Retirado da Revista Estudos Espíritas - Fevereiro de 1998 - Edições Léon Denis

Disponível em http://www.espacoespirita.net. Acesso: 26 JUN 2011.