quarta-feira, junho 04, 2014

Deus responde sempre - Momento Espírita




Deus responde sempre



Quantas vezes você já dirigiu uma prece a Deus e não recebeu resposta?


Não é raro pedirmos pela recuperação da saúde de um familiar e, mesmo assim, ele morre.


Acreditamos que Deus não nos ouviu.


Pedimos auxílio ao Pai celestial para as nossas dores. E muitas vezes as dores aumentam, levando-nos quase ao desespero.


No entanto, os que têm fé afirmam que Deus sempre responde às nossas orações. 


Será mesmo?


*   *   *

Emy tinha apenas três anos de idade. 


Vivia em um lugar maravilhoso dos Estados Unidos, em frente ao mar.


Sua família era cristã. 


Ela fora alimentada, desde o berço, por orações e Evangelho.


A família ia ao templo religioso e fazia, no lar, o estudo sistemático do Evangelho.


Emy amava sua família e admirava os olhos azuis de seu pai, de sua mãe e de seus irmãos.


Todos, em sua casa, tinham olhos azuis. 


Todos... menos Emy!


O sonho de Emy era ter olhos azuis da cor do céu. 


Como ela desejava isso!


Certo dia, na escola de evangelização, ela ouviu a orientadora dizer que Deus sempre responde a todas as orações. Passou o dia pensando nisso.


À noite, na hora de dormir, ajoelhou ao lado da sua cama e orou.


Sua prece foi um misto de gratidão e de solicitação:


Senhor Deus, agradeço porque você criou o mar que é tão grande. Tão bonito e tão feroz. 


Agradeço pela minha família. 


Agradeço pela minha vida. 


Gosto muito de todas as coisas que você faz. 


Mas, eu gostaria de pedir, por favor, quando eu acordar amanhã, descobrir que os meus olhos ficaram azuis como os de minha mãe.


Ela acreditou que daria certo. 


Teve fé. 


A fé pura e verdadeira de uma criança.


Pela manhã, ao acordar, correu para o espelho e olhou. 


Abriu bem os olhos e qual era a cor deles?


Bem castanhos! 


Como sempre haviam sido.


Bom, naquele dia, Emy aprendeu que não também era resposta. 


Do mesmo modo, agradeceu a Deus. 


Mas não entendia muito bem porque Ele não a atendeu.


Os anos se passaram. 


Emy cresceu e se tornou missionária, na Índia.


Entre outras atividades, ela se devotou a resgatar crianças que eram vendidas pelas suas próprias famílias, que passavam fome.


Para isso, ela precisava entrar nos mercados infantis, onde aconteciam as vendas.


Naturalmente, para as comprar para Deus, como dizia, precisava não ser reconhecida como estrangeira.


Então ela passava pó de café na pele, cobria os cabelos, vestia-se como as mulheres do local.


Dessa forma, entrava nos mercados de crianças, podendo transitar tranquila, pois aparentava ser uma indiana.


Certo dia, uma amiga olhou para ela disfarçada e lhe disse: 


Puxa, Emy! Você já pensou como faria para se disfarçar se tivesse olhos claros como todos os de sua família?


Que Deus inteligente, não? Ele deu a você olhos escuros, pois sabia que isso seria essencial para a missão que lhe confiou.


O que a amiga não sabia é que Emy chorara muitas noites, em sua infância, por não ter olhos azuis...

*  *  *

Deus está no controle de tudo. 


Ele conhece cada lágrima que já rolou dos seus olhos.


Ele sabe que talvez você desejasse olhos de outra cor, ou cabelos mais lisos, ou encaracolados, ou mais espessos.


Não chore se os seus olhos continuam castanhos ou azuis, ou pretos, e você os deseja de outra cor.


Não se entristeça se você ainda não foi atendido como gostaria.


Tenha certeza: 


Deus tem o controle de tudo.


E o não de Deus, hoje, em sua vida, é o melhor para você.




Redação do Momento Espírita com base em história de autoria ignorada. Disponível no livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep. Disponível em www.momento.com.br.


terça-feira, junho 03, 2014

A verdadeira coragem - Joanna de Ângelis


  



A verdadeira coragem




Você saberia definir, com exatidão, o que é coragem?


Muitos, talvez, respondam a esta pergunta fazendo referência a atos impulsivos, impensados, e até mesmo violentos que, não raramente, colocam a vida de alguém em risco.


Quase sempre esta palavra está associada à impetuosidade e à agressividade nos atos, o que leva os indivíduos a resvalarem na precipitação, incapazes de conter ímpetos de violência sob a desculpa de serem corajosos.


Mas, então, qual o real significado desta palavra?


Um dicionário renomado da língua brasileira define coragem como a energia moral perante situações difíceis.


A coragem verdadeira traz, em si, o equilíbrio como base de todas as decisões, de todos os sentimentos, de todas as atitudes.


Dá forças para suportar todas as dificuldades sem derrotismo; mas com o entendimento do que está acontecendo, e, consequentemente, com a possibilidade de buscar a melhor maneira de enfrentar qualquer situação.


Quem é corajoso traz em si a serena confiança nas próprias resistências, não se expondo indevidamente, nem se permitindo os sentimentos inferiores de raiva, ou o desejo de vingança.


Ter autodisciplina exige coragem. A autodisciplina desenvolve verdadeiros tesouros morais que enriquecem o ser humano.


Coragem é conquista conseguida na sucessão das experiências evolutivas, entre variadas dificuldades e sofrimentos, mediante os quais se adquire resistência moral e calma.


É a força moral daqueles que, sendo pobres de haveres materiais, perseveram diante das dificuldades com resignação, sem desistir.


É a força que impele os idealistas que, com convicção, defendem aquilo em que acreditam, e não forçam outros a neles acreditar.


É necessário coragem para que o indivíduo mantenha-se humano, comporte-se de maneira adequada, sofra com dignidade, alegre-se sem exageros.


Pais corajosos educam seus filhos com base em valores morais e éticos.


Filhos corajosos respeitam e amam seus pais, e não se deixam guiar por modismos ou frivolidades.


Famílias corajosas mantêm-se unidas, e seus membros apoiam-se mutuamente nas dificuldades, alegrando-se todos com os sucessos de cada um.


O estudante corajoso valoriza o aprendizado; o mestre corajoso não desiste jamais.


O cidadão corajoso ama sua pátria e respeita as leis vigentes.


O ser humano verdadeiramente corajoso não tem medo de amar. Sim, amar a todos como nosso  Mestre Jesus a todos recomendou.


Nada igual à coragem de Jesus que nunca abandonou Suas convicções, mas que, em nenhum momento usou de violência moral ou física para fazer com que Nele acreditassem ou que O seguissem!


Nada igual à coragem de Jesus que a todos amou, entendeu e perdoou, mesmo nos momentos de maior sofrimento!




Redação do Momento Espírita com base nos cap. 6 e 9 do livro  Iluminação interior, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia  de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.Disponível em www.momento.com.br


segunda-feira, junho 02, 2014

Parábola dos Potes de Barro - Alexandre Rangel





Parábola dos Potes de Barro


Havia dois grandes e belos potes de barro que conversavam entre si no canto de um quintal:


- Ah..., que tédio, que vida! 


Viver aqui, exposto a tudo, sol, vento, chuva, calor...


Por mais que eu me proteja, como sobreviverei?  


Aqui estou perfeitamente tampado, lacrado para proteger-me e ainda assim sinto-me ameaçado, vazio.


Não vejo graça em estar aqui...


O outro pote tranquilamente respondeu:


- Cai a chuva e eu a recebo. 


Vem o vento e eu o sinto bem dentro de mim. 


Vem o sol e me leva as gotas que retornam para o céu. 


E nem por isso sinto-me ameaçado...


- Ora, grande vantagem! 

Seu interior não guarda mais a cor original como o meu, sua cor vai ficando cada dia mais diferente. 


Você não é mais o mesmo...


- Sim (respondeu o outro) e isso me alegra! 


Meu interior transforma-se a cada dia, à medida que novas coisas me penetram. 


Posso sentir cada criatura que me visita e cada uma delas deixa algo de si para mim, assim como deixo para elas, pouco a pouco, a minha cor.


- É, mas você não tem mais paz! 


A todo instante você é solicitado, carregam você todo o dia para levar água, ao passo que eu permaneço no meu lugar.


Ninguém me incomoda. 


Quando se aproximam, já sei que é a você que eles querem.


- Sim, se me solicitam é porque tenho algo a dar, e o que dôo não é diferente do que você pode dar. 


Deixo-me encher pela água da chuva, que cai tanto sobre mim como sobre você. 


Encho-me até transbordar. 


Outros seres precisam desta água e eu os sirvo. 


Esvazio-me e deixo-me encher de novo.



Assim minha vida é um constante dar e receber. 


Enquanto isso me desinstalo, saio do meu pequeno mundo e vou ao encontro de outros mundos. 


Já conheci potes diversos, animais, pessoas, tantas coisas e seres... 


E cada um faz-me perceber ainda mais o pote que sou.


- Não sei, mas se você continuar assim, brevemente será um pote quebrado, gasto, e então, de que adiantará tudo isto?


- Creio que se me desgasto a cada dia é para ser possível levar a vida a outros seres. 


Vejo que o mais importante não é ser um pote intacto tal como fui feito, mas um pote de valor no qual estou me tornando. 


Se vou durar pouco tempo, não importa; 


se o pouco tempo  em que eu viver me trouxer alegrias e me fizer sentir cada vez mais o que é ser pote, isso me basta...


Já era tarde, o sol já havia se escondido quando os dois se cansaram de falar. 


O pote aberto, sentindo-se cansado, logo adormeceu, o que não foi possível para o outro pote. 


Ele não conseguira dormir, pois algumas palavras ditas pelo companheiro vinham-lhe à mente e não o deixavam em paz.


Transformar o interior! 


Paz! 


Esvaziar-se! 


Deixar-se encher! 


Deixar algo de si! 


Ser pote! 


Desinstalar-se! 


Sair de seu pequeno mundo! 


Ser feliz! 


Ser útil! 


Levar alegria! 


Humildade! 


Paciência! 


Mansidão!


* * *


Na manhã seguinte, enquanto um pote acordava, o outro dormia, porque fora grande o seu esforço para tirar a tampa que o acompanhava há tanto tempo.        





RANGEL, Alexandre. Do Livro “As mais belas Parábolas de todos os tempos”.

domingo, junho 01, 2014

Perfil da alegria - Momento Espírita





Perfil da alegria


Ela surpreende pelo festival de bênçãos que a caracteriza.


Às vezes insinua-se com suavidade, qual madrugada que vence com gentileza as sombras aterradoras e triunfa, oferecendo reconforto.


Noutros ensejos é clarão inesperado que ilumina de um só golpe, a tudo dominando.


Seja como for, ela é imprescindível à vida.


A alegria é dádiva de Deus que sorri em toda parte, conclamando à renovação e ao entusiasmo.


Um minuto de júbilo ressarce todo um investimento de receios e preocupações, oferecendo reservas de energias para o prosseguimento das lutas.


A sua força vitaliza o corpo e incentiva o Espírito para a continuação do programa evolutivo.


A alegria é como um sol primaveril após a demorada invernia.


A alegria da Terra são as pequenas flores que explodem nos campos e matizam a natureza.


A alegria da ave são os amplos espaços a vencer.


A alegria do trabalhador é o fruto da sua ação.


O artista e o esteta, o cientista e o filósofo, o literato e o religioso colhem as dádivas da alegria no labor que realizam, como vitórias sobre as dificuldades e os desafios que enfrentam.


Em toda parte, quem ama encontra o toque de alegria que o amor de Deus assinala como beleza.


*   *   *


Como anda sua alegria?


Considerando os diversos momentos de seu dia, você poderia dizer que passa mais tempo com ou sem ela?


Mas, que razões temos para cultivá-la, uma vez que ainda vivemos num mundo de tantas dores? - alguém poderia indagar.


Sim, temos muitas razões!


A alegria do dever cumprido; da perseverança no ideal superior; da paciência na luta renovadora.


A alegria da resignação ante as dores; da bondade inalterável; do perdão incondicional.


A alegria da vitória sobre as paixões dissolventes; da vitória do eu novo sobre o eu antigo. Júbilo que redunda em paz, em plenitude do coração e da mente.


Temos razão para celebrar a alegria de amar, de querer bem, e também de ser amado por muitos.


Alegria da gratidão. Gratidão pela oportunidade da encarnação; pela proteção, pelo carinho dado e recebido.


Alegria de poder sonhar... De ser livre nos pensamentos, na imaginação.


Alegria de quem é imortal, e sabe que jamais será consumido pelo tempo.


De quem consegue perceber que a cada dia que passa estamos mais vivos, mais maduros, e temos a chance de estarmos mais felizes.


Nem mesmo aquele que padece dificuldades terríveis, pode dizer que não possui razões para a alegria.


Hoje já sabemos que, mesmo no sofrimento profundo, as Leis Divinas nos impulsionam para a felicidade maior.


Vive assim a alegria em seus dias, deixando que essa sua força lhe faça mais resistente às intempéries ainda comuns desses dias invernais.


A alegria é imprescindível à vida.




Redação do Momento Espírita com base no cap. 14,  do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy  Paraná Vieira, psicografado por Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Disponível em www.momento.com.br