sábado, janeiro 02, 2016

A bênção da gratidão - Joanna de Ângelis





A bênção da gratidão


Joanna de Ângelis


Entre os sentimentos nobres que caracterizam o ser psicológico maduro, a gratidão destaca-se como um dos mais relevantes.


A vida, em si mesma, é um hino de louvor à Vida, portanto, de gratidão incontida.


Vida, porém, é vibração de harmonia presente em todo o Universo.


Limitada nas diversas expressões pelas quais se manifesta, é um desafio em constante desdobramento na busca de significado.


Quando o processo de crescimento emocional liberta o Espírito da sombra em que se aturde, nele se apresenta a luz da verdade, que é o discernimento em torno dos valores significativos que o integram no concerto harmônico do Cosmo.


Buscando a perfeita identidade, na fusão equilibrada do eixo ego/Self, dá-se conta que viver é experienciar gratidão por tudo quanto lhe sucede e tem oportunidade de vivenciar.


A gratidão, dessa maneira, é a força que logra desintegrar os aranzéis da degradação do sentido existencial.


Filha da maturidade alcançada mediante a razão, sobrepõe-se ao instinto, é conquista de elevada magnitude pelo propiciar de equilíbrio que faculta àquele que a sabe ofertar.


Comumente, na imaturidade emocional, acredita-se que a gratidão é uma retribuição pelo bem ou pelos favores que se recebem, consistindo em uma forma de devolução, pelo menos em parte. Inegavelmente, quando se devolve algo dos recursos recebidos, que têm significados saudáveis, opera-se no campo do reconhecimento. 


No entanto, trata-se de uma convenção, efeito do jogo mercadológico da oferta e da procura ou vice-versa.


O instinto de preservação da existência, trabalhando em favor dos interesses imediatistas, age, não poucas vezes, utilizando-se de ações retributivas, especialmente quando estimulado ao prazer.


A gratidão é um sentimento mais profundo e significativo, porque não se limita apenas ao ato da recompensa habitual. 


É mais grandioso, porque traz satisfação e tem caráter psicoterapêutico.


Todo aquele que é grato, que compreende o significado da gratidão real, goza de saúde física, emocional e psíquica, porque sente alegria de viver, compartilha de todas as coisas, é membro atuante na organização social, é criativo e jubiloso.


Predomina, porém, nas massas, que infelizmente diluem a identidade do indivíduo, confundindo os valores éticos e comportamentais, a ingratidão, filha inditosa da soberba, quando não do orgulho ou da prepotência, esses remanescentes do instinto, transformados em sombra perturbadora. 


Em consequência, vivem em inquietação, perturbam-se e desequilibram os demais, cultivando as enfermidades parasitas da agressividade, da violência ou da autocompaixão, entregando-se aos conflitos e realizando mecanismos de transferência de responsabilidades. 


Impossibilitados de compreender a finalidade existencial, a busca de um sentido para a autorrealização, fazem-se omissos, até mesmo no que diz respeito aos seus insucessos, entregando-se a condutas esdrúxulas que pensam poder escamotear os conflitos que os assinalam.


Essa estranha conduta é responsável por alguns mitos que remanescem no inconsciente, e esses arquétipos desculpistas constituem-lhes recursos de auto apaziguamento, dessa forma tentando conciliar a consciência que exige lucidez com o ego que prefere a ilusão.


O Self imaturo sofre o efeito do ego dominador e atribui-se méritos que não possui, acreditando-se credor de todas as benesses que lhe são concedidas, sempre anelando por mais recursos que lamentavelmente não o plenificam. 


Nesse estágio, haure bens que não sabe usar, e amontoam-se em armários ou em bancos, acumulando presunção e  despotismo, sem se integrar no conjunto social em que se movimenta. 


E quando o faz, destaca-se pelo orgulho e pelo falso poder externo, compensando as angústias internas com a bajulação e o aplauso dos outros, que se transformam em estímulo para exibir as qualidades que gostaria de possuir.


Aspira sempre por ter mais, sem a preocupação de ser melhor.


Busca ser respeitado, o que equivale a dizer temido, antes que ser amado, pela dificuldade que tem de amar, o que lhe propicia insegurança e mal-estar disfarçados com os vícios sociais, tais o álcool, as drogas da moda, o tabaco, o sexo apressado e destituído de sentimento emocional compensatório.


Recolhe onde não semeou, por acreditar-se possuidor de direitos que lhe não cabem, impedindo-se o dever de repartir solidariedade e harmonia.


Assume postura agressivo-defensiva, de modo que amealhe sem oferecer, descobrindo inimigos onde existem apenas desconhecidos que não foram conquistados e simpatizantes que não foram atraídos ao seu fechado círculo de egoísmo.


Permanece armado, em vigília contínua, em vez de amando em todas as circunstâncias, ante a irradiação de desequilíbrio que é o seu estado interno.


Introverte-se, quando deveria espraiar-se como as águas generosas do regato, diluindo as fixações que o retêm na infância da evolução antropológica...


O sentido existencial é de conquistas internas, aplicadas em favor da gratificação.


À medida que se recebe, doa-se, e, na razão direta em que se é aceito e querido, mais ama e melhor agradece.


A gratidão é uma bênção de valor desconhecido, porque sempre tem sido considerada na sua forma simplista e primária, sem o conteúdo psicoterapêutico de que se reveste.


Quando se reflexiona em torno da gratidão, quase imediatamente se pensa em devolver parte do que foi recebido, o que a torna insignificante e destituída de valor.


Permanece aí a visão material imediatista, sem os conteúdos psicológicos renovadores. 

Quando observamos uma rosa exteriorizando perfume carreado pela brisa, deparamo-nos com a gratidão do vegetal que transformou húmus e água em aroma delicado.


De igual maneira, o Sol, que responde pela preservação do milagre da vida em múltiplas manifestações, oscula o charco sem assimilar-lhe os odores pútridos e acaricia as pétalas das flores sem tomar-lhes o aroma agradável. 


Essa é a sua forma de agradecer a própria finalidade para a qual foi criado...


Quando o Espírito alcança o objetivo do seu significado imortal e entende-o com discernimento lúcido, abençoa tudo e todos, agradecendo-lhes a oportunidade por fazer parte do seu conglomerado.


A gratidão deve ser um estado interior que se agiganta e mimetiza com as dádivas da alegria e da paz.


Por essa razão, aquele que agradece com um sorriso ou uma palavra, com uma expressão facial em silêncio ou numa canção oracional, com o bem que esparze, é sempre feliz, vivendo pleno. 


Entretanto, aquele que sempre espera receber, que faz e anela pela resposta gratulatória, que se movimenta e realiza atos nobres, mas conta com o alheio reconhecimento, imaturo, negocia, permanecendo instável, neurastênico, em inquietação.


Quando se é grato, nunca se experimenta nenhum tipo de decepção ou queixa, porque nada espera em resposta ao que realiza.


A busca, portanto, da autorrealização é alcançada a partir do momento em que a gratidão exerce o seu predomínio no Self, sem nenhuma sombra perturbadora, constituindo-se uma sublime bênção de Deus.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis . Psicologia da Gratidão. 3° ed. Salvador: LEAL, 2014. (Série Psicológica - Especial, volume 16) 240 p, p. 9-12.

sexta-feira, janeiro 01, 2016

Novo Ano - Momento Espírita




Novo Ano



Depois do Natal, a grande expectativa. As pessoas se preparam para o Ano Novo.


Segundo Einstein espaço e tempo são modos pelos quais o homem pensa o mundo, e não condições sob as quais ele vive.


Para ele, o tempo, como é conhecido, não passa de uma invenção.


Nesse sentido, formas e fórmulas para contar o tempo são também invenções humanas, que variaram segundo locais e épocas.


Egípcios e astecas criaram seus calendários, baseando-se no movimento do sol, da lua, nas estações do ano, na alternância entre os dias e as noites.


Nosso calendário é, essencialmente, uma invenção dos antigos romanos. A criação de um calendário com doze meses, cuja duração variava entre vinte e nove e trinta e um dias, data do tempo do segundo imperador romano, Numa Pompílio.


Somente no século XVI, contudo, entraria em vigor o calendário gregoriano, fruto de uma comissão de estudiosos.


Passando a vigorar, inicialmente, somente nos países católicos, a partir de quinze de outubro de 1582, foi convencionalmente adotado para demarcar o ano civil, no mundo inteiro.


Assim, quando se aproximam os derradeiros dias de um ano, os homens se preparam para um novo.


São propostas de vida que se fazem, atitudes que se tomam, em nome de algo novo que virá.


É sempre coroado de esperança. E as manifestações, em prol e em nome dessa mensagem, são as mais diversas.


Dentre essas, lembramos da canção Satchita, ou Sat-chit, que faz parte do projeto Playing for change, um movimento de multimídia que envolve músicos e bailarinos de várias partes do mundo.


Os artistas podem ser famosos ou anônimos. O objetivo é inspirar e promover a união, a paz, a fraternidade e a igualdade pelo mundo afora, através da música.


Convidando a todos cantarmos juntos, observando essa imensa riqueza que é o nosso mundo com sua diversidade de culturas, cenários, instrumentos, nos estimula a um movimento pela paz.


A música se assemelha a um mantra hindu. Também uma prece de quem crê em Deus e tem a consciência plena de que todos vivemos nas vibrações do Seu amor.


Os versos podem ser traduzidos mais ou menos assim: 


Peça a Deus que os homens encontrem os seus passos perdidos.


E que os sonhos despertem esses olhos dormidos. Que o amor transborde e que vivamos em paz.


Que os dias terminem com os braços cansados.


Que a dor não me assombre, nem me cause desespero. Peça a Deus.


Peça a Deus que nos mande do céu muita sabedoria, um amor verdadeiro.


Que ninguém passe fome.


Um abraço de irmão e que vivamos em paz.


Que terminem as guerras e também a pobreza.


Encontrar alegrias entre tanta tristeza.


Que a luz ilumine as almas perdidas e um futuro melhor.


*   *   *

Unamo-nos à canção, impregnando-nos da sua mensagem e recebamos o novo ano cantando, vibrando positivamente.


Todos unidos, dispostos a prosseguir trabalhando pelo mundo melhor de países sem fronteiras e uma imensa fraternidade.



Redação do Momento Espírita. Disponível em www.momento.com.br




Respire fundo, em breve já será amanhã - Momento Espírita





Respire fundo, em breve já será amanhã


Olhe para trás. Outro ano se foi. Não há mais como voltar, não há mais como desfazer, não há mais como reviver. O que passou, passou.


Será que você consegue respirar agora? Não aquele respirar automático que o mantém vivo, mas a verdadeira respiração, com intenção, enchendo o peito de ar e esvaziando-o bem lentamente...


Então... respire fundo.


Talvez você perceba que não pôde fazer isso durante o último ano... Tudo foi tão rápido, tantas coisas para resolver, tantos problemas, tantas lutas.


Mas você precisa parar um pouco. E este é o momento. O instante do balanço, da avaliação, da meditação, de olhar para dentro.


De nada adianta continuar no mesmo ritmo frenético. O corpo não suporta. A alma se entristece.


Pare, recolha-se. Avalie. A nau que não sabe em que águas esteve não tem condições de partir para novos mares.


Em primeiro lugar, observe tudo com olhar de gratidão, pois você está aqui, venceu, manteve-se vivo, e certamente não fez isso sozinho.


Observe com olhos de alegria. A vida é uma oportunidade sem igual. Por mais que tenha sido tão difícil, você vai perceber que foi a dificuldade que o tornou mais maduro.


Observe com olhar de atenção. Perceba os caminhos trilhados. Aprenda com os equívocos, não tenha vergonha deles, pois tudo faz parte do grande aprendizado na Terra. Leia nos rastros deixados as instruções preciosas para os novos caminhos a seguir.


Observe os outros com amor. Celebre com os seus esta conquista. Deixe para trás as desavenças. Desculpe, perdoe, releve. Possivelmente, vão continuar com você em mais um ano. Assim, por que não oferecer as mãos generosas?


Não tenha pressa. Não permita que as festas, viagens, celebrações, sejam apenas mais um motivo de stress e agitação. Não, este não deve ser o objetivo dessas atividades familiares de final de ano.


Aproveite cada momento, cada conversa, cada sorrir. Registre tudo com carinho e com calma. Conceda a você mesmo este presente.


Em breve já será amanhã. O ontem será História, lembrança.


Quanto mais conchas e pedras especiais você recolher das areias dos dias atuais, mais bela e vasta será sua coleção no futuro.


*   *   *


Você se sente um pouco mais velho? Cansado? Pois este é o momento de rejuvenescer um pouco.


Imagine que se prepara para uma nova vida, que terá a chance de renascer criança, com as forças renovadas e sorriso no rosto.


Um novo ano deve ser visto como uma nova vida.


O Criador nos concede nova volta ao redor do sol, nova chance de construir, de acertar, de aprender, de reparar.


Nós precisamos nos dar novas chances também.


Eu posso ser melhor do que fui. Eu posso mudar. Eu posso superar este desafio. Eu sou capaz.


Comandos mentais que inundam a alma de ânimo, de energia, e não nos permitem desistir.


O Novo Ano não será fácil. Não estamos na Terra em férias. Este é um planeta de lutas, provações, expiações, desafios constantes, porém, somos capazes de sobreviver, somos capazes de vencer.


Agora, respire fundo. Em breve já será amanhã.




Redação do Momento Espírita. Disponível em www.momento.com.br

Ano Novo - Momento Espírita





Ano Novo



Hoje é o dia que dá início a um novo ano.


É o dia primeiro. 


Todos queremos iniciar mais um ano com esperanças renovadas. 



É um momento de alegria e confraternização.


As rogativas, em geral, são para que se tenha muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender.


Mas será que se tivermos tudo isso teremos a garantia de um ano novo cheio de felicidade?


Se Deus nos dá saúde, o que normalmente ocorre é que tratamos de acabar com ela em nome das festas. Seja com os excessos na alimentação, bebidas alcoólicas, tabaco, ou outras drogas não menos prejudiciais à saúde.


Não nos damos conta de que a nossa saúde depende de nós.


Dessa forma, se quisermos um bom ano, teremos que fazer a nossa parte.


Se pararmos para analisar o que significa a passagem do ano, perceberemos que nada se modifica externamente.


Tudo continua sendo como na véspera. Os doentes continuam doentes, os que estão no cárcere permanecem encarcerados, os infelizes continuam os mesmos, os criminosos seguem arquitetando seus crimes, e assim por diante.


Nós, e somente nós podemos construir um ano melhor, já que um feliz ano novo não se deseja, se constrói.


Poderemos almejar por um ano bom se desde agora começarmos um investimento sólido, já que no ano que se encerra tivemos os resultados dos investimentos do ano imediatamente anterior e assim sucessivamente.


Poderemos construir um ano bom a partir da nossa reforma moral, repensando os nossos valores, corrigindo os nossos passos, dando uma nova direção à nossa estrada particular.


Se começarmos por modificar nossos comportamentos equivocados, certamente teremos um ano mais feliz.


Se pensarmos um pouco mais nas pessoas que convivem conosco, se abrirmos os olhos para ver quanta dor nos rodeia, se colocarmos nossas mãos no trabalho de construção de um mundo melhor, conquistaremos, um dia, a felicidade que tanto almejamos.


Só há um caminho para se chegar à felicidade. E esse caminho foi mostrado por quem realmente tem autoridade, por já tê-lo trilhado. Esse alguém nós conhecemos como Jesus de Nazaré, o Cristo.


No ensinamento Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo está a chave da felicidade verdadeira.


Jesus nos coloca como ponto de referência. Por isso recomenda que amemos o próximo como a nós mesmos nos amamos.


Quem se ama preserva a saúde. Quem se ama não bombardeia o seu corpo com elementos nocivos, nem o Espírito com a ira, a inveja, o ciúme etc.


Quem ama a Deus acima de todas as coisas, respeita Sua criação e Suas leis. Respeita seus semelhantes porque sabe que todos fomos criados por Ele e que Ele a todos nos ama.


Enfim, quem quer um ano novo repleto de felicidades, não tem outra saída senão construí-lo.


Importa que saibamos que o novo período de tempo que se inicia, como tantos outros que já passaram, será repleto de oportunidades. Aproveitá-las bem ou mal, depende exclusivamente de cada um de nós.


*  *  *


O rio das oportunidades passa com suas águas sem que retornem nas mesmas circunstâncias ou situação.


Assim, o dia hoje logo passará e o chamaremos ontem, como o amanhã será em breve hoje, que se tornará ontem igualmente.


E, sem que nos demos conta, estaremos logo chamando este ano que se inicia de ano passado e assim sucessivamente.


Que todos possamos aproveitar muito bem o tesouro dos minutos na construção do amanhã feliz que desejamos, pois a eternidade é feita de segundos.



Redação do Momento Espírita, com pensamentos extraídos dos verbetes Oportunidade e Tempo, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Disponível em www.momento.com.br.