sábado, dezembro 05, 2020

NATAL- Emmanuel

 

NATAL

Emmanuel


“Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens”. (Lucas, 2:14).


As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande Renovador, não apresentaram qualquer ação de reajuste violento.

*

Glória a Deus no Universo Divino.

Paz na Terra.

Boa vontade para com os Homens.

*

O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranquilidade ao mundo, não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir.

*

Nem castigo ao rico avarento.

Nem punição ao pobre desesperado.

Nem desprezo aos fracos.

Nem condenação aos pecadores.

Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.

Nem anátema contra o gentio inconsciente.

Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da Boa Vontade.

*

A justiça do “olho por olho” e do “dente por dente” encontrara, enfim, o Amor disposto à sublime renúncia até à cruz.

*

Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria, assinalaram júbilo inexprimível...

*

Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria.

*

O algoz seria digno de piedade.

O inimigo converter-se-ia em irmão transviado.

O criminoso passaria à condição de doente.

Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. 

Em Sídon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores. 

Em Jerusalém, os enfermos não mais sofreriam relegados ao abandono nos vales de imunidade.

*

Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a, transitou, vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento.

*

Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos, recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros.

*

Natal! Boa Nova! Boa Vontade!...

Estendamos a simpatia a todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob

os esplendores de um novo dia.

 

XAVIER, Francisco Cândido. Antologia Mediúnica do Natal.

 


sexta-feira, dezembro 04, 2020

O DIVINO CONVITE - Cassimiro Cunha





O DIVINO CONVITE

Cassimiro Cunha


“Vinde a Mim, vós que sofreis!...”.

E a palavra do Senhor,

tocando nações e leis,

ressoa, cheia de amor.


Herdeiros tristes da cruz,

que seguis de alma ferida,

encontrareis em Jesus

Caminho, verdade e vida.


Famintos de paz e abrigo,

que lutais no mundo incréu,

achareis no Eterno Amigo

o Pão que desceu do Céu.


Almas sedentas de pouso,

que à sombra chorais cativas,

tereis no Mestre Amoroso

a fonte das Águas Vivas.


Venham, irmãos, a Jesus Cristo,

o Guia que nos conduz!

vosso caso está previsto

em suas lições de luz.


XAVIER, Francisco Cândido. Antologia Mediúnica do Natal.


quinta-feira, dezembro 03, 2020

ENCONTRO DIVINO - Rodrigues Abreu

 


ENCONTRO DIVINO


Rodrigues Abreu


Na bênção do Natal,

quando o aprendiz desditoso

contemplou toda a luz

que o Mestre lhe trazia

a Terra transformou-se

aos seus olhos em pranto.


Renovado a feliz

reconheceu que a lama

era adubo sublime;

Notou em cada espinho

uma vara de flores

e descobriu que a dor,

em toda parte, é dádiva celeste.


Assombrado,

viu-se, enfim, tal qual era,

um filho de Deus-Pai

ligado em si à Humanidade inteira.


Descortinou mil sendas para o bem

no chão duro que lhe queimava os pés.

Encontrou primaveras

sobre o frio hibernal

e antegozou colheitas multiformes

na sementeira frágil e enfermiça.


Deslumbrado,

sentiu, nas flores, estrelas mudas,

nas fontes, bênçãos do céu exilados no solo,

e nas vozes humildes da natureza

o cântico da vida

a Bondade Imortal.


Abrira-se-lhe nalma o Grande Entendimento...

Não conseguiu articular palavra

à frente do mistério.


Somente o pranto

de alegria profunda

orvalhou-lhe o semblante em êxtase divino.


E, desde então,

passou a servir sem cessar,

dentro de indevassável silêncio,

qual se o Mestre e ele se bastassem um ao outro,

morando juntos para sempre,

à maneira de duas almas

vivendo num só corpo

ou de dois astros

a brilharem unidos,

em pulsações de luz,

no Coração o Amor.


 

XAVIER, Francisco Cândido. Antologia Mediúnica do Natal.


quarta-feira, dezembro 02, 2020

HUMILDADE CELESTE - Emmanuel



 HUMILDADE CELESTE

 Emmanuel 


Ninguém mais humilde que Ele, o Divino Governador da Terra.


Podia eleger um palácio para a glória do nascimento, mas preferiu sem mágoa a manjedoura simples.


Podia reclamar os princípios da cultura para o seu ministério de paz e redenção;


contudo, preferiu pescadores singelos para instrumentos sublimes do seu verbo de luz.


Podia articular defesa irresistível a fim de dominar a governança política; no entanto, preferiu render-se à autoridade, presente em sua época, ensinando que o homem deve entregar ao mundo o que ao mundo pertence, e a Deus o que é de Deus.


Podia banir de pronto do colégio apostólico o amigo invigilante, mas preferiu que Judas conseguisse os seus fins, lamentáveis e excusos, descerrando-lhe aos pés o caminho melhor.


Podia erguer-se ao Sol da plena vida eterna, sem voltar-se jamais ao convívio humilhante daqueles que o feriram nos tormentos da cruz; no entanto, preferiu regressar para o mundo, estendendo de novo as mãos alvas e puras aos ingratos da véspera.


Podia constranger o espírito de Saulo a receber-lhe as ordens, mas preferiu surgir-lhe qual companheiro anônimo, rogando-lhe acordar, meditar e servir, em favor de si mesmo.


Em Cristo, fulge sempre a humildade celeste, pela qual aprendemos que, quanto mais poder, mais amplo o trilho augusto aberto às nossas almas para que nos façamos, não apenas humildes pelos padrões da Terra, mas humildes enfim pelos padrões de Deus.


XAVIER, Francisco Cândido. Antologia Mediúnica do Natal.