sábado, abril 03, 2021

34-RECADOS - Casimiro Cunha

 


RECADOS

Casimiro Cunha

 

Evita, em qualquer lugar,


O gesto escuro ou violento.


Mais vale simples cautela


Que nobre arrependimento.


Aceita a lição terrestre


De alma simples, calma e boa.


Se não perdoas ao mundo,


O mundo não te perdoa.


Procura formar amigos


Com teus valores cristãos.


O destino faz parentes,


A bondade faz irmãos.


Por golpes de mau amigo,


Por injúrias de um vizinho,


Não alteres teus projetos,


Nem perturbes teu caminho.


Tudo vai bem se o trabalho


Força é de tua escolta.


Não te esqueças que o minuto


É bênção que nunca volta.


Onde estiveres, educa


Com bondade natural.


A ignorância do bem


É causa de todo o mal.


Diminui as ambições


E terás poucos pesares.


Serás tanto mais feliz


Quanto menos desejares.


Quem simplesmente obedece


Ganha a paga transitória.


Quem faz além do dever


Recebe a láurea da glória.


Rende culto à gentileza


Sempre viva e mais extensa.


Um pequenino favor


Traz olvido à grande ofensa.


Nunca te afastes do bem,


Que é base da Lei Divina.


O desejo é sempre nosso,


Mas Deus é quem determina.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Gotas de luz. Rio de Janeiro: FEB, ed.9 , 1.994. Cap.34,p.60-61.

 

 

sexta-feira, abril 02, 2021

33-PROVÉRBIOS - Casimiro Cunha

 



33-PROVÉRBIOS

Casimiro Cunha

 

Se desejas surpreender


A luz, a beleza e a paz,


Guarda o silêncio da língua


E muito perceberás.


Sê valoroso no esforço


Pela fé que te ilumina.


No mármore embrutecido


Repousa a estátua divina.


Se vives rogando à vida


Para que o ouro te ajude,


Não olvides que a riqueza


É a tentação da virtude.


Cresceste à frente do mundo?


Que a tua boca se cale.


A montanha, por mais nobre,


Tem alicerces no vale.


Quando julgares alguém


Na luta que te reclama,


Recorda que o lótus lindo


Vive puro sobre a lama.


Se temes pardais e vermes,


Ventania, pedra e bruma,


Não arredes pé de casa,


Nem semeies coisa alguma.


Por roupas e exibições,


Não alongues teu capricho.


Depois do fausto, há museus


E o luxo procura o lixo.


 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Gotas de luz. Rio de Janeiro: FEB, ed.9 , 1.994. Cap.33,p.59.

 

quinta-feira, abril 01, 2021

25-A LÃ - Casimiro Cunha

 


25-A LÃ

Casimiro Cunha

 

Em todas as latitudes da terra que aperfeiçoa, é sempre meiga e bem vinda a lã carinhosa e boa.


Conserva a saúde e a vida, nos invernos, nos trabalhos, e mãe delicada e nobre dos mais puros agasalhos.


Faz frio? Desceu a noite em borrascas escarninhas?


A lã protetora e santa vai vestir as criancinhas.


Há velhice amargurada movendo-se quase morta?


A divina benfeitora vem de leve e reconforta.


Enfermos entristecidos atados a grandes dores?


Recolhe-os bondosamente em ninhos de cobertores.


Presta aos homens neste mundo auxílio amoroso e forte, desde o berço da chegada, ao leito de dor na morte.


Heroína afetuosa de serviço e de bondade, preserva no mundo inteiro o corpo da Humanidade.


Quem a veste, conservando-a, encontra incessantemente a couraça que resiste ao frio mais inclemente.


Lembremos, vendo-a servir sem recompensa e sem palmas, o Cordeiro que dá lã necessária a nossas almas.


Não te doa nos caminhos o inverno de angústia e pranto: vistamos os sentimentos em lã do Cordeiro Santo.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP: Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 25, p.24.

 

32-POSTAIS - Casimiro Cunha

 


32-POSTAIS

Casimiro Cunha

 

No esforço de vigilância,


Não dispenses a energia,


Onde o lobo acha um cordeiro,


Volta, forte, no outro dia.


Há jornalistas no mundo


De ideias e bolsas fartas,


Que, embora vivam de folhas,


Fazem menos que as lagartas.


Às casas ricas e nobres


Irás por requerimento,


Mas do ninho dos aflitos


Não aguardes chamamento.


Tem calma nas provações,


Por mais duras, por mais graves...


Chega o dia em que os leões


São simples manjar das aves.


Espírito prevenido


No mal contínuo e revel


Faz ver cobras onde há pombos,


Veneno e lodo onde há mel.


Cautela no coração!


O mal que chega às braçadas,


Depois da devastação


Vai saindo às polegadas.


Enche os teus dias no mundo


Com júbilos do dever,


Há sempre angústia e saudade


No instante do entardecer...


Trata os irmãos atacados


Da cólera e irritação,


A compressas de silêncio


E bálsamos de oração.


Deveres muitos no bem?


Não guardes mágoa e receio...


O pouco é suficiente


Quando Deus está no meio.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Gotas de luz. Rio de Janeiro: FEB, ed.9 , 1.994. Cap.32,p.57-58.