quarta-feira, agosto 04, 2021

79-O MÁRMORE - Casimiro Cunha




 79-O MÁRMORE


Casimiro Cunha


No gabinete isolado dos serviços de escultura, há muita coisa que ver com a vida da criatura.


O mármore chega em bloco dos centros da Natureza, em trânsito para o campo do espírito e da beleza.


É pedra, vai ser tesouro; é rude, vai ser divino; todavia, não se sabe quando chega ao seu destino.


Golpe aqui, golpe acolá, o artista começa a luta, é o sonho maravilhoso amando a matéria bruta.


As arestas vão caindo...


É a carícia do martelo, desponta o primeiro traço vigoroso, firme e belo.


O cinzel fere e desbasta, e, às vezes, pede o formão.


O artista prossegue atento dando vida à criação.


Golpes fundos, ferimentos...


Mas, eis quando se aproxima o termo do esforço longo na aquisição da obra prima.


Depois, é a joia formosa, de valor alto e profundo, que as fortunas de milhões não podem fazer no mundo.


Esse mármore da Terra, no fundo, é qualquer pessoa, o artista, é o tempo, e o cinzel, a luta que aperfeiçoa.


Quando os golpes de amargura te cortarem o coração, recorda o cinzel divino que dá forma e perfeição.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 79, p.80.

 


terça-feira, agosto 03, 2021

78-O MAR - Casimiro Cunha

 


78-O MAR

Casimiro Cunha


Na expressão profunda e viva das forças da Natureza eis que o mar a tudo excede em formosura e grandeza.


Nos seus abismos trabalham milhões de laboratórios, de onde nascem para a vida as larvas e os infusorios.


As almas se modificam, renova-se o esforço humano, mas é sempre inalterada a oficina do oceano.


Desde os primórdios do tempo de sua edificação, a sua finalidade é a força da criação.


Foi nas águas generosas de seu seio alvo e fecundo, que alcançaram nascimento as formas de todo o mundo.


Depois de sagrar a vida, eis que opera em todo o dia, fazendo as nuvens da chuva, que alenta, renova e cria.


Deus concedeu-lhe a grandeza de ser profundo e inviolável, protegendo-lhe a missão do equilíbrio inalterável.


Com a sua dominação esplêndida e solitária, é fator de ordem perfeita de toda a lei planetária.


É o testemunho fiel, de Deus em nossa existência, dando o ensino da equidade que nasce da providência.


Mas se pode demonstrar tão grande revelação, é que o lugar onde os homens não podem meter a mão.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 78, p.79.

segunda-feira, agosto 02, 2021

77-O MAPA - Casimiro Cunha

 



77-O MAPA


Casimiro Cunha


Nos serviços necessários a qualquer expedição, o mapa é bondoso guia, servindo à orientação.


É sempre o mentor fiel, evitando o erro, a fossa, é a força da experiência que passou antes da nossa.


Por obter-lhe o concurso, houve lágrimas, suor, sofrimentos, sacrifícios, misérias, ruínas, dor.


Por traça-lo, muitas almas gemeram desconhecidas...


Certos mapas representam muitas mortes, muitas vidas.


O espírito estacionário, paralítico, inferior, embora lhe guarde o ensino, desconhece-lhe o valor.


Mas aquele que aproveita o ensejo de cada dia, consulta e atende ao roteiro em paz e sabedoria.


Sabendo-se viajor nos caminhos da existência, a carta de indicações dirige-lhe a experiência.


Estudando-a, com razão, vê-se intrépido e seguro, quem vigia no presente tem reservas no futuro.


No Mapa dos Corações, jamais esqueçamos disto: O roteiro do Evangelho custou muito esforço ao Cristo.


Sigamo-lo com carinho em nossa oportunidade.


Estamos a percorrer as sendas da eternidade.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 77, p.78.

 

 

domingo, agosto 01, 2021

76-O MALHADOURO - Casimiro Cunha

 

 


76-O MALHADOURO


Casimiro Cunha


Na época dadivosa da colheita cor-de-ouro, é tempo de conduzir cereais ao malhadouro espigas maravilhosas vêm às mãos do tarefeiro, aglomerando-se em busca da secagem no terreiro antigamente eram flores mostrando verdura e viço; agora, a compensação que se reserva ao serviço.


Mas por ser o resultado, a garantia, o futuro, o grão rico e generoso precisa ser nobre e puro.


O lavrador cuidadoso organiza providências, é necessário excluir as últimas excrescências.


Inicia-se a limpeza, servidores a malhar, no espaço o longo assobio de varas cortando o ar.


São precisos golpes rudes, bordoadas no bom grão, por conferir-lhe a grandeza de servir, além chão.


Depois disso, alcança a glória de amparar o lavrador, a alegria de prover em nome do criador.


Se ao longo de tua vida sentes choques mangual, é que estás em madureza no campo espiritual.


Não fujas ao malhadouro, guarda paz e vigilância: Que a luta nos roube agora os restos da ignorância.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 76, p.77.