quarta-feira, novembro 02, 2022
Não é dia de finados, mas dia dos infinitos - José Carlos De Lucca
PARTIDA E CHEGADA - Momento Espírita
PARTIDA E CHEGADA
Momento Espírita
Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da
costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um
espetáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o
mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto
branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte,
certamente exclamará: Já se foi.
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade
que tinha, quando estava próximo de nós.
Continua tão capaz, quanto antes, de levar ao porto de
destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas
ele continua o mesmo.
E talvez, no exato instante em que alguém diz: Já se foi,
haverá outras vozes, mais além, a afirmar: Lá vem o veleiro.
Assim é a morte.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor
que nos foi caro e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível
dizemos: Já se foi.
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não
se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao
nosso lado.
Conserva o mesmo afeto que nutria por nós. Nada se perde, a
não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado.
E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: Já se foi,
no mais Além, outro alguém dirá feliz: Já está chegando.
Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas
durante a viagem terrena.
A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças
espetaculares, pois a natureza não dá saltos.
Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e
desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.
A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a
chegada.
Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo
físico; noutro, partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como
viajores da Imortalidade que somos todos nós.
* * *
Victor Hugo, poeta e romancista francês, que viveu no século
XIX, falou da vida e da morte dizendo:
A cada vez que morremos ganhamos mais vida. As almas passam
de uma esfera para a outra sem perda da personalidade, tornando-se cada vez
mais brilhante.
Eu sou uma alma. Sei bem que vou entregar à sepultura aquilo
que não sou.
Quando eu descer à sepultura, poderei dizer, como tantos:
meu dia de trabalho acabou. Mas não posso dizer: minha vida acabou.
Meu dia de trabalho se iniciará de novo na manhã seguinte.
O túmulo não é um beco sem saída, é uma passagem. Fecha-se ao
crepúsculo e a aurora vem abri-lo novamente.
*
Redação do Momento Espírita, com pensamentos finais de Victor Marie Hugo, do livro A reencarnação através dos séculos, de Nair Lacerda, ed. Pensamento.
MOMENTO ESPÍRITA. Disponível em <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=4209>.
Acesso 02 NOV 2022.
DIA DOIS DE NOVEMBRO - Momento Espírita
DIA DOIS DE NOVEMBRO
Momento Espírita
O dia dois de
novembro é dia mundialmente dedicado a cultuar os mortos.
O culto aos
mortos foi uma das práticas fundamentais de quase todas as religiões, mesmo das
mais primitivas, e esteve, inicialmente, ligado aos cultos agrários e aos da
fertilidade.
Os defuntos,
como as sementes, eram enterrados com vistas a uma futura ressurreição ou
nascimento.
Pensava-se
que, assim como as sementes, os mortos ficavam no solo esperando uma nova vida.
Os hindus
comemoravam os mortos em plena fase da colheita, justamente como a festa
principal desse período.
Assim,
sondando as primeiras manifestações de culto aos mortos, percebemos que a
prática foi se desfigurando ao longo dos tempos.
No princípio,
o Dia de Finados era uma verdadeira festa em louvor à imortalidade da alma.
Sem aspecto
fúnebre, marcava o fim de uma, e o início de outra etapa para o Espírito, que
deixava seu corpo no túmulo para germinar outra vez e renascer.
Sabemos hoje
que não é possível ressurgir no corpo já morto.
Assim como
ocorre com as sementes, que morrem para libertar a vida pulsante de sua
intimidade em forma de plantas, flores e frutos, assim também o corpo morre
para libertar o Espírito nele cativo.
Fenômeno
semelhante ao que ocorre com a borboleta, que deixa o casulo para surgir ainda
mais bela e mais livre, acontece com o Espírito, que deixa o casulo do corpo
físico e vibra na imortalidade gloriosa.
Dessa forma,
os seres amados com os quais convivemos por mais ou menos tempo, não estão
cativos no túmulo, de onde até mesmo o corpo físico já se evadiu para formar,
com seus átomos, outras formas de vida.
E para
demonstrar-lhes o nosso carinho e gratidão, um único dia no ano é muito pouco,
para quem verdadeiramente não os deixou de amar.
É importante
que cuidemos, com carinho, do lugar que abriga os despojos carnais dos entes
queridos, mas tenhamos mais cuidado em manter acesa a chama do afeto que nos
une uns aos outros, embora em planos diferentes da vida.
Não os
recordemos somente no Dia de Finados, pois que finados eles não são.
Busquemos,
sempre, lembrar os bons momentos que Deus nos permitiu desfrutar juntos do lado
de cá, para que, ao adentrarmos o mundo espiritual, possamos abraçá-los com o
afeto de quem jamais os esqueceu, embora já tenha passado algum tempo.
Tenhamos em
mente que os ditos mortos registram os nossos pensamentos. E lembremos que,
tanto quanto nós, eles sentem saudades. Por isso, não deixemos para nos lembrar
deles somente uma vez por ano.
* * *
O dia 2 de
novembro não é efetivamente o dia dos mortos, mas sim, o dia consagrado à
imortalidade da alma.
Portanto, seja
o dia 2 de novembro, para nós, o dia em que prestamos homenagem especial aos
seres amados que partiram para a pátria espiritual, para onde também seguiremos
um dia...
Pensemos
nisso!
Redação do Momento Espírita com informações colhidas no
verbete Finados, na Enciclopédia Barsa, v.6.
MOMENTO ESPÍRITA. Disponível em http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=4209.
Acesso : 02 NOV 2022.
terça-feira, novembro 01, 2022
1 NOVEMBRO DE 2022 : PROFº EURÍPEDES BARSANULFO
Prof Eurípedes Barsanulfo
Nossa singela homenagem lembrando hoje, com
eterna gratidão, daquele que nesta data, retornou a Pátria Espiritual , deixando um rastro luminoso de exemplos de caridade, amor e bondade em tantos nos corações...
Cem Por Um
Profº Eurípedes Barsanulfo
Ócio, em qualquer parte,
constitui esbanjamento.
*
Tudo vibra em perpétua
movimentação, sem vácuo ou inércia na substância das coisas.
*
O corpo humano e o corpo espiritual são construções divinas a se estruturarem sobre forças que se combinam e trabalham constantemente em dinamismo santificante.
Sejamos, por
nossa vez, peças atuantes do Evangelho Vivo, demonstrando que o serviço é
condição de saúde eterna.
*
Insculpe por onde passes o rasto luminoso do entendimento.
Edifica o bem, seja escutando o riso dos
felizes ou assinalando o soluço dos companheiros desditosos, criando rendimento
nos tesouros imperecíveis da alma.
*
Ampara e ajuda a todos,
desde a criança desvalida, necessitada de arrimo e luz para o coração, até o
peregrino sem teto, hóspede errante das árvores do caminho.
*
Conserva por medalhas de
mérito os calos nas mãos que abençoam servindo, a fadiga nos músculos que
auxiliam com entusiasmo, o suor na fronte que colabora pela felicidade de todos
e os rasgões que te recordam as feridas encontradas no cumprimento de austeras
obrigações.
*
Oremos na atividade
construtiva que não descansa.
*
Cantemos ao ritmo da
perseverança feliz.
*
Respiremos no hausto da
solidariedade sem mescla.
*
A caridade converte o
sacrifício em deleite, o cansaço em repouso, o sofrimento em euforia.
*
Ar puro desfaz as emanações
malsãs; água límpida dissolve os detritos da sombra; sol matinal dissipa as
trevas…
*
Mãos vazias ou cabeça
desocupada denunciam coração ocioso.
*
Sê companheiro da aurora,
despertando junto com o dia nas obras de paciência e bondade, sustento e
elevação.
*
A seara do Senhor no solo infatigável do tempo guarda riquezas inexploradas e filões opulentos.
Aquele
que grafa uma página edificante, semeia um bom exemplo, educa uma criança,
fornece um apontamento confortador, entretece uma palestra nobre ou estende uma
dádiva, recolherá, cem por um, todos os grãos de amor que lançou na sementeira
do Eterno Bem, laborando com a Vida para a Alegria Sem Fim.
VIEIRA, Waldo pelo Espírito Eurípedes Barsanulfo. Ideal espírita, cap.4.



