domingo, abril 27, 2025

Tolerância E Coerência - Emmanuel



 Tolerância E Coerência 

Emmanuel

E - Cap. X - Item 21


Compreender e desculpar sempre, porque todos necessitamos de compreensão e desculpa, nas horas do desacerto, mas observar a coerência para que os diques da tolerância não se esbarrondem, corroídos pela displicência sistemática, patrocinando a desordem.


Disse Jesus: "amai os vossos inimigos".


E o Senhor ensinou-nos realmente a amá-los, através dos seus próprios exemplos de humildade sem servilismo e de lealdade sem arrogância.


Ele sabia que Judas, o discípulo incauto, bandeava-se, pouco a pouco, para a esfera dos adversários que lhe combatiam a mensagem renovadora...


A pretexto de amar os inimigos, ser-lhe-ia lícito afastá-lo da pequena comunidade, a fim de preservá-la, mas preferiu estender-lhe mãos fraternas, até a última crise de deserção, ensinando-nos o dever de auxiliar aos companheiros de tarefa, na prática do bem, enquanto isso se nos torne possível.


Não ignorava que os supervisores do Sinédrio lhe tramavam a perda...


A pretexto de amar os inimigos, poderia solicitar-lhes encontros cordiais para a discussão de política doméstica, promovendo recuos e concessões, de maneira a poupar complicações aos próprios amigos, mas preferiu suportar-lhes a perseguição gratuita, ensinando-nos que não se deve contender, em matéria de orientação espiritual, com pessoas cultas e conscientes, plenamente informadas, quanto às obrigações que a responsabilidade do conhecimento superior lhes preceitua.

*

Certificara-se de que Pilatos, o juiz dúbio, agia, inconsiderado...


A pretexto de amar os inimigos, não lhe seria difícil recorrer à justiça de instância mais elevada, mas preferiu aguentar-lhe a sentença iníqua, ensinando-nos que a atitude de todos aqueles que procuram sinceramente a verdade não comporta evasivas.


Percebia, no sacrifício supremo, que a multidão se desvairava...


A pretexto de amar os inimigos, era perfeitamente cabível que alegasse a extensão dos serviços prestados, pedindo a comiseração pública, a fim de que se lhe não golpeasse a obra nascente, mas preferiu silencia e partir, invocando o perdão da Providencia Divina para os próprios verdugos, ensinando-nos que é preciso abençoar os que nos firam e orar por eles, sem, contudo, premiar-lhes a leviandade para que a leviandade não alegue crescimento com o nosso apoio.

*

Jesus entendeu a todos, beneficiou a todos, socorreu a todos e esclareceu a todos, demonstrando-nos que a caridade, expressando amor puro, é semelhante ao sol que abraça a todos, mas não transigiu com o mal.


Isso quer dizer que fora da caridade não há tolerância sem coerência.

 

XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Opinião espírita, cap 32. Jesus Cristo e os Fariseus:  Ilustração Reproduzida da Internet. 

 


sábado, abril 26, 2025

Fenômenos E Nós - André Luiz


 Fenômenos E Nós 

André Luiz

M - Questão 60


O homem quer ver para crer.


Aspira à construção da fé. 


E para isso exige fenômenos.


Entretanto, é um espírito imortal a exprimir-se através de uma caixa de fenômenos e não percebe.


O cérebro é a maravilha que o abriga.


Na cúpula craniana tem a cabine da vontade, controlando bilhões de células a lhe cumprirem as ordens.


Como se ajustam lobos, sulcos, e giros, como funcionam meninges, veias e líquidos para que governe as próprias sensações não cogita para viver.


De que modo se comportam os neurônios para que possa pensar é problema de que não se preocupa, quando reflete.


Domina a linguagem sem pensar o esforço que lhe reclama das áreas corticais que lhe presidem a fala.


Enxerga dando trabalho aos nervos ópticos sem cogitar disso.


Ouve, por intermédio de complicados engenhos, mas não pondera quanto ao que essa preciosidade lhe custa.


Mobiliza tubos, artérias, alambiques, aparelhos, canais e depósitos variados para beber e comer, assimilar os recursos da vida e desvencilhar-se das gangas residuais da alimentação, todavia, às vezes atravessa uma existência secular sem a menor consideração por semelhantes prodígios.


Comumente reclama provas da sobrevivência da lama depois da morte, mas, até hoje, embora conjeture, não sabe exatamente como é que veio à vida.


Ninguém nega que fenômenos servem para acordar a mente, contudo, é imperioso reconhecer que as criaturas humanas, na experiência diária, comunicam-se umas com as outras, através de montanhas deles sem a mínima comoção.


Eis os motivos pelos quais os espíritos superiores, conscientes da responsabilidade que abraçam colocarão sempre os fenômenos em última plana no esquema das manifestações com que nos visitam.


Assim procedem porque a curiosidade inerte ou deslumbrada não substitui o serviço e o serviço é a única via que nos faculta crescimento e elevação, compelindo-nos a estudar para progredir e a evoluir para sublimar.

 

XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Opinião espírita, cap 31. Jesus Cristo e Tomé:  Ilustração Reproduzida da Internet. 

  

sexta-feira, abril 25, 2025

Caridade E Raciocínio - Emmanuel





Caridade E Raciocínio 

Emmanuel

E - Cap. XV - Item 5


Todos pensamos na caridade, todos falamos em caridade!...


A caridade, indubitavelmente, é o coração que fala, entretanto, nas situações anormais da vida, há que ouvir o raciocínio, a fim de que ela seja o que deve ser.


Nada fere tanto como a visão de um ente querido, sob os tentáculos do câncer.


O coração chora. 


Mas se a radiografia sugere trabalho operatório, pede o raciocínio para que a cirurgia lhe revolva a carne atormentada, na suprema tentativa de recuperação.


Nada enternece mais do que abraçar um pequenino nas alegrias do lar.


O coração festeja. 


Mas se a criança brinca com fósforos, aconselha o raciocínio se lhe dê corrigenda.


Nada sensibiliza mais do que encontrar um alienado mental, atirado à rua.


O coração lamenta. 


Mas se o louco, em crise de fúria, carrega bombas consigo, prescreve o raciocínio seja ele contido à força.


Nada preocupa mais que observar um companheiro, no abuso de entorpecentes.


O coração sofre. 


Mas se o irmão, vinculado a semelhante hábitos, distribui narcóticos, fazendo vítimas, solicita o raciocínio se lhe providencie a necessária segregação para o tratamento preciso.


*

O raciocínio, em nome da caridade, não tem decerto, a presunção de violentar consciência alguma, impondo-lhe freios ou drásticos que lhe objetivem o aperfeiçoamento compulsório.


A Misericórdia Divina é paciência infatigável com os nossos multimilenários desequilíbrios, auxiliando a cada um de nós, através de meios determinados, de modo a que venhamos, saná-los, por nós mesmos, com o remédio amargoso da experiência, no veículo das horas.


Surge a autoridade do raciocínio, quando os nossos males saem de nós, em prejuízo dos outros.


Clareando a definição, comparemos a caridade, nascendo das profundezas da lama, com a fonte que se derrama espontânea, das entranhas da terra. 


A fonte pode ser volumosa ou escassa, reta ou sinuosa, jorrar da montanha ou descambar na planície, saciar monstros ou dar de beber às aves do céu, tudo dependendo da estrutura, do clima, do solo ou das circunstâncias em que se movimente. 


Em qualquer ângulo que se mostre, pode o sentimento louvar-lhe a beleza e exaltar-lhe a utilidade que fertiliza glebas, acalenta vidas, garante lares, multiplica flores e retrata as estrelas, mas, se nessa ou naquela fonte, aparecem culturas do esquistossomo, é necessário que o raciocínio intervenha e, para o bem geral, lhe impeça o uso.

 

XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Opinião espírita, cap 30. Jesus Cristo:  Ilustração Reproduzida da Internet. 


quinta-feira, abril 24, 2025

Vinte Modos - André Luiz


Vinte Modos

André Luiz

E - Cap. VI - Item 8


Modos com que nós, espíritas, perturbamos a marcha do Espiritismo:


Esquecer a reforma íntima.


Desprezar os deveres profissionais.


Ausentar-se das obras de caridade.


Negar-se ao estudo.


Faltar aos compromissos sem justo motivo.


Rogar privilégios.


Escapar deliberadamente dos sofredores para não prestar-lhes pequeninos serviços.


Colocar os princípios espíritas à disposição de fachadas sociais.


Especular com a Doutrina em matéria política.


Sacrificar a família aos trabalhos da fé.


Açambarcar muitas obrigações, recusando distribuir a tarefa com os demais companheiros ou não abraçar incumbência alguma, isolando-se na preguiça.


Afligir-se pela conquista de aplausos.


Julgar-se indispensável.


Fugir ao exame imparcial e sereno das questões que concernem à clareza do Espiritismo, acima dos interesses e das pessoas.


Abdicar do raciocínio, deixando-se manobrar por movimentos ou criaturas que tenham sutilmente ensombrar a área do esclarecimento espírita com preconceitos e ilusões.


Ferir os outros com palavras agressivas ou deixar de auxiliá-los com palavras equilibradas no momento preciso.


Guardar melindres.


Olvidar o encargo natural de cooperar respeitosamente com os dirigentes das instituições doutrinárias.


Lisonjear médiuns e tarefeiros da causa espírita.


Largar aos outros responsabilidade que nos competem.

 

XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Opinião espírita, cap 29. Chico Xavier:  Ilustração Reproduzida da Internet.