quarta-feira, junho 04, 2025

Os Outros - Meimei



Os Outros

Meimei

Cap. XIII – Item 13


Dizes trazer o deserto no coração, entretanto, pensa nos outros.


Muitos pisam teus rastros, procurando-te as mãos no grande vazio...


Para um pouco e perceberá a presença nas sombras da retaguarda.


Enquanto gritas a própria solidão, compreenderás que a voz deles está morrendo na garganta, através de longos gemidos.


Volta-te e vê.


Compara os teus braços robustos com os ossos descarnados que ainda lhe servem de suporte às mãos tristes em que os dedos mirrados são espinhos de dor. 


Enxuga o teu pranto e observa os olhos fatigados que te contemplam... 


Falam-te a história de esperanças e sonhos que o tempo soterrou na areia da frustração. 


Referem-se ao frio cortante do lar perdido e à agonia da ramagem nas trevas...


Para e compadece-te.


Deixa que respirem, ainda mesmo por um momento só, no calor de teu hálito.


Quem poderá medir a extensão da grandeza de uma simples semente, caída na terra que o arado martirizou?


A beleza de um minuto nos ensina, muita vez, a povoar de alegria e de luz a existência inteira.


Diz antiga lenda que uma gota de chuva caiu sobre o oceano que a tormenta encapelara e, aflita, perguntou:


– ”Deus de Bondade, que farei, sozinha, neste abismo estarrecedor?”


O Pai não lhe respondeu, mas, tempos depois, a gota singela era retirada do mar, convertida numa pérola para adornar a coroa de um rei.


Dá também algo de ti aos que bracejam no torvelinho do sofrimento, e, mesmo que possas ofertar apenas um pingo de amor aos que padecem, tua dádiva será filtrada pelas correntes da angústia humana e subirá, cristalina e luminescente, na direção dos céus, para enfeitar a glória de Deus.


XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 7. Jesus Cristo:  Ilustração Reproduzida da Internet. 

 

terça-feira, junho 03, 2025

Decálogo Para Médiuns - André Luiz



Decálogo Para Médiuns

André Luiz

Cap. XXVI – Item 7


1 – Rende culto ao dever.

Não há fé construtiva onde falta respeito ao cumprimento das próprias obrigações.


2 – Trabalha espontaneamente.

A mediunidade é um arado divino que o óxido da preguiça enferruja e destrói.


3 – Não te creias maior ou menor.

Como as árvores frutíferas, espalhadas no solo, cada talento mediúnico tem a sua utilidade e a sua expressão.


4 – Não esperes recompensas no mundo.

As dádivas do Senhor, como sejam os fulgores das estrelas e a carícia da fonte, o lume da prece e a benção da coragem, não têm preço na Terra.


5 – Não centralizes a ação.

Todos os companheiros são chamados a cooperar, no conjunto das boas obras, a fim de que se elejam à posição de escolhidos para tarefas mais altas.


6 – Não te encarceres na dúvida.

Todo bem, muito antes de externar-se por intermédio desse ou daquele intérprete da verdade, procede originariamente de Deus.


7 – Estuda sempre.

A luz do conhecimento armar-te-á o espírito contra as armadilhas da ignorância.


8 – Não te irrites.

Cultiva a caridade e a brandura, a compreensão e a tolerância, porque os mensageiros do amor encontram dificuldade enorme para se exprimirem com segurança através de um coração conservado em vinagre.


9 – Desculpa incessantemente.

O ácido da crítica não te piora a realidade, a praga do elogio não te altera o modo justo de ser, e, ainda mesmo que te categorizem à conta de mistificador ou embusteiro, esquece a ofensa com que te espanquem o rosto, e, guardando o tesouro da consciência limpa, segue adiante, na certeza de que cada criatura percebe a vida do ponto de vista em que se coloca.


10 – Não temas perseguidores.

Lembra-te da humildade do Cristo e recorda que, ainda Ele, anjo em forma de homem, estava cercado de adversários gratuitos e de verdugos cruéis, quando escreveu na cruz, com suor e lágrimas, o divino poema da eterna ressurreição.

 

XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 5. Jesus Cristo:  Ilustração Reproduzida da Internet. 

segunda-feira, junho 02, 2025

Simpatia E Bondade - Emmanuel



Simpatia e Bondade

Emmanuel

Cap. IX – Item 7


No plano infinito da Criação jamais encontraremos alguém que prescinda de dois derivados naturais do amor: a simpatia e a bondade.


A árvore frondosa e plena de vigor solicita o apoio do sol e a solicitude do vento para conservar-se e estender as suas propriedades vitais.


O animal, por mais inferior na escala dos seres, requer o carinho e a ternura da terra, a fim de manter as próprias funções e aperfeiçoar o seu modo de ser, no meio em que se desenvolve.


A criança e o jovem, a mulher e o homem, tornam-se enfermiços e infelizes, se não recebem o calor da bondade e da simpatia por alimento providencial na sustentação do equilíbrio e da saúde, da esperança e da paz que lhes são indispensáveis no esforço de cada dia.


Procura pois, revestir as próprias manifestações, perante aqueles que te rodeiam, com os recursos da simpatia que ajuda e compreende, e da bondade que concede e perdoa, ampliando a misericórdia no mundo e fortalecendo a fraternidade entre todas as criaturas.


Enriquece com o teu entendimento o patrimônio afetivo do companheiro e o companheiro retribuir-te-á com auxílios originais e incessantes.


Envolve em tua generosidade fraterna a alma infeliz e desajustada, e nela descobrirás imprevistas nuanças do amor.


Não desprezes a simpatia e a bondade ante as lutas alheias e a bondade e a simpatia nos outros te abençoarão toda a vida.

 

XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 4. Jesus Cristo:  Ilustração Reproduzida da Internet. 

 

 

domingo, junho 01, 2025

Legenda Espírita - Bezerra de Menezes



Legenda Espírita

Bezerra de Menezes

Cap. XV – Item 10


O cultivador é conduzido ao pântano para convertê-lo em terra fértil.


O técnico é convidado ao motor em desajuste para sanar-lhe os defeitos.


O médico é solicitado ao enfermo para a benção da cura.


O professor é trazido ao analfabeto para auxiliá-lo na escola.


Entretanto, nem as feridas da terra, nem os desequilíbrios da máquina, nem as chagas do corpo e nem as sombras da inteligência se desfazem à custa de conversas amargas e, sim, ao preço de trabalho e devotamento.


O espírita cristão é chamado aos problemas do mundo, a fim de ajudar-lhes a solução; 


contudo, para atender em semelhante mister, há que silenciar discórdia e censura e alongar entendimento e serviço.


É por essa razão que interpretando o conceito “salvar” por “livrar da ruína” ou “preservar do perigo”, colocou Allan Kardec, no luminoso portal da Doutrina Espírita, a sua legenda inesquecível:


– ”Fora da caridade não há salvação.”

 

XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 3. Jesus Cristo:  Ilustração Reproduzida da Internet.