domingo, junho 08, 2025

Em Plena Era Nova - Eurípedes Barsanulfo

 


Em Plena Era Nova

Eurípedes Barsanulfo


Cap. XVIII – Item 9


Há criaturas que deixaram, na Terra, como único rastro da vida robusta que usufruíam na carne, o mausoléu esquecido num canto ermo de cemitério.


Nenhuma lembrança útil.


Nenhuma reminiscência em bases de fraternidade.


Nenhum ato que lhes recorde atitudes com padrões de fé.


Nenhum exemplo edificante nos currículos da existência.


Nenhuma ideia que vencesse a barreira da mediocridade.


Nenhum gesto de amor que lhes granjeasse sobre o nome o orvalho da gratidão.


A terra conservou-lhes, à força, apenas o cadáver – retalho de matéria gasta que lhes vestira o espírito e que passa a ajudar, sem querer, no adubo às ervas bravas.


Usaram os empréstimos do Pai Magnânimo exclusivamente para si mesmos, olvidando estendê-los aos companheiros de evolução e ignorando que a verdadeira alegria não vive isolada numa só alma, pois que somente viceja com reciprocidade de vibrações entre vários grupos de seres amigos.


Espíritas, muitos de nós já vivemos assim!


Entretanto, agora, os tempos são outros e as responsabilidades surgem maiores.


O Espiritismo, a rasgar-nos nas mentes acanhadas e entorpecidas largos horizontes de ideal superior, nos impele para frente, rumo aos Cimos da Perfectibilidade.


A Humanidade ativa e necessitada, a construir seu porvir de triunfos, nos conclama ao trabalho.


O espírito é um monumento vivo de Deus – o Criador Amorável.


Honremos a nossa origem divina, criando o bem como chuva de bênçãos ao longo de nossas próprias pegadas.


Irmãos, sede vencedores da rotina escravizante.


Em cada dia renasce a luz de uma nova vida e com a morte somente morrem as ilusões.


O espírito deve ser conhecido por suas obras.


É necessário viver e servir.


É necessário viver, meus irmãos, e ser mais do que pó!


XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 13. Jesus Cristo: Ilustração Reproduzida da Internet. Arte : Vimala Praisy

 

sábado, junho 07, 2025

Médiuns e Mediunidade - Cairbar Schutel



Médiuns e Mediunidades

Cairbar Schutel

Cap. XXVI – Item 10


No falso pressuposto de que haja médiuns e mediunidades mais importantes entre si, recordemos o velho apólogo que Menênio Agripa contou ao povo amotinado de Roma, a fim de sossegar-lhe o espírito em discórdia.


“Se o cérebro, por reter a ideação fulgurante, desprezasse o estômago ocupado na tarefa obscura da digestão, a cabeça não conseguiria pensar; 


se os olhos, por refletirem a luz, declarassem guerra aos intestinos por serem eles vasos seletores de resíduos, decerto que, a breve tempo, a retina seria espelho morto nas trevas, e se o tronco, por sentir-se guindado a pequena altura, condenasse os pés por viverem ao contato do solo, rolaria o corpo sem equilíbrio.”


E, de nossa parte, ousaríamos acrescentar à antiga fábula que tudo, no campo da sequencia da natureza, é solidariedade e cooperação.


Se os braços desaparecerem, os pés se fazem mais ágeis; 


em sobrevindo a surdez, acusa o olhar penetração mais intensa; 


se a visão surge apagada, o tato mais amplamente se desenvolve; 


se o baço é extirpado, a medula óssea trabalha com mais afinco, de modo a satisfazer as necessidades do sangue.


Qual acontece no mundo orgânico, a Doutrina Espírita é um grande corpo de revelações e de bênçãos, no qual cada médium possui tarefa específica.


Esse esclarece...


Aquele consola...


Outro pensa feridas...


Aquele outro anula perturbações...


Esse incorpora sofredores angustiados...


Aquele transmite elucidações de instrutores devotados à grande beneficência...


Outro recebe a palavra construtiva...


Aquele outro se incumbe da mensagem santificante...


Como é fácil observar, o passe curativo é irmão da prece confortadora, a desobsessão é o reverso da iluminação espiritual e o verbo fulgente da praça pública é outra face do livro que o silêncio abençoa.


Em nossa esfera de serviço, portanto, já que prescindimos do profissionalismo religioso, não existem médiuns-pastores, médiuns-gerentes, médiuns-líderes ou médiuns-diretores, porquanto a cada qual de nós cabe uma parte do grande apostolado de redenção que nos foi atribuído pela Espiritualidade Maior.


E se todos nós, em conjunto, temos um mentor a procurar e a ouvir de maneira especialíssima, no plano da consciência e no santuário do coração, esse Mentor é Nosso Senhor Jesus-Cristo – o Sol do Amor Eterno – a cuja luz, no grande dia de nossos mais altos ajustamentos, deveremos revelar em nós mesmos a divina essência da Sua lição divina:


– ”A cada qual por suas obras”



XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap11. Jesus Cristo:  Ilustração Reproduzida da Internet. 

 

sexta-feira, junho 06, 2025

Avisos da Criação - André Luiz



Avisos da Criação

André Luiz

Cap. III – Item 19


A Presença Divina constitui verdade perene.


Até o silêncio da pedra fala em Deus.


O Universo repousa na disciplina.


O labirinto da selva revela ordem em cada pormenor.


Em a Natureza, tudo pede compreensão e respeito.


O deserto é o cadáver do mar.


Há sabedoria em todas as coisas.


Embora sem tato, a trepadeira sabe encontrar apoio; 


não obstante sem visão, o girassol descobre sempre o astro rei.


Em tudo existe a feição boa.


As nuvens mais sombrias refletem a luz solar.


Eternidade significa aprimoramento contínuo de repetições.


Sem recapitular movimentos, a Terra desagregar-se-ia.


A fé construtiva não teme a adversidade.


O penhasco no dilúvio é ponto de segurança.


A obediência não dispensa a firmeza.


Humilhada e submissa, a água se amolda a qualquer recipiente, mas, resoluta e perseverante, atravessa o rochedo.


Toda empresa solicita cultura e prática.


Inexperiente, o homem vivo naufraga no bojo das águas; 


adaptado, o lenho morto navega na superfície do mar.


O aspecto exterior nem sempre denuncia a realidade.


O vento, supostamente vadio, trabalha na função de cupido das flores.


Volume não expressa valor.


Apesar de pequenina, a semente é gota de vida.


A palavra feliz constrói invariavelmente.


Na linguagem do pássaro, todo som faz melodia.


Valor e humildade são expressões de inteligência sublime.


Se o cume mais alto recebe a chuva em primeiro lugar, o vale mais baixo recolhe, ao fim, a maior parte da água.


Para revelar-se, o bem não exige trombeta.


Conquanto invisível, a onda de perfume, muita vez, nutre e refaz.


No campo da evolução, a paz é conquista inevitável da criatura.


A escarpa de hoje será planície amanhã.


XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 10. Jesus Cristo:  Ilustração Reproduzida da Internet. 

quinta-feira, junho 05, 2025

Dinheiro e Amor - Meimei





Dinheiro e Amor

Meimei

Cap. XI – Item 9


Diante do bem, não pronuncies a palavra “impossível”.


Certamente, sofres a dificuldade dos que herdaram a luta por preço das menores aquisições. 


Ainda assim, lembra-te de que a virtude não reside no cofre.


Onde encontrarias ouro puro a fazer-se pão na caçarola dos infelizes?


Em que lugar surpreenderias frágil cobertor tecido de apólices para agasalhar a criança largada ao colo da noite?


Entretanto, se o amor te faz lume no pensamento, arrebatarás à imundície a derradeira sobra da mesa, convertendo-a no caldo reconfortante para o enfermo esquecido, e farás do pano pobre o abrigo providencial em favor de quem passa, relegado à intempérie.


Uma garganta de pérolas não emite pequenina frase consoladora e um crânio esculpido de pedras raras não deixa passar leve fio de ideação.


Todavia, se o amor te palpita na alma, podes falar a palavra renovadora que exclui o poder das trevas e inspirar o trabalho que expresse o apoio e a esperança de muita gente.


Respeita a moeda capaz de fazer o caminho das boas obras, mas não esperes pelo dinheiro a fim de ajudar.


Hoje mesmo, em casa, alguém te pede entendimento e carinho e, além do reduto doméstico, legiões de pessoas aguardam-te os gestos de fraternidade e compreensão.


Recorda que a fonte da caridade tem nascedouro em ti mesmo e não descreias da possibilidade de auxiliar.


Para transmitir-nos semelhante verdade, Jesus, a sós, sem fiança terrestre, usou as margens de um lago simples, ofertou simpatia aos que lhes buscavam a convivência, confortou os enfermos da estrada, falou do Reino de Deus a alguns pescadores de vida singela e transformou o mundo inteiro, revelando-nos, assim, que a caridade tem o tamanho do coração.


XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 9. Jesus Cristo:  Ilustração Reproduzida da Internet.