terça-feira, abril 21, 2009



O valor da oração para a vida

Por Raul Teixeira




Existe uma saída importante para o rio da vida nos levar ao mar, ao estuário da paz.



Todas as vezes que queremos sair do nosso burgo e tomar a grande estrada, percorremos caminhos.



Quando queremos sair do riacho, chegar ao rio e encontrar o oceano, existem meios.No nosso caso de vida interior, de vida espiritual, sempre que queiramos sair um pouco de nós mesmos e ir ao encontro da Divindade, desse estuário de paz, de amor, de ventura, nós o faremos através da oração.




É tão importante, é tão significativo, é tão indispensável orar, como é importante e significativa a alimentação de cada dia, o comer diário.



Afinal de contas, o que significa oração? O que quer dizer orar?



Orar é um verbo diretamente saído do latim. Orare. E orare, significa falar.


Todas as vezes que falamos, oramos.




Não é à toa que os pregadores, os conferencistas são chamados de oradores.




E porque eles oram, não estão fazendo preces obrigatoriamente, estão falando.




E, por que é que nós chamamos a prece de oração?Porque nesse caso, nós estaremos falando com o nosso Criador.



Orar significará para nós, falar com Deus.E é tão importante falar com Deus.




Mas, Deus não está em toda parte?



Não está em nossa intimidade e na intimidade das coisas?



Por que há necessidade de nos posicionarmos, para falar com Deus?




Em verdade, Deus está em toda parte; Ele é onipresente.



Deus sabe de todas as coisas. Ele é onisciente.




Nada obstante, somos nós que temos necessidade de começar a buscar o contato com Deus.



Nós é que temos necessidade de nos aprimorar para esse grande encontro no estuário da vida.



Somos nós que, quando oramos, aprendemos, pouquinho a pouquinho, a nos acercar do nosso Criador, a nos apresentar a Ele, a identificar a nossa necessidade, identificar a nossa carência, a nossa mazela.Por causa disto, nós aprendemos a orar.



É tão importante orar.



Jesus Cristo quando esteve entre nós no mundo, nos deu lições importantíssimas a respeito da oração.




Disse-nos Ele em dado momento:Quando orardes, não façais como os hipócritas, que oram nos cantos das praças, no meio das ruas, para que sejam vistos pela multidão. Esses, já obtiveram com isso seu galardão.



Então, Jesus Cristo nos está chamando a atenção para que não tenhamos no ato de orar, o exibicionismo dos hipócritas.



Eles querem gritar nas praças, nos cantos das ruas, mas não é porque desejam falar com Deus, eles querem receber os elogios, pelo modo como oraram, como falaram, como discursaram.



Quando Jesus Cristo propõe que não façamos como os hipócritas, é porque a oração tem sentido quando as coisas se passam em nossa intimidade.




A oração que verte pelos nossos lábios, precisa vir das nossas entranhas. Por mais simples que seja, por mais sensível que seja, vem do nosso íntimo.




Então Jesus nos disse assim:Quando orardes, entrai para o vosso aposento e orai em secreto, uma vez que o Pai que vê tudo que se passa em secreto, vos atenderá.Minha gente, como é importante saber isso com Jesus.




Como é importante ter essa consciência cristã de que as coisas verdadeiras são aquelas que se passam em nossa intimidade.



Quando Cristo nos pede para procurar o nosso aposento íntimo, não é o aposento físico, não é a nossa sala, o nosso quarto de dormir obrigatoriamente, é o nosso mundo íntimo.



Quando lemos o Evangelho de Lucas, no capítulo VI, Jesus nos diz que as coisas boas que o homem fala provém do bom tesouro do seu coração, como as coisas ruins advêm do mau tesouro do seu coração. Esse coração intimidade.



Então, quando nos propõe orar em secreto, orar no íntimo, entrar para o nosso aposento, Ele está nos dizendo da importância das ações íntimas, das ações da nossa interioridade.






A oração nos traz uma outra reflexão. Como é que nós deveremos orar?



Se é um gesto da nossa intimidade, será que as posições exteriores nos ajudam a orar? Possivelmente não.



Não vale a pena pensar que, para que oremos, tenhamos que estar de pé, assentados, de joelhos, deitados. As posições exteriores não interferem na grandeza da nossa conversa com Deus.



Se tivéssemos por obrigação que orar de joelhos, como poderia orar de joelhos alguém que estivesse acamado, operado, com uma enfermidade deformante e que não pudesse se ajoelhar?




Tudo que não pode ser aplicado em todas as circunstâncias, não pode ser uma verdade Divina.



A verdade Divina se aplica em qualquer circunstância.Por causa disso, vale a pena nós pensarmos que, para a oração, não precisamos de gestos exteriores.



Poderemos até fazê-los, mas isso não vai pesar no conteúdo da nossa oração.Para falarmos com Deus, não haverá nenhuma necessidade de roupas especiais.



Eu tenho que estar de rosa, de verde, de branco, de azul, de preto. Nada disso importa. Os panos que usamos por fora, não resolvem a questão da sintonia de dentro.



Para que nós oremos, nós precisamos apagar a luz, acender a luz, colocar fundo musical, tirar o fundo musical? Nada disso interfere.Embora, nada disso atrapalhe.



Se o indivíduo se sente melhor orando com o fundo musical, que ele o ponha. Se se sente melhor orando com luz acesa ou com luz apagada, nenhum problema.



O que tem que ser importante, para quem ora, é a sua postura interior, é a sua atitude interior.



Diz-se que arar é orar. Arar é o símbolo do trabalho no campo. Então, a questão é que trabalhar é orar.



Imaginemos como ora um médico cuidando do seu paciente, à cabeceira do seu enfermo, lidando com ele na tentativa de salvar-lhe a vida, de devolver-lhe a saúde.



A integração com os poderes Superiores da vida é uma oração.



Imaginemos a oração daquele homem lavrador, que põe a semente na terra para que germine. Germinada, possa atender à mesa e dar o pão às pessoas. Com que unção aquele homem coloca as suas sementes na terra. É a oração.



Oração também é aquele esforço da professora. Da professora primária, aquela que toma a criança nos seus primeiros anos, para abrir-lhe a mente e retirá-la da escuridão, dar-lhe claridade ao raciocínio, apresentando-lhe o mundo, a vida, as coisas.



Para que alguém se submeta a esse esforço de tirar água da pedra, tem que ser alguém que ore. O trabalho de uma professora é um ato de oração, é um gesto oracional.



Nós encontraremos no trabalho das mães, ao educar seus filhos, dos pais, a orientar sua prole, o gesto oracional.Como nós sabemos que toda ocupação útil é trabalho, todas essas coisas maravilhosas, que se realizam em nome do bem, em benefício das criaturas, da Humanidade, será um trabalho.



Alguém que leia um bom livro, alguém que faça um alimento, que prepare um prato, alguém que passe um café, que varra uma casa, que cure um doente, que defenda um necessitado, que advogue a causa dos simples, alguém que planta, que colhe, que vende. Todos esses trabalhos, feitos honestamente, representam oração.



Nosso relacionamento com Deus, a nossa possibilidade de sair desse recanto de nossa existência, e ganharmos o mar aberto do amor Divino, pode ser conseguido através de coisas simples: uma pausa, um silêncio íntimo, e a nossa emissão para Deus.



Como os nossos pensamentos são de origem eletromagnética, naturalmente que o nosso pensamento será elevado ao mais alto que tenhamos conseguido impulsioná-lo.E é por causa disso que verificamos a importância e a beleza de orar.



Abrir com essa chave os arquivos Divinos, abrir com essa chave os arcanos de Deus e com ela, comungar com Deus, saídos do nosso subúrbio de necessidades, para a grande metrópole do amor de Deus.



Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 135, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em janeiro de 2008. Exibido no dia 23.11.2008.

sábado, abril 18, 2009


A ilusão


Autora Letícia Thompson




A ilusão é como aquele presente que chega enrolado num papel bem bonito, às vezes tanto que nem queremos abrir por medo, talvez, justamente de saber o que vem dentro.


Não buscamos ser enganados cientemente, mais inconscientemente desejamos que tudo o que é feio, mal, que faz mal, que decepciona, que fere fique em algum lugar longe do nosso alcance. Fechamos então os olhos a certas coisas e preferimos viver na ilusão de que tudo vai bem. Quantas pessoas não vivem assim a vida inteira de olhos fechados?


O mundo não é um campo florido sem espinhos e em muitas ocasiões, particularmente ante o desconhecido, precisamos abrir nós mesmos o caminho para uma vida plena. E o que é uma vida plena? É a vida cheia da maturidade e do conhecimento do bem e do mal e a faculdade de poder fazer uma escolha.


O desconhecimento do mal não diminui nosso sofrimento, apenas encobre-o e dá-nos a ilusão de que tudo vai bem. É como estar doente e preferir ignorar, o tratamento não vem e menos ainda a cura ou a possibilidade dela.


Pessoas mentem-se porque não têm coragem o bastante para encarar a realidade, enfrentá-la e passar por cima dela. Muitos vivem de falsas felicidades, máscaras que preferem colocar diante dos outros e que somente nos momentos mais profundos de se estar consigo mesmos é que tiram e não podem impedir que as lágrimas corram. Nessas horas são verdadeiras, feridas certamente, mas vivas e reais.


É a maneira de encarar o mundo que diferencia os que chamamos de fracos e fortes. Os primeiros mentem-se e seguem assim e os segundos abrem essa embalagem bonita, decepcionam-se com o que encontram e se dizem que ainda assim construirão alguma coisa...


Porque viver é experimentar a vida nos seus pormenores, provar do doce e do amargo e ter no coração a certeza de que as verdades, mesmo doloridas, nos tornam mais fortes e nos condicionam a buscar o que há de melhor em nós.

Disponível em <http://www.minhasperolas.com/mensagens/a_ilusao.htm>



18 de Abril , "Dia do Livro Espírita"



O LIVRO LUZ



Momento Espírita




A história não é muito diferente de tantas outras que trazem como pano de fundo o sofrimento...




Não importa o país, ou a língua que se fale, os sentimentos têm uma linguagem única.Era inverno e a noite caía rápida e fria...




Aquele homem desesperado caminhava triste e só...




No peito, a dor da separação promovida pela morte da esposa querida, dilacerava-lhe as fibras mais sutis dos sentimentos...




A prova amarga do adeus vencera-lhe.




E ele, que sonhava com a felicidade de um matrimônio feliz e com um futuro adornado pela presença dos filhos, não passava agora de trapo humano, solitário.
As noites de insônia e os dias de angústia minaram-lhe as forças.




Faltava ao trabalho e o chefe, reto e ríspido, o ameaçava despedir.




A vida para ele não tinha mais sentido, para que teimar em ficar vivo?




Pensava.




Sem confiança em Deus, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade... iria suicidar-se.




Paris, a cidade luz, estava envolta no manto escuro da noite, e um vento gelado açoitava sem piedade.




Seguiu, a passos lentos, pelas ruas desertas e se deteve um momento a contemplar o rio Sena...




Talvez a correnteza o levasse dali e silenciasse, em suas águas escuras e profundas, o seu pensamento aturdido...




Sim, essa seria a solução, pensou.




Dirigiu-se como um autômato até a ponte Marie, quase apagada pela forte serração e, ao apoiar a mão direita na murada para atirar-se, sentiu que um objeto molhado caiu aos seus pés.




Surpreendido, distinguiu um livro que o orvalho umedecera...




Tomou o volume nas mãos e caminhou, um tanto irritado, procurando a luz quase apagada de um poste vizinho, e pode ler no frontispício: “esta obra salvou-me a vida.




Leia-a com atenção e tenha bom proveito.” Vinha assinado por um homem.




Mesmo um pouco indeciso, resolveu ler aquela obra que, por suposto, havia salvado a vida de alguém que pretendera, como ele, por termo à própria vida.




Já nas primeiras páginas encontrou motivos para viver e lutar, suportar com resignação e coragem os reveses da vida e refazer a esperança.




Leu o volume com dedicada atenção e resolveu presenteá-lo a quem lhe havia propiciado aquele tesouro.




Era abril de 1860... e, numa manhã fria como tantas outras na cidade de Paris, o professor Rival recebe em sua residência uma certa encomenda cuidadosamente embrulhada.




Abriu, e encontrou uma carta singela com os seguintes dizeres: “com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da humanidade, pois tenho fortes razões para isso.”



Em seguida o autor da carta narra a história que acabamos de contar.




Allan Kardec, pseudônimo do ilustre professor francês Hippolyte Leon Denizar Rival, abriu a obra e leu em seu frontispício: “esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito.” E, logo após a primeira assinatura de A. Laurent, dizia: “Salvou-me também.




Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação” assinado: Joseph Perrier.




Kardec, aconchegando o livro ao peito, entendeu a sublime missão que lhe cabia como codificador da Doutrina Espírita, mensageira de consolo e esperança para a humanidade sofrida.




Essa obra que conseguiu, com suas páginas de luz, deter aqueles dois homens às portas do suicídio, veio à lume no dia 18 de abril de 1857, e é intitulada “O Livro dos Espíritos”.







Equipe de Redação do Momento Espírita, história adaptada do livro “Espírito da Verdade, cap. 52 – Há um século. Layout modificado por "Gabi Para Você".


Allan Kardec e sua esposa Gabrielle Amelie Boudet , a Doce Gaby


Allan Kardec, codinome de Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lyon, França, em 3 de outubro de 1804. Estudou em Yverdon (Suíça) com o célebre Johann Heinrich Pestalozzi, de quem se tornou um eminente discípulo e colaborador.


Aplicou-se à propaganda do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha. Lingüista insigne, falava alemão, inglês, italiano, espanhol e holandês.

Traduziu para o alemão excertos de autores clássicos franceses, especialmente os escritos de Fénelon (François de Salignac de la Mothe).
Rivail, o educador: fundou em Paris – com sua esposa Amélie Gabrielle Boudet – um estabelecimento semelhante ao de Yverdon.
Escreveu gramáticas, aritméticas, estudos pedagógicos superiores; traduziu obras inglesas e alemãs.
Organizou, em sua casa, cursos gratuitos de química, física, astronomia e anatomia comparada.
Membro de várias sociedades sábias, notadamente da Academia Real de Arras, foi premiado, por concurso, em 1831, com a monografia Qual o sistema de estudo mais em harmonia com as necessidades da época?
Dentre as suas obras, destacam-se: Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública (1828); Curso prático e teórico de aritmética (1829, segundo o método de Pestalozzi); e Gramática francesa clássica (1831).
Kardec, o codificador: foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar das mesas girantes, fenômeno mediúnico que agitava a Europa.
Em Paris, ele fez os seus primeiros estudos do Espiritismo.
Aplicou à nova ciência o método da experimentação: nunca formulou teorias pré-concebidas, observava atentamente, comparava, deduzia as conseqüências; procurava sempre a razão e a lógica dos fatos.
Interrogou os Espíritos, anotou e ordenou os dados que obteve.
Por isso é chamado Codificador do Espiritismo.

Os autores da Doutrina são os Espíritos Superiores.
A princípio, Rivail objetivava apenas sua própria instrução.
Mais tarde, quando viu que tudo aquilo formava um conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, decidiu publicar um livro, para instrução de todos.
Assim, lançou O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857, em Paris. Adotou o pseudônimo Allan Kardec a fim de diferenciar a obra espírita da produção pedagógica anteriormente publicada.
Em janeiro de 1858, Kardec lançou a Revue Spirite (Revista Espírita) e fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
Em seguida, publicou O que é o Espiritismo (1859), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).
Kardec desencarnou em Paris, em 31 de março de 1869, aos 64 anos, em razão da ruptura de um aneurisma. Seu corpo está enterrado no cemitério Père Lachaise, na capital francesa. Seus amigos reuniram textos inéditos e anotações de Kardec no livro Obras Póstumas, que foi lançado em 1890.