
O valor da oração para a vida
Existe uma saída importante para o rio da vida nos levar ao mar, ao estuário da paz.




A ilusão
A ilusão é como aquele presente que chega enrolado num papel bem bonito, às vezes tanto que nem queremos abrir por medo, talvez, justamente de saber o que vem dentro.
Não buscamos ser enganados cientemente, mais inconscientemente desejamos que tudo o que é feio, mal, que faz mal, que decepciona, que fere fique em algum lugar longe do nosso alcance. Fechamos então os olhos a certas coisas e preferimos viver na ilusão de que tudo vai bem. Quantas pessoas não vivem assim a vida inteira de olhos fechados?
O mundo não é um campo florido sem espinhos e em muitas ocasiões, particularmente ante o desconhecido, precisamos abrir nós mesmos o caminho para uma vida plena. E o que é uma vida plena? É a vida cheia da maturidade e do conhecimento do bem e do mal e a faculdade de poder fazer uma escolha.
O desconhecimento do mal não diminui nosso sofrimento, apenas encobre-o e dá-nos a ilusão de que tudo vai bem. É como estar doente e preferir ignorar, o tratamento não vem e menos ainda a cura ou a possibilidade dela.
Pessoas mentem-se porque não têm coragem o bastante para encarar a realidade, enfrentá-la e passar por cima dela. Muitos vivem de falsas felicidades, máscaras que preferem colocar diante dos outros e que somente nos momentos mais profundos de se estar consigo mesmos é que tiram e não podem impedir que as lágrimas corram. Nessas horas são verdadeiras, feridas certamente, mas vivas e reais.
É a maneira de encarar o mundo que diferencia os que chamamos de fracos e fortes. Os primeiros mentem-se e seguem assim e os segundos abrem essa embalagem bonita, decepcionam-se com o que encontram e se dizem que ainda assim construirão alguma coisa...
Porque viver é experimentar a vida nos seus pormenores, provar do doce e do amargo e ter no coração a certeza de que as verdades, mesmo doloridas, nos tornam mais fortes e nos condicionam a buscar o que há de melhor em nós.
Disponível em <http://www.minhasperolas.com/mensagens/a_ilusao.htm>
18 de Abril , "Dia do Livro Espírita"
Momento Espírita
A história não é muito diferente de tantas outras que trazem como pano de fundo o sofrimento...
Não importa o país, ou a língua que se fale, os sentimentos têm uma linguagem única.Era inverno e a noite caía rápida e fria...
Aquele homem desesperado caminhava triste e só...
No peito, a dor da separação promovida pela morte da esposa querida, dilacerava-lhe as fibras mais sutis dos sentimentos...
A prova amarga do adeus vencera-lhe.
E ele, que sonhava com a felicidade de um matrimônio feliz e com um futuro adornado pela presença dos filhos, não passava agora de trapo humano, solitário.
As noites de insônia e os dias de angústia minaram-lhe as forças.
Faltava ao trabalho e o chefe, reto e ríspido, o ameaçava despedir.
A vida para ele não tinha mais sentido, para que teimar em ficar vivo?
Pensava.
Sem confiança em Deus, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade... iria suicidar-se.
Paris, a cidade luz, estava envolta no manto escuro da noite, e um vento gelado açoitava sem piedade.
Seguiu, a passos lentos, pelas ruas desertas e se deteve um momento a contemplar o rio Sena...
Talvez a correnteza o levasse dali e silenciasse, em suas águas escuras e profundas, o seu pensamento aturdido...
Sim, essa seria a solução, pensou.
Dirigiu-se como um autômato até a ponte Marie, quase apagada pela forte serração e, ao apoiar a mão direita na murada para atirar-se, sentiu que um objeto molhado caiu aos seus pés.
Surpreendido, distinguiu um livro que o orvalho umedecera...
Tomou o volume nas mãos e caminhou, um tanto irritado, procurando a luz quase apagada de um poste vizinho, e pode ler no frontispício: “esta obra salvou-me a vida.
Leia-a com atenção e tenha bom proveito.” Vinha assinado por um homem.
Mesmo um pouco indeciso, resolveu ler aquela obra que, por suposto, havia salvado a vida de alguém que pretendera, como ele, por termo à própria vida.
Já nas primeiras páginas encontrou motivos para viver e lutar, suportar com resignação e coragem os reveses da vida e refazer a esperança.
Leu o volume com dedicada atenção e resolveu presenteá-lo a quem lhe havia propiciado aquele tesouro.
Era abril de 1860... e, numa manhã fria como tantas outras na cidade de Paris, o professor Rival recebe em sua residência uma certa encomenda cuidadosamente embrulhada.
Abriu, e encontrou uma carta singela com os seguintes dizeres: “com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da humanidade, pois tenho fortes razões para isso.”
Em seguida o autor da carta narra a história que acabamos de contar.
Allan Kardec, pseudônimo do ilustre professor francês Hippolyte Leon Denizar Rival, abriu a obra e leu em seu frontispício: “esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito.” E, logo após a primeira assinatura de A. Laurent, dizia: “Salvou-me também.
Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação” assinado: Joseph Perrier.
Kardec, aconchegando o livro ao peito, entendeu a sublime missão que lhe cabia como codificador da Doutrina Espírita, mensageira de consolo e esperança para a humanidade sofrida.
Essa obra que conseguiu, com suas páginas de luz, deter aqueles dois homens às portas do suicídio, veio à lume no dia 18 de abril de 1857, e é intitulada “O Livro dos Espíritos”.