terça-feira, março 16, 2010



Pequenos ou grandes erros


Momento Espírita


Todo progresso se faz a partir das tentativas de melhorar o que já se sabe, ou de aprender aquilo que ainda se desconhece.


É natural que esse processo seja acompanhado de uma sucessão de acertos e desacertos, de momentos de sucesso e outros de necessário refazer, até que o aprendizado se consolide ou o intento seja alcançado.


No campo de nossa intimidade não poderia ser diferente. O progresso interior, a melhora de nossa paisagem íntima acontece da mesma forma.


Fadados à perfeição, somos convidados pela vida, a cada instante, a alcançar objetivos maiores em nosso campo emocional.


Por isso os embates, os desafios emocionais que se sucedem em nosso cotidiano.


Ora o chefe tirano a nos convidar a desenvolver a paciência, doutra feita o cônjuge intransigente a nos exigir compreensão, ou ainda o filho exigente a nos demandar desvelo e dedicação.


Nesses embates é natural que nem sempre nossas ações sejam coroadas de êxito. Não será todas as vezes que nossas atitudes serão as mais corretas, já que o erro é processo quase que inevitável perante o aprendizado.


Jesus, profundo conhecedor da natureza humana, nos ensina de forma magistral a necessidade de, mesmo em erro, buscar os caminhos do acerto, a fim de que o progresso e melhora íntima sejam um processo contínuo.


Quando Lhe trouxeram a mulher surpreendida em adultério, para que fosse apedrejada em praça pública, conforme prescrevia a lei da época, questionaram o Mestre sobre o que fazer.


A pergunta era maldosa, na intenção. Se Jesus aprovasse o apedrejamento, estaria de acordo com a legislação, porém, favorável ao assassinato da adúltera. Se não o aprovasse, estaria preservando a vida da mulher, porém violando as escrituras.


Contam os Evangelistas que Ele, calmamente, levanta os olhos para a turba em frêmito e pede para aqueles que estivessem sem pecados, sem erros, que atirassem as primeiras pedras.


Demonstrava Jesus saber que todos passamos por tropeços, erros, desacertos até encontrar os caminhos que nos levam à felicidade.


* * *


Assim, se pequenos ou grandes erros já cometidos lhe pesam na economia emocional, se lhe atingem a consciência alertando-o do desacerto, não se desestimule.


Todo dia que amanhece é oportunidade de recomeço, de refazer valores, de retomar caminhos.


Não há erro, por mais grave que seja, que a vida não oportunize redenção. Se você deseja reparar o mal feito, comece hoje, aproveitando a oportunidade de estar vivo, reencarnado ainda, para retomar sua estrada.


Se você sintonizar com Jesus, pedindo Sua ajuda e proteção, nos desequilíbrios que o erro possa nos trazer, irá escutá-Lo na intimidade do coração a lhe dizer, tal qual o fez à mulher adúltera:


Mulher, onde estão os que te acusavam?


Percebendo a praça vazia, ela Lhe diz que todos se foram.


Eu também não te acusarei, informa o Mestre.


Porém, antes de partir, dá à mulher equivocada a solução para seus problemas:
Vá e não tornes a pecar.


* * *


Seja qual for o drama que nos assola o coração, Jesus estará sempre a nos aguardar o arrependimento, o entendimento do erro e a disposição para acertar, sabendo Ele que nosso progresso, inevitavelmente, ainda bordeja as estradas dos pequenos e grandes erros.


Redação do Momento Espírita.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2551&stat=0>




A fé e a esperança


Momento Espírita



A fé e a esperança são amigas inseparáveis. Poderíamos dizer que a fé está para a esperança como o Sol está para a Lua.


A Lua não tem luz própria: reflete aquela que recebe do Sol. Daí porque a Lua difunde raios pálidos e isentos de calor, enquanto o Sol espalha raios intensos e fúlgidos que, além de iluminar, aquecem e vivificam.


O Sol é a própria luz; a Lua não é, reflete a luz recebida. Assim, a fé é como o Sol. É força comunicativa que se irradia do coração de quem a tem e se reflete no coração de outrem gerando neste a esperança.


Jesus tinha fé. Seus discípulos tinham a esperança gerada pela fé exemplificada de seu Mestre.


Assim também os corações que se aproximam de Jesus e estabelecem com Ele certa comunhão, iluminam-se com a luz patente do Seu imaculado espírito.


A Lua clareia os caminhos em noites escuras tal qual a esperança nos sustenta nas horas de trevas.


O Sol ilumina e fecunda a estrada da vida, como a fé fortalece as fibras íntimas da alma, robustecendo-a na caminhada para Deus.


O Sol é energia: movimenta, vivifica, ativa e produz.


A luz amortecida da Lua mostra os obstáculos; a luz brilhante e vívida do Sol distingue e remove os tropeços dos caminhos da vida.


A esperança faz nascer no coração do homem as boas e nobres aspirações; só a fé, porém, as realiza.


A esperança sugere, a fé concretiza.


A esperança desperta nos corações o anseio de possuir luz própria, conduzindo, portanto, as criaturas à fé.


Quem alimenta a esperança está, invariavelmente, sob o impulso da fé que lhe vem de alguém. A força da fé é eminentemente conquistadora.


Quem admira os exemplos e os feitos edificantes, põe-se, desde logo, em harmonia com o poder de quem os realizou. Este, projeta naqueles suas influências benfazejas: é o Sol fazendo a Lua refletir a sua luz, ou seja, a fé gerando a esperança.


Saulo de Tarso, doutor da lei e membro do sinédrio, após conhecer e absorver os ensinos do Sublime Carpinteiro de Nazaré, passou a refletir com fidelidade as verdades da Boa Nova. Contagiado pela fé dos discípulos singelos do Meigo Rabi, chamados homens do caminho, dispõe-se a reformular sua vida, passando de perseguidor a defensor ardoroso das idéias cristãs, convertendo-se no grande pregador Paulo, também chamado Apóstolo do gentios.


Foi refletindo a fé do Cristo que os primeiros cristãos se entregaram ao martírio de cabeça erguida e serenidade no olhar.


Bem-vinda seja a esperança! Bendita seja a fé!


Uma e outra espancam as trevas interiores.


Que seria da alma encarcerada na carne se não houvesse fé, nem esperança?


Pense nisso!


Se é doce ter esperança, é valor e virilidade ter fé.


Enquanto a esperança suaviza o sofrimento, a fé neutraliza seus efeitos depressivos.


Se a esperança nos sustenta nas lutas deste século, a fé nos assegura desde já a vitória da vida sobre a morte.


Pensemos nisso!


Baseado no livro Em Torno do Mestre, cap. Fé, Esperança e Caridade


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=263&stat=3&palavras=a%20fe%20e%20a%20esperança&tipo=t>


domingo, março 14, 2010



Sabedoria sem diplomas


Momento Espírita



No mercado competitivo de hoje, em que os comerciantes desejam obter lucros a qualquer preço, existem empresários que realmente se importam com seus funcionários e com a boa harmonia no ambiente de trabalho.



É o caso de um lojista especial, que não se altera diante das costumeiras oscilações do mercado, mas sofre quando um de seus empregados tem um problema qualquer.



A maneira calma de falar, o respeito pela opinião dos outros, e a ponte do diálogo sempre estendida, é sua prática administrativa.



Ele nunca fez um curso de administração, não entende de contabilidade nem de economia, mas sabe como se consegue estimular uma equipe para atingir os objetivos.Um homem simples, sem diplomas, mas com grande sabedoria.



Faz reuniões constantes e ouve o que os funcionários têm a dizer.



Não faz terrorismo com os vendedores, apenas esclarece que a estabilidade da loja depende do esforço de cada um.



Os funcionários chegam sempre visivelmente alegres pela manhã, e terminam o dia com a mesma disposição de ânimo, até mesmo nos dias em que não entra um único cliente na loja.



Isso porque não existe aquela pressão para que se venda, venda e venda...



É claro que são estabelecidas metas, mas ninguém se desespera quando não consegue atingi-las, uma vez ou outra.Esse empresário é um exemplo de como as coisas podem ser diferentes, mesmo num mercado competitivo e ávido por lucros.



Essa prática traz benefícios tanto para o patrão como para funcionários e clientes.



E sabe por quê?Porque sua preocupação é com o bem-estar, acima do lucro.



E isso faz com que não precise se desgastar com funcionários insatisfeitos, rebeldes, infelizes.



Por outro lado, as vendas e o lucro acabam sendo uma conseqüência natural dessa prática administrativa, pois o cliente que chega se sente acolhido e respeitado.



E os funcionários se sentem seguros, já que a maioria está na loja há vários anos, e nenhum deles pretende sair.É claro.



Quem não gostaria de trabalhar num lugar assim?



Talvez alguns administradores não concordem com essa prática, mas a verdade é que ela funciona.



E funciona porque existe respeito, sinceridade, comprometimento, confiança e lealdade de ambas as partes...



Na verdade, segundo alguns especialistas, essa é a verdadeira liderança.



A liderança compartilhada, a autoridade real, contrária ao despotismo e à tirania, que oprimem e infelicitam.Se todos os administradores tivessem essa consciência e agissem com seus subordinados conforme gostariam que com eles agissem, a sociedade seria mais feliz.



E todos se levantariam, a cada manhã, com bom ânimo para ir trabalhar, mesmo nos dias frios e chuvosos, porque estariam indo para um lugar onde se sentem bem e são respeitados.



Quem não gosta de ser valorizado, ouvido e bem quisto?



Você, que é administrador, pense nisso, e considere que o comprometimento da sua equipe não se dará por decreto.



Ou você conquista seus pares, ou passará boa parte do seu dia se desgastando com fofocas, intrigas, ciúmes, motins e sabotagens.



Muitas vezes os ambientes de trabalho se tornam verdadeiros infernos para patrões e empregados, que não cumprem com seus deveres básicos, como o do respeito mútuo, que deveria reger as relações.



Patrões e empregados por vezes se esquecem de que são, antes de tudo, seres humanos, que têm sentimentos, sofrem, choram, têm problemas, amam e desejam ser felizes.



Portanto, você, que é funcionário, pense nisso, e busque agir com aqueles que dividem o ambiente de trabalho com você, como gostaria de ser tratado.



E você, que é líder da equipe, considere que, em vez de mandar e ser obedecido, mas também odiado, seria mais producente praticar a liderança com humanidade e conquistar uma equipe comprometida, eficaz e invencível.

Pense nisso, você é capaz.


Basta querer.


Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.

Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1277&let=S&stat=0>




E se a morte chegasse agora?


Momento Espírita



Se você soubesse que hoje iria morrer - o que faria?


Esta pergunta foi feita a um homem, no século XIII. Era um homem iluminado.


Nascido em berço de ouro, conheceu as delícias da abastança. Filho de rico mercador, trajava-se com os melhores tecidos da época.


Sua adolescência e juventude foram impregnadas das futilidades daqueles dias, em meio a expressivo número de amigos.


Assim transcorria sua vida, quando um chamado se deu a esse jovem.


Então, ele se despiu dos trajos da vaidade e se transformou no Irmão Francisco, o Irmão dos Pobres.


Sua alma se encheu de poesia e ele passou a compor versos para as coisas pequeninas, mas muito importantes, da natureza.


Chamou irmãos à água, ao vento, ao sol, aos animais. Sua alma exalava o odor da alegria que lhe repletava a intimidade.


Muitos amigos o seguiram, abraçando os lemas da obediência, pobreza e castidade. Amigos na opulência, amigos na virtude.


Certo dia, enquanto arrancava do jardim as ervas daninhas, Frei Leão, que o observava, lhe perguntou:


Irmão Francisco, se você soubesse que morreria hoje, o que faria?


Francisco descansou o ancinho, por um instante. Seus olhos, apagados para as coisas do mundo passageiro, pareceram contemplar paisagens interiores de beleza.


Suspirou, pareceu mergulhar o olhar para o mais profundo de si e respondeu, sereno:


Eu? Eu continuaria a capinar o meu jardim.


E retomou a tarefa, no mesmo ritmo e tranquilidade.


Quantos de nós teríamos condições de agir dessa forma? A morte nos apavora a quase todos.


Tanto a tememos que existem os que sequer pronunciamos a palavra, porque pensamos atraí-la.


Outros, nem comparecemos ao enterro de colegas, amigos, porque dizemos que aquilo nos deprime, quando não nos atemoriza.


Algo como se ela nos visse e se recordasse de nos vir apanhar.


E andamos pela vida como se nunca fôssemos morrer. Mas, de todas as certezas que o mundo das formas transitórias nos oferece, nenhuma maior que esta: tudo que nasce, morre um dia.


Assim, embora a queiramos distante, essa megera ameaçadora que chega sempre em momentos impróprios, ela vem e arrebata os nossos amores, os desafetos, nós mesmos.


Por isso, importante que vivamos cada dia com toda a intensidade, como se nos fosse o derradeiro.


Não no sentido de angústia, temor, mas de sabedoria. Viver cada amanhecer, cada entardecer e cada hora, usufruindo o máximo de aprendizado, de alegria, de produção.


Usar cada dia para o trabalho honrado, que nos confira dignidade. Estar com a família, com os amigos.


Sorrir, abraçar, amar.


Realizar o melhor em tudo que façamos, em tudo que nos seja conferido a elaborar. Deixar um rastro de luz por onde passemos.


Façamos isso e, então, se a morte nos surpreender no dobrar dos minutos, seguiremos em paz, com a consciência de Espíritos que vivemos na Terra doando o melhor e, agora, adentraremos a Espiritualidade, para o reencontro com os amores que nos antecederam.


Pensemos nisso.


Redação do Momento EspíritaDisponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. Fep.


Disponível <http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2476&let=S&stat=0>