quarta-feira, novembro 25, 2015

Doces reencontros - Momento Espírita



Doces reencontros



Verdadeiramente, vivemos tempos novos sobre a face da Terra. 


Tempos em que, a cada dia, nos deparamos com seres especiais reencarnados entre nós.


Não importa a raça, a nacionalidade, o credo religioso ou crença alguma. 


Eles são especiais. 


Trazem conceitos espiritualizados a respeito da vida, do mundo, do destino final das criaturas de Deus.


Contou-nos uma amiga que sua filha, na inocência dos seus três anos de idade, certa noite, aconchegou-se na cama, ao seu lado.


Em verdade, toda noite era assim. 


A menina vinha para sua cama e ali se deitava por alguns minutos, antes de se encaminhar para o próprio berço. 


Nesses momentos, contou-nos a mãe, era que diálogos sempre interessantes aconteciam.


Alguns que a surpreendiam, sobremaneira. 


Era como se aquela criança, que trazia o azul do céu em duas joias brilhantes na face, se pusesse a pensar, mergulhando na doçura e na sabedoria de um passado intensamente vivido.


Mamãe, antes de eu nascer eu era anjinho?


A mãe ficou a imaginar como deveria responder. 


E resolveu adentrar no clima da inocência infantil, concordando.


E antes de você ser mamãe, onde você morava?


Pacientemente, e alongando o diálogo, a mãe respondeu que morava com seus pais, avós da pequena. 


Enriqueceu com detalhes, dizendo da casa grande, de janelas azuis, o imenso jardim, em outra cidade, bem longe.


Mas, mamãe, e antes de você ser filha do vovô e da vovó, você era anjinho como eu, né?


Acho que sim, foi a resposta breve daquela jovem que ficou a cogitar aonde iria parar aquele raciocínio todo. 


Então, a garotinha desatou a falar:


Pois é, mamãe, você estava no céu, junto comigo. 


Aí, você nasceu e eu fiquei lá. 


Depois, papai do céu falou para eu escolher minha mamãe. 


E eu escolhi você. 


Viu, agora estamos juntas de novo.


A conversa parou. 


Os olhos da mãe se transformaram em pérolas de luz e duas lágrimas brilharam, rolando pela face.


Ela estreitou seu tesouro junto ao coração. 


E enquanto a pequena se acomodava para o sono, ela se pôs a pensar:


Quantos filósofos se detêm anos a estudar os mistérios da vida que nunca morre, da vida que se repete na Terra, no espaço, em outros mundos.


Estudam a doutrina secreta dos hindus, egípcios, gregos para encontrarem essas verdades que, até hoje, muitos homens não admitem, considerando simples tolices.


No entanto, a sua pequerrucha, na extraordinária sabedoria de um Espírito milenar, revestido de carne, ali, descontraída e singelamente, sintetizara a trajetória de dois Espíritos que se amam.


Dois espíritos que, possivelmente, estabeleceram laços de afeto há milênios e se propuseram a prosseguir na conquista do progresso, assim, lado a lado. Ora como mãe e filha. 


Ora... quem sabe como?


*   *   *


O maior Sábio que já visitou a Terra, ensinou: 


Quem é minha mãe? 


Quem são meus irmãos?


E olhando para os que estavam sentados à roda de si: eis aqui, lhes disse, minha mãe e meus irmãos. 


Porque o que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã e minha mãe.


Estabeleceu ali a grande verdade de que todos somos uma grande e só família: a família universal.


Vamos estreitando laços, estabelecendo pontes de amor e nos reencontrando, aqui, nesta vida; acolá, na Espiritualidade e outra vez mais.


Pensemos nisso: 


quantos reencontros estamos tendo nesta vida?





Redação do Momento Espírita, com base em  fato e citação  do Evangelho de Mateus,  cap. 12,  versículos 47 a 50.Disponível em www.momento.com.br.

Mensagem da árvore - Eros





Mensagem da árvore

Eros


O aprendiz da vida sentia-se cansado.


Em toda parte havia experimentado a incompreensão alheia e a dor se lhe agasalhava na alma.


Pelos caminhos percorridos suportara as dificuldades, padecendo pedradas morais e sarcasmos.


Se sorria, era tido por tolo; quando se recolhia à meditação, era apontado como alienado.


Os dias constituíam-lhe desafios difíceis e as noites se transformavam em períodos insones de amargas reflexões.


As aparentes alegrias, quais rosas exuberantes, ocultavam espinhos que o picavam.


Foi numa dessas reflexões angustiosas, que se deu conta das próprias dores e planejou desistir...


Atraído por uma árvore frondosa e bela, recolheu-se à sua sombra e, porque se sentisse vencido, pensou em dar cabo da própria vida.


Enquanto planejava o desatino, pareceu escutar a voz da árvore altaneira, que lhe disse:


“ - Amigo, ouve-me! 


À tua semelhança, cresci suportando dificuldades. 


Quando era frágil temi morrer mil vezes, esmagada ou arrancada, sem vitalidade nem confiança no futuro.


A vida, que em mim pulsava, lentamente enrijou-me o lenho, fazendo-me dobrá-lo quando rugiam as tormentas, a fim de não sucumbir, logo refazendo a postura e insistindo com coragem.


O desdobrar dos ramos atraiu aves que se aninharam em meus braços buscando amparo.


Vendavais inesperados feriram-me,arrancando-me galhos e ameaçando-me o tronco.


Raios perigosos caíram próximos de mim, abalando-me profundamente até às raízes.


Quando comecei a florir e frutescer, desocupados apedrejaram-me sem consideração nem piedade, numa fúria cruel.


O sol queimou-me por longos períodos e a chuva encharcou-me vezes sem conto...


Passada cada estação recompunha-me sem desânimo, confiando na vida.


Partes de mim foram retiradas e hoje adornam vários lares.


Dilaceraram-me com machados afiados, serras elétricas, plainas e pequenos canivetes abrem-me letras que cicatrizam no meu tronco...


É possível que, um dia, arranquem-me daqui e me transformem em tábuas ou vigas fortes e os meus ramos frágeis se tornem combustíveis. 


Eu, todavia, esperarei, confiando na vida e tudo fazendo para prosseguir até que termine o meu ciclo e retorne ao solo amigo, donde emergi, sabendo que as minhas sementes permanecerão repetindo a minha experiência por tempos sem fim.


Medita, amigo, e bendize as tuas dilacerações, prosseguindo até o momento em que a libertação natural te chegue e te faça voar nas asas do vento, no rumo do infinito.”


O homem, que invejava a árvore e queria utilizá-la para destruir o corpo, meditou, sorriu, agradeceu a mensagem oportuna e retomando o ânimo, saiu confiante, seguindo adiante, sem mais reclamar.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Do livro Em algum lugar do futuro, 2.ed, 1987, p. 07-08.

terça-feira, novembro 24, 2015

Lição de sabedoria - Eros





Lição de sabedoria

Eros


A ânsia de conhecimento atormentava o jovem, que mergulhava no estudo sem parar.


Inconformado ante os próprios limites, certo dia buscou um sábio em meditação e indagou-lhe, ansioso:


- Tenho intentado adquirir a sabedoria desde quando comecei a pensar. 


Leio e caço informações em toda parte, exaurindo-me, às vezes, diante de tanto por aprender. 


Quando, porém, me poderei considerar pleno, satisfeito diante do que haja armazenado em saber?


O mestre fitou-o, compreensivo, e respondeu:


- Quando lograres a paz, libertando-te da ambição e da ansiedade.


- Isto, porém, - retrucou, apressado - fará de mim um místico e não um sábio.


- Equivocas-te - esclareceu o pensador, tranquilo. 


- A paz advirá da consciência harmonizada em decorrência de haver compreendido que se possui “sabedoria, quando não se sabe e se sabe que não se sabe; e, quando se sabe, saber que se sabe”, não ambicionando o conhecimento absoluto que só o Criador possui. 


A presunção faz parecer que se sabe o que não se sabe; e a insegurança do saber, em falsa humildade, afirma que não se sabe o que em verdade se sabe. 


O homem é sábio quando sabe o quão pouco sabe...


O moço, que buscava mais a proeminência do conhecimento do que a sabedoria, ferido no brio, afastou-se, resmungando, decepcionado, demonstrando o quanto ainda lhe faltava para ser um sábio.


Em toda parte havia experimentado a incompreensão alheia e a dor se lhe agasalhava na alma.



FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Do livro Em algum lugar do futuro, 2.ed, 1987, p. 08.


segunda-feira, novembro 23, 2015

Motivos de felicidade - Eros






Motivos de felicidade

Eros


Um ancião estuava de alegria, à margem do caminho, e cantava um hino de louvor à vida.


Um passante pessimista, magoado com tanto júbilo, indagou-lhe agressivo:


- Por que tal felicidade? 


Será porque a morte já te espreita?


- Não é por isso; mas por três outros motivos - respondeu o idoso. 


- Primeiro, porque num Universo onde a vida estua, só o homem pensa e eu sou um homem. 


Segundo, porque a dúvida que a tantos atormenta, não encontra agasalho em mim: sou um homem de fé. 


E, por fim, porque todos sabemos que o corpo é de breve duração e eu sou um homem que tem vivido muito. 


A morte, que a todos espreita em todas as idades, ainda não se recordou do mim; quando, porém, chegar, será muito bem recebida.


“Não tenho razão para ser feliz?”




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Do livro Em algum lugar do futuro, 2.ed, 1987, p. 07.