domingo, dezembro 22, 2019

Simão, O Mendigo - João de Deus






Simão, O Mendigo

João de Deus



Doente, pobre, velhinho,


o desditoso Simão,


arrimado a seu bordão,


andava devagarzinho...


Pés e mãos em chaga aberta,


lá ia o velho coitado!


enfermo, desamparado


e humilde na estrada incerta.


Cabelo todo branquinho


rugosa a face morena,


o pobre metia pena


a vagar pelo caminho...


De onde viera? Ora, quem


buscava saber ao certo?


vinha de longe ou de perto?


ninguém sabia, ninguém.


Só lhe sabiam do nome,


e que, em miséria, sem nada,


ele esmolava na estrada,


a fim de matar a fome.


Estendendo seu chapéu,


pedia, cheio de dor:


- Uma esmola, meu senhor,


por amor ao Pai do Céu!...


Mas, oh! Deus, que desalento


neste mundo de aflição!


Ninguém ouvia Simão


nas horas do sofrimento.


- Passai de largo! É leproso!...


Diziam homens cruéis –


- Oh! Não vos aproximeis


deste ancião perigoso!...


- Ah! Que graça! Põe-te à brisa!


exclamava outro passante –


nada de esmola ao tratante,


que este velho não precisa!...


O mendigo, nos seus ais,


dizia: - Viva a saúde!


Trabalhei enquanto pude,


agora, não posso mais...


Toda a gente lhe fugia,


ninguém lhe dava uma sopra,


nem um trapinho de roupa


para a noite da agonia.


Muito tempo era passado,


e o desditoso velhinho


sentia-se mais sozinho,


mais doente, mais cansado...


Chegou, enfim, um momento


em que o velho sofredor


caiu de frio e de dor


na estrada do sofrimento.


Caiu e sonhou, contente,


embora a sede e o cansaço,


que Jesus vinha do Espaço


dizendo-lhe, docemente:


– Escuta, meu bom Simão,


não temas, querido amigo!


sê forte! Eu estou contigo.


chegaste à ressurreição.


Não chores. 


Estou aqui!...


terminou tua aflição,


estás em meu coração!


pensavas que te esqueci?


Enquanto o mundo enganado


atormentava-te ao peso


de zombaria e desprezo,


eu sempre estive ao teu lado.


Teus prantos e tuas dores


são, hoje, a luz que te veste


no campo do amor celeste,


repleto de eternas flores”.


E Jesus, em voz mais terna,


concluía: 


- “Vem Simão,


à doce consolação


do mundo de luz eterna!"...


E Simão, chorando e rindo,


a seguir, ditoso, o Mestre,


esqueceu a dor terrestre,


no céu venturoso e lindo.


O caminho era de estrelas


de tão sublime matiz


que o pobre ria, feliz,


sem saber como entende-las.


No outro dia, ao reconforto


acharam Simão sem vida...


o mendigo estava morto.



XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito João de Deus.  Antologia Mediúnica Do Natal , Cap. 44.

sábado, dezembro 21, 2019

Petições de Natal - Maria Dolores





Petições de Natal

Maria Dolores


Senhor!...
Quando criança,
Se surgia o Natal,
Eu Te enfeitava o nome em flores de papel
E Te rogava em oração,
Tomada de esperança,
Que me mandasses por Papai Noel
Uma boneca diferente,
Que caminhasse à minha frente
Ou falasse em minha mão...


Noutro tempo, Senhor,
Jovem pisando alfombras cor-de-rosa,
De cada vez que ouvia
Anúncios de Natal,
Deslumbrada de sonho, eu Te pedia
Um castelo de amor e fantasia
Para o meu ideal.


Depois... Mulher cansada,
Quando via o Natal, brilhando à porta,
Minha pobre ansiedade quase morta
Multiplicava preces
E suplicava que me desses,
Na velha angústia minha,
A ilusão de ser amada,
Embora, ao fim da estrada,
Fosse triste e sozinha.


Hoje, Senhor,
Alma livre, no Além, onde o consolo me refaz,
Ante a luz do Natal, novamente acendida,
Agradeço-Te, em paz,
Contente e enternecida,
As surpresas da morte e as lágrimas da vida!...
E, se posso implorar-Te algo à bondade,
Nunca me dês aquilo que eu mais queira,


Dá-me a Tua vontade
E o dom da compreensão,
Entre a humildade verdadeira
E a serena alegria,
A fim de que eu te busque, dia-a-dia,
Mestre do coração!...



XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Maria Dolores.  Antologia Mediúnica do Natal.

sexta-feira, dezembro 20, 2019

Meditando o Natal - Emmanuel




Meditando o Natal

Emmanuel


Na exaltação do Natal do Senhor, acalentemos nossa fé em Jesus, sem nos esquecermos da fé que Jesus deposita em nós.


Não desceria o Senhor da comunhão com os Anjos, sem positiva confiança nos homens.


É por isso que, da Manjedoura de Simplicidade e Alegria à Cruz da Renunciação e da Morte, vemo-lo preocupado na recuperação das criaturas.


Convida pescadores humildes ao seu ministério salvador e transforma-os em advogados da redenção humana.


Vai ao encontro de Madalena, possuída pelos adversários do bem, e converte-a em mensageira de luz.


Chama Zaqueu, mergulhado no conforto da posse material, e faz dele o administrador consciente e justo.


Não conhece qualquer desânimo, ante a negação de Pedro, e nele edifica o apóstolo fiel que lhe defenderia o Evangelho até o martírio e a crucificação.


Não se agasta com as dúvidas de Tomé e eleva-o à condição de missionário valoroso, que lhe sustenta a causa, até o sacrifício.


Não se sente ofendido aos golpes da incompreensão de Saulo, o perseguidor, e visita-o, às portas de Damasco, investindo-o na sua posição de emissário de Sua Graça, coroando de claridades eternas...


A fé e o otimismo do Cristo começaram na descida à estrebaria singela e continuam, até hoje, amparando-nos e redimindo-nos, dia a dia...


Assinalando, assim, os júbilos do Natal, recordemos a confiança do Mestre e afeiçoemo-nos à sua obra de amor e luz, tomando por marco de partida a nossa própria existência.


O Senhor nos conclama à tarefa que o evangelho nos assinala...


Nos primeiros três séculos de Cristianismo, os discípulos que lhe ouviram a Celeste Revelação levantaram-se e serviram-no com sangue e sofrimento, aflição e lágrimas.


Que nós outros estejamos agora dispostos a consagrar-lhe igualmente as nossas vidas, considerando o crédito moral que a atitude d’Ele para conosco significa...


Aprendamos, trabalhemos e sirvamos, até que um dia, qual aconteceu ao velho Simeão, da Boa Nova, possamos exclamar ante a Presença Divina:


- “Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque, em verdade, meus olhos já viram a salvação.”




XAVIER, Francisco Cândido. Antologia Mediúnica do Natal - Espíritos Diversos.

quarta-feira, dezembro 18, 2019

Súplica Do Natal - Casimiro Cunha



Súplica Do Natal

Casimiro Cunha


Na noite santificada,
Em maravilhas de luz,
Sobem preces, cantam vozes
Lembrando-Te, meu Jesus!


Entre as doces alegrias
De Teu Natal, meu Senhor,
Volve ao mundo escuro e triste
Os olhos cheios de amor.


Repara conosco a Terra,
Angustiada e ferida,
E perdoa, Mestre Amado,
Os erros de nossa vida.


Onde puseste a alegria
Da paz, da misericórdia,
Desabam tormentas rudes
De iniqüidade e discórdia.


No lugar, onde plantaste
As árvores da união,
Vivem monstros implacáveis
De dor e separação.


Ao longo de Teus caminhos
Sublimes e abençoados,
Surgem trevas pavorosas
De abismos escancarados.


Ao invés de Teus ensinos
De caridade e perdão,
Predominam sobre os homens
A sombra, o crime, a opressão.


Perdoa, Mestre, aos que vivem
Erguendo-Te a nova cruz!
Dá-nos, ainda, a bonança
De Tua divina luz.


Desculpa mundo infeliz
Distante das leis do bem,
Releva as destruições
Da humana Jerusalém...


Se a inteligência dos homens
Claudicou a recaiu,
A Tua paz não mudou
E ao Teu amor não dormiu.


Por isso, ó Pastor Divino,
Nos júbilos do Natal,
Saudamos a Tua estrela
De vida excelsa e imortal.


Que o mundo Te guarde a lei
Pela fé que nos conduz
Das sombras de nossa vida
Ao reino de Tua luz!...



XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha . Antologia Mediunica do Natal .