sexta-feira, julho 16, 2021

60- O CAJADO - Casimiro Cunha

 


60-  O CAJADO

Casimiro Cunha


Quem faça viagem longa, se é prudente e ponderado, jamais pode prescindir do concurso de um cajado.


Conduzir arma de fogo ultrapassa a obrigação, evite-se a qualquer preço a morte e a destruição.


Entretanto, é indispensável, nas surpresas do caminho, que se guarde alguma coisa contra a pedra, contra o espinho.


O bordão é companheiro, não se aflige, não se assusta; Permanece na defesa do esforço da causa justa.


Pode agir sem destruir, cede apoio com proveito, prestativo, atencioso, infunde calma e respeito.


Desvia o curso à serpente, traça rotas, vence o mato, em todas as latitudes, o bordão é herói no tato.


Sonda o leito do caminho, pratica a verdade e o bem, onde há fogos e perigos, informa como ninguém.


Com seu auxílio é possível prosseguir e caminhar, o próprio cego dos olhos não precisa estacionar.


Reparando-se, porém, no ensino a que o quadro alude, a jornada é nossa vida, o bordão, nossa atitude.


Segue honesto, a passo firme, de espírito sossegado, não sofras pelo dinheiro, mas conserva o teu cajado.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 60, p.61.

 

quinta-feira, julho 15, 2021

59- O BOTÃO - Casimiro Cunha

 

 


59- O BOTÃO

Casimiro Cunha


Na extrema delicadeza da verdura perfumosa, destaca-se pequenino o tenro botão de rosa.


Não há sinal de corola, vê-se apenas que começa a surgir a flor divina num cálice de promessa.


E às vezes, nas alegrias de doce festividade, espera-se pela rosa no caminho da ansiedade.


Deseja-se a flor robusta com que se adorne a beleza, mas não há lei que perturbe os passos da Natureza.


É certo que toda rosa, como joia de paisagem, nunca pode prescindir do zelo da jardinagem.


Precisa tempo, entretanto, na sombra e na claridade, requerendo orvalho e sol, noites, chuva, tempestade.


Por crescer, pede cuidado nos inícios da existência, mas, morrerá com certeza a golpes de violência.


Assim, também, quase sempre, a muita crença em botão tentamos impor, à força, a nossa compreensão.


Toda crença é patrimônio que não surge improvisado; É a rosa da experiência, em terras do aprendizado.


Se tua alma vive em festa, na fé que pratica o bem, ajuda, coopera e passa...


Não busques torcer ninguém.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 59, p.60.


quarta-feira, julho 14, 2021

58- O BARRO E O OLEIRO - Casimiro Cunha

 

 


58- O BARRO E O OLEIRO

Casimiro Cunha


É um exemplo de bondade o esforço nobre do oleiro, cuja grande atividade tem a base no lameiro muitos sentem aversão por sua tarefa hostil, dedicada, dia e noite, ao barro nojento e vil.


Seu trabalho é quadro rude que a lama invade e não poupa, é barro, por toda a parte no rosto, nas mãos, na roupa.


Seu serviço é tão ingrato junto à massa indefinível, que a tarefa mais parece um sofrimento invencível.


Mas todo barro mais pobre, ao toque do seu amor, fornece os vasos divinos de formosura e valor.


Quanto mais tempo e trabalho, mais triunfa, mais se ufana...


E vemos a lama escura transformada em porcelana.


Além dessas joias raras de sublimes expressões, é o oleiro quem dá corpo ás vossas habitações.


O tijolo faz a casa, a telha cobre a mansão, o homem ganha o seu lar que é templo do coração.


Nas estradas de miséria, não mais éramos que lama, e eis que o Mestre no Evangelho nos esclarece e nos chama.


O Cristo é o Divino Oleiro que opera com perfeição; Somos nós o barro vil, guardado na sua mão.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha.Cartilha da natureza.São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 15, p.14.

 

 

terça-feira, julho 13, 2021

57-O BARBICACHO - Espírito Casimiro Cunha

 




57-O BARBICACHO

Casimiro Cunha


Por vezes, na atividade das viagens, do transporte, o animal em disparada promete desastre e morte.


Por mais que sustenha a rédea e colabore o cocheiro, em tudo, paira a ameaça de rumo ao despenhadeiro.


Trabalhos imprescindíveis sofreriam dilação, se o condutor não agisse com firmeza e precisão.


Antecipando o terror da descida, abismo abaixo, o montador ou o cocheiro recorrem ao barbicacho.


Reage o animal teimoso, rebela-se e pinoteia, mas tudo cessa de pronto, na apertura da correia.


Se busca saltar de novo sob fúria mais violenta, eis que lhe vaza a boca espuma sanguinolenta.


De queixo posto no entrave, qualquer coice dado a esmo, se pode ofender os outros, dói muito mais nele mesmo.


Em pouco tempo o rebelde, agora sem mais descanso, trabalha tranqüilamente humilde, bondoso e manso.


Assim, também muita gente em falsa compreensão, ao invés de trabalhar, faz queixa e reclamação.

 

Contudo, à beira do abismo, antes da queda ao mais baixo, recebem os linguarudos as bênçãos de um barbicacho.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza.São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 57 ,p.58.