terça-feira, novembro 09, 2021

18 LUTAS DA IRRITAÇÃO - Cornélio Pires

 


18  LUTAS DA IRRITAÇÃO


Cornélio Pires


Em carta você pergunta,

Prezada Rita Frazão,

Como se anotam no Além

As lutas da irritação.


Pode crer. A irritação

Quando envolve a criatura,

Ë um pedaço de caminho

Para a morte prematura.


A cólera é sempre um mal

Embora pareça um bem,

Espinheiro de azedume

Não dá proveito a ninguém.


São muitos os casos graves,

Que a fúria estende por si,

Tanto nos atos da Terra

Quanto nos fatos daqui.


Tanto se irava por nada

Nhô Totico das Candeias,

Que se matou sem querer

Trancando o sangue nas veias.


Enraivecido, Nhô Juca,

Na Roça dos Enjeitados,

Morreu grudado na chusma

De espíritos atrasados.


Enfurecia-se à-toa,

O nosso Carlos Monteiro...

Ao irar-se no volante

Rolou no despenhadeiro.


Gritando desorientado

Contra tia Felisbela,

Nhô Ramos morreu de um bife

Engastalhado na goela.


Recorde o caso sabido

De Aninha de Nhô Vicente,

Caiu e morreu com raiva

Num tacho de água fervente.


Outra história muito triste

A morte de Adão Galeno,

Cego de raiva trocou

Sal amargo por veneno.


Sempre irritado na praça,

Tião do Sítio da Lua,

Fazendo compras na loja,

Morreu de briga na rua.


Outro caso doloroso

O de Chiquinha dos Matos,

Afogou-se na cisterna,

Querendo bater nos gatos.


Nhá Tina em fúria constante

Na Tapera do Riacho,

Quando surrava um cachorro,

Finou-se de escada abaixo.


Derrame acabou com Júlio

Na Fazenda da Floresta...

O pobre espantava as moscas

Com murros na própria testa.


Tenha calma e tolerância,

Não siga impulso violento,

A cólera, em qualquer parte,

É chuva de sofrimento.


Irritação? Fuja disso,

Não se esqueça, minha irmã,

Ante os entraves de hoje

Que a vida volta amanhã.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires. Retratos da vida. Cap. 18.

 

segunda-feira, novembro 08, 2021

17 CURA DE OBSESSÃO - Cornélio Pires

 

17 CURA DE OBSESSÃO


Cornélio Pires


Você procura saber

Prezada Rita Simão,

Qual a melhor das receitas

Na cura da obsessão.


Como sucede à doença

Que ataca sob disfarce

Obsessão quando surge

Tem os meios de ocultar-se.


Muitas vítimas preferem

Engano, fuga, prazer,

Há quem se largue na sombra

E deixa a sombra correr...


A história, no entanto, é esta:

O espírito obsessor

É sempre alguém que nos pede

Ensino, perdão e amor.


Alguém que pensa conosco,

Que fala por nossa voz,

Que caminha em nosso passo,

Que vive em nós e por nós,


Sempre alguém que nos atrai

Seja no bem ou no mal,

Que nos partilha depois,

A vida espiritual.


Refletindo no problema,

Considero, em torno disso:

Que a cura da obsessão

Tem a base no serviço.


Sabe você: ódio, inveja,

Paixão, impulso violento,

Hábito, rixa, aversão

Começam no pensamento.


Observe e notará

Nas lutas do dia-a-dia,

Sugestão de obsessor

Vem pela hora vazia.


Tempo recorda a moeda,

Roga caminho direito

Precisamos de equilíbrio

Para usá-lo com proveito.


Pessoa de tempo vago,

Sem manejá-lo no bem,

Dá pasto a muita ilusão,

Ouvindo o que não convém.


Quem sofra com tentações

Atenda, em linhas gerais,

A trabalho e mais trabalho,

Lidando e servindo mais.


Obsessor quando vê

A melhoria na gente,

Passa logo a refletir,

Tornando-se diferente.


É isso aí!... A entidade

Que nos perturba ou complica

Converte-se para o bem

Pelo bem que se edifica.


Se a questão é com você

Não se atrase, minha irmã,

Tarefa marcada hoje

Não deixe para amanhã.


Trabalhe. Não permaneça

Cozinhando a alma ferida,

Trabalho renova a mente,

A mente conduz a vida.


Estude. Não esmoreça,

Modifique a própria estrada,

Obsessor não aguenta

Nossa vida transformada.


Continue no auxílio aos outros,

Creia, esforce-se, não tema,

Na essência, temos aqui

A solução do problema:


A cura da obsessão

Na reforma se processa,

Mas pessoa que trabalha

Sara sempre mais depressa.



XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires. Retratos da vida. Cap. 17.

 

domingo, novembro 07, 2021

16 ASSUNTO DE MORRER - Cornélio Pires

 

16 ASSUNTO DE MORRER

Cornélio Pires


Quer você saber em carta,

Meu caro Joaquim Mamede,

Depois da morte do corpo

Aquilo que nos sucede.


A resposta necessária

Pede à gente tanto estudo,

Que muito desencarnado,

Neste ponto, fica mudo.


Digo, porém, a você

Sem a menor pretensão

Tanto a morte, quanto a vida

Exigem preparação.


Você sabe: sempre erramos,

Conforme o senso comum

Mas guarde a paz em si mesmo,

Não guarde remorso algum.


Trate o corpo com cuidado,

Imite o zelo de alguém

Que tendo ama enxada só,

Protege a enxada que tem.


Não chore as crises da Terra,

Que a própria vida se arruma,

Dos problemas que carregue

Não faça queixa nenhuma.


A favor da paz dos outros,

Ante a fé na qual se ampara,

Perdoe qualquer prejuízo,

Aguente tapa na cara.


Merece muito de Deus,

Quem poda sombra ou pesar,

Ajudando aos companheiros

Lutando sem reclamar.


Trabalhe quanto puder,

Quanto puder faça o bem,

Não há ninguém sem valor

Não pense mal de ninguém.


Julgar os outros? Desista,

É questão em que não entro,

Cada qual mostra por fora

Aquilo que traz por dentro.


As vezes vemos na Terra

O crime ou a perturbação,

Mas lembre: vemos o mal,

Deus considera a intenção.


Fale menos, pense mais,

Cultive a comida pouca

Muita gente lembra peixe

Que se perde pela boca.


No copo muita atenção,

Naquilo que se recebe,

Em qualquer tempo, não tome

Água que gato não bebe.


Quanto ao mais cumpra o dever,

Recordando com juízo,

Que a morte é assim como a lei:

Chega sempre que é preciso.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires. Retratos da vida. Cap. 16.

sábado, novembro 06, 2021

15 NOTAS DA SOVINICE - Cornélio Pires

 


15  NOTAS DA SOVINICE


Cornélio  Pires


Você deseja saber,

Caro Antônio da Planura,

O que sucede aos sovinas

Depois que a morte os procura.


O assunto pede cuidado,

Porquanto, em tudo, na essência,

Não se deve caminhar

Com base na imprevidência.


Observe a natureza:

Na horta uma simples erva,

Vive, ajuda e se garante

Mantendo a própria reserva.


A árvore ampara sempre

Na bondade de que é feita,

Mas resguarda a seiva própria

Para dar outra colheita.


Melhor é viver no mundo,

Relembrando a história antiga:

Nem tanto quanto a cigarra,

Nem tanto quanto a formiga.


Em verdade, nunca vi,

Em meus caminhos terrenos

Quem não tenha um tanto mais.

Para dar a quem tem menos.


Toda pessoa precisa

De escoras, forças e meios,

De maneira a não pesar

Nos orçamentos alheios.


Mas sovinice, meu caro,

Na melhor definição,

É o pesadelo da posse

Com trevas no coração.


Você recorda Nhô Bruno,

Falecido em Miradouro;

Sem corpo, dorme no pó,

Julgando que dorme em ouro...


Enterrou muita moeda,

O nosso amigo Marçal,

Desencarnado, é vigia

Na barranca do quintal.


Agora depois da morte,

Alanco do Estaleiro,

Anda buscando o colchão

Em que prendia o dinheiro.


Sem corpo, Nhá Benta Paula

Hoje é um fantasma perfeito,

Mora no armário das joias

Que guardava sem proveito.


Conquanto rica, Nhá Cota,

Desencarnada em Cumbica,

Vive na cova, pensando

Que mora em mina de mica.


Apegada nas baixelas,

Morreu Nhá Joana de Deus,

Sem corpo, vive agarrada

Ao que ficou nos museus.


Muito rico, mas sovina

Finou-se Juca do Grampo,

Comeu por economia

Tatu ervado no campo.


Falando em ouro e mais ouro

Morreu Altino de Grotas,

Mora no barro pensando

Que está num montão de notas.


Nosso prezado, Nhô Tuca,

Morto no Sítio dos Lessas,

Vive com medo dos santos

Aos quais fintava promessas.


Prudência, caro Antonico,

É paz na hora futura,

Entretanto, sovinice

De qualquer modo, é loucura.


Trabalhe, faça proveito

Do que ajuntou pelo bem,

Saiba, sempre, antes de tudo,

Que Deus não falta a ninguém.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires. Retratos da vida. Cap. 15.