segunda-feira, julho 07, 2014

Convite ao Desprendimento - Joanna de Ângelis




Convite ao Desprendimento

Joanna de Ângelis



“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões penetram e roubam...” (Mateus: capítulo 6º, versículo 19).



Desprendimento na qualidade de desapego, não de estroinice nem dissipação.


Todo e qualquer motivo que ata à retaguarda sob condicionamentos retentivos se transforma em cadeia escravizante.


Os objetos a que o homem se apega valem os preços que lhes são emprestados, constituindo-se elos a impedirem o avanço do possuidor, na
direção do futuro...


Desapego, portanto, em forma de libertação do liame pessoal egoístico e tormentoso que constitui presídio e patíbulo para quem se fixa negativamente como para aquele que se faz sua vítima afetiva.


Libertar-se das aflições constritivas, asfixiantes, para marchar com segurança.


Doa com alegria quanto possas, generosamente.


O que distribuis com equilíbrio e lucidez multiplica-se, o que reténs reduz-se.


Abundância, como excesso engendram miséria e loucura.


Distende assim, mão generosa na alfândega da fraternidade, mas libera-te da emotividade desregrada, da posse afetuosa a objetos, animais e pessoas, porqüanto mais carinhos que te mereçam, mais devoção que lhes dês, chegará o dia de atravessares o portal do túmulo, fazendo-o em soledade, livre de amarras ou jungido ao que se demorará, a desgastar-se pela ferrugem, pelo azinhavre, corroído ou simplesmente em trânsito por outras mãos ante a tua tormentosa impossibilidade de reter e interferir.
  


FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis. Convites da vida, Cap. 12, p .11 , 1972.


domingo, julho 06, 2014

Convite à Decisão - Joanna de Ângelis





Convite à Decisão

Joanna de Ângelis


“Nenhum servo pode servir a dois senhores.” (Lucas: capítulo 16º, versículo 13).



Será possível o consórcio da Espiritualidade com as ambições mundanas?


Será crível amar as estrelas e demorar-se no charco?


Pode-se estudar o bem e cultivar a ilusão?


Permite-se o concurso da saúde no organismo debilitado?


É factível a dedicação à caridade e o comércio com a rebeldia?


Disse Jesus com propriedade inalterável: 


—“Não se serve bem a dois senhores.”


Sem dúvida não nos encontramos diante da necessidade de construir comunidades novas em que a ojeriza ao mundo se patenteie pela fuga aos cometimentos humanos. 


Não estamos diante de uma imposição para que se edifiquem células quistosas no organismo social, em que os seus membros se transformem em marginais da vida contemporânea.


 Desejamos aclarar quanto à necessidade de que aquele que encontrou a rota luminosa da Verdade, por um princípio de coerência natural, não se deve permitir engodos.


Desde que não se podem coadunar realidades que se contrapõem, tu que conheces os objetivos da vida não deves permitir fixações e posições falsas que já deverias ter abandonado a benefício da paz interior, enquanto conivindo com atitudes dúbias, navegando no mar das indecisões, estarás na crista e nas baixadas das ondas das dúvidas sob as contingências das posições emocionais em atropelo.



O convite do Cristo tem sido sempre imperioso. 


Tomando-se da charrua não se deve olhar para trás. 


Diante do desejo da retificação, marchar para o bem e não tornar ao pecado...


Imprescindível decidas o que desejas da vida, como conduzires a vida, qual a idéia que fazes da vida e por fim marcha na direção da Vida que venhas a eleger como rota para a verdadeira Vida.



FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Angelis. Convites da vida, Cap. 10, p .10 , 1972.


sábado, julho 05, 2014

Convite à Coragem - Joanna de Ângelis






Convite à Coragem

Joanna de Ângelis




“... O Senhor pondo-se ao lado dele (Paulo), disse: Tem bom ânimo (Atos: capítulo 23º, versículo 11).


“Sorte madrasta!” 



- Desabafaste, após a dificuldade que te chegou de surpresa.


“Tudo de ruim me acontece!” 



-Proferiste, em desalinho mental, após o problema intrincado que tomou corpo sem que o esperasses.


“Não poderia ser pior!” 



-Reclamaste em pleno clima do desespero que te absorveu.


Todavia, relegas a plano de olvido todas as coisas boas que vens fruindo, que possuis.


Faze um giro pelos hospitais onde estão os rebotalhos do sofrimento. 


Além daqueles ali albergados, há outros sofredores que experimentam maior soma de inquietações...


Multidões de mutilados estão lutando para se readaptarem à vida; 


cegos exercitam a memória e surdos-mudos aprendem leitura labial para saírem do isolamento em que se demoram; 


crianças retardadas se submetem a tratamentos técnicos, penosos; 


gagos corrigem a fala a duros penates;


operados de intrincados problemas orgânicos deixam-se conduzir sob limitações coercitivas em difíceis processos para a sobrevivência física..


E as mães desassossegadas ante filhos inditosos, esposos traídos, irmãos malsinados, cujas dores passam ignoradas?


Sai da noite a que te recolhes em pessimismo, e tem coragem.


Insucesso é ocorrência perfeitamente natural, que acontece a toda e qualquer criatura.


Problemas são desafios à luta e dificuldades são testes de promoção espiritual.


Indispensável manter o bom ânimo em qualquer lugar e posição, recordando a necessidade de nobre aplicação dos valores de que dispões:


visão, palavra, audição, movimento, lucidez e tantos outros, distribuindo bênçãos entre os que conduzem mais pesado fardo.


... E seja qual for a provação que te surpreenda, tem coragem!


O pior que pode acontecer a alguém é entregar-se à descrença, apagando a chama íntima da fé e caminhar em plena escuridão da estrada, sem arrimo.


Assim, confia em Deus, e, corajoso, prossegue de espírito tranqüilo.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis. Convites da vida, Cap. 9, p .9 , 1972.



sexta-feira, julho 04, 2014

Convite à Continência - Joanna de Ângelis




Convite à Continência

Joanna de Ângelis


“... A vossa santificação que vos abstenhais da prostituição.” (1º TESSALONICENSES: capítulo 4º, versículo 3).



Referimo-nos ao equilíbrio no uso das funções sexuais, em face dos modernos conceitos éticos, estribados nas mais vulgares expressões do sensualismo e da perversão.


Disciplina moral, como condição de paz fomentadora de ordem física e psíquica, nos diversos departamentos celulares do corpo que te serve de veículo à evolução.


A mente atormentada por falsas necessidades, responsabiliza-se por disfunções glandulares, que perturbam a boa marcha das organizações fisiológica e psicológica do homem.


Entre as necessidades sexuais normais, perfeitamente controláveis, e as ingentes exigências do condicionamento a que o indivíduo se permite por educação, por sociabilidade, por desvirtuamento, há a fuga espetacular para os prazeres da função descabida do aparelho genésico, de cujo abuso só mais
tarde aparecem as conseqüências físicas, emocionais e psíquicas, em quadros
de grave comprometimento moral.


Em todos os tempos, o desregramento sexual dos homens tem sido responsável por crises sérias no estatuto das Nações. 


Guerras cruéis que assolaram povos, arbitrariedades cometidas em larga escala, em toda parte, absurdos do poder exorbitante, perseguições inomináveis, contínuas, tragédias bem urdidas, crimes nefandos têm recebido os ingredientes básicos das distonias decorrentes do sexo em desalinho, eito de maldições e poste de suplícios intérminos para quantos se lhe tornam áulicos subservientes.



Quedas espetaculares na rampa da alucinação, homicídios culposos, latrocínios infelizes e perversões sem conta fazem a estatística dos disparates nefandos do sexo em descontrole, perfeitamente adotado pela falsa cultura hodierna.


Continência, portanto, enquanto as forças do equilíbrio íntimo se fazem condutoras da marcha orgânica.


Dieta salutar, enquanto o matrimônio não se encarrega de propiciar a harmonia indispensável para a jornada afetiva.


Mesmo na vida conjugal, se desejas estabelecer normas para a felicidade, cuida-te da licenciosidade perniciosa, do abuso perturbador, da imaginação em
desvario...


Se te parecerem difíceis os exercícios de continência, recorda-te da oração e mergulha a mente nos rios da prece, onde haurirás resistência contra o mal e
inspiração para o bem.


Quando, porém, te sentires mais açulado e inquieto, a ponto de cair, refaze-te através do passe restaurador de forças e da água fluidificada, capazes de ajudar-te na empresa mantenedora da harmonia necessária ao progresso do teu espírito, na atual conjuntura carnal, evitando a prostituição dos costumes sempre em voga, responsável por mil desditas desde há muito.



FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Angelis. Convites da vida, Cap. 8, p .8-9 , 1972.


quinta-feira, julho 03, 2014

Convite à Compaixão - Joanna de Ângelis

  


Convite à Compaixão

Joanna de Ângelis



“Jesus, Mestre, tem compaixão de nós.” (Lucas: capítulo 17º, versículo 14).



São poucos os que a cultivam.


Há a alegação generalizada de que todo aquele que se apiada,     sofre desnecessariamente, e depois não há qualquer compensação. 


Logo se recupera o que ora padece e este retribui a generosidade, o auxílio, com a torpe ingratidão.


Que te importa, porém, se o ingrato for o outro? 



Não se renova a árvore após a poda, produzindo em abundância e o solo revolvido, não aceita melhor a semente?


O essencial é que sejas partícipe ativo da renovação social e espiritual da Terra.



Para esse mister não arroles dificuldades, não apontes incompreensões, não relaciones queixas.



Possivelmente não poderás fazer muito, ante a larga faixa dos que expungem, dos que padecem necessárias retificações. 


Dispões, no entanto, do amor, e assim enriquecido ser-te-á possível oferecer valiosas moedas de compaixão e fraternidade.



Disporás de um momento para ouvir as ânsias do espírito atribulado ofereceres o roteiro seguro do Evangelho; 


terás a moeda da esperança para distenderes ao desafortunado, que tudo perdeu no jogo da ilusão e agora está à borda da loucura ou do suicídio; 


contribuirás com a oração intercessória, quando outros recursos já não sejam utilizáveis junto ao que se permitiu colher pelas circunstâncias infelizes que ele mesmo engendrou e das quais não pode escapar; 


distenderás o lenço do conforto, sugerindo que o perseguidor reconsidere a atitude, pois que mais tarde será ele o perseguido; 


lembrarás o impositivo das leis divinas àqueles que se facultam desonestidade e torpezas morais, se tiveres compaixão..



O Mestre, apiedado daqueles leprosos, sugeriu que se apresentassem aos sacerdotes, acontecendo que, em pleno caminho, se tornaram limpos...


Todos possuímos males que nos maculam o espírito e nos maceram interiormente. 


Apiadando-nos do próximo, credenciar-nos-emos à compaixão do Senhor, que nos favorecerá com a oportunidade de nos limparmos pelo caminho, também, antes de nos apresentarmos à Lei.



FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Angelis. Convites da vida, Cap. 7, p .7-8 , 1972.


quarta-feira, julho 02, 2014

Convite à Caridade - Joanna de Ângelis




Convite à Caridade 

Joanna de Ângelis



“Filho, vai hoje trabalhar na minha Vinha.” (Mateus: capítulo 21º, versículo 28).



Enquanto a saúde enfloresce as tuas possibilidades de bem-estar, reserva um dia por mês, ao menos, para visitar os irmãos enfermos, que ressarcem pesados tributos pretéritos, muitas vezes em dolorosa soledade, com o espírito tomado de apreensões e angústias.


Companheiros tuberculosos que expungem em leitos de asfixiante espera, em duros intervalos de hemoptises rudes.


Amigos leprosos em isolamento compulsório, acompanhando a dissolução dos tecidos que se desfazem em purulência desagradável.


Irmãos cancerosos sem esperança de recuperação orgânica entre dores ásperas ansiedades.


Homens e mulheres em delírios de loucura ou presos por cruéis obsessões coercitivas, longe da lucidez, à margem do equilíbrio, em desoladora situação.


Crianças surpreendidas por enfermidades que as ferreteiam impiedosamente, roubando-lhes o frescor juvenil e macerando-as vigorosamente.


Anêmicos e penfigosos, operados em situação irreversível e distônicos vários que enxameiam nos leitos dos hospitais públicos e particulares, nos Nosocômios de Convênio governamental ou em Clínicas diversas sob azorrague incessante.


Seja teu o sorriso de cordialidade franca, através da lembrança de uma palavra fraterna, de uma flor delicada, de uma pergunta gentil em que esteja expresso o interesse pela sua recuperação, de uma prece discreta ao lado do seu leito, de uma vibração refazente com que podes diminuir os males que inquietam esses seres em necessário resgate.


Lembra-te, porém, que acima do bem que lhes possas fazer, a ti fará muito bem verificar o de que dispões e pouco consideras, bem precioso e de alto valor com que o Senhor te concede a honra de crescer: a saúde!


Vai desde hoje trabalhar na vinha do Senhor.


Caridade para com os que sofrem, em última análise é caridade para
contigo mesmo.



FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Angelis. Convites da vida, Cap. 6, p .6-7, 1972.


terça-feira, julho 01, 2014

Convite à Calma - Joanna de Ângelis





Convite à Calma

Joanna de Ângelis



“Não resistais ao mal que vos queiram fazer.” (Mateus: capítulo 5º, versículo 39.)


O espinho do ciúme vence-a; o estilete da ira dilacera-a; o ácido da inveja corroe-a; os vapores do ódio enlouquecem-na; a agressão da calúnia despedaça- a; o tóxico da maledicência perturba-a; a rama da suspeita inquieta-a; o petardo da censura fere-a; as carregadas tintas do pessimismo tisnam-na se o cristão decidido não se resolve mantê-la a qualquer preço.



Não importa que exsudes, agoniado, em quase colapso periférico, ou estejas com a pulsação alterada, ou, ainda, sofras o travo do amargor nos lábios.



Imprescindível não precipitares atitudes, nem conclusões aligeiradas, nem desesperações injustificáveis.



Não nos reportamos à posição inerme, à aparência, pois o pântano que parece tranqüilo é abismo, reduto de miasmas e morte traiçoeira.



Aludimos a um espírito confiante, fixado nas diretrizes do Cristo, sem receios íntimos, sem ambições externas. 



Equilibrado pela reflexão, possuidor de probidade pela ponderação.



Calma significa segurança de fé, traduzindo certeza sobre a Justiça Divina.



Ante o dominador tíbio que lavava as mãos, em referência à Sua vida, Jesus se fez o símbolo da calma integral e da absoluta certeza da vitória da verdade.



Cultiva, portanto, os sentimentos e mantém os propósitos edificantes.



Perceberás, surpreso, que as atitudes dos maus não te atingirão, facultando-te através da calma não resistir ao mal que te queiram fazer, conforme lecionou o Senhor, porquanto a integridade da fé em exteriorização de calma dar-te-á forças para vencer as próprias limitações e prosseguir resolutamente, em qualquer circunstância.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Angelis. Convites da vida, Cap. 5, p .6, 1972.