quarta-feira, dezembro 18, 2019

Súplica Do Natal - Casimiro Cunha



Súplica Do Natal

Casimiro Cunha


Na noite santificada,
Em maravilhas de luz,
Sobem preces, cantam vozes
Lembrando-Te, meu Jesus!


Entre as doces alegrias
De Teu Natal, meu Senhor,
Volve ao mundo escuro e triste
Os olhos cheios de amor.


Repara conosco a Terra,
Angustiada e ferida,
E perdoa, Mestre Amado,
Os erros de nossa vida.


Onde puseste a alegria
Da paz, da misericórdia,
Desabam tormentas rudes
De iniqüidade e discórdia.


No lugar, onde plantaste
As árvores da união,
Vivem monstros implacáveis
De dor e separação.


Ao longo de Teus caminhos
Sublimes e abençoados,
Surgem trevas pavorosas
De abismos escancarados.


Ao invés de Teus ensinos
De caridade e perdão,
Predominam sobre os homens
A sombra, o crime, a opressão.


Perdoa, Mestre, aos que vivem
Erguendo-Te a nova cruz!
Dá-nos, ainda, a bonança
De Tua divina luz.


Desculpa mundo infeliz
Distante das leis do bem,
Releva as destruições
Da humana Jerusalém...


Se a inteligência dos homens
Claudicou a recaiu,
A Tua paz não mudou
E ao Teu amor não dormiu.


Por isso, ó Pastor Divino,
Nos júbilos do Natal,
Saudamos a Tua estrela
De vida excelsa e imortal.


Que o mundo Te guarde a lei
Pela fé que nos conduz
Das sombras de nossa vida
Ao reino de Tua luz!...



XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha . Antologia Mediunica do Natal .


Simão, O Mendigo - João de Deus




Simão, O Mendigo

João de Deus



Doente, pobre, velhinho,


o desditoso Simão,


arrimado a seu bordão,


andava devagarinho...


Pés e mãos em chaga aberta,


lá ia o velho coitado!


enfermo, desamparado


e humilde na estrada incerta.


Cabelo todo branquinho


rugosa a face morena,


o pobre metia pena


a vagar pelo caminho...


De onde viera? Ora, quem


buscava saber ao certo?


vinha de longe ou de perto?


ninguém sabia, ninguém.


Só lhe sabiam do nome,


e que, em miséria, sem nada,


ele esmolava na estrada,


a fim de matar a fome.


Estendendo seu chapéu,


pedia, cheio de dor:


- Uma esmola, meu senhor,


por amor ao Pai do Céu!...


Mas, oh! Deus, que desalento


neste mundo de aflição!


Ninguém ouvia Simão


nas horas do sofrimento.


- Passai de largo! É leproso!...


Diziam homens cruéis –


- Oh! Não vos aproximeis


deste ancião perigoso!...


- Ah! Que graça! Põe-te à brisa!


exclamava outro passante –


nada de esmola ao tratante,


que este velho não precisa!...


O mendigo, nos seus ais,


dizia: - Viva a saúde!


Trabalhei enquanto pude,


agora, não posso mais...


Toda a gente lhe fugia,


ninguém lhe dava uma sopra,


nem um trapinho de roupa


para a noite da agonia.


Muito tempo era passado,


e o desditoso velhinho


sentia-se mais sozinho,


mais doente, mais cansado...


Chegou, enfim, um momento


em que o velho sofredor


caiu de frio e de dor


na estrada do sofrimento.


Caiu e sonhou, contente,


embora a sede e o cansaço,


que Jesus vinha do Espaço


dizendo-lhe, docemente:


“– Escuta, meu bom Simão,


não temas, querido amigo!


sê forte! Eu estou contigo.


chegaste à ressurreição.


Não chores. Estou aqui!...


terminou tua aflição,


estás em meu coração!


pensavas que Te esqueci?


Enquanto o mundo enganado


atormentava-te ao peso


de zombaria e desprezo,


eu sempre estive ao teu lado.


Teus prantos e tuas dores


são, hoje, a luz que te veste


no campo do amor celeste,


repleto de eternas flores”.


E Jesus, em voz mais terna,


concluía: - “Vem Simão,


à doce consolação


do mundo de luz eterna!...


E Simão, chorando e rindo,


a seguir, ditoso, o Mestre,


esqueceu a dor terrestre,


no céu venturoso e lindo.


O caminho era de estrelas


de tão sublime matiz


que o pobre ria, feliz,


sem saber como entende-las.


No outro dia, ao reconforto


acharam Simão sem vida...


o mendigo estava morto.



XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito João de Deus.  Antologia Mediúnica Do Natal , Cap. 44.

terça-feira, dezembro 17, 2019

O Natal do Cristo - Emmanuel








O Natal do Cristo

Emmanuel



A Sabedoria da Vida situou o Natal de Jesus frente do Ano Novo, na memória da Humanidade, como que renovando as oportunidades do amor fraterno, diante dos nossos compromissos com o Tempo.


Projetam-se anualmente, sobre a Terra os mesmos raios excelsos da Estrela de Belém, clareando a estrada dos corações na esteira dos dias incessantes, convocando- nos a alma, em silêncio, à ascensão de todos os recursos para o bem supremo.


A recordação do Mestre desperta novas vibrações no sentimento da Cristandade.


Não mais o estábulo simples, nosso próprio espírito, em cujo íntimo o Senhor deseja fazer mais luz...


Santas alegrias nos procuram a alma, em todos os campos do idealismo evangélico Natural o tom festivo das nossas manifestações de confiança renovada, entretanto, não podemos olvidar o trabalho renovador a que o Natal nos convida, cada ano, não obstante o pessimismo cristalizado de muitos companheiros, que desistiram temporariamente da comunhão fraternal.


E o ensejo de novas relações, acordando raciocínios enregelados com as notas harmoniosas do amor que o Mestre nos legou.


E a oportunidade de curar as nossas próprias fraquezas retificando atitudes menos felizes, ou de esquecer as faltas alheias para conosco, restabelecendo os elos da harmonia quebrada entre nós e os demais, em obediência à lição da desculpa espontânea, quantas vezes se fizerem necessárias.


É o passo definitivo para a descoberta de novas sementeiras de serviço edificante, através da visita aos irmãos mais sofredores do que nós mesmos e da aproximação com aqueles que se mostram inclinados à cooperação no progresso, a fim de praticarmos, mais intensivamente, o princípio do "amemo-nos uns aos outros".


Conforme a nossa atitude espiritual ante o Natal, assim aparece o Ano Novo à nossa vida.


O aniversário de Jesus precede o natalício do Tempo.


Com o Mestre, recebemos o Dia do Amor e da Concórdia.


Com o tempo, encontramos o Dia da Fraternidade Universal.


O primeiro renova a alegria.


O segundo reforma a responsabilidade.


Comecemos oferecendo a Ele cinco minutos de pensamento e atividade e, a breve espaço, nosso espírito se achará convertido em altar vivo de sua infinita boa vontade para com as criaturas, nas bases da Sabedoria e do Amor.


Não nos esqueçamos.


Se Jesus não nascer e crescer, na manjedoura de nossa alma, em vão os Anos Novos se abrirão iluminados para nós.




XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Emmanuel. Fonte de Paz. Espíritos Diversos, Cap.1. IDE.


segunda-feira, dezembro 16, 2019

O Nome de Jesus - Maria Dolores






O Nome de Jesus


Maria Dolores



Natal é a luz de Deus que nos alcança,

Em casa, triste mãe exclama, reverente:

"Jesus, salva meu filho infeliz e doente,

Em Ti, Senhor, é a nossa última esperança!..."



De vizinha mansão, ouve-se voz pungente:

"Jesus, rogo socorro!... Sei que a morte avança..."

"Jesus, cura meu pai!..." - dizia uma criança,

Mostrando o coração terno e inocente.



Um Juiz, num salão, consulta um livro e pensa:

"Que faria Jesus, lavrando esta sentença?..."



Jesus!... Um nome só, em milhões de louvores!...

Pastor, que Deus nos concedeu para milênios!...

Natal é a gratidão ao mais sábio dos gênios,

Que nos conduz à paz e afasta as nossas dores.





XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Maria Dolores. Soneto recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier, pela mediunidade auditiva, em Culto do Evangelho no Lar, em sua residência, na noite de 5 de setembro de 1996, em Uberaba, Minas Gerais.

domingo, dezembro 15, 2019

Carta de Natal - Casimiro Cunha




Carta de Natal


Casimiro Cunha



Meu amigo. Não te esqueças,
Pelo Natal do Senhor,
Abre as portas da bondade
Ao chamamento do amor.

Reparte os bens que puderes
Às luzes da devoção,
Veste os nus. Consola os tristes,
Na festa do coração.

Mas, não te esqueças de ti,
No banquete de Jesus:
Segue-lhe o exemplo divino
De paz, de verdade e luz.

Toma um novo compromisso
Na alegria do Natal,
Pois, o esforço de si mesmo
É a senda de cada qual.

Sofres? Espera e confia.
Não te furtes de lembrar
Que somente a dor do mundo
Nos pode regenerar.

Foste traído? Perdoa.
Esquece o mal pelo bem.
Deus é a Suprema Justiça.
Não deves julgar ninguém.

Esperas bens neste mundo?
Acalma o teu coração.
Às vezes, ao fim da estrada,
Há fel e desilusão.

Não tiveste recompensas?
Guarda este ensino de cor:
Ter dons de fazer o bem
É a recompensa melhor.

Queres esmolas do Céu?
Não te fartes de saber
Que o Senhor guarda o quinhão
Que venhas a merecer.

Desesperaste? Recorda.
Nas sombras dos dias teus,
Que não puseste a esperança
Nas luzes do amor de Deus.

Natal!… Lembrança divina
Sobre o terreno escarcéu…
Conchega-te aos pobrezinhos
Que são eleitos do Céu.

- Mas, ouve, irmão! Vai mais longe
Na exaltação do Senhor:
Vê se já tens a humildade,
A seiva eterna do amor.




XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Antologia Mediúnica do Natal.


sábado, dezembro 14, 2019

Indagação de Natal - Joanna de Ângelis









Indagação de Natal

Joanna de Ângelis





Estes são outros tempos, não muito diferentes daqueles, os tempos nos quais Ele nasceu.



Há também predomínio da força e do esmagamento dos ideais, ganância e loucura nos quais os homens se locupletam, vitimados em si mesmos.



Não obstante, há glórias do amor e do sacrifício, da abnegação e da renúncia.



Milhões de vidas que se estiolam na fome, na miséria moral e econômica, aguardam que Jesus volte a nascer, a fim de poderem respirar e viver, adquirindo a dignidade que lhes têm sido negada pelos enganados-enganadores, ora guindados ao poder temporal.



Imprescindível que cada homem se pergunte o que tem feito em favor de si mesmo, no sentido da sua realidade eterna e em relação ao seu próximo.



 
 
FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis.

sexta-feira, dezembro 13, 2019

Senhor! Ajude Os Esquecidos Nesse Natal - Gerson Monteiro






Senhor! Ajude Os Esquecidos Nesse Natal

Gerson Monteiro



Jesus! Lembrando o Teu convite endereçado a todos nós, há mais de dois mil anos: "Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei", aproveitamos a oportunidade para fazer-Te um pedido, desde já, em nome dos "esquecidos", pois sabemos da Tua visita ao nosso mundo, na qualidade de Governador Espiritual da Terra, entre os dias 24 e 25 de dezembro, quando comemoramos o Teu aniversário natalício.

*
Como sabes, Senhor, eles se encontram em toda parte, a começar pelas crianças que acordam famintas, esquecidas pela sociedade indiferente à sua sorte, e que por isso acabam encontrando a morte na cruel desnutrição. 


Rogamos pelas mães abandonadas por parceiros desalmados, que, vencidas pela miséria, esquecem de si mesmas para poderem sustentar os filhos e acabam vítimas da traiçoeira tuberculose.

*

Pedimos também pelos pais esquecidos, Senhor, que tudo fazem pelos filhos, sacrificando-se inúmeras vezes para o bem-estar deles, e depois são renegados a um segundo plano na velhice, razão pela qual acabam morrendo, apunhalados pela ingratidão daqueles de quem tanto esperavam no inverno de suas vidas.

*

Médico de nossas almas! Rogamos pelos enfermos, esquecidos nas filas dos hospitais, para serem atendidos não se sabe quando, e pelos que são deixados nos corredores a míngua de socorro e atendimento, em flagrante desrespeito às suas dores, e sobretudo, à sua inconteste condição humana.

*
Jesus! 


É certo que não temos a pena de morte em nosso país. 


Mas há coisa pior do que as vítimas do esquecimento do Poder Público, que apodrecem nas prisões sem as mínimas condições de se reabilitarem perante a vida social? 


É por isso que intercedemos em favor deles, para que seja restabelecida a dignidade que devemos a esses irmãos.

*
Neste Natal, vem amparar os esquecidos que se encontram aflitos e sobrecarregados a fim de aliviar suas dores, causadas pela ambição dos insaciáveis e pela indiferença dos egoístas.


Vem, portanto, Senhor, confortar o coração dos que foram vencidos pela miséria, pela fome, pelas injustiças, porque eles não possuem voz para clamar por piedade aos aparentes "vencedores da Terra".



Gerson Simões Monteiro