domingo, setembro 05, 2021
5 de setembro Dia da Amazônia - Ronaldo Bastos / Alberto De Castro Guedes
DINHEIRO E SERVIÇO - Cornélio Pires
DINHEIRO E SERVIÇO
Cornélio Pires
Você deseja de nós,
Meu caro Juca Loureiro,
Alguma nota do Além
Sobre a questão do dinheiro.
Entretanto, caro amigo,
Você, de modo geral,
Somente fala em moeda
Quanto ao que existe de mal.
Refere-se a casos tristes,
Aos delitos, tais quais são,
E apenas vê na riqueza
Motivo à condenação.
Escute. Medite um pouco
No que a lógica elucida
E encontrará no dinheiro
Apoio, progresso e vida.
Sem a finança mantendo
A escola, o pão, o agasalho,
Pouca gente sobraria
Para a Bênção do trabalho.
E sem trabalho constante
O mundo inteiro, por certo,
Estaria reduzido
A pavoroso deserto.
A moeda claramente
É força a prevalecer
Até que o dom de servir
Seja na Terra um prazer.
Para evitar entre nós
Qualquer indução à briga,
Peço a você rememore
O burro da história antiga.
Em recanto de outras eras,
Existiu certo muar
Que em vez de ajudar na vila,
Só vivia de empacar.
Submetido a chicote,
Nem notava o próprio dano,
Se alguém lhe impusesse carga,
Dava coice a todo o pano.
Certo dia, um cavaleiro,
Com muito tempo de monta,
Mostrou a ele uma vara
Com milho verde na ponta.
Em seguida, o curioso,
Resguardando o milho em paz,
Avançou, buscando a frente
E o burro seguiu atrás.
Com semelhante incentivo,
Trotou pela estrada larga,
Interessado na espiga
Servia, aguentando a carga.
Você pode observar
Pelo assunto que me envia,
Que, ante a saga desse burro,
Há muita filosofia.
É isso aí... Sem trabalho
Que a moeda alenta e anota,
Os homens copiariam
A lentidão da marmota.
Não condene os bens do mundo,
Sejam meus ou sejam seus;
Dinheiro marca a nós todos
Como instrumento de Deus.
XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires, Baú de casos. São Paulo: Ideal.
sábado, setembro 04, 2021
FINADOS E REENCARNADOS - Cornélio Pires
FINADOS E REENCARNADOS
Cornélio Pires
Caro Armando, recebi
Os bilhetes e os recados;
Você deseja notícias
De alguns dos nossos finados.
Entendo. Finados hoje
Para nós, é a comitiva
Dos irmãos fora da Terra,
Gente morta sendo viva.
Não posso dar muitas notas
De sentido mais profundo,
Falarei de alguns amigos
Já reencarnados no mundo.
As vezes, nos cemitérios,
A gente chora na campa
De amados que já voltaram
Para a Terra, em nova estampa.
Você recorda Nhô Zeca
Que liquidou João Matula?
João voltou à casa dele,
É o netinho que ele adula.
Por causa de Frederico,
Suicidou-se o Tonho Prata,
Tonho, porém, renasceu...
É o bisneto que o maltrata.
Outro suicídio, o de Délio
Que morreu por Lia Benta...
Délio tomou novo berço,
É o filho que ela amamenta.
Por ambição, Carlomanho
Arrasou com Dona Luna;
Ela nasceu neta dele,
A fim de herdar-lhe a fortuna.
Tino e Rita promoveram
A morte de Adão Ramalho;
Adão renasceu com eles,
Trazendo imenso trabalho.
Nhô Téo acabou com Joana
Ao não querê-la por nora,
Mas Joana já reencarnou...
É a netinha que ele adora.
Morreram dois inimigos:
Tião e Juca da Barra...
Agora nasceram Gêmeos,
Vieram irmãos na marra.
Desencarnado, Nhô Gino
Que falava mal de tudo,
Pediu corrigenda a Deus,
Em seguida, nasceu mudo.
Nosso assunto é isto aí...
Recordação de finados
É a vida em torno da vida
Que se expressa por dois lados.
Enquanto estamos na Terra,
Para dizer o que posso,
Muita vez, a gente reza
Em campo que já foi nosso.
XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires, Baú de casos. São Paulo: Ideal.
sexta-feira, setembro 03, 2021
FRAQUEZA E CARIDADE - Cornélio Pires
FRAQUEZA E CARIDADE
Cornélio Pires
Você nos pede notícias
Prezada Nina Tereza,
Sobre aquilo que pensamos
De caridade e franqueza.
Diz você: _ "Fale, Cornélio,
Sobre a luta que me invade,
Se sou franca, sou cruel,
Se não sou, falto à verdade.
Tanta gente me reprova...
Quanto a você, que me diz?
Desejando ser sincera,
Estou cansada e infeliz."
Entendo, querida irmã,
O que procura expressar,
Também eu busco aprender
Como devo conversar.
O assunto é vasto e difícil,
Nem pode ser diferente;
A pretexto de ser franco
Já feri a muita gente.
No mundo, toda verdade
Roga cautelas em bando,
Porque a verdade por si
É força sempre mudando...
Tudo o que surge na Terra
Exige renovação,
A criança nasce e cresce,
O doente fica são.
Terra seca se adubada
Converte-se em gleba rica,
O pedreiro faz a casa
E a casa se modifica.
Por isso, quanto a progresso,
Nada vai sem esperança,
Qualquer estudo, em si mesmo,
Está na lei da mudança.
Eis porque sinceridade
Não deve fugir do bem,
Quem ama serve e auxilia
Sem complicar a ninguém.
Nos caminhos em que vamos,
Sabemos quanta tristeza,
Quanta prova dolorosa
Por excessos de franqueza.
Por duro verbo de Jorge
No Roçado do Capim
Léo enganou-se em família
E atirou sobre Joaquim.
Usava tanta rudeza
Nossa amiga Antoniela
Que ninguém a compreendeu,
Nem quis mais ficar com ela.
O médium Nico Beloti
Falava com tanto espinho,
Que o pobre onde aparecesse
Era largado sozinho.
Outro médium agressivo
Era o Jovino Leão,
Tanto gritou contra o mundo
Que caiu na obsessão.
Dizendo-se muito franca
A médium Carlinda Zara
Acabou gelando o Centro
Que ela própria começara.
Era tanto xingatório
No médium Juca das Dores
Que ele mesmo deu mão forte
Aos próprios perseguidores.
É isso aí, minha irmã,
Presença de realidade
Para elevar e servir
Não dispensa a caridade.
Doutrinações, confidências,
Palavras, seja onde for,
Para levarem auxílio
Precisam de muito amor.
Franqueza sem compreensão
Não sei como interpretar,
A verdade vem de Deus
Pedindo tempo e lugar.
E em matéria de verdade,
Nos caminhos seus e meus,
Recorde: ninguém consegue
Ser mais correto que Deus.
XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires, Baú de casos. São Paulo: Ideal.
quinta-feira, setembro 02, 2021
HISTÓRIA DE QUIMQUIM - Cornélio Pires
HISTÓRIA DE QUIMQUIM
Cornélio Pires
Em carta, você pergunta,
Meu caro Alírio Trindade,
Como é que se desenvolve
O dom da mediunidade.
Você termina, indagando
Quanto ao nobre compromisso
Qual a maneira mais certa
De começar o serviço.
Ser médium, meu bom amigo,
Em qualquer tempo e lugar,
Pede atenção para o estudo
E gosto de trabalhar.
Na alegria do começo,
Qualquer irmão se equilibra,
Mas a tarefa depois
Precisa de muita fibra.
No assunto, quero contar-lhe
O caso de um companheiro,
Sei que você vai lembrá-lo:
É o nosso Quinquim Monteiro.
Quinquim curou-se num Centro
De uma dor no calcanhar,
Notando a força da prece,
Quis ser médium, trabalhar...
Iniciou-se, feliz,
No "Grupo do Irmão Carlindo,"
Mas a obra foi crescendo
E o trabalho foi subindo...
Muita gente em provação,
Muita amizade a sofrer,
"Servir e entender a todos"
Passara a simples dever.
A tarefa perdurava
Não se sabia até quando,
Quinquim começou nas falhas
E seguiu desanimando...
nas noites de reuniões,
Não negava a própria fé,
Mas falava de fadiga,
De dor na nuca ou no pé.
Mostrava as pernas doendo,
Tinha angústia, batedeira,
Dizia sofrer de insônia,
Às vezes, por noite inteira.
Lastimava resfriados,
Inflamações do nariz,
Se alguém lhe pedia amparo,
Confessava-se infeliz.
Acusava-se vencido,
Estava sempre cansado,
Nas horas do reumatismo,
Padecia dor de lado.
Se alguém lhe falasse em preces,
Quinquim falava em descanso,
Era um retrato da queixa
Na cadeira de balanço.
Sempre a clamar contra a vida,
Sem domínio da vontade,
Quinquim largou-se ao repouso,
Perdendo a mediunidade.
Passou a viver deitado,
Não tinha fome nem sede,
Em seguida, piorou,
Cansado de cama e rede.
Quando quis recuperar-se,
A morte olhava Quinquim,
O pobre já tinha o nome
No grande listão do fim.
E o assunto é esse aí...
Se você quer triunfar,
Não escute corpo mole,
Nem pare de trabalhar.
XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires, Baú de casos. São Paulo: Ideal.
quarta-feira, setembro 01, 2021
AS DUAS BANDAS - Cornélio Pires
AS DUAS BANDAS
Cornélio Pires
Recebi a sua carta,
Meu caro Antônio José,
Sobre antiga indagação
No campo de nossa fé.
Diz você: "Caro Cornélio,
Escute. Por que será
Que tanta gente prefere
Viver na banda de lá?
Na banda de cá, nós temos
Esperança, paz e luz,
Trabalho de melhoria
Nos créditos de Jesus.
Mas creia que dói saber
Quando se nota e se pensa
Que temos tantos amigos
Enrolados na descrença."
A linha que você fez,
A meu ver, melhor não há:
Separando a nossa banda
Da outra banda de lá.
No entanto, a minha resposta
É igual à que você tem;
Infeliz de quem descrê
Da vida no Mais Além.
Podem surgir brigalhada,
Reclamação, amargura,
Mas no meio dos pampeiros
A fé se mantém segura.
Na banda de cá, por vezes,
A provação fere fundo,
Contudo, a crença dissolve
Qualquer problema do mundo.
Há pessoas separadas,
Bom sendo não nega isso,
Porque nem todos trabalham
Sob o mesmo compromisso.
Ante os que busquem servi-los,
Estão sempre insatisfeitos,
Não procuram qualidades,
Vivem catando defeitos.
Quase sempre, são pessoas
Nessa estranha anomalia:
Cabeça farta de ideias
Com vida seca e vazia.
Da banda de cá, no entanto,
Pode haver muita intriguinha,
Muita lama e tempestade,
Mas a pessoa caminha.
Na banda de lá, meu caro,
Há muita sombra escondida
E muita gente chorando
Sem fé no poder da vida.
Os irmãos que vivem lá
E nisso é que me embaralho,
Desejam achar a fé
Mas não desejam trabalho.
Procuram revelações,
Prodígios fenomenais,
Querem verdades ao certo,
Quando encontram querem mais.
Sendo assim, todos achamos
Muitas lutas por vencer,
Burilamento reclama
Cada qual em seu dever.
Por isso, meu caro amigo,
Sob a fé que serve e anda,
Continuemos fiéis
Do lado de nossa banda.
E supliquemos a Deus
Que a todos sustentará,
Muito amparo à nossa banda
E paz na banda de lá.
XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires, Baú de casos. São Paulo: Ideal.






