domingo, setembro 05, 2021

Sol de Primavera - Beto Guedes


 












5 de setembro Dia da Amazônia - Ronaldo Bastos / Alberto De Castro Guedes

 




5 de setembro Dia da Amazônia

Ronaldo Bastos / Alberto De Castro Guedes



"Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas com todo cuidado, meu amor
Enquanto a chama arder, todo dia te ver passar
Tudo viver a teu lado
Com o arco da promessa no azul pintado pra durar


Abelha fazendo o mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir teu calor e ser todo


Todo dia é de viver
para ser o que for
e ser tudo


Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho é mais que sagrado, meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor


Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes o tempo acordado de viver


No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto


O destino que se cumpriu
De sentir teu calor e ser todo"



Amor de índio
Compositores: Ronaldo Bastos / Alberto De Castro Guedes



Foto de Jesus Arantes Tukano Leão
(Do mural de FB de #SilvâniaGuedesAlves)

DINHEIRO E SERVIÇO - Cornélio Pires

 


DINHEIRO E SERVIÇO

Cornélio Pires


Você deseja de nós,

Meu caro Juca Loureiro,

Alguma nota do Além

Sobre a questão do dinheiro.


Entretanto, caro amigo,

Você, de modo geral,

Somente fala em moeda

Quanto ao que existe de mal.


Refere-se a casos tristes,

Aos delitos, tais quais são,

E apenas vê na riqueza

Motivo à condenação.


Escute. Medite um pouco

No que a lógica elucida

E encontrará no dinheiro

Apoio, progresso e vida.


Sem a finança mantendo

A escola, o pão, o agasalho,

Pouca gente sobraria

Para a Bênção do trabalho.


E sem trabalho constante

O mundo inteiro, por certo,

Estaria reduzido

A pavoroso deserto.


A moeda claramente

É força a prevalecer

Até que o dom de servir

Seja na Terra um prazer.


Para evitar entre nós

Qualquer indução à briga,

Peço a você rememore

O burro da história antiga.


Em recanto de outras eras,

Existiu certo muar

Que em vez de ajudar na vila,

Só vivia de empacar.


Submetido a chicote,

Nem notava o próprio dano,

Se alguém lhe impusesse carga,

Dava coice a todo o pano.


Certo dia, um cavaleiro,

Com muito tempo de monta,

Mostrou a ele uma vara

Com milho verde na ponta.


Em seguida, o curioso,

Resguardando o milho em paz,

Avançou, buscando a frente

E o burro seguiu atrás.


Com semelhante incentivo,

Trotou pela estrada larga,

Interessado na espiga

Servia, aguentando a carga.


Você pode observar

Pelo assunto que me envia,

Que, ante a saga desse burro,

Há muita filosofia.


É isso aí... Sem trabalho

Que a moeda alenta e anota,

Os homens copiariam

A lentidão da marmota.


Não condene os bens do mundo,

Sejam meus ou sejam seus;

Dinheiro marca a nós todos

Como instrumento de Deus.


  XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires, Baú de casos. São Paulo: Ideal.


sábado, setembro 04, 2021

FINADOS E REENCARNADOS - Cornélio Pires

 


FINADOS E REENCARNADOS

Cornélio Pires


Caro Armando, recebi

Os bilhetes e os recados;

Você deseja notícias

De alguns dos nossos finados.


Entendo. Finados hoje

Para nós, é a comitiva

Dos irmãos fora da Terra,

Gente morta sendo viva.


Não posso dar muitas notas

De sentido mais profundo,

Falarei de alguns amigos

Já reencarnados no mundo.


As vezes, nos cemitérios,

A gente chora na campa

De amados que já voltaram

Para a Terra, em nova estampa.


Você recorda Nhô Zeca

Que liquidou João Matula?

João voltou à casa dele,

É o netinho que ele adula.


Por causa de Frederico,

Suicidou-se o Tonho Prata,

Tonho, porém, renasceu...

É o bisneto que o maltrata.


Outro suicídio, o de Délio

Que morreu por Lia Benta...

Délio tomou novo berço,

É o filho que ela amamenta.


Por ambição, Carlomanho

Arrasou com Dona Luna;

Ela nasceu neta dele,

A fim de herdar-lhe a fortuna.


Tino e Rita promoveram

A morte de Adão Ramalho;

Adão renasceu com eles,

Trazendo imenso trabalho.


Nhô Téo acabou com Joana

Ao não querê-la por nora,

Mas Joana já reencarnou...

É a netinha que ele adora.


Morreram dois inimigos:

Tião e Juca da Barra...

Agora nasceram Gêmeos,

Vieram irmãos na marra.


Desencarnado, Nhô Gino

Que falava mal de tudo,

Pediu corrigenda a Deus,

Em seguida, nasceu mudo.


Nosso assunto é isto aí...

Recordação de finados

É a vida em torno da vida

Que se expressa por dois lados.


Enquanto estamos na Terra,

Para dizer o que posso,

Muita vez, a gente reza

Em campo que já foi nosso.

 

 XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires, Baú de casos. São Paulo: Ideal.

 

 

 

sexta-feira, setembro 03, 2021

FRAQUEZA E CARIDADE - Cornélio Pires

 


FRAQUEZA E CARIDADE

Cornélio Pires


Você nos pede notícias

Prezada Nina Tereza,

Sobre aquilo que pensamos

De caridade e franqueza.


Diz você: _ "Fale, Cornélio,

Sobre a luta que me invade,

Se sou franca, sou cruel,

Se não sou, falto à verdade.


Tanta gente me reprova...

Quanto a você, que me diz?

Desejando ser sincera,

Estou cansada e infeliz."


Entendo, querida irmã,

O que procura expressar,

Também eu busco aprender

Como devo conversar.


O assunto é vasto e difícil,

Nem pode ser diferente;

A pretexto de ser franco

Já feri a muita gente.


No mundo, toda verdade

Roga cautelas em bando,

Porque a verdade por si

É força sempre mudando...


Tudo o que surge na Terra

Exige renovação,

A criança nasce e cresce,

O doente fica são.


Terra seca se adubada

Converte-se em gleba rica,

O pedreiro faz a casa

E a casa se modifica.


Por isso, quanto a progresso,

Nada vai sem esperança,

Qualquer estudo, em si mesmo,

Está na lei da mudança.


Eis porque sinceridade

Não deve fugir do bem,

Quem ama serve e auxilia

Sem complicar a ninguém.


Nos caminhos em que vamos,

Sabemos quanta tristeza,

Quanta prova dolorosa

Por excessos de franqueza.


Por duro verbo de Jorge

No Roçado do Capim

Léo enganou-se em família

E atirou sobre Joaquim.


Usava tanta rudeza

Nossa amiga Antoniela

Que ninguém a compreendeu,

Nem quis mais ficar com ela.


O médium Nico Beloti

Falava com tanto espinho,

Que o pobre onde aparecesse

Era largado sozinho.


Outro médium agressivo

Era o Jovino Leão,

Tanto gritou contra o mundo

Que caiu na obsessão.


Dizendo-se muito franca

A médium Carlinda Zara

Acabou gelando o Centro

Que ela própria começara.


Era tanto xingatório

No médium Juca das Dores

Que ele mesmo deu mão forte

Aos próprios perseguidores.


É isso aí, minha irmã,

Presença de realidade

Para elevar e servir

Não dispensa a caridade.


Doutrinações, confidências,

Palavras, seja onde for,

Para levarem auxílio

Precisam de muito amor.


Franqueza sem compreensão

Não sei como interpretar,

A verdade vem de Deus

Pedindo tempo e lugar.


E em matéria de verdade,

Nos caminhos seus e meus,

Recorde: ninguém consegue

Ser mais correto que Deus.

 

 XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires, Baú de casos. São Paulo: Ideal.

 

quinta-feira, setembro 02, 2021

HISTÓRIA DE QUIMQUIM - Cornélio Pires

 


HISTÓRIA DE QUIMQUIM

Cornélio Pires


Em carta, você pergunta,

Meu caro Alírio Trindade,

Como é que se desenvolve

O dom da mediunidade.


Você termina, indagando

Quanto ao nobre compromisso

Qual a maneira mais certa

De começar o serviço.


Ser médium, meu bom amigo,

Em qualquer tempo e lugar,

Pede atenção para o estudo

E gosto de trabalhar.


Na alegria do começo,

Qualquer irmão se equilibra,

Mas a tarefa depois

Precisa de muita fibra.


No assunto, quero contar-lhe

O caso de um companheiro,

Sei que você vai lembrá-lo:

É o nosso Quinquim Monteiro.


Quinquim curou-se num Centro

De uma dor no calcanhar,

Notando a força da prece,

Quis ser médium, trabalhar...


Iniciou-se, feliz,

No "Grupo do Irmão Carlindo,"

Mas a obra foi crescendo

E o trabalho foi subindo...


Muita gente em provação,

Muita amizade a sofrer,

"Servir e entender a todos"

Passara a simples dever.


A tarefa perdurava

Não se sabia até quando,

Quinquim começou nas falhas

E seguiu desanimando...


nas noites de reuniões,

Não negava a própria fé,

Mas falava de fadiga,

De dor na nuca ou no pé.


Mostrava as pernas doendo,

Tinha angústia, batedeira,

Dizia sofrer de insônia,

Às vezes, por noite inteira.


Lastimava resfriados,

Inflamações do nariz,

Se alguém lhe pedia amparo,

Confessava-se infeliz.


Acusava-se vencido,

Estava sempre cansado,

Nas horas do reumatismo,

Padecia dor de lado.


Se alguém lhe falasse em preces,

Quinquim falava em descanso,

Era um retrato da queixa

Na cadeira de balanço.


Sempre a clamar contra a vida,

Sem domínio da vontade,

Quinquim largou-se ao repouso,

Perdendo a mediunidade.


Passou a viver deitado,

Não tinha fome nem sede,

Em seguida, piorou,

Cansado de cama e rede.


Quando quis recuperar-se,

A morte olhava Quinquim,

O pobre já tinha o nome

No grande listão do fim.


E o assunto é esse aí...

Se você quer triunfar,

Não escute corpo mole,

Nem pare de trabalhar.

 

 XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires, Baú de casos. São Paulo: Ideal.

 

 

 

quarta-feira, setembro 01, 2021

AS DUAS BANDAS - Cornélio Pires


 

AS DUAS BANDAS

Cornélio Pires


Recebi a sua carta,

Meu caro Antônio José,

Sobre antiga indagação

No campo de nossa fé.


Diz você: "Caro Cornélio,

Escute. Por que será

Que tanta gente prefere

Viver na banda de lá?


Na banda de cá, nós temos

Esperança, paz e luz,

Trabalho de melhoria

Nos créditos de Jesus.


Mas creia que dói saber

Quando se nota e se pensa

Que temos tantos amigos

Enrolados na descrença."


A linha que você fez,

A meu ver, melhor não há:

Separando a nossa banda

Da outra banda de lá.


No entanto, a minha resposta

É igual à que você tem;

Infeliz de quem descrê

Da vida no Mais Além.


Podem surgir brigalhada,

Reclamação, amargura,

Mas no meio dos pampeiros

A fé se mantém segura.


Na banda de cá, por vezes,

A provação fere fundo,

Contudo, a crença dissolve

Qualquer problema do mundo.


Há pessoas separadas,

Bom sendo não nega isso,

Porque nem todos trabalham

Sob o mesmo compromisso.


Ante os que busquem servi-los,

Estão sempre insatisfeitos,

Não procuram qualidades,

Vivem catando defeitos.


Quase sempre, são pessoas

Nessa estranha anomalia:

Cabeça farta de ideias

Com vida seca e vazia.


Da banda de cá, no entanto,

Pode haver muita intriguinha,

Muita lama e tempestade,

Mas a pessoa caminha.


Na banda de lá, meu caro,

Há muita sombra escondida

E muita gente chorando

Sem fé no poder da vida.


Os irmãos que vivem lá

E nisso é que me embaralho,

Desejam achar a fé

Mas não desejam trabalho.


Procuram revelações,

Prodígios fenomenais,

Querem verdades ao certo,

Quando encontram querem mais.


Sendo assim, todos achamos

Muitas lutas por vencer,

Burilamento reclama

Cada qual em seu dever.


Por isso, meu caro amigo,

Sob a fé que serve e anda,

Continuemos fiéis

Do lado de nossa banda.


E supliquemos a Deus

Que a todos sustentará,

Muito amparo à nossa banda

E paz na banda de lá.

 

 XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires, Baú de casos. São Paulo: Ideal.