terça-feira, agosto 12, 2025

Na Exaltação do Amor - André Luiz



Na Exaltação Do Amor 

André Luiz

 

Cap. XI – Item 10


A folha ressequida que cai, anônima, do pedúnculo em que nasceu, é bem o símbolo do poder oculto de Deus em a Natureza.


Poder que é força, vida e amor...


Quem a recolheu?


O Sol? 


Não. 


O Vento? 


Não. 


O Homem? 


Não.


A folha desceu por si mesma, segundo os ditames preestabelecidos pelas leis gerais do Universo, para o seio fecundante da Terra, que a transforma em novo elemento no laboratório da incessante renovação.


Assim também se movem as criaturas e os destinos.


A folha cai... 


Os mundos caminham... 


O homem evolve...


Brilha o Sol, naturalmente, mantendo a família planetária nos domínios da Casa Cósmica.


Avança o vento, sem esforço, nutrindo a euforia das plantas.


Em princípios de soberana espontaneidade, constrói o homem a própria existência.


Saber não é tudo.


Só o amor consegue totalizar a glória da vida. 


Quem vive respira.


Quem trabalha progride. 


Quem sabe percebe.


Quem ama respira, progride, percebe, compreende, serve e sublima, espalhando a felicidade.


Siga, pois, seu roteiro, louvando o bem, esquecendo o mal e edificando sem repouso.


Se o caminho é áspero e sombrio, prossiga com destemor.


Lembre-se que na vanguarda há mais amplo local para a sua esperança.


Busque ouvir a mensagem do amor, onde passe.


Estude amando.


Responda aos imperativos da evolução, amando onde esteja.


Atenda ao semelhante, amando com alegria.


Satisfará, em tudo, a você mesmo, amando sempre. 


Na marcha ascendente para o Reino Divino, o Amor é a Estrada Real. 


As outras vias chamam-se experiências que a Eterna Sabedoria, ainda por amor, traçou à grande viagem das almas para que o espírito humano não se perca.


Antes de você, o amor já era.


Depois de você, o amor será.


Isso, porque o Amor é Deus em tudo.


Viva, assim, a vida, amando-a para entendê-la.


Viver e amar...


Amar e compreender...


Compreender e viver abundantemente...


Ângulos de uma verdade só – A Vida Eterna.


No entanto, viver sem amar é respirar sem trabalho digno; 


querer com exclusivismo tonteante é contemplar situações e circunstâncias com apriorismos que geram a enfermidade e a morte.


Se você sabe, portanto, o que é viver, por que não vive?


Só vive realmente quem ama.


Só ama efetivamente quem age para o bem de todos.


Só age, sem dúvida, para o bem de todos, quem compreende que o amor é a base da própria vida.


Fora dessa verdade, há também movimento e ação de sombra que tornará fatalmente à luz em ciclos determinados de choro, provação e martírio.


Nada novo, sempre a Lei, que funciona compassiva, mas inexorável, restituindo a cada sementeira a colheita certa.


Comande a embarcação de seu destino e não atribua a outrem os erros que as suas mãos venham a cometer.


De você mesmo depende a própria viagem. Instrua a você, sem procurar encobrir, ante a própria consciência, as faltas que lhe arrojam a alma ao desencanto ou ao agravo das próprias necessidades do espírito.


Ainda que a noite lhe envolva o passo, alente, no imo do ser, o dia eterno da fé.


Não se confie ao sabor da invigilância, para que a invigilância não lhe arraste a existência ao sabor do sofrimento.


Antes de nós, o Universo era o Santuário da Glória Divina.


Lembremo-nos, pois, de que Deus nos criou para acrescentar-Lhe a grandeza.


Não Lhe diminuamos o esplendor, cultivando a treva...


Enganaremos a forma.


Jamais enganaremos a vida que palpita, triunfante, em nós mesmos.


Aprenda a buscar aquilo de que você carece no próprio aperfeiçoamento, antes que alguém lhe ensine a preço de aflição.


Busque o roteiro exato, antes que outros se lhe ofereçam, no dia de sua perturbação, para guias de sua dor.


Força é poder. 


Ideia é força.


Mas só o amor condiciona o poder para a vitória da luz.


Ame o caminho. 


Caminhe e vença.


Anote hoje os seus movimentos, no ritmo do trabalho e da oração, e o amanhã surgirá com brilho sempre novo.


Sorria para os lances mais difíceis da estrada e os panoramas próximos e remotos descerrar-se-ão sorrindo à sua alma.


Não pare senão para refazer o fôlego atormentado.


Mais além, é a estrada de destino.


Não escute o murmúrio das sombras senão para socorrer as vítimas do mal, a fim de que os gemidos enganadores do nevoeiro não lhe anestesiem o impulso de elevação.


A fraternidade ser-lhe-á anjo sentinela entre os pântanos da amargura.


Cante o poema da caridade, seja onde for, e as criaturas irmãs, ainda mesmo quando algemadas ao crime, responder-lhe-ão com estribilhos de amor.


Guarde compaixão e a paz ser-lhe-á doce prêmio.


Exemplifique a fé que lhe honra a inteligência e o mundo abençoar-lhe-á todas as palavras.


Amanheça todo dia no serviço que lhe compete e o dever retamente cumprido manterá você, invariavelmente, na manhã luminosa da vida.


Antes de amparar a você, ampare aqueles que, desde muito, suspiram pela migalha de seu amparo.


Antes de nossa vontade, a vontade do Senhor.


Antes do bem para nós, o bem necessário aos outros.


Seja para você a justiça que observa e corrige e seja para o irmão de jornada a bondade que ajuda e absolve sempre.


Sobretudo, guarde a certeza de que o amor se emoldura na humildade que nunca fere.


Coloque você em último lugar e a vida encarregar-se-á de sua própria defesa em qualquer parte.


Ainda mesmo com sacrifício, sob chuvas de fel e gritos de calúnia, renda diariamente seu culto ao amor e o amor na própria vida brilhará em sua alma, convertendo-a em estrela para a Glória Sem-Fim.


 

XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 78. Folhas caindo:  Ilustração Reproduzida da Internet. 

segunda-feira, agosto 11, 2025

Perdoa E Serve - Meimei



Perdoa E Serve 

Meimei

 

Cap. VIII – Item 13

Tiveste hoje motivo de reclamar.


No entanto, perdoa e serve sempre.


Medita e perceberás o problema dos outros.


Alguém levantou a voz, procurando ferir-te...


Mas não lhe viste as marcas da enfermidade com que talvez amanhã se recolha à sombra do hospício.


Esse passou renteando contigo, fingindo não te ver...


Pensa, contudo, que, dentro de breves dias, possivelmente buscará, em vão, esconder os sulcos da próprias chagas.


Aquele te furtou, roubando a si mesmo.


Aquele outro julga enganar-te, quando ilude a si próprio.


E há quem se suponha colocado tão alto que não teme oprimir-te, para cair, em breve tempo, sob o golpe da morte.


Perdoa a tudo e a todos, infatigavelmente, porque os ofensores de qualquer condição carregam consigo o remorso, como espinho de fogo encravado no próprio ser.


Toda criatura necessita de perdão, como precisa de ar, porquanto o amor é o sustento da vida.


Não permitas, porém, que o perdão seja apenas um som musical nos movimentos da língua.


Reflete quantas vezes tens errado também, reclamando o entendimento e tolerância, e esquece toda ofensa, recomeçando a servir ao lado de teus irmãos.


Lembra-te, acima de tudo, de que, perdoando, a bênção de Deus consegue descer até às lutas da alma e que somente perdoando é que a alma consegue elevar-se para a bênção de Deus.


XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 77. Perdoa e segue :  Ilustração Reproduzida da Internet. 

 

domingo, agosto 10, 2025

História De Um Pão - Irmão X

 


História De Um Pão

 Irmão X

Cap. XIII – Item 15


Quando Barsabás, o tirano, demandou o reino da morte, buscou debalde reintegrar-se no grande palácio que lhe servira de residência.


A viúva, alegando infinita mágoa, desfizera-se da moradia, vendendo-lhe os adornos.


Viu ele, então, baixelas e candelabros, telas e jarrões, tapetes e perfumes, joias e relíquias, sob o martelo do leiloeiro, enquanto os filhos querelavam no tribunal, disputando a melhor parte da herança.


Ninguém lhe lembrava o nome, desde que não fosse para reclamar o ouro e a prata que doara a mordomos distintos.


E porque na memória de semelhantes amigos ele não passava, agora, de sombra, tentou o interesse afetivo de companheiros outros da infância...


Todavia, entre eles encontrou simplesmente a recordação dos próprios atos de malquerença e de usura.


Barsabás entregou-se às lágrimas de tal modo, que a sombra lhe embargou, por fim, a visão, arrojando-o nas trevas.


Vagueou por muito tempo no nevoeiro, entre vozes acusadoras, até que um dia aprendeu a pedir na oração, e como se a rogativa lhe servisse de bússola, embora caminhasse às escuras, eis que, de súbito, se lhe extingue a cegueira e ele vê, diante de seus passos, um santuário sublime, faiscante de luzes.


Milhões de estrelas e pétalas fulgurantes povoavam-no em todas as direções.


Barsabás, sem perceber, alcançara a Casa das Preces de Louvor, nas faixas inferiores do firmamento.


Não obstante deslumbrado, chorou, impulsivo, ante o Ministro espiritual que velava no pórtico.


Após ouvi-lo, generoso, o funcionário angélico falou sereno:


– Barsabás, cada fragmento luminoso que contemplas é uma prece de gratidão que subiu da Terra...


– Ai de mim – soluçou o desventurado – eu jamais fiz o bem...


– Em verdade – prosseguiu o informante –, trazes contigo, em grandes sinais, a pranto e o sangue dos doentes e das viúvas, dos velhinhos e órfãos indefesos que despojaste, nos teus dias de invigilância e de crueldade; 


entretanto, tens aqui, em teu crédito, uma oração de louvor...


E apontou-lhe acanhada estrela, que brilhava à feição de pequenino disco solar.


– Há trinta e dois anos – disse, ainda, o instrutor –, deste um pão a uma criança e essa criança te agradeceu, em prece ao Senhor da Vida.


Chorando de alegria e consultando velhas lembranças, Barsabás perguntou:


– Jonakim, o enjeitado?


– Sim, ele mesmo – confirmou o missionário divino –. 


Segue a claridade do pão que deste, um dia, por amor, e livrar-te-ás, em definitivo, do sofrimento nas trevas.


E Barsabás acompanhou o tênue raio do tênue fulgor que se desprendia daquela gota estelar, mas, em vez de elevar-se às alturas, encontrou-se numa carpintaria humilde da própria Terra.


Um homem calejado aí refletia, manobrando a enxó em pesado lenho...


Era Jonakim, aos quarenta de idade.


Como se estivessem os dois identificados no doce fio de luz, Barsabás abraçou-se a ele, qual viajante abatido, de volta ao calor do lar.


*

Decorrido um ano, Jonakim, o carpinteiro, ostentava, sorridente, nos braços, mais um filhinho, cujos louros cabelos emolduravam belos olhos azuis.


Com a benção de um pão dado a um menino triste, por espírito de amor puro, conquistara Barsabás, nas Leis Eternas, o prêmio de renascer para redimir-se.


XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 81 . Dando um pão:  Ilustração Reproduzida da Internet. 

sábado, agosto 09, 2025

A Festa - Hilário Silva

 


A Festa

Hilário Silva

 

Cap. IX – Item 7


Era homem de meia-idade.


Chamava-se Frederico Manuel de Ávila.


Comerciante progressista. 


Espírita há dois lustros, buscava pautar a existência pelo Evangelho renovador.


Contudo, era sempre afobado.


Raro se detinha para examinar um problema maior.


Impaciente. 


Precipitado. 


Febricitante.


Várias vezes fora admoestado para reduzir a marcha da própria vida.


Amigos aconselharam. 


Espíritos advertiram.


Tudo inútil.


Certo dia, demorando-se mais no escritório, voltou ao lar, quase noitinha, acelerado como de hábito.


De posse da chave, abriu a porta e entrou.


Percorria o corredor para chegar a uma das salas, quando nota um vulto caminhando para ele, a toda pressa, na penumbra...


Surpreendido e amedrontado, ante a figura estranha, julgou-se à frente de algum amigo do alheio e volveu sobre os próprios passos, em corrida aberta.


Na fuga, porém, tropeça num canteiro do jardim e cai, gritando, estentórico.


Os gritos atraem vizinhos, pressurosos, que o encontram desmaiado.


É conduzido ao hospital próximo.


Frederico fraturara uma perna...


Mais tarde, volta a casa com a perna engessada.


Na intimidade da família, foi compelido a lembrar-se de que aniversariava naquele dia... 


E tudo ficou esclarecido.


Como se demorasse em serviço, os parentes quiseram surpreendê-lo no trabalho, verificando-se o desencontro.


A esposa e os filhos, para recepcioná-lo alegremente, em festa íntima, alteraram as disposições dos móveis do interior da casa.


E só então pôde compreender que o vulto, que o assustara, era ele mesmo refletido no grande espelho da parede da sala de jantar que fora mudado de posição...


XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 80. Fuga do próprio vulto: Ilustração Reproduzida da Internet. 

 

sexta-feira, agosto 08, 2025

Letreiros Vivos - André Luiz



Letreiros Vivos 

André Luiz

 

Cap. XVII – Item 3


Nas faixas mínimas da sua experiência cotidiana surge o roteiro humano que você representa para os outros.


Os traços do semblante pintam-lhe o clima interior.


Os seus objetos de uso pessoal compõem o edifício da sua simplicidade.


A ordem dos seus afazeres indica-lhe o grau de disciplina.


O cumprimento das suas obrigações denuncia-lhe o valor da palavra empenhada.


O teor da amizade dos seus vizinhos, para com a sua pessoa, qualifica a sua capacidade de se fazer entendido.


O diapasão da sua palestra dá o tom da sua altura íntima.


A segurança da sua opinião traduz a firmeza dos seus ideais.


Os tecidos que lhe envolvem o corpo configuram-lhe o senso de naturalidade.


As iguarias da sua mesa revelam-lhe o papel do estômago no mundo moral.


A natureza do cuidado com o seu físico fala francamente de suas possíveis relações com a vaidade.


O seu presente diz, para todos, o que você foi no passado e o que você será no porvir, com reduzidas possibilidades de erro.


A uniformidade entre o movimento das suas ideias, dos seus conceitos e das suas ações disseca, à vista de todos, a fibra da sua vontade.


*

Todas as criaturas que lhe partilham a existência leem incessantemente os letreiros vivos que lhe estabelecem a verdadeira identidade nos panoramas da Vida, respondendo-lhe as mensagens inarticuladas com aversão ou simpatia, contentamento ou desagrado, conforme a sua plantação de bem ou mal.



XAVIER, Francisco Cândido; Waldo Vieira Por Espíritos Diversos. Espírito da verdade, cap 76. Imagem : Rute, uma jovem viúva moabita que decidiu seguir a Deus e cuidar de sua sogra. Segundo o Antigo Testamento, Deus a abençoou por sua fidelidade, fazendo parte da genealogia de Jesus Cristo (Rute 1:16) :  Ilustração Reproduzida da Internet. Arte: cruzterrasanta