segunda-feira, abril 21, 2014

Tiradentes: O Resgate de Uma Traição - Américo Domingos Nunes Filho





Tiradentes: O Resgate de Uma Traição

Américo Domingos Nunes Filho



“... Eis por que um que vos parece justo, muitas vezes sofre. É a punição do seu passado”. O Livro dos Espíritos- Pergunta 984


No ano de 1985, a nação brasileira passou por momentos de grande aflição e, até mesmo, de desespero.


A população, em sua grande maioria, orava conjuntamente para que a dor que lhes afligia fosse extinta. Nunca tantas pessoas se uniram, formando uma grande corrente de energia psíquica para que a doença inesperada não levasse à morte alguém que representava a esperança de um país.


Tudo inútil. 


A “fé que remove montanhas” não foi capaz de retirar o cálice do resgate da boca de um querido irmão em expiação.


Por que as preces e as correntes vibratórias do povo brasileiro e de outros paises não surtiram efeito?


Qual o motivo espiritual da fatalidade que alcançou Tancredo Neves poucas horas antes da posse como Presidente do Brasil?


Se nos basearmos em conceitos dogmáticos das religiões tradicionais, de maneira nenhuma conseguiremos saber o porquê do intenso sofrimento sentido por Tancredo e pelo povo brasileiro. Mais uma vez foi dito que “não devemos discutir os desígnios divinos” e o mistério novamente surgiu, tentando responder o que não tem explicação sem o processo da Lei de Causa e Efeito.


Certamente muitas pessoas que oraram com fervor para a recuperação de Tancredo Neves lograram experimentar o desconsolo e a desesperança, assediadas pela decepção, diante do final dramático e acreditamos que, ainda hoje, muitos se lembram daquele episodio com muita tristeza e com muitas dúvidas.


Allan Kardec ensina: “A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa... Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da humanidade”.


Perguntou o mestre lionês à Espiritualidade:


“As vicissitudes da vida são sempre a punição das faltas atuais?”


Responderam os Espíritos:


“Não; já dissemos: são provas impostas por Deus, ou que vós mesmos escolhestes como Espíritos, antes de encarnardes, para expiação das faltas cometidas em outra existência, porque jamais fica impune a infração das leis de Deus e, sobretudo, da lei de justiça. Se não foi punida nesta existência, sê-lo-á necessariamente noutra. Eis por que um, que vos parece justo, muitas vezes sofre. É a punição do seu passado”.


Utilizando-nos do raciocínio que o Consolador nos oferece, busquemos novamente “O Livro dos Espíritos” para o esclarecimento que se faz necessário para, baseados na razão, esclarecermos o assunto em tela.


O Codificador da Doutrina dos Espíritos questiona o mundo extracorpóreo: “Qual a conseqüência do arrependimento no estado espiritual?”. Esclarecem, então, os Mestres do Além: “Desejar o arrependido uma nova encarnação para se purificar. O Espírito compreende as imperfeições que o privam de ser feliz e por isso aspira a uma nova existência em que possa expiar suas faltas”.


Portanto, existia um determinismo providencial no sentido de o Espírito Tancredo Neves, poder resgatar dívidas intensas contraídas em vida passada.


Os jornais, na época, noticiaram o depoimento de um dos componentes da equipe médica que cuidou do Presidente, que disse o seguinte:


“Aconteceram coisas muito raras com ele.

Eu nunca vi leiomioma (tumor benigno) perfurar desse jeito. 

Sangramentos de sutura em geral ocorrem nos dois primeiros dias do pós-operatório e raramente no oitavo dia. 

Também nunca vi ocorrer infecção pelo actinomiceto como aconteceu com ele, porque o microorganismo é bastante raro. 

São coisas que nos deixam com uma sensação muito estranha. 

Fizemos tudo por Tancredo Neves, durante cerca de um mês nos dedicamos integralmente ao Presidente. 

Ele tinha à sua cabeceira os maiores especialistas, todos os recursos e equipamentos e toda a carga afetiva da equipe, que teve um grande envolvimento emocional com o tratamento. 

Fomos muito surpreendidos pelos fatos. 

Tudo foi feito e ele não respondeu a nada, nada deu certo. 

A sensação que fica é a de que havia, desde o primeiro dia, um caminho traçado que não pudemos mudar”.


É importante frisar que a Espiritualidade já tinha, há oito meses antes da desencarnação de Tancredo, dado uma pista, a qual, por certo, esclarece a causa desse drama vivido pelo Presidente e por todos os brasileiros.


Em 9 de agosto de 1984, o médium Dictino Álvares, em São Paulo, recebeu psicograficamente a seguinte mensagem:


“Estamos compromissados em significativa tarefa neste país que tem a missão histórica de celeiro espiritual do terceiro milênio e os tempos se aproximam”.


“Equipes espirituais de escol canalizam vibrações e as borrifam na mente daqueles que têm a responsabilidade de dirigir esta terra predestinada”.


“Elo de fraternidade emana do mais alto, impulsionando um inconfidente à pátria do Evangelho”.


“Sentimos que os irmãos desejariam que fôssemos mais objetivos, mas todas as coisas têm uma razão de ser e nem tudo nos é permitido revelar”.


É indiscutível que Tancredo Neves estava profundamente vinculado à Inconfidência Mineira.


1. Tiradentes e Tancredo nasceram em São João Del Rei;
2. Morreram na mesma data (21 de abril);
3. Ambos órfãos de pai na infância:
4. Tancredo residiu em São João Del Rei na Rua Tiradentes n. 224;
5. E estátua de Tiradentes em São João Del Rei, resultou de iniciativa do então deputado estadual Tancredo Neves:
6. A expressão “Nova República”, lançada por Tancredo, foi usado por Tiradentes quando foi acareado com Alvarenga Peixoto, na Fortaleza da Ilha das Cobras;
7. Ambos deram suas próprias vidas pelo ideal de liberdade em nossa pátria: Tiradentes - mártir da Inconfidência, Tancredo - mártir da Nova República.


Por certo o Presidente foi a reencarnaçao de um personagem da Insurreição Mineira, que regressou à vida física com uma missão de resgate: lutar e dar a sua vida pela libertação de nosso país.


Assim como Tiradentes, ele não conseguiu ver a chama da liberdade acesa em solo brasileiro.


Joaquim José da Silva Xavier morre por enforcamento, tendo sido seu corpo esquartejado e expostos seus restos em vários lugares.


Tancredo de Almeida Neves sofre os cortes no abdômen, possibilitando o “esquartejamento” pelo retalhamento das vísceras em seis cirurgias e no embalsamamento, e o enforcamento progressivo pela traqueotomia e insuficiência respiratória. O corpo do Presidente é também exposto em vários lugares ao público.


Que débito teria o Espírito Tancredo contraído em vida pretérita, que justificasse tamanho sofrimento atual?


Teria sido esse Espírito, reencarnado na época da Inconfidência um obstáculo à concretização do movimento libertador de Tiradentes e demais conjurados?


Poderia esse Espírito ter sido responsável pela derrocada do movimento da Conjuração Mineira e pela posterior punição dos Inconfidentes?


Lembramos que o traidor Joaquim Silvério dos Reis denunciou Tiradentes e demais companheiros ao Visconde de Barbacena, governador da Capitania de Minas Gerais, na data de 15 de Março, sim, 15 de Março de 1789.


Em 15 de Março de 1985, Tancredo é submetido à intervenção cirúrgica de urgência, privando-o de tomar posse na Nova Republica. Sofreu as conseqüências do esforço, da dedicação e da estóica entrega de si mesmo aos superiores interesses do país, já que a doença o atacara muitos dias antes da data prevista para a posse e a cirurgia tinha sido postergada para depois do compromisso solene perante o Congresso Nacional.


Tancredo se sacrificou, deu a sua própria vida para que todos os brasileiros pudessem respirar novamente a atmosfera da liberdade em nossa pátria.


Que misterioso desígnio esse que o privou de tomar posse! Somente a doutrina da reencarnação pode explicar esse estranho destino de um homem que luta para levar seu povo à Terra Prometida da Paz e da Liberdade e não consegue penetrá-la.


Que enigmática fatalidade impedindo que um ideal de libertação seja acionado pelas próprias mãos de seu maior criador!


Tancredo de Almeida Neves (22 letras).
Joaquim Silvério dos Reis (22 letras).


Que o Divino Mestre ilumine esse Espírito que certamente de vida a dois personagens importantes da História do Brasil e conseguiu em sua última existência resgatar um pesado débito para com o nosso país.


Agradecemos a Jesus por estar nos iluminando, através da doutrina do “Consolador”, sepultando o milenar mistério e deixando cair todos os véus, principalmente o véu do dogmatismo, da ignorância e do preconceito.


A Doutrina Espírita tem um grande recado a dar ao mundo e todos nós que a abraçamos somos impelidos a levar por toda a parte a mensagem consoladora de Jesus.


Bezerra de Menezes, através da abençoada mediunidade de Divaldo Pereira Franco, no encerramento do Congresso Internacional de Espiritismo/1989, realizado em Brasília, disse:


“Tendes (os espíritas) o compromisso de acender, na escuridão que domina o mundo, as estrelas luminiferas do Evangelho de Jesus...”.


“... Jesus é o mesmo hoje como era há 2000 anos atrás. Restaurado na palavra consoladora da Doutrina Espírita, Ele nos conclama à união dos corações para a unificação do ideal da verdade”.


Que a Paz do Doce e Amorável Jesus penetre no Espírito Tancredo Neves e, também, alcance a todos os que vivem nesse país, destinado a ser o celeiro espiritual do 3º. Milênio.




FONTE:


O MENSAGEIRO/ REVISTA CRISTÃ ESPÍRITA DO TERCEIRO MILÊNIO. Livro: A Queda dos Véus . Disponível em    http://www.omensageiro.com.br/artigos/artigo-168.htm . Acesso: 21 ABR 2014.  

Depois - André Luiz





Depois

André Luiz



Depois de ouvir a palestra esclarecedora, cultive-a junto dos companheiros ausentes.


- Ensinamento ouvido, riqueza de aprendizado...

*

Depois da notícia edificante, transmita-a sem demora aos irmãos carentes de estímulo.


- Ânimo levantado, rendimento em serviço...

*

Depois de ler a publicação doutrinária, passe-a adiante, clareando outras consciências.


- Palavra escrita, idéia gravada...

*

Depois de entender as frases do livro edificante, imprima-a no próprio verbo.


- Estudo assimilado, conversação enobrecida...

*

Depois de reconhecer o próprio erro, conserve a experiência, divulgando-a no instante oportuno.


- Queda de alguém, apelo a muitos...

*

Depois de observar o acontecimento digno de atenção, saliente o aviso que ficou.


Fato proveitoso, lição da vida...

*

Depois de substituir o objeto usado por outro novo, conduza-o a mãos em maiores necessidades.


- Traste velho na frente, auxílio na retaguarda...

*

Depois de um dia, de uma tarefa, de uma crise, de uma enfermidade, de uma viagem ou de um encontro, algo se modifica em nosso espírito, para melhor, e devemos ofertar aos outros o melhor ao nosso alcance, sem deixar qualquer auxílio para depois.





XAVIER, Francisco Cândido ; VIEIRA, Waldo pelos Espíritos Emmanuel e  André Luiz. Do livro "Estude e Viva".

Alguém Contigo - Emmnuel





Alguém Contigo


Emmnuel


Nunca estarás a sós...


Ante a névoa das lágrimas, quando a incompreensão de outrem te agite os sentimentos, lembra-te de alguém que sempre te oferece entendimento e conforto.


Ante a deserção de pessoas queridas, quando mais necessitavas de presença e segurança, pensa nesse benfeitor oculto que jamais te abandona.


Ante as ameaças do desânimo, nos obstáculos para a concretização de tuas esperanças mais belas, considera o amparo desse amigo certo que, em tempo algum, te recusa bom-ânimo.


Ante a queda iminente na irritação, capaz de induzir-te à delinqüência, refugia-te no clima desse doador de serenidade que te guarda o coração nas bênçãos da paz.


Ante as sugestões do desequilíbrio emotivo, suscetíveis de te impulsionarem a esquecer encargos que assumiste, reflete no mentor abnegado que jamais te nega defesa, para que usufruas a tranqüilidade de consciência.


Ante prejuízos, muitas vezes causados por amigos aos quais empenhaste generosidade e confiança, medita nesse protetor magnânimo que nunca te desampara e que promove, em teu favor, sempre que necessário, os recursos precisos á recuperação de que careças.


Ante acusações daqueles que se te fazem adversários gratuitos, amargurando-te os dias, eleva-te em pensamento ao instrutor infatigável que sempre te convida à tolerância e ao perdão.


Ante as crises da existência que te sugiram revolta e desespero, recorda o mestre da paciência que te resguarda constantemente na certeza de que não há problema sem solução para quem trabalha e serve para o bem sem perder a esperança.


Ante os desgostos e contratempos que te sejam impostos pelos entes amados, não te emaranhes no cipoal das afeições possessivas, refletindo no companheiro que te ama desinteressadamente muito antes que te decidisses a conhecê-lo.


E quando perguntares quem será esse alguém que nunca te desampara e que te garante a vida, em nome de Deus, deixa que os teus ouvidos se recolham aos recessos da própria alma e escutarás o coração a dizer-te na intimidade da consciência que esse alguém é Jesus.




XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Emmanuel. Do livro  “Algo Mais”.

domingo, abril 20, 2014

Mudança - Emmanuel





Mudança 

Emmanuel


“Mas não o receberam, porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém.” - (Lucas, cap. 9, v. 53.)



Digna de nota a presente passagem de Lucas. 



Reparando os samaritanos que Jesus e os discípulos se dirigiam a Jerusalém, negaram-se a recebê-los.


Identificaram-nos pelo aspecto.


Se fossem viajores com destino a outros lugares, talvez lhes oferecessem hospedagem, reconforto, alegria...



Não se verifica, até hoje, o mesmo fenômeno com os verdadeiros continuadores do Mestre?


Jerusalém, para nós, simboliza aqui testemunho de fé.


E basta que alguém se encaminhe resolutamente a semelhante domínio espiritual, para que os homens comuns, desorientados e discutidores, lhe cerrem as portas do coração.


Os descuidados, que rumam na direção dos prazeres fáceis, encontram imediato acolhimento entre os novos samaritanos do mundo.


Mulheres inquietas, homens enganadores e doentes espirituais bem apresentados possuem, por enquanto, na Terra, luzida assembléia de companheiros.


Todavia, quando o aprendiz de Jesus acorda na estrada humana, verificando que é indispensável fornecer testemunho da sua confiança em Deus, com a negação de velhos caprichos, na maior parte das vezes é constrangido a seguir sem ninguém.


É que, habitualmente, em tais ocasiões, o homem se revela modificado.



Não dá a impressão comum da criatura disposta a satisfazer-se.


É alguém resolvido a renunciar aos próprios defeitos e a anulá-los, a golpes de imenso esforço, para esposar a cruz redentora que o identificará com o Mestre Divino.


Por essa razão, mesmo portas a dentro do lar, quase sempre não será plenamente reconhecido, porque seu aspecto sofreu metamorfose profunda ...



Ele mostra o sinal de quem tomou o rumo da definitiva renovação interior para Deus, disposto a consagrar-se ao eterno bem e a soerguer seu coração no grande caminho da libertação.

*


XAVIER,  Francisco Cândido pelo  Espírito Emmanuel . Do livro Fonte Viva, 175, FEB.



 *


Páscoa é mudança, renascimento...


Aproveite e renasce agora...



Reflita: Para onde teu coração está te levando neste momento?...

Ama Sempre - Meimei





Ama Sempre

Meimei



Contemplando o Anjo da Morte, a alma arrimada ao leito despedia-se enfim...


Quisera comentar as sensações derradeiras para os entes amados, no entanto, se contraíra a boca em amargo silêncio.


Tentava estender as mãos ansiosas e amigas aos que ficavam, contudo, enrijeciam-se-lhe os braços como se imobilizados em couraça de gelo.


Queria continuar a ver-se nas molhadas pupilas que se rodeavam, tristes, mas o pranto a cair-lhe dos olhos encovados suprimia-lhe, aos poucos, a bênção de visão.


Era a grande viagem dentro do nevoeiro...


Sob o enorme conflito a vergar-lhe a esperança, recorreu à oração e o pensamento reto recusou-se a atender.


Ainda assim, apelou para a memória, demandando recursos improvisados que lhe pudessem doar segurança e consolo.


Recordava, com intensa aflição, todos os lances da própria vida.


Sofrera, sim, mas fizera com que outros sofressem...


Lutara imensamente, reparando, porém, corações desditosos em combate maior...


E enquanto meditava, no turbilhão de angústias, mergulhou-se-lhe a mente em dolorosa noite.


Todavia, das trevas, eis que pontos de luz descerram-se, cantantes, pequeninas estrelas a lucilarem, lindas, dentro da névoa espessa.


Chegam em revoada, quais sorrisos de amor desvelando na Altura, a estrada para os céus.


Atordoada e enlevada, a alma enxerga, de novo, o Anjo que a consola, explicando, amoroso:


- Eleva-te mais alto! Estes pingos de sol revelam-te o caminho! São eles, todos eles não são as gotas de fel que choraste entre homens, mas, sim, as que secaste, espalhando a alegria...


Foi assim que sem mágoa, a alma feliz, então, avançou para os cimos, ante as cintilações da caridade pura, que transformara em pérolas de esplendente beleza as lágrimas de dor que ela própria enxugara entre as sombras do mundo...




XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Meimei. Do livro “Taça de Luz”, Espíritos Diversos. Psicografia em Reunião Pública. Data – 7-12-1957. Centro Espírita Luiz Gonzaga, Pedro Leopoldo, Minas.


sábado, abril 19, 2014

O Amigo Infalível - Emmanuel




O Amigo Infalível

Emmanuel


Viste calamidades

Que jamais esperaste.

*

Cultivaste afeições

Que te armaram ciladas.

*

Carinho que plantaste

Produziu menosprezo.

 *

Não permitas, porém,

Que a tristeza te arrase.

*

Trabalha, espera e serve.

Não desistas do bem.

*

Tens um amigo infalível.

Conta com ele: É Deus.




XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Emmanuel. Do livro "O Essencial".

sexta-feira, abril 18, 2014

Homenagem aos 157 Anos da Publicação de “O Livro Dos Espíritos”





Homenagem aos 157 Anos da Publicação de “O Livro Dos Espíritos”


No dia 18 de abril de 1857, o mundo foi contemplado com a publicação do Livro dos Espíritos escrita pelo educador francês Hippolyte Léon-Denizard Rivail , que assinava sob o pseudônimo de Allan Kardec.


Posteriormente novas obras vieram agregar mais conhecimentos sobre a Doutrina Espírita: o Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, a Gênese, constituindo o que passou a se denominar o Pentateuco Espírita.


O Livro dos Espíritos tem uma importância excepcional por ser uma revelação, de iniciativa da Espiritualidade Superior, com a finalidade de facilitar e orientar o progresso da humanidade. O conteúdo é apresentado em 4 partes: As causas primárias; Mundo espírita ou dos espíritos; Leis morais; Esperanças e consolações.


O Livro dos Espíritos, é um manual de conduta para a vida, onde são disponibilizados recursos que nos elucidam de forma clara  e precisa sobre a Lei de Causa e Efeito, a Reencarnação, a Evolução do Espírito, as Ocupações e Missões dos Espíritos, entre tantas outras respostas embasadas sempre pela Ciência, Filosofia e Religião.



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Curiosidades da Codificação


"Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso... "



Uma carta para o Sr. Allan Kardec


 Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, naquela triste manhã de abril de 1860, estava exausto, acabrunhado.


Fazia frio.


Muito embora a consolidação da Sociedade Espírita de Paris e a promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam colocado nas mãos.


A pressão aumentava...


Missivas sarcásticas avolumavam-se à mesa.


Quando mais desalentado se mostrava, chega a paciente esposa, Madame Rivail - a doce Gabi -, a entregar-lhe certa encomenda, cuidadosamente apresentada.


O professor abriu o embrulho, encontrando uma carta singela. E leu.


**


"Sr. Allan Kardec:


Respeitoso abraço.


Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso.


Sou encadernador desde a meninice, trabalhando em grande casa desta capital.


Há cerca de dois anos casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no início deste ano, de modo inesperado, minha Antoinette partiu desta vida, levada por sorrateira moléstia.


Meu desespero foi indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo.


Sem confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade...


A prova da separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo humano.


Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido, ameaçava-me com a dispensa.


Minhas forças fugiam.


Namorara diversas vezes o Sena e acabei planeando o suicídio. "Seria fácil, não sei nadar"- pensava.


Sucediam-se noites de insônia e dias de angústia. Em madrugada fria, quando as preocupações e o desânimo me dominaram mais fortemente, busquei a ponte Marie.


Olhei em torno, contemplando a corrente... E, ao fixar a mão direita para atirar-me, toquei um objeto algo molhado que se deslocou da amurada, caindo-me aos pés.


Surpreendido, distingui um livro que o orvalho umedecera.


Tomei o volume nas mãos e, procurando a luz mortiça do poste vizinho, pude ler, logo no frontispício, entre irritado e curioso:


"Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. - A. Laurent."


Estupefato, li a obra - "O Livro dos Espíritos" - ao qual acrescentei breve mensagem, volume esse que passo às suas mãos abnegadas, autorizando o distinto amigo a fazer dele o que lhe aprouver."


Ainda constava da mensagem agradecimentos finais, a assinatura, a data e o endereço do remetente.


O Codificador desempacotou, então, um exemplar de "O Livro dos Espíritos" ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais do seu pseudônimo e na página do frontispício, levemente manchada, leu com emoção não somente a observação a que o missivista se referira, mas também outra, em letra firme:
"Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. - Joseph Perrier."


Após a leitura da carta providencial, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro...


Aconchegando o livro ao peito, raciocinava, não mais em termos de desânimo ou sofrimento, mas sim na pauta de radiosa esperança.


Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas...


Diante de seu espírito turbilhonava o mundo necessitado de renovação e consolo.


Allan Kardec levantou-se da velha poltrona, abriu a janela à sua frente, contemplando a via pública, onde passavam operários e mulheres do povo, crianças e velhinhos...


O notável obreiro da Grande Revelação respirou a longos haustos, e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima..." (Hilário Silva - O Espírito da Verdade, 52, FEB)





Fonte



INSTITUTO ANDRE LUIZ. Disponível em http://www.institutoandreluiz.org/allan_kardec.html. Acesso: 19 ABR 2014.