quarta-feira, dezembro 20, 2023

Súplica do Natal - Casimiro Cunha

 






Súplica do Natal  

Casimiro Cunha


Na noite santificada,


Em maravilhas de luz,


Sobem preces, cantam vozes


Lembrando-Te, meu Jesus!


Entre as doces alegrias


De Teu Natal, meu Senhor,


Volve ao mundo escuro e triste


Os olhos cheios de amor.


Repara conosco a Terra,


Angustiada e ferida,


E perdoa, Mestre Amado,


Os erros de nossa vida.


Onde puseste a alegria


Da paz, da misericórdia,


Desabam tormentas rudes


De iniquidade e discórdia.


No lugar, onde plantaste


As árvores da união,


Vivem monstros implacáveis


De dor e separação.


Ao longo de Teus caminhos


Sublimes e abençoados,


Surgem trevas pavorosas


De abismos escancarados.


Ao invés de Teus ensinos


De caridade e perdão,


Predominam sobre os homens


A sombra, o crime, a opressão.


Perdoa, Mestre, aos que vivem


Erguendo-Te a nova cruz!


Dá-nos, ainda, a bonança


De Tua divina luz.


Desculpa mundo infeliz


Distante das leis do bem,


Releva as destruições


Da humana Jerusalém...


Claudicou a recaiu,


A Tua paz não mudou


E ao Teu amor não dormiu.


Por isso, ó Pastor Divino,


Nos júbilos do Natal,


Saudamos a Tua estrela


De vida excelsa e imortal.


Que o mundo Te guarde a lei


Pela fé que nos conduz


Das sombras de nossa vida


Ao reino de Tua luz!...


 XAVIER, Francisco Cândido  pelo Espírito Casimiro Cunha . Antologia mediúnica do natal. Diversos Autores.

terça-feira, dezembro 19, 2023

Jesus Vem a Terra no Natal - Gerson Simões Monteiro


 


Jesus Vem a Terra no Natal


Gerson Simões Monteiro

 

“Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei”.


Esse convite de Jesus há mais de dois mil anos mantém a nossa esperança nos momentos difíceis que passamos neste mundo.

 

Quantas vezes buscamos a presença amorosa do Cristo na hora da dor, e Dele sempre recebemos forças para carregar a cruz com ânimo e coragem.


*

Independente desse convite, segundo Chico Xavier, Jesus vem a Terra, entre 23 horas do dia 24 e uma hora do dia 25 de dezembro, quando comemoramos o natalício Dele.

 

Segundo Chico, muitos Espíritos se preparam durante dez anos para acompanhar o Mestre nessa peregrinação, recolhendo criaturas anônimas na desencarnação, como a registrada pelo poeta Cornélio Pires, publicada no livro Antologia mediúnica do Natal.

 





Eis a poesia recebida por Chico Xavier, intitulada Natal de Maria:

 

“Noite... Natal!... Na hora derradeira,

 

Sozinha num brejão, com sede e fome,

 

Morre jogada à febre que a consome.

 

A velhinha Maria Cozinheira...

 

Lembra o Natal dos tempos de solteira,

 

Olha a esteira enrolada e o chão sem nome,

 

Mas, de repente, vê que tudo some,

 

Está livre do corpo e da canseira!..

 

 Ouve cantos no céu que se descerra:

 

— "Glória a Deus nas alturas!... Paz na Terra...

 

 Maria, sem querer, sobe espantada...

 

Nisso, irrompe do Azul divina estrela...

 

Alguém surge!... É Jesus a recebê-la

 

 No sublime clarão da madrugada”.

*



 

Outra de Cornélio Pires, Despedida de Vital:

 

“Lua cheia... Na choça a que se apega,

 

 Morre Vital, velhinho, olhando o morro...

 

 Por prece, escuta a arenga do cachorro,

 

Ganindo nas touceiras da macega.

 

Pobre amigo!...

 

Agoniza sem socorro,

 

Chora lembrando o milho na moega...

 

Oitenta anos de lágrimas carrega

 

Na carcaça jogada ao chão sem forro.

 

 

Suando, enxerga um moço na soleira.

 

“ Eu sou leproso...”— avisa em voz rasteira,

 

Mas diz o moço, envolto em luz dourada:

 

“Vital, eu sou Jesus! Venha comigo!...”

 

“ E o velho sai das chagas de mendigo

 

 Para um carro de estrelas da alvorada”.

 

Numa dessas visitas ao nosso mundo no dia de Natal, Jesus acolheu a alma de Mariazinha, menina que morreu com fome, cansada e doente, estirada numa calçada de uma cidade brasileira.

*

Ao assistir a esse fato na vida espiritual, a poetisa cearense Francisca Clotilde fez a sua narrativa em versos pela mediunidade de Chico Xavier, sob o título “Conto de Natal”, publicado no livro Antologia Mediúnica do Natal.

 

Gerson Simões Monteiro


 



Conto de Natal

Francisca Clotilde Barbosa Lima

 

A noite é quase gelada.

 

Contudo, Mariazinha

 

É a menina de outras noites

 

Que treme, tosse e caminha...

 

Guizos longe, guizos perto...

 

É Natal de paz e amor.

 

Há muitas vozes cantando:

 

– “Louvado seja o Senhor!”

 

A rua parece nova

 

Qual jardim que floresceu.

 

Cada vitrina enfeitada

 

Repete: “Jesus nasceu!”

 

Descalça, vestido roto,

 

Mariazinha lá vai...

 

Sozinha, sem mãe que a beije,

 

Menina triste sem pai.

 

Aqui e ali, pede um pão...

 

Está faminta e doente.

 

– “Vadia, saia depressa!”

 

É o grito de muita gente.

 

– “Menina ladra!” – outros dizem.

 

– “Fuja daqui, pata feia!

 

Toda criança perdida

 

Deve dormir na cadeia.”

 

Mariazinha tem fome

 

E chora, sentindo em torno

 

O vento que traz o aroma

 

Do pão aquecido ao forno.

 

Abatida, fatigada,

 

Depois de percurso enorme,

 

Estira-se na calçada...

 

Tenta o sono, mas não dorme.

 

Nisso, um moço calmo e belo

 

Surge e fala, doce e brando:

 

– Mariazinha, você está dormindo

 

ou pensando?

 

 

A pequenina responde,

 

Erguendo os bracinhos nus:

 

– Hoje é noite de Natal,

 

Estou pensando em Jesus.

 

– Não lhe lembra mais alguém?

 

Ela, em lágrimas, disse:

 

– Eu penso também, com saudade,

 

Em minha mãe que morreu...

 

– Se Jesus aparecesse,

 

Que é que você queria?

 

– Queria que ele me desse

 

Um bolo da padaria...

 

 

Depois de comer, então –

 

e a pobre sorriu contente –

 

Queria um par de sapatos

 

E uma blusa grande e quente.

 

Depois... queria uma casa,

 

Assim como todos têm...

 

Depois de tudo... eu queria

 

Uma boneca também...

 

– Pois saiba, Mariazinha,

 

Eu lhe digo que assim seja!

 

Você hoje terá tudo

 

Aquilo que mais deseja.

 

– Mas, o senhor quem é mesmo!

 

E ele afirma, olhos em luz:

 

– Sou seu amigo de sempre,

 

Minha filha, eu sou Jesus!...

 

Mariazinha, encantada,

 

Tonta de imensa alegria,

 

Pôs a cabeça cansada

 

Nos braços que ele estendia...

 

E dormiu, vendo-se outra,

 

Em santo deslumbramento,

 

Aconchegada a Jesus,

 

Na glória do firmamento.

 

No outro dia, muito cedo,

 

Quando o lojista abriu a porta,

 

Um corpo caiu, de leve...

 

A menina estava morta.

 

Obs: Segundo informações do médium Francisco Cândido Xavier este fato ocorreu na cidade de Fortaleza/CE.

 

XAVIER, Francisco Cândido;VIEIRA, Wald . Antologia mediúnica do natal . Espíritos Diversos.


FONTE

MONTEIRO, Gerson Simões. Disponível em <https://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/gerson-monteiro/jesus-vem-terra-no-natal-3287675.html>. Acesso : 17 DEZ 2023.


segunda-feira, dezembro 18, 2023

O Divino Convite - Casimiro Cunha




O Divino Convite

Casimiro Cunha


“Vinde a Mim, vós que sofreis!…”.

E a palavra do Senhor,

tocando nações e leis,

ressoa, cheia de amor.



Herdeiros tristes da cruz,

que seguis de alma ferida,

encontrareis em Jesus

Caminho, verdade e vida.



Famintos de paz e abrigo,

que lutais no mundo incréu,

achareis no Eterno Amigo

o Pão que desceu do Céu.



Almas sedentas de pouso,

que à sombra chorais cativas,

tereis no Mestre Amoroso

a fonte das Águas Vivas.



Venham, irmãos, a Jesus Cristo,

o Guia que nos conduz!

vosso caso está previsto

em suas lições de luz.



XAVIER, Francisco Cândido  pelo Espírito Casimiro Cunha .  Antologia mediúnica do natal. Diversos Autores.

domingo, dezembro 17, 2023

Meditando o Natal - Emmanuel

 


Meditando o Natal


Emmanuel


Na exaltação do Natal do Senhor, acalentemos nossa fé em Jesus, sem nos esquecermos da fé que Jesus deposita em nós.


Não desceria o Senhor da comunhão com os Anjos, sem positiva confiança nos homens.


É por isso que, da Manjedoura de Simplicidade e Alegria à Cruz da Renunciação e da Morte, vemo-lo preocupado na recuperação das criaturas.


Convida pescadores humildes ao seu ministério salvador e transforma-os em advogados da redenção humana.


Vai ao encontro de Madalena, possuída pelos adversários do bem, e converte-a em mensageira de luz.


Chama Zaqueu, mergulhado no conforto da posse material, e faz dele o administrador consciente e justo.


Não conhece qualquer desânimo, ante a negação de Pedro, e nele edifica o apóstolo fiel que lhe defenderia o Evangelho até o martírio e a crucificação.


Não se agasta com as dúvidas de Tomé e eleva-o à condição de missionário valoroso, que lhe sustenta a causa, até o sacrifício.


Não se sente ofendido aos golpes da incompreensão de Saulo, o perseguidor, e visita-o, às portas de Damasco, investindo-o na sua posição de emissário de Sua Graça, coroando de claridades eternas...


A fé e o otimismo do Cristo começaram na descida à estrebaria singela e continuam, até hoje, amparando-nos e redimindo-nos, dia a dia...


Assinalando, assim, os júbilos do Natal, recordemos a confiança do Mestre e afeiçoemo-nos à sua obra de amor e luz, tomando por marco de partida a nossa própria existência.


O Senhor nos conclama à tarefa que o evangelho nos assinala...


Nos primeiros três séculos de Cristianismo, os discípulos que lhe ouviram a Celeste Revelação levantaram-se e serviram-no com sangue e sofrimento, aflição e lágrimas.


Que nós outros estejamos agora dispostos a consagrar-lhe igualmente as nossas vidas, considerando o crédito moral que a atitude d’Ele para conosco significa...


Aprendamos, trabalhemos e sirvamos, até que um dia, qual aconteceu ao velho Simeão, da Boa Nova, possamos exclamar ante a Presença Divina:


- “Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque, em verdade, meus olhos já viram a salvação.”


XAVIER, Francisco Cândido. Antologia mediúnica do natal - Espíritos Diversos.

sábado, dezembro 16, 2023

HUMILDADE CELESTE - Emmanuel



 Humildade Celeste 

 Emmanuel 


Ninguém mais humilde que Ele, o Divino Governador da Terra.


Podia eleger um palácio para a glória do nascimento, mas preferiu sem mágoa a manjedoura simples.


Podia reclamar os princípios da cultura para o seu ministério de paz e redenção;


contudo, preferiu pescadores singelos para instrumentos sublimes do seu verbo de luz.


Podia articular defesa irresistível a fim de dominar a governança política; no entanto, preferiu render-se à autoridade, presente em sua época, ensinando que o homem deve entregar ao mundo o que ao mundo pertence, e a Deus o que é de Deus.


Podia banir de pronto do colégio apostólico o amigo invigilante, mas preferiu que Judas conseguisse os seus fins, lamentáveis e excusos, descerrando-lhe aos pés o caminho melhor.


Podia erguer-se ao Sol da plena vida eterna, sem voltar-se jamais ao convívio humilhante daqueles que o feriram nos tormentos da cruz; no entanto, preferiu regressar para o mundo, estendendo de novo as mãos alvas e puras aos ingratos da véspera.


Podia constranger o espírito de Saulo a receber-lhe as ordens, mas preferiu surgir-lhe qual companheiro anônimo, rogando-lhe acordar, meditar e servir, em favor de si mesmo.


Em Cristo, fulge sempre a humildade celeste, pela qual aprendemos que, quanto mais poder, mais amplo o trilho augusto aberto às nossas almas para que nos façamos, não apenas humildes pelos padrões da Terra, mas humildes enfim pelos padrões de Deus.


XAVIER, Francisco Cândido. Antologia mediúnica do natal.

sexta-feira, dezembro 15, 2023

Natal de Maria - Cornélio Pires

 


 

Natal de Maria

 

Cornélio Pires

 

Noite... Natal!... Na hora derradeira,

Sozinha num brejão, com sede e fome, 

Morre jogada à febre que a consome 

A velhinha Maria Cozinheira...

 

Lembra o Natal dos tempos de solteira,

Olha a esteira enrolada e o chão sem nome, 

Mas, de repente, vê que tudo some, 

Está livre do corpo e da canseira!...

 


Ouve cantos no céu que se descerra:

 - “Glória a Deus nas Alturas!... Paz na Terra...”.

 Maria, sem querer, sobre espantada...

Nisso, irrompe do Azul divina estrela... 

Alguém surge!... 

É Jesus a recebe-la 

No sublime clarão da madrugada.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Cornélio Pires . Antologia mediúnica do natal.Espíritos Diversos.

 

 

quinta-feira, dezembro 14, 2023

Alegria do Natal - Maria Dolores



Alegria do Natal

Maria Dolores


Agradeço, Jesus,


A bênção do Natal que nos renova e aquece


Em vibrações de paz aos júbilos da prece,


Que te louvam, dos Céus ao pó que forra o chão!...




Agradeço a mensagem que te exalta,


Reacendendo o Sol da Nova Era


Nos cânticos da fé viva e sincera


Que nos refaz e eleva o coração.




Agradeço as palavras em teu nome,


Naqueles que conheço ou desconheço,


Que me falam de ti com bondade sem preço,


Conservando-me em ti, seja em que verbo for,


E as afeições queridas que me trazem,


Por teu ensinamento que me alcança,


A sublime presença da esperança


Ante a força do amor.




Agradeço o conforto


De tudo o que recebo em forma de ternura,


Na mais singela flor que me procura


Ou na prece de alguém


E as generosas mãos que me auxiliam


A repartir migalhas de consolo,


Seja um simples lençol ou um simples bolo


Para a festa do bem.




Agradeço a saudade


Dos entes que deixei noutros campos do mundo,


Que me deram contigo o dom profundo


De aprender a servir, de entender e de orar,


Os afetos que o tempo me resguarda


Sob fulgurações que revejo à distância,


Induzindo-me a ver-te entre os brincos da infância


Nas promessas do lar!...




Por tudo em que o Natal se revela e se expande


A envolver-nos em notas de alegria


Que o teu devotamento nos envia


Em carícias de luz,


Pelo trabalho que nos ofereces,


Perante a fé maior que hoje nos invade,


Para a edificação da Nova Humanidade,


Sê louvado, Jesus!...



XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Maria Dolores.