Pachelbel - Canon In D Major

sexta-feira, agosto 10, 2012

Os que choram - Momento Espírita




Os que choram


        Naquele junho, nas terras da Palestina, estava calor mais do que nos anos anteriores...


        O dia longo murchava lentamente, abafado, enquanto o sol, semi-escondido além dos picos altaneiros, incandescia as nuvens vaporosas...


        A montanha, de suave aclive, terminava em largo platô salpicado de árvores de pequeno porte, que ofereciam, no entanto, abrigo e agasalho,


        Desde cedo a multidão afluíra para ali, como atraída por fascinante expectativa.


        Eram galileus da região em redor: pescadores, agricultores, gente simples e sofredora, sobrecarregada e aflita.


        Ouviram-No e O viram mais de uma vez, e constataram que jamais alguém fizera o que Ele fazia ou falara o que Ele falava...


        O evangelista Mateus assevera: e Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte...


        Vestiu-se de poente e recitou os versos encantadores das Bem-aventuranças – a lição definitiva. O consolo supremo.


        De Seu excelso canto, ouvimos:


        Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados!


        O olho é a candeia do corpo, e todos os olhos cintilam. Lágrimas coroam-nos.


        A figura do Rabi é ouro refletido contra o céu longínquo, muito claro.


        Todos nós temos lágrimas acumuladas e muitos as temos sem cessar, nas rudes provações, oculta ou publicamente.


        Longa é a estrada do sofrimento. Rudes e cruéis os dias em que se vive.


        Espíritos ferreteados pelo desconforto e desassossego, corações despedaçados, enfermidades e expiações...


        Todos choram e experimentam a paz refazente que advém do pranto.


        Crêem muitos que o pranto é vergonha, esquecidos do pranto da vergonha.


        Dizem outros que a lágrima é pequenez que retrata fraqueza e indignidade.


        A chuva descarrega as nuvens e enriquece a Terra. Lava o lodo e vitaliza o pomar.


        A lágrima é Presença Divina.


        Quando alguém chora, a Justiça Divina está abrindo rotas de paz nas províncias do Espírito para o futuro.


        O pranto, porém, não pode desatrelar os corcéis da rebeldia para as arrancadas da loucura.


        Não pode conduzir, como enxurrada, as ribanceiras do equilíbrio, qual riacho em tumulto semeando a destruição, esfacelando as searas.


        Chorar é buscar Deus nas abrasadas regiões da soledade.


        A sós e junto a Ele.


        Ignorado por todos e por Ele lembrado.


        Sofrido em toda parte, escutado pelos Seus ouvidos.


        O pranto fala o que a boca não se atreve a sussurrar.


        Alguém chorando está solicitando, aguardando.


        Por estas palavras: Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem, e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, como prelúdio da cura.


        Também podem essas palavras ser traduzidas assim:


        Deveis considerar-vos felizes por sofrerdes, visto que as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair.


        Suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura.


        Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranquilidade no porvir.



Redação do Momento Espírita com base no cap 3 do livro Primícias do reino, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal e o cap. V de O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.Disponível em www.momento.com.br

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