Pachelbel - Canon In D Major

sábado, junho 04, 2016

Ananda - Muito Além Do Amor




Caros leitores assisti a uma palestra , que teve como desdobramento o tema desse post , abordado por Divaldo Pereira Franco e fiquei muito sensibilizada com a força dos exemplos  e não poderia me furtar de compartilhar com vocês.

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Como referenciado por Léon Dennis, através da Vontade, uma das potencias da alma , o ser humano pode ser capaz de ir " Muito Além do Amor", cujo exemplo Madre Teresa de Calcutá e das irmãs de sua Congregação , sob a proteção de Santa Teresa de Lisieux, patrona da Ordem,  deixa bem claro para todos nós.



Apesar de ser um texto longo, vale a pena ser lido para reflexão íntima...








Ananda - Muito Além Do Amor

Dominique Lapierre, famoso autor francês que escreveu o livro a respeito de Mohandas Gandhi, intitulado “Esta noite a liberdade”, cuja obra rendeu-lhe uma fortuna, posteriormente descobriu-se com uma expressiva dívida de amor para com a Índia. 

Oportunamente, visitando aquelas cidades por onde Gandhi passara a mensagem de paz, ele percebeu a dor imensa dos párias, assim como a de outros infelizes. 


Ele teve uma grande surpresa ao saber que um lar de crianças órfãs estava para fechar, porque o nobre inglês que o ajudava fora vítima de circunstâncias políticas e econômicas, pretendendo deixar que mais de 600 crianças voltassem às ruas. 


Em face do seu sentimento de gratidão Dominique começou a pensar no que poderia fazer para retribuir a Índia, o bem-estar, o destaque e os prêmios que ele recebeu pela obra e a fortuna imensa acumulada.

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Certo dia, estando ele nas escadarias em Benares, observando as crianças que se atiravam às águas sujas do rio Ganges, para recolher objetos dos cadáveres a fim de serem revendidos, acercou-se de um grupo e tomou conhecimento da existência de uma menina, que era considerada a mais notável pescadora desses precários recursos que o Ganges oferecia. 


Ela era chamada de “ave de rapina do Ganges”. 


Seu nome era Ananda, que significa em sânscrito – alegria. 


Então, Dominique acompanhou uma parte da trajetória de Ananda por vários anos e escreveu o livro que se denominou “Muito além do amor”. 


- Pode haver uma forma de amor muito além do amor?


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Ananda pertencia a uma família de párias. 


Seu pai era um daqueles que vendiam lenha para a cremação dos cadáveres, porque às margens do Ganges, de acordo com a posição socioeconômica, o indivíduo era posto sobre a madeira, conforme os recursos da família, para a cremação. 


Além de vender lenha, o pai de Ananda por ter vários filhos e ser pobre, mantinha um bazar onde vendia o que eram chamadas às relíquias: dentes, ossos, algumas bugigangas que eram retirados dos cadáveres dos miseráveis que não puderam ser cremados e eram atirados às águas lodosas do rio já em decomposição. 


Ele era vendedor de madeira barata, e Ananda e os irmãos encarregavam-se de recolher esses objetos das águas do rio. 


Sua mãe, uma alma insensível, pelas dores suportadas ao longo dos anos, era encarregada da família.. 


Ananda, aos treze anos, havia se tornado uma personagem especial, mas a sua condição de paria, dela fazia uma menina triste. 


A agilidade com que mergulhava nas águas e a sua adolescência fazia dessa menina um vulto especial nas escadarias junto ao Ganges.

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Nessa idade ela foi negociada para o casamento, conforme as tradições do seu povo. 


Ela contaria depois que notou uns homens estranhos que entravam e saiam de sua casa, enquanto ela permanecia recolhida nos fundos e mal conseguia perceber de que se tratava. 


Alguns irmãos disseram que eram as negociações para o futuro casamento dela. 


Estabelecido o dote que a família deveria pagar e o dote que o pai do noivo deveria contribuir, Ananda foi preparada para o matrimônio. 


Faltando poucos dias para as bodas, estando ela, diante de um pedaço de espelho, tirado das águas do rio, percebeu leve pigmentação na face e disse para a sua mãe. 


A genitora preocupada chamou um dos curandeiros que andavam pelas ruas e, munido de uma lupa e de um alfinete, ele pôde fazer o diagnóstico após ligeiro exame: era lepra.

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A notícia produziu grande sofrimento à família, que, além de pária, tinha agora a marca da punição dos deuses. 


Ananda percebeu que, a partir daquele momento, todos se afastavam e, poucos dias depois, quando ela despertou para a refeição comum, a bandeja de alimentos estava no centro da sala sobre uma esteira, mas todos estavam distantes dela.. 


Junto se encontravam as suas roupas, empacotadas, e algumas moedas (rúpias). 


Ela entendeu que era o último momento de convivência com a família, pois era uma tradição assim ser procedido. 


Após ingerir um pouco de alimento, em silêncio a sua mãe a expulsou de casa. Nesse momento rompiam-se todos os laços familiares; para eles; ela estava morta.

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Como ela não tinha ninguém a quem pedir ajuda, passou uma semana de privações, esmolando de porta em porta. 

Diante dos leprosos da cidade e vendo-os decomporem-se, ela recusou-se a misturar-se com eles, porque não havia nenhum outro sinal exterior, exceto por enquanto, aquela pigmentação. 


Uma semana depois, estava esfaimada. 


Foi até a estação ferroviária, para ver se podia ser útil carregando algum volume e recebendo alguma ajuda. 


Foi quando a Providência pareceu surgir na pessoa de um homem, que saltou de um riquixá e lhe perguntou o nome. 


Jubilosa, ela respondeu: “Ananda. Eu sou a alegria”. 


“E tem família”, voltou a perguntar o homem. 


Ela respondeu: “Não, não tenho família”. 


– “É exatamente do que preciso. 


Eu tenho filhos e viajo muito e necessito de uma ama, para que cuide de minhas crianças. 


Você aceitaria trabalhar para mim?” 


Ela respondeu que sim. 


Ele em seguida deu-lhe vinte rúpias para alimentar-se. 


Ananda agradeceu aos deuses. 


Em seguida entrou no riquixá e percebeu que saiam do centro da cidade, em direção da periferia, afastando-se bastante da cidade. Chegando aos arredores, foi levada a uma casa muito grande, e ali percebeu que estava sendo negociada...

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O homem era um aliciador de menores para a prostituição. 


Ela foi então vendida a um indivíduo sem escrúpulos que, para demonstrar sua força e poder, agarrou-a pelos cabelos, atirando-a no chão, chicoteando-a e jogou-a no meio de outras meninas apavoradas. 


Começava ali, naquele momento, a trajetória diferente e quase trágica de sua existência. 


Ela recebeu algumas instruções para a profissão que ia exercer – se isso pudesse se chamar profissão – e começou a atender a ralé, aos piores tipos de indivíduos que frequentavam o bordel. 


Quando lhe observaram a pigmentação, ela passou a ser utilizada por outros parias, hansenianos também. 


Durante os meses que ali permaneceu atendia a uma clientela volumosa e infeliz.

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Ela não tinha mais o menor desejo de viver, quando teve um sonho, um sonho animador. 


Alguém lhe alertava para que se evadisse, para que fugisse dali, apesar dos riscos que adviriam. 


Embora temendo ser castigada e assassinada, Ananda aproveitou-se, uma noite, da distração dos guardas e partiu, desesperada, de retorno a Benares. 


Misturou-se aos demais miseráveis e ouviu falar da história de uma mulher estranha, que estava ameaçando a estabilidade dos deuses. 


Diziam que “aquela estrangeira” viera com a tarefa de destruir a Índia e os seus deuses, apresentando um novo deus, um deus branco, oriental, que estava contra as tradições ancestrais, contra Krishna e os demais gurus...

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Ananda, sem saber como, antipatizou com essa estranha, porque, embora pária amava o seu povo, amava a sua pátria. 


Sem saber definir, sentia uma força que a impulsionava a correr, até tombar de exaustão e fome. 


Foi numa dessas ocasiões em que á fome a fez parar no meio da rua, que ela viu uma fila imensa de miseráveis que estavam diante de uma casa modesta para receber sopa. 


Ela então entrou na fila com um vasilhame imundo para receber o alimento, quando uma mulher estranha que estava à frente da distribuição, saiu do seu posto de observação e veio diretamente até ela. 


Olhou-a, e perguntou-lhe o que fazia ali. 


Ela só pode responder com uma palavra: - fome!

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A senhora levou-a para um lado e olhando bem o seu rosto percebeu que aquela mancha estava envolta por um edema. 


Então a levou imediatamente para o pavilhão dos leprosos. 


O pavilhão era um lugar de piso com chão batido, um telheiro com esteiras, onde se encontravam rebotalhos humanos. 


A Índia possuía milhões de leprosos perambulando pelas ruas e Ananda era mais uma. 


A senhora disse-lhe: - “Chamo-me de irmã Bandona e eu vou cuidar de você”. 


A pobreza da instituição era muito grande. 


Havia um crucifixo preso à parede, tendo embaixo escrito : “Tenho sede!”


 Fora ele que um dia sensibilizara a religiosa, que, voltando de um seminário de meditação, viu aquelas duas palavras: “Tenho sede!” 


E perguntou-se: O que é que Lhe dei neste dois mil anos? 


Quando Ele falou da cruz que tinha sede, ofereceram-lhe uma esponja com vinagre. 


E eu, que Lhe dei nesses dois mil anos?

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Nascia naquele momento, á obra humanitária de Madre Teresa de Calcutá. 


Ela expandiu-se pela Índia, pelo mundo. 


Quando ela desencarnou, estava atendendo a 186.000 hansenianos no mundo, afora crianças, idosos e doentes... 


Mas na Índia, como a hanseníase era quase normal, não havia terapêutica especializada naquela ocasião. 


Utilizava-se o óleo de chalmugra. Era uma tentativa inútil de diminuir a putrefação dos corpos. Sob um desses abrigos, abarrotados de hansenianos, Ananda passou a receber o carinho da irmã Bandona. 


Era uma mulher alta, vigorosa, estrangeira, porque embora falasse vários dialetos, o seu inglês não se entendia com facilidade. 


Ananda por isso lhe ficou temerosa.


 Recebia a alimentação, um pouco de asseio, a medicação, e, sem poder explicar-se como, um ano depois, as manchas haviam desaparecido do seu rosto. 


Os exames posteriores provaram que ela estava curada da hanseníase.

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Ananda continuou profundamente sensibilizada, agradecendo aos seus deuses. 


Ela pensava muito no período de Kaliuga, o período das trevas que estava na Terra. 


Nesse ínterim, ela se tornou secretária auxiliar da irmã Bandona, e tinha tanto medo dela e do deus branco que não se atrevia, sequer, a olha-LO na cruz, conforme lhe recomendavam. 


As marcas da sua condição de pária eram tantas, que ela não olhava as pessoas cara a cara, e sempre evitava passar diante de alguém para que a luz do Sol não projetasse sombra sobre outra pessoa, porque, segundo a tradição, a pessoa ficava impura a partir daquele momento, em vista da sombra de um leproso ou de um paria, haver caído sobre ela.


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Ananda prosseguia a sua trajetória e pensou em fugir dali, quando um dia, visitando um daqueles horríveis pavilhões, observou a irmã Bandona viu que uma esteira de onde saíra um morto estava ocupada por outro doente, sem a sua autorização. 


Disse ela para o doente: “Quem lhe deu esse direito? A fila é grande e já havia reservado esse lugar para um paciente mais infeliz do que você”. 


A religiosa exigiu do invasor que cedesse o lugar àquele que estava aguardando. 


– Isto porque na filosofia de Madre Tereza, o importante não era curar o corpo. 


Ela preparava as pessoas para morrer, e dizia: “A maior glória da existência é a morte – a morte honrada, através da qual o Espírito se libertava do seu carma”. 


Com isso, ela desejava que os seus pacientes aceitassem a morte como sendo o anjo da libertação.

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Aqueles homens e mulheres, que dependiam tanto dela, revoltados e gritando coléricos, atiravam-lhe muletas, pedaços de paus, pedras, enquanto ela permanecia como se fosse uma estátua, segurando a pequenina cruz de madeira, sem mover um músculo da face, até que a onda de fúria passasse e ela começasse a ora, o “Pai Nosso”. Aqueles pacientes infelizes choravam e começavam a pedir perdão aos gritos, enquanto a irmã Bandona expulsou o invasor, porque a caridade não convive com a desordem. 


Isso sensibilizou tanto Ananda que, naquela noite, ela pediu para tornar-se irmã de caridade. Desejava dar a vida que não tinha, porque não a tinha, apenas respirava.

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Uma semana depois Ananda foi mandada para Calcutá, e, pela primeira vez, viu Madre Teresa; uma mulher frágil, de um metro e sessenta centímetros, com cinqüenta e cinco quilos, com uma voz doce, suave e modesta. 


Ananda começou a fazer o noviciado, que era muito simples; a arte e a ciência de amar, ler o Evangelho de Jesus e vivê-lo; aprender a atender os pobres e doentes, até o dia em que, três anos após deveria ser transformada na monja 2.458 da Ordem que mais crescia no mundo, em todas as raças e de todas as crenças que adotavam a doutrina do amor ao próximo. 


No dia da consagração estavam familiares de todas as noviças, menos os dela, que não tinha ninguém. 


Ela ainda relanceou o olhar na multidão...e de repente, viu irmã Bandona, que viera de Benares para a consagração da sua filha espiritual, e que sorriu para ela. 


Ananda estava vestida de noiva, e, logo depois de fazer os votos de castidade, humildade, renúncia e vivência na pobreza, recebeu quatro metros de tecido branco debruado de azul; ela fez o sári, cobriu a cabeça, e tornou-se irmã de caridade.

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A irmã Bandona abraçou-a com imensa alegria e a pequena “ave de rapina do Ganges”, agora vestida de branco e ainda discriminada porque era pária, era obrigada a fazer os serviços mais abjetos, que a comunidade se recusava em face das tradições do país.

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FAÇAMOS AGORA UMA PAUSA NESTA NARRATIVA


Em 1980, na cidade de Los Angeles, um jovem cabeleireiro gay notou uma tumefação sobre a face direita. 


Ele correu a um especialista que depois de examinar a formação tumorosa, extraiu material para exame e, posteriormente, veio o resultado: câncer de Kaposi. 


Mais ou menos na mesma época um estilista gay de Miami, percebeu que lhe apareceu na testa uma pequena tumoração. 


Ele correu ao médico e receber o diagnóstico de câncer de Kaposi. 


Logo depois o mesmo fenômeno ocorria em diversas cidades do mundo na população gay. 


Então foi constatado que se tratava de um vírus já conhecido da Medicina, mas que ainda não afetara o organismo humano. 


Ele vivia inoculado no macaco barriga verde, na África, no qual era inócuo. 


Como teria passado para o organismo humano? 


Era a pergunta que pairava no ar. 


Foi dado o alarme internacional e passamos a conhecer as siglas AIDS ou SIDA – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

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Em Nova York, no bairro dos artistas e intelectuais – a questão tornou-se pandêmica, e o prefeito Edward Cock, contratou uma casa para recolher e abrigar os ‘pestosos”, e a imprensa veio contra ele dizendo que era uma jogada política. 


Ele então procurou outra solução. 


Sabia que as dores desses pacientes eram insuportáveis, principalmente quando atingia o cérebro. 


Recorreu então, ao cardeal O’Connor, considerando a aceitação pública quando o trabalho é realizado por uma instituição religiosa.

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Casualmente, Madre Tereza de Calcutá, retornando de Roma passou por Nova York e ouviu falar da grande tragédia; da estranha doença que ela ignorava e sabendo que o prefeito havia solicitado a ajuda do cardeal, prontificou-se a auxiliá-los, informando: 


“O portador da Aids é um presente que Deus está me dando para melhor amar. Amar a um desses seres é o desafio que me chega de Jesus”. 


E ela aceitou a administração da Casa sob a condição de que teriam de receber as suas instruções, não aceitaria as imposições americanas e as exigências do setor de saúde, já que não se fazia nada por eles.

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Ela foi ver as instalações e propôs as diretrizes que lhe pareceram fundamentais: que tudo fosse muito simples; as camas de ferro, modestas, que não tivessem ar refrigerando para o verão, nem tivesse calefação para o inverno. 


E começou a por em prática as suas exigências, algumas, aliás, descabidas. 


Queria um médico, mas o seu trabalho era de amor; era levar essas almas à presença de Jesus, mesmo que se recusassem, preparando-as para a morte. 


Madre Tereza recebeu a propriedade, e no mês de dezembro de 1983, chegou ao aeroporto Kennedy um grupo de jovens vestidas de branco debruado de azul; eram as noviças. 


Não tinham bagagem, porque o que possuíam era uma bata, duas peças de roupa íntima, um pedaço de sabão, uma sandália e um mais um sári, a fim de irem a qualquer lugar na hora em que Jesus chamasse.

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Um ônibus as aguardava à porta. 


Quando elas saíram e viram a neve caindo, supuseram que era Deus abençoando o seu ministério, porque nunca haviam visto a neve. 


Na região em que viviam, na Índia, não nevava. 


Elas entraram no ônibus, sem saber o que as aguardava. 


Entre elas, estava Ananda, agora com 19 anos de idade, e viera para ser dirigida por uma irmã de nome Paul, uma inglesa  severa, que iria administrar a Casa dos portadores de Aids. 


Logo que estavam instaladas, começaram a atender os pacientes. 


Mas a sociedade local começou a sitiar a Casa, ameaçando as religiosas, alegando que elas estavam trazendo para acolhimento os portadores de Aids. 


A irmã Paul era enérgica e enfrentou a população, defendendo os seus internados com abnegação e coragem. 


Elas não conheciam a devassidão reinante no Ocidente. 


Eram ainda quase inocentes. 


É verdade que Ananda fora violentada, havia vivido num prostíbulo, mas era inteiramente pura... 


Ela havia sido explorada, mas não havia vivenciado a corrupção. 


No atendimento aos enfermos ela se afeiçoou por um jovem negro, portador da Aids, que lhe contou como era sua existência antes da doença. 


Ele a chamava de Didi: irmãzinha querida e terminou morrendo em seus braços.

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O médico pragmático e conhecedor das misérias humanas, procurou explicar-lhes que ali não era a Índia. 


O trabalho era em favor da saúde e da vida e não da morte. 


Elas, entretanto, ingenuamente, recusavam em curar os enfermos, mas em proporcionar-lhes uma morte digna, e asseveravam: “A melhor saúde termina na morte; é uma questão de tempo. 


Desde que vai morrer cada um deve se preparar porque a morte nem sempre manda aviso”. 


Numa das visitas de Madre Teresa a Nova York, ela descobriu que nas penitenciárias, vários homens condenados à morte eram portadores da Sida. 


Ela percebeu que estava diante de um grande desafio: socorrer alguns desses condenados, mas encontrou os obstáculos naturais da legislação americana. 


Resolveu recorrer ao governador, fazendo um apelo pelo indulto de alguns por ocasião do Natal e logrou seu intento. 


Assim, os homens foram transferidos do corredor da morte para a Casa de Caridade.


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A obra era grandiosa e começaram a chegar os medicamentos capazes de tornar menos dolorosa e prolongar a existência. 


O pior da Aids merece que se diga, é que já existem no mundo mais de 50 milhões de soropositivo, isto sem contar os que ainda não foram diagnosticados e continuam infectados. 


O mundo ficou estarrecido nos anos 90, quando ministros de saúde de dois países venderam sangue contaminado, prejudicando centenas de pacientes que deles se utilizaram nos hospitais. 


Descobertos, foram processados e presos.

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Um dos bandidos afeiçoou-se por Ananda e ela esquivou-se. 


Um dia ele disse-lhe que era rejeitado por ser aidético. 


Ela lhe respondeu, tranqüila, que não se tratava disso, mas porque era casada com Jesus, e afirmou: “Perco a vida, mas não O trairei”. 


O bandido criou um ódio covarde e, um dia, quando ela estava atendendo outro paciente, ele aplicou-lhe sangue retirado do próprio corpo que iria contaminá-la. 


Ela sorriu para ele e reiterou: “Seja feita á vontade do Senhor”, e continuou o seu serviço. 


Ele morreu pouco depois e ela prosseguiu sua tarefa. 


No ano de 1988, A China comunista abriu espaço para Madre Teresa. 


Ela foi convidada a tomar conta de um lar de crianças com deficiências mentais em Beijing, e transferiu da Casa da Caridade, a irmã Paul, que levou Ananda para ajudá-la no socorro às crianças. 


E assim prosseguiu Ananda na sua existência, até que a morte veio visitá-la. . .



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Dominique Lapierre escreveu que o poder do amor muito além do amor é tão grande, que somente se pode compreendê-lo através de Jesus. 


Fazendo-se do amor o ponto de apoio, a alavanca da solidariedade mudará o mundo. 


Quem ama não adoece. 


Quem ama tem doenças, mas não é doente. 


A doença é um acidente de percurso na jornada do corpo, que experimenta transformações. 


“O Sermão da Montanha” é para ser cantado e vivido nos dias de hoje. 


A doutora Maria Montessori num discurso em 1937 disse: 


“Quando entendermos a criança e a educarmos á luz do Evangelho, salvo teremos à Humanidade”. 


Vivemos o momento em que o Evangelho de Jesus deve ser transformado em vivência. 


Falamos de Jesus, a necessidade de traze-lO para o nosso dia-a-dia, de arranca-lO do mito da cruz, da distância que existe entre nós e Ele – distância que nós mesmos a colocamos.

Que o Divino Amor tome conta de nós, e nos seja possível AMAR, MUITO ALÉM DO AMOR. . .


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REFERÊNCIAS

LAPIERRE, Dominique . Muito além do amor;

FRANCO, Divaldo Pereira . Palestra

Revista “O Reformador” – maio/2008

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Fonte
EXPOSIÇÕES ESPÍRITAS, 2011. Disponível em















Esse foi o grupo incipiente de cientistas , teóricos que iniciaram o campo de pesquisas para obtenção do tratamento de portadores do HIV.




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