segunda-feira, maio 04, 2009




A Parentela Corporal e a Parentela Espiritual

Allan Kardec





Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos.





O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo.





Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.





Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação.





Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.





Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue.





Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consangüíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências (Capitulo IV, no.13).





Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais.





Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual.





Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo de seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus irmãos, isto é, minha família pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.





A hostilidade que lhe moviam seus irmãos se acha claramente expressa em a narração de São Marcos, que diz terem eles o propósito de se apoderarem do Mestre, sob o pretexto de que este perdera o espirito.





Informado da chegada deles, conhecendo os sentimentos que nutriam a seu respeito, era natural que Jesus dissesse, referindo-se a seus discípulos, do ponto de vista espiritual: "Eis aqui meus verdadeiros irmãos."





Embora na companhia daqueles estivesse sua mãe, ele generaliza o ensino que de maneira alguma implica haja pretendido declarar que sua mãe segundo o corpo nada lhe era como Espírito, que só indiferença lhe merecia.





Provou suficientemente o contrário em várias outras circunstâncias.





Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo. 112 edição. Capitulo XIV, no.8. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1996.



Agredido

Joanna de Ângelis




Evidentemente sofres agressões.



Do íntimo convulsionado, petardos mentais, contínuos, produzem-te desequilíbrios; de fora chegam as investidas da ignorância e da impiedade, que te dilaceram com profundos golpes.São incontáveis as agressões:vibrações perniciosas que exteriorizas ou absorves em comércio psíquico, agridem os outros, que revidam, inconscientes; palavras ácidas que proferes ou que te penetram, ferintes, quando enunciadas por outrem na tua direção; atitudes descorteses que assumes ou que têm para contigo e maceram teus sentimentos...



Sim, estás agredido, porque não conseguiste, ainda, a doçura que recolhe a animosidade sem revide, a biliosidade sem azedume, a investida do desequilíbrio sem revolta...



Açodado por fatores intrínsecos que te desarmonizam, não pudeste armazenar forças para o auto-burilamento, que te imunizaria contra as investidas perturbantes.



O espírita é alguém, que, encontrando a explicação dos motivos do sofrimento, penetra-se de luz e paz.



Revida mediante os métodos da confiança ilimitada em Deus, deixando à Vida as respostas mais úteis aos que a desconsideram.



Não toma nas mãos as rédeas da Justiça, armando-se de látego e baraço ou esgrimindo os recursos coarctadores nem os da punição.



Se não concorda com o erro e a criminalidade, não se transforma em julgador, ante age e produz corretamente, reagindo pela atitude positiva e elevada com que expõe a excelência dos conhecimentos que o vitalizam.



O triunfo dos agressores é semelhante a vapor que os vence no auge do êxito, enquanto a vitória dos agredidos é a paz do coração.



Toda aflição, pois, é recurso providencial de que a Vida se utiliza para aproximar-te da Verdade.



Não recalcitres, nem sintonizes com aqueles que transitam nas densas faixas do primitivismo e da agressividade.



A vida na Terra por mais longa é sempre breve...



Felizes aqueles que concluem a jornada, quites, em relação aos deveres assumidos, podendo olhar para trás sem amarras nem, dependências de qualquer natureza, livres, após os embates terminados.



Incitado a adensar a massa dos atormentadores-atormentados, recorda Jesus e prossegue manso, sofrendo sem impor desespero a ninguém.



Asseverou-nos Ele, que todo aquele que "ganhar a vida, perdê-la-á", enquanto o que a "perder, tê-la-a ganho".



Assim informado não desfaleças e prossegue, agredido, porém, jamais agressor.



Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Celeiro de Bênçãos. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. 1983



Perante Nós Mesmos

André Luiz



Vigiar as próprias manifestações, não se julgando indispensável e preferindo a autocrítica do auto-elogio, recordando que o exemplo da humildade é a maior força para a transformação das criaturas.



Toda presunção evidencia afastamento do Evangelho.



Agir de tal modo a não permitir, mesmo indiretamente, atos que signifiquem profissionalismo religioso, quer no campo da mediunidade, quer na direção de instituições, na redação de livros e periódicos, em traduções e revisões, excursões e visitas, pregações e outras quaisquer tarefas.



A exploração da fé anula os bons sentimentos.



Render culto à amizade e à gentileza, estendendo-as, quanto possível, aos companheiros e às organizações, mas sem escravizar-se ao ponto de contrariar a própria verdade, em matéria de Doutrina, para ser agradável aos outros.



O Espiritismo é caminho libertador.



Recusar várias funções simultâneas nos campos social e doutrinário, para não se ver na contingência de prejudicar a todas, compreendendo, ainda, que um pedido de demissão, em tarefa espírita, quase sempre equivale a ausência lamentável.



O afastamento do dever é deserção.



Efetuar compromissos apenas no limite das próprias possibilidades, buscando solver os encargos assumidos, inclusive os relacionados com as simples contribuições e os auxílios periódicos às instituições fraternais.



Palavra empenhada, lei no coração.



Libertar-se das cadeias mentais oriundas do uso de talismãs e votos, pactos e apostas, artifícios e jogos de qualquer natureza, enganosos e prescindíveis.



O espírita está informado de que o acaso não existe.



Esquivar-se do uso de armas homicidas, bem como do hábito de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o processo em que se exprimam.



O servidor fiel da Doutrina possui, na consciência tranqüila, a fortaleza inatacável.



"Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé;provai-vos a vós mesmos."- Paulo. (II CORÍNTIOS, 13:5.)



Vieira, Waldo. Da obra: Conduta Espírita. Ditado pelo Espírito André Luiz. 21 edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1998.



ORAÇÃO PROFERIDA POR JESUS NA CASA DE SIMÃO PEDRO EM FAVOR DOS DELINQÜENTES QUE ESCAPAM AOS TRIBUNAIS DA TERRA




-“ Pai, acende a Tua Divina Luz em torno de todos aqueles que Te olvidaram a
bênção, nas sombras da caminhada terrestre.



Ampara os que se esqueceram de repartir o pão que lhes sobra na mesa farta.
Ajuda aos que não se envergonham de ostentar felicidade, ao lado da miséria e do infortúnio.



Socorre os que se não lembram de agradecer aos benfeitores.



Compadece-te daqueles que dormiram nos pesadelos do vício, transmitindo
herança dolorosa aos que iniciam a jornada humana.



Levanta os que olvidaram a obrigação de serviço ao próximo.



Apiada-te do sábio que ocultou a inteligência entre as quatro paredes do paraíso
doméstico.



Desperta os que sonham com o domínio do mundo, desconhecendo que a
existência na carne é simples minuto entre o berço e o túmulo, à frente da
Eternidade.



Ergue os que caíram vencidos pelo excesso de conforto material.



Corrige os que espalham a tristeza e o pessimismo entre os semelhantes.



Perdoa aos que recusaram a oportunidade de pacificação e marcham disseminando a revolta e a indisciplina.



Intervém a favor de todos os que se acreditam detentores de fantasioso poder e
supõem loucamente absorver-te o juízo, condenando os próprios irmãos.



Acorda as almas distraídas que envenenam o caminho dos outros com a agressão
espiritual dos gestos intempestivos.



Estende paternas mãos a todos os que olvidaram a sentença de morte renovadora da vida que a tua lei lhes gravou no corpo precário.



Esclarece os que se perderam nas trevas do ódio e da vingança, da ambição
transviada e da impiedade fria, que se acreditam poderosos e livres, quando não
passam de escravos, dignos de compaixão, diante de teus sublimes desígnios.



Eles todos, Pai, são delinqüentes que escapam aos tribunais da Terra, mas estão
assinalados por Tua Justiça Soberana e Perfeita, por delitos de esquecimento,
perante o Infinito Bem.



Prece extraída do capítulo 50 “Em Oração”, do livro JESUS NO LAR, ditado pelo Espírito Neio Lúcio, ao médium Francisco Cândido Xavier.