domingo, dezembro 05, 2010



Raízes profundas


Momento Espírita




É bastante comum ouvir pessoas maduras afirmar que sofreram muito em sua infância ou em sua adolescência e que, de maneira alguma, desejam o mesmo para seus filhos.


Recordam ter iniciado cedo a trabalhar para auxiliar nas despesas do lar, dos desejos que jamais foram concretizados, como a bola de futebol, a bicicleta nova, a viagem de recreio.


Lembram de certas privações, de não terem tido privacidade quanto gostariam, porque necessitavam dividir o quarto com os irmãos, pela falta de espaço na casa dos pais.


Recordam, e recordam com certa amargura, o que lhes constituiu dificuldades e reafirmam que tudo farão para que seus filhos não tenham que experimentar nada daquilo.


Por isso mesmo, crescem os meninos e meninas sem maiores problemas. Vão à escola, levam dinheiro para o lanche, nem sempre saudável, viajam nas férias, brincam e folgam.


Nada lhes falta, para que não sofram, para que não se frustrem, para que não tenham decepções.


Nada em esforço lhes é exigido. Nada que desejem deixam de receber.


Vendo tantos pais assim proceder, recordamo-nos de um médico americano que, além de curar os seus doentes, tinha por objetivo transformar o terreno de sua casa em uma floresta.


Vivia a plantar árvores. Bastava retornar do hospital, e das visitas rotineiras aos pacientes, para se enfiar em um macacão, colocar um chapéu de palha na cabeça, luvas nas mãos e sair para o quintal.


O inusitado não era o passatempo do médico, mas a forma como ele tratava as árvores novas. Ele não as regava. Dizia que regar as plantas fazia com que crescessem com raízes superficiais.


As árvores que não eram regadas, dizia, necessitavam de criar raízes profundas para procurar umidade. Isto lhes concedia maior firmeza.


Falava com as árvores e as motivava a crescer fortes, a fim de enfrentar os ventos frios, as tempestades.


E as árvores se tornavam rijas, parecendo dizer que as adversidades e as privações as tinham beneficiado.


Nossos filhos, como as árvores do bom médico, talvez encontrem adversidades na vida.


Talvez tenham que percorrer caminhos difíceis, enfrentar ventos frios de solidão, de desesperança.


Eles também necessitam de criar raízes profundas, de modo que não sejam abatidos quando as chuvas caírem e os ventos soprarem fortes, tentando derrubá-los.


Aprendamos a dizer não, vez ou outra, a fim de que os nossos filhos aprendam que nem tudo lhes estará sempre disponível.


Mesmo que não seja necessário, confiemos a eles tarefas, exigindo que as executem, para treinar responsabilidade.


Em síntese, ensinemos nossos filhos a andar sozinhos, a enfrentar problemas, a lutar pelo que desejam, para que enrijeçam o caráter e cresçam fortes como o carvalho e sejam firmes como a rocha.


* * *


Pais e mães reflitamos no fato de que criamos nossos rebentos para a vivência do mundo, na sociedade.


Assim, ofertemos a eles a melhor estrutura, ensinando-os a cooperar no lar, para que aprendam amanhã a cooperar no mundo.


Pensemos nos tempos difíceis do mundo e preparemos nossos filhos para que os enfrentem com vigor.


Ocupemos as suas mãos com o trabalho honrado, coloquemos em suas mentes a luz do Evangelho e os ensinemos a valorizar o tempo, o dinheiro, a saúde, a inteligência, tudo enfim de que sejam dotados.



Redação do Momento Espírita, com base em artigo publicado na Revista Seleções Reader’s Digest de abril/1999 e no cap. 18 do livro Vereda familiar, pelo Espírito Thereza de Brito, psicografia de Raul Teixeira, ed Fráter. Disponível no livro Momento Espírita, v. 1, ed. FEP.



A vontade


Momento Espírita



As causas da felicidade não se acham em lugares determinados do espaço.


Elas estão em nós, nas profundezas da alma.


O Reino dos Céus está dentro de vós, disse o Cristo.


Tal premissa é confirmada por várias outras doutrinas.


É na vida íntima, no desabrochar de nossas faculdades, de nossas virtudes, que está o manancial das felicidades futuras.


Olhemos atentamente para o fundo de nós mesmos.


Fechemos, por alguns instantes, nosso entendimento às coisas externas.


Depois de havermos habituado nossos sentidos ao silêncio, seremos capazes de ouvir vozes fortificantes e consoladoras.


As vozes de nossas próprias consciências.


Há poucos homens que sabem ouvir seus próprios pensamentos.


Raros são aqueles capazes de reconhecer e explorar os próprios potenciais.


Geralmente alguns de nós gastamos a vida em coisas banais, improdutivas.


Percorremos o caminho da existência sem nada saber a respeito de nós mesmos, de nossas riquezas íntimas.


E então nos perguntamos: Como poderemos nos valer das nossas capacidades, orientando-as para um ideal elevado?


Pela vontade!


É através dela que dirigimos nossos pensamentos para um alvo determinado.


Na maior parte dos homens os pensamentos flutuam sem cessar.


Sua mobilidade constante e sua variedade infinita oferecem pequeno acesso às influências superiores.


É preciso saber concentrar-se, colocando o pensamento em sintonia com o Pensamento Divino.


Só assim a alma humana poderá ser envolvida pelo Espírito Divino, tornando-a, dessa forma, apta para realizar nobres tarefas.


A vontade é a maior de todas as potências e seu poder é ilimitado.


Sua ação é comparável a de um ímã.


O homem, consciente de si mesmo e de seus recursos latentes, sente crescerem suas forças na razão dos esforços que desenvolve em determinado sentido.


Sabe que, tudo o que de bem e bom desejar há, de mais cedo ou mais tarde, realizar-se, nesta ou em existências futuras, quando seu pensamento estiver de acordo com as Leis Divinas.


* * *


Como é belo e consolador poder dizer: Conheço a grandeza e a força que habitam em mim.


Elas hão de ser meu amparo e minha certeza, em todos os instantes de minha vida.


Com o auxílio de Deus e dos benfeitores espirituais, hei de elevar-me acima de todas as dificuldades.


Vencerei o mal que ainda há em mim.


Abrirei mão de tudo o que me acorrenta às coisas grosseiras deste mundo, para levantar voo em direção a estágios mais felizes.


Vejo claramente o longo caminho a ser percorrido.


Nada, porém, poderá me impedir de prosseguir nessa estrada.


Tenho um guia seguro para me enobrecer e me elevar, que é a vontade.


Hei de conservar-me firme e inabalável, sempre em frente.


Com minha vontade conquistarei a plenitude da existência.


Farei de mim uma criatura melhor.


Para isso, basta que eu queira alcançar toda essa ventura com energia e com constância.


E diga, para mim mesmo, conclamando-me à elevação e à marcha, apressando-me, assim, para a conquista de meu próprio destino: a felicidade verdadeira.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. XX, pt. 3, do livro O problema do ser, do destino e da dor,  de Léon Denis, ed. Feb.




Um voo para a liberdade

Momento Espírita




A cidade de Roma estava abarrotada de gente. Eram peregrinos vindos de toda a Europa para as celebrações do jubileu do ano de 1600, que aconteceriam durante o ano todo.


Especialmente naquele dia a população se aglomerava para contemplar um espetáculo singular.


As tochas acesas ao longo do caminho iluminavam a pálida manhã de fevereiro.


O filósofo de cinquenta e dois anos caminhava lentamente sobre as pedras frias...


Descalço e acorrentado pelo pescoço, vestia um lençol branco estampado com cruzes, demônios e chamas vermelhas.


Aquele homem magro vencia, a passos lentos, os oitocentos metros desde a Torre Nona, onde estivera encarcerado, e o campo das flores, ampla praça onde seria executado.


Alguns monges seguiam ao seu lado convidando-o ao arrependimento. De tempos a tempos aproximavam o crucifixo dos seus lábios, dando-lhe oportunidade de salvar-se.


A população se acotovelava para ver um herege famoso morrer na fogueira...


Chegando à praça, onde a morte o aguardava, o filósofo se negou mais uma vez a beijar a cruz. Então foi amordaçado, despido, atado a uma estaca de ferro e coberto com lenhas e palhas até o queixo.


O fogo foi ateado. E, enquanto as labaredas chamuscavam-lhe a barba e seus pulmões se enchiam de fumaça, Giordano Bruno tinha o olhar fixo no Infinito...


Enquanto a pele estalava sob o calor das chamas e o sangue fervia nas veias, o notável filósofo ainda guardava uma convicção: não iria para o inferno.


A certeza de que veria outros sóis, inúmeros mundos celestiais e viajaria através do Infinito, lhe davam uma paz indescritível.


Em seu julgamento, no ano de 1592, em Veneza, Giordano Bruno disse aos seus julgadores: Uma vez que a alma não pode ser encontrada sem o corpo e todavia não é o corpo, pode estar neste ou naquele corpo e passar de corpo em corpo.


Bruno foi morto na fogueira por defender a ideia de que a alma humana poderia, após a morte, retornar à Terra num corpo diferente, e até continuar a sua evolução em outros mundos além da Terra.


Além da crença na reencarnação, ele defendia a ideia de que o indivíduo pode encontrar a salvação sem a intervenção de terceiros, mas do seu relacionamento direto com Deus, ao longo de sua jornada neste planeta.


Foi graças a suas convicções que Bruno não titubeou ante a fogueira que o aguardava...


Bastaria apenas beijar a cruz... Mas ele preferiu a liberdade...


Sabia que as chamas nada mais fariam do que enviar sua alma na direção de outros sóis, onde poderia viajar através do Infinito...


* * *


Muitos pensadores ocidentais defenderam a ideia da reencarnação. Entre eles está o filósofo francês Voltaire, o filósofo alemão Schopenhauer, o estadista americano Benjamim Franklin, o poeta alemão Goethe, o novelista francês Honoré de Balzac.


Antes de Cristo também encontramos a crença greco-romana na reencarnação com Pitágoras, Platão, Cícero, Virgílio, entre outros.


Considerando que uma ideia falsa não sobrevive ao tempo, devemos concluir que a reencarnação é uma verdade que não pode ser apagada, por mais que se tente.



Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Reencarnação – o elo perdido do Cristianismo, de Elizabeth Clare Prophet, ed. Nova era.


Disponível http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1291&let=&stat=0


O vencedor


Momento Espírita





Quem acha que perder é ser menor na vida...


Quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar...


Eu... Que já não quero mais... Ser um vencedor.


Levo a vida devagar... Pra não faltar amor.




A letra da música popular é de extrema beleza e profundidade.


No mundo da vitória a qualquer custo, dos vencedores de berço e coisa e tal, é necessário pensar um pouco sobre tudo isso.


Todos queremos vencer, é certo. A natureza nos impulsiona para as vitórias sempre, para o crescimento contínuo e inevitável.


Porém, no entendimento humano da palavra vencer, e em quem julgamos serem vencedores é que está a questão fundamental.


Adianta vencer profissionalmente, ter sucesso e fama, se nos falta amor?


Adianta ser considerado um vencedor do esporte, na carreira, na arte, se, como pais, cônjuges, filhos, irmãos, somos verdadeiros derrotados?


Vale a pena vencer a qualquer custo? Esse não seria um comportamento deveras imediatista, sem considerar a vida como um todo, incluindo sua continuidade além-túmulo?


Será que vencedores são apenas aqueles que conseguem - neste país de tantas dificuldades - concluir um ensino superior?


Será esse nosso único critério de vitória? A formação intelectual, as conquistas profissionais e as riquezas acumuladas?


Seria certamente uma vitória muito pobre...


Criar um vencedor no lar, na pessoa de um filho, não é apenas lhe dar as oportunidades da formação intelectual.


Criar um vencedor é criar um homem de bem, que saiba valorizar o amor e os relacionamentos saudáveis acima de tudo.


Criar um vencedor é ensiná-lo a perder, e lidar com as derrotas da vida, procurando extrair delas sempre lição preciosa de engrandecimento moral.


Aparentes derrotas são preparações fundamentais para que as grandes vitórias sejam possíveis.


Por isso, levar uma vida devagar, pode significar dar mais atenção à família, pode significar dar-se mais aos outros.


Na vida de quem não falta amor, há sempre muitas, e inesquecíveis vitórias.


* * *


Venci... O mundo, a mim mesmo... A minha falta de visão clara sobre as coisas.


Venci a vontade de querer mais... Troquei pela vontade se "ser" mais.


Venci a inércia, a vontade de não ter vontade, e me arremessei ao mundo, de braços abertos, sem esperar nada das pessoas e nem de mim.


Não sou vencedor aos olhos do mundo. Minha vitória é secreta, quieta, segura... É minha.


Amo mais a cada dia, e cada dia me ama mais.


Vivo um amor plenamente correspondido com a vida.


Venci, sim, a mim mesmo. Minha consciência me aplaude, mas ao mesmo tempo me diz: muitas vitórias ainda te aguardam.


Redação do Momento Espírita com base em trecho da música O vencedor, de Marcelo Camelo, e em poema de autor desconhecido.


Disponível http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2043&let=&stat=0