terça-feira, novembro 05, 2013

Tornando-nos reais - Momento Espírita




Tornando-nos reais

Ao mirar-se o horizonte, percebia-se que o sol, senhor do dia, baixava guarda ao reinado da lua.


Primeiro um, depois outro, os vizinhos começavam a trazer suas cadeiras para a frente dos lares, em busca de uma agradável conversa de final de dia.


Enquanto os adultos dialogavam sobre os mais variados assuntos, as crianças brincavam na rua.


Era como se, naquela comunidade, todos fizessem parte de uma mesma família.


Entretanto, aconteceu que um dia um dos vizinhos chegou em casa carregando uma grande caixa de papelão.


Ao anoitecer, como era costume, todos se reuniram nas calçadas para mais algumas horas de conversa.


Foi então que alguém, verbalizando a curiosidade geral, questionou o vizinho acerca do conteúdo da misteriosa embalagem.


Ele revelou que, depois de muito poupar, sua família havido comprado um aparelho de televisão.  Estavam ansiosos aguardando pelo dia seguinte, quando um técnico viria instalá-lo corretamente.


A vizinhança ficou toda admirada. Aquela era a primeira televisão a chegar naquela rua.


Os dias sucederam-se e aquele vizinho, bem como seus familiares, começaram a aparecer cada vez menos na alegre roda de conversa entre amigos.


Primeiro, vinham apenas a cada dois ou três dias. Depois, uma vez por semana. Então, uma vez ou duas por mês. E, finalmente, não apareceram mais.


Enquanto todos conversavam alegremente, contemplavam pelas vidraças a família do saudoso vizinho, sentado junto aos seus familiares, de frente para aquela tela brilhante.


O tempo foi passando. Logo, mais um vizinho apareceu com uma grande caixa de papelão em casa. E depois outro. E ainda mais um.


Gradualmente, a roda de conversa foi ficando menor, até desaparecer por completo.


Os vizinhos, agora, pouco se viam. À noite, recolhiam-se diante dos televisores, absortos pela programação, mergulhados num afastamento sem limites.


*  *  *


As décadas se passaram, mas a triste situação permanece.


Hoje, ainda que estejamos vivenciando a era da internet, através da qual temos ampla possibilidade de nos comunicarmos, jamais estivemos tão isolados.


Nunca o número daqueles que se sentem sós esteve tão alto, ainda que contando centenas de amigos nas redes sociais.


Contra a solidão e o isolamento, os ensinamentos eternos do Mestre: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos.


Troquemos, vez ou outra, o toque frio dos mouses de computador, pelo toque caloroso de uma mão amiga. A digitação frenética, por momentos venturosos de uma conversa amistosa.


Os sites de bate papo, por idas ao parque, um jantar descontraído com os amigos, momentos de diversão.


A grande lição que todos temos diante da oportunidade reencarnatória que se apresenta é aprendermos a amar.


E tal aprendizado só se faz na relação com o outro: nos gestos de caridade e de perdão, nas palavras ditas num momento de ternura.


Quando, enfim, deixamos um pouco de lado o conforto e a praticidade da vida virtual e vivemos intensamente aquilo que nos torna reais e humanos: a capacidade de amar.


Pensemos nisso!



Redação do Momento Espírita. Disponível em www.momento.com.br.





segunda-feira, novembro 04, 2013

Viva como as flores - Momento Espírita




Viva como as flores



Em um antigo mosteiro budista, um jovem monge questiona o mestre: Mestre, como faço para não me aborrecer? 


Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes, muitas são indiferentes.


Sinto ódio das mentirosas e sofro com as que caluniam.


Pois viva como as flores, orientou o mestre.


E como é viver como as flores? -  Perguntou o discípulo.


Repare nas flores, falou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim.


Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. 


Extraem, do adubo malcheiroso, tudo que lhes é útil e saudável... mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.


É justo inquietar-se com as próprias imperfeições, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o perturbem.


Os defeitos deles são deles e não seus.


Se não são seus, não há razão para aborrecimento.


Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.


Isso é viver como as flores.


Numa simples orientação, sem dúvida, uma grande e nobre lição de bem-viver.


Mas, para viver como as flores, é preciso, ainda, observar outras características que elas nos oferecem como exemplo.


Importante notar que nem todas as flores têm facilidades, mas todas têm algo em comum: florescem onde foram plantadas.


Seja em terreno hostil, em meio a pedregulhos ou em jardins tecnicamente bem cuidados, as flores surgem para perfumar e embelezar a vida.


Existem as flores heroínas, que precisam lutar com valentia por um lugar ao sol. 


São aquelas que surgem em minúsculas frinchas, abertas em calçadas ou muros de concreto.


Precisam encontrar, com firmeza e determinação, um espaço para brotar, crescer e florescer.


Há flores, cujas sementes ficam sob o solo escaldante do deserto por muitos anos, esperando que um dia as gotas da chuva tornem possível emergir...


E, então, surgem, por poucos dias, só para espalhar seu perfume e lançar ao solo novas sementes, que germinarão e florescerão ao seu tempo.


Em campos cobertos de neve, há flores esperando que o sol da primavera derreta o gelo para despertar de sua letargia e colorir a paisagem, em exuberância de cores e perfumes.


Ah! Como as flores sabem executar com maestria a missão que o Criador lhes confia!


Existem, ainda, flores resignadas, que se imolam na tentativa de tornar menos tristes as cerimônias fúnebres dos seres humanos... enfeitando coroas sem vida.


Viver como as flores, portanto, é muito mais do que saber retirar vida, beleza e perfume, do estrume...


É mais do que florescer em desertos áridos e em terrenos inóspitos...


É mais do que buscar um lugar ao sol, estando numa cova escura sob o concreto espesso...


É mais do que suportar a poda e responder com mais vida e mais exuberância...


Viver como as flores é entender e executar a missão que cabe a você, a mais bela e valorosa criatura de Deus, para quem todas as flores foram criadas...


*   *   *


As flores são uma das mais belas e delicadas formas de expressão do Divino Artista da natureza.


Parece mesmo que o Criador as projetou e as colocou no mundo para nos falar da grandeza do Seu amor por nós, e também como lições silenciosas a nos mostrar como florescer e frutificar, apesar de todos os obstáculos da caminhada...



Pense nisso, e imite as flores!





Redação do Momento Espírita, com  base em história de autoria ignorada.Disponível em www.momento.com.br.


sábado, novembro 02, 2013

Recordando os que se foram - Momento Espírita





Recordando os que se foram




Das dores humanas, a que se refere à separação dos nossos amores, pela transição da morte, é das mais dolorosas.


Perante os lábios que silenciaram, deixando-nos na carência das palavras doces e ternas expressões que nos embalaram os dias, pulsa o nosso coração em dolorida soledade.


Contudo, é o instante de agradecer a Deus os momentos de felicidade que com aquele ser vivemos, durante os dias do amor que nos dedicou.


Contemplando fechados os olhos que nos sinalizaram alegrias e afetividade, olhos que nos censuraram em nome dos cuidados da ternura, choramos a dor da ausência do brilho que não tornaremos a ver.


No entanto, louvemos o Senhor da Vida pelo desvelo com que nos permitiu acompanhar o marca-passo de tão abençoada existência, que se interrompe ao impacto da desencarnação.


Notando que o coração que pulsava belezas, em notas de encantamentos, agora se deteve, não mais conseguindo as batidas abundantes de energia, de vitalidade, sentimos a própria bomba cardíaca falhar em seu ritmo.


Entretanto, ergamos aos céus a nossa emoção, dando graças ao Criador pela oportunidade que tivemos de partilhar a convivência com aquele afeto, no aprendizado que nos concedeu experiência e maturidade, em continuadas lições.


É dolorosa, sim, a separação dos nossos amores pela morte. Qual o coração de pai ou de mãe que não se sentirá despedaçar ante a rigidez do corpo do filho que até há pouco corria pela casa, em gritos de alegria?


Como não haveremos de sentir a ausência da voz cristalina a nos chamar pelo doce nome de mãe? De pai?


Qual o esposo ou esposa que não se sentirá murchar ante a ausência do vulto amado que não mais projetará sua sombra sobre as paredes do lar, que não mais ocupará seu lugar à mesa?


*   *   *


Mas, guardemos a certeza: não morreram os nossos afetos!


O emudecer da máquina orgânica não determina o fim da vida. É, sim, o momento em que, em pleno cenário da vida, o pano desce ao término de mais um ato.


Prossigamos assim, amando, ainda e sempre, os amores que viajaram no trem do passamento, em busca da plataforma terminal do Além, dedicando-lhes vibrações de equilíbrio e respeito, de harmonia e boa vontade.


Eles prosseguem atentos, da Espiritualidade, partilhando-nos os dias, na medida das suas possibilidades.


Recordemos os instantes de abençoados sorrisos e boa convivência e lhes enderecemos a palma de carinho em forma de oração.


Não caiamos no desespero ou na rebeldia, nos acreditando em abandono. Façamos o que nos compete, cada dia, prestando-lhes assim a justa homenagem.


Eles, mais do que antes, precisam da nossa resignação, em face das determinações do Criador.


Eles, que cumpriram os seus compromissos, nos aguardam para que, um dia, quando concluirmos as nossas próprias etapas, avancemos juntos para os plenos céus do futuro de aleluias e bênçãos sem termo.


*   *   *


A morte não visita somente o teu lar. Ela passa por todas as portas, invariavelmente.


Em face da ocorrência da morte que visita o teu lar, não te permitas a surpresa insensata, que se transformará em rebeldia e desespero.


Pensa com carinho nos que se foram e dialogarás com eles. Pensa neles com amor e sentirás a cariciosa presença deles, que te vêm diminuir a dor pungente da saudade.






Redação do Momento Espírita, com base no cap. 27, do livro Cintilação das estrelas, pelo Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira e no verbete Morte, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.






Neste "Dia da Saudade" em que reverenciamos os nossos amores desencarnados, dedicamos este post aos nossos queridos pais, que cumpriram com muito amor, carinho, responsabilidade e dedicação a missão que lhes foi confiada, de nos receberem como filhos e nos conduzirem no caminho do bem, do amor e do respeito ao próximo.


A nossa eterna gratidão e que eles possam receber o nosso buque de flores espirituais que jamais fenecerá, pois desabrocharam no jardim de nossos corações .


Que as bênçãos de Jesus e da Mãe Santíssima, que eles tanto nos ensinaram a amar, os envolvam hoje e sempre, onde quer que se encontrem.






sexta-feira, novembro 01, 2013

Um siri vai lhe trazer alegria - Momento Espírita




Um siri vai lhe trazer alegria



Sempre que o mundo desabava sobre minha cabeça, eu ia andar pela praia, próximo de onde morava.


Um dia encontrei uma bela garotinha de olhos tão azuis quanto o mar, construindo um castelo de areia ou algo parecido.


Oi, disse ela.


Eu respondi com um aceno de cabeça, não estava com humor para me aborrecer com uma criança.


Você quer me ajudar a construir meu castelo?


Hoje não. Falei pouco atencioso.


Eu gosto de sentir a areia em meus dedos do pé, ela falou sorridente.


Que boa ideia, pensei, e tirei meus sapatos. Um siri deslizou próximo.


Isto é um alegria, falou a criança.


É um o quê? Perguntei.


Isto é um alegria, livre pela praia.


Adeus alegria, olá dor, murmurei comigo mesmo e continuei a caminhar.


Eu estava deprimido, mas a menina não desistia e perguntou: Qual é o seu nome?


Eu sou Robert Peterson, respondi.


O meu é Wendy... Eu tenho seis anos.


Oi, Wendy.


Apesar de minha melancolia fui obrigado a rir e continuei caminhando.


Sua risadinha musical me seguiu.


Venha novamente, Sr. P., disse ela, animada.


Nós teremos outro dia feliz.


Meus dias foram atribulados e somente semanas depois é que voltei à praia.


A brisa era fria, mas eu andava a passos largos, tentando readquirir serenidade.


Tinha até me esquecido da criança, quando ela apareceu.


Oi, Sr. P., você quer brincar?


Não sei, que tal charadas? Perguntei sarcasticamente.


Eu não sei o que é isto, falou a menina.


Então me deixe continuar a caminhada.


Onde você mora? Perguntei-lhe.


Ali. Ela respondeu apontando na direção de uma fila de cabanas de verão.


Como você vai para a escola?


Eu não vou à escola. 


A mamãe disse que nós estamos de férias.


Ela tagarelou e quando eu ia voltar para casa, Wendy disse que tinha sido outro dia feliz. 


E havia sido mesmo.


Três semanas mais tarde, eu andava apressado pela praia, quase em pânico, quando a garota me alcançou.


Olhe, se você não se importa, hoje eu quero andar sozinho.


Ela me pareceu pálida e sem fôlego.


Por que? Ela perguntou.


Porque minha mãe morreu! Gritei.


Oh, então este é um dia ruim, falou a menina com ar de tristeza.


Sim, eu disse, e ontem e anteontem também. Vá embora!


Um mês depois disso, fui andar novamente na praia, mas ela não estava lá.


Sentindo-me culpado e admitindo para mim mesmo que sentia falta dela, subi até a cabana, e bati na porta.


Uma mulher jovem atendeu.


Olá, eu sou Robert Peterson.


Senti a falta de sua pequena menina e gostaria de saber se ela está bem.


Oh, sim, Sr. Peterson, entre, por favor.


Wendy falou muito a respeito do senhor.


Eu tinha receio que ela estivesse lhe aborrecendo.


Se ela foi um incômodo, por favor, aceite minhas desculpas.


Não, sua filha é uma criança muito amável. Onde está ela?


Wendy morreu na semana passada, Sr. Peterson. 


Ela tinha leucemia. 


Talvez não tenha lhe contado...


A notícia me deixou cego e mudo, por alguns instantes...


E a mãe continuou: Ela adorava esta praia e parecia um tanto melhor aqui. Aqui teve muito do que ela chamava de "dias felizes".


Mas nos últimos dias, ela piorou rapidamente...


Minha filha deixou algo para o senhor...


Entregou-me um envelope, com Sr. P. escrito em grandes letras infantis.


Dentro havia um desenho - uma praia amarela, um mar azul, e um siri marrom. 


Embaixo estava escrito: 


um siri vai lhe trazer alegria.


Lágrimas rolaram de meus olhos e um coração que quase esqueceu de amar abriu-se largamente.


Tomei a mãe de Wendy em meus braços e murmurei repetidas vezes: 


Eu sinto muito, sinto muito!


O pequeno e precioso desenho está agora emoldurado e pendurado em meu escritório.


Seis palavras - uma para cada ano de sua vida - me falam de harmonia, coragem, amor e desinteresse.






Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada. Disponível em www.momento.com.br.