quinta-feira, dezembro 03, 2015

Em meditação - Eros




Em meditação

Eros


Os olhos transparentes e doces do missionário tornaram-se fulgurantes, enquanto ele falava.


A musicalidade do ar fizera-se a moldura do seu verbo.


Os ouvintes comovidos bebiam as palavras com sofreguidão, qual terra sáfara absorvendo a umidade que a abençoava.


- Dharana é a busca da razão -disse-lhes ele-qual condor alçando-se às cumeadas rochosas onde tem o ninho.


“Raciocina, examina, discerne, passo a passo, avançando como um fim perseguido".


“Dharana é a concentração, fixidez na ideia que se penetra e se disseca, procurando calma, equilíbrio de células e conquista de forças".


“O condor repousa após atingir os alcantis distantes".


“Nossa busca para o samadhi é dhyana, plenitude além e acima da razão".


“Paz interna que envolve; música em uma nota só; nenhum desejo nem preocupação".


“É o fim da própria angustiante busca, sem outros meios, senão o mergulho interior".


“O samadhi, a iluminação, acalma e enriquece o coração de beleza e a mente de sabedoria para o milagre do amor.”


Pairou no ambiente uma grande emoção.


- Mestre - perguntou, perplexa, a jovem discípula - como meditar sem pensar?


- A disciplina da vontade que comanda os desejos - respondeu, suave - sobrepõe-se às ansiedades da aquisição, e, qual uma luz acesa dentro de uma lâmpada irradiando claridade em todas as direções, apenas brilha...


Quando o homem santo silenciou, dele se exteriorizou branda luz; os seus olhos profundos converteram-se em duas estrelas fulgurando na face vestida de serenidade.

*

Dharana — Palavra sânscrita que literalmente significa conservar a atenção, concentração.


Dhyana — Idem, significando meditação, um estado de ser graças ao qual se descobre o que a vida é em si mesma e em seu derredor.


Samadhi —É o estado de plenitude, de iluminação.
(Notas da Autora espiritual)




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Do livro Em algum lugar do futuro, 2.ed, 1987, p. 13.

quarta-feira, dezembro 02, 2015

Ele confia... - Momento Espírita




Ele confia...



Quando um Espírito decide por retornar ao cenário terrestre, um planejamento se faz. 


Seu anjo de guarda e aqueles interessados em seu progresso, em sua felicidade, o assessoram, nessa tarefa.


Alguns preparam programas muito bem elaborados, caso venham à Terra para grandes missões, questões que objetivem o bem maior, revoluções do pensamento, das artes, da ciência.


Outros vêm com planos mais gerais. 


Mas, ninguém simplesmente nasce como obra do acaso, ou de simples descuido, conforme costumamos afirmar, algumas vezes.


Nesse planejamento se encontra, primordialmente, a escolha dos pais. 


Quem o receberá, no planeta terrestre, quem o aninhará em seu seio, alimentando-o, até o momento de renascer no cenário do mundo.


Quem lhe será o protetor dos primeiros dias, da infância, quem o guiará, com mão forte, através dos anos, até poder andar por si mesmo e crescer, no rumo da luz.


Que doce encantamento não deve envolver quem assim se prepara. 


É uma nova chance de progresso, de vida no abençoado planeta azul, nosso lar de tantas e tantas vidas reprisadas, revividas.


Então, nasce o pequenino e se entrega confiante, esperando que a mãe que o acolheu em sua intimidade, por meses, o amamente, com amor.


E quando o faça, tenha olhos para ele, dizendo-lhe sem palavras: 


Querido filho, eu te amo! 


Sorve de minha seiva.


Ele aguarda que ela lhe seja o esteio. 


Enquanto se alimenta, ouve o coração daquela que o gestou e nela confia.


Confia que ela o proteja, lhe providencie o agasalho, o conforto. 


Que ela o leve nos braços como quem carrega um tesouro frágil, uma joia de subido valor, um cristal valioso.


Ele confia que o pai o receba em seus braços, lhe acompanhe o desenvolvimento, dia a dia. 


Que lhe ampare os primeiros passos, que o conduza pela mão, pelos caminhos do mundo. 


Ele espera, ele confia.


Por sua vez, a Divindade, igualmente confia que Seus filhos, a quem elegeu pai e mãe, exercerão o seu papel junto ao ser que envia, indefeso e pequeno, aos seus cuidados.


Cuidados que vão além das questões materiais do alimento, agasalho, abrigo. 


Questões que têm a ver com o sentimento, com o desabrochar de emoções de gerar uma outra vida, de passar suas experiências nobres ao ser que chega.


Questões que falam de amor demonstrado em pequenos gestos, em um olhar, um abraço, um aperto de mão.


Tudo isso que se expressará em acompanhamento do filho, incentivando-o a enfrentar os desafios de ficar em pé, andar, correr, dominar o próprio corpo.


Acompanhamento que observará cada conquista e a elogiará, dizendo-lhe que ele pode um tanto mais. 


E mais.


Acompanhamento que lhe dirá do certo e do errado, nos rumos da educação, que o brindará com exemplos de honestidade, dignidade, trabalho, possibilitando-lhe se tornar cidadão honrado, onde quer que venha a atuar, no mundo.


Sim, esse Espírito confia em você, pai, mãe.


Deus confia em cada um de nós, a quem estabelece a missão da paternidade e da maternidade.


Estejamos atentos. 


Tenhamos os olhos postos nessa preciosidade com que a Divindade nos honrou o lar: nosso filho.



Não o percamos de vista, mesmo à distância. 


Ofertemos-lhe nosso amor, nossa ternura, auxiliemo-lo a vencer os obstáculos, tenhamos a alegria de vê-lo prosperar, crescer material e espiritualmente.


É nosso filho! 


Confia em nós.





Redação do Momento Espírita. Disponível em www.momento.com.br.

O oceano da verdade - Eros





O oceano da verdade

Eros


O aprendiz sincero da Verdade acercou-se do Mestre e propôs-lhe:


- A calúnia fere-me a alma e a incompreensão deliberada persegue-me a vida. 


Sinto-me aturdido e cansado. 


Que fazer?


- Alegrar-se - respondeu o sábio - por estar sofrendo.


- Todavia, sou inocente.


- Por isso mesmo deves rejubilar-te. 


O aplauso à inocência vem da consciência tranqüila. 


Quando alguém sofre a imediata correção ou censura ao erro praticado, reabilita-se. 


Mas se é inocente daquilo que lhe acusam, deve sentir-se feliz, porque a justiça assim o alcança, convidando-o a reparar delitos outros que ficaram ignorados.


- Embora reconheça a justeza do ensinamento, sofro com as dificuldades que me são postas à frente. 


Como proceder?


Fazendo uma pausa para reflexionar, elucidou, o santo:


- Humilde nascente dágua, oculta num bosque feliz, vivia ignorada e tranqüila.


 Oportunamente, um viandante, cansado e sedento, encontrou-a e refrescou-se, abençoando-a após.


“Animada com o fato, a fonte rogou a Deus que lhe permitisse crescer, porquanto gostaria de atender os animais, as aves e alguns passantes combalidos"...


“A Divina Misericórdia ouviu-a e produziu chuvas que lhe aumentaram o potencial, fazendo-a transbordar e tomando-a um córrego generoso a alongar-se por sobre a terra gentil".


“Entusiasmada, por atender as necessidades a sua volta, atendendo também as plantas por onde passava, a antiga nascente exorou mais força, porquanto gostaria de alcançar uma área maior e beneficiar mais"....


“A Suprema Sabedoria concordou, facultando que mais chuva caísse no seu ponto de origem e aumentando-lhe o caudal propiciou-lhe alcançar distâncias que antes sequer eram conhecidas"..


“Numa curva, porém, mais acentuada do seu curso, o riacho encontrou seixos e pedregulhos que lhe pareciam impedir o avanço".


Porque tivesse força carregou-os, deixando-os à margem ou fixando-os ao leito por onde corria.


“Pelo caminho foi encontrando outros córregos aos quais uniu suas forças e prosseguiu"..


“Mais à frente, no entanto, deparou-se com um tronco tombado no seu curso, que lhe obstaculizava o avanço"....


“Sem qualquer reclamação aquietou suas águas e cresceu até transpor o impedimento, seguindo adiante e, por fim, depois de muitos desafios alcançou o mar, com o qual misturou suas águas.”


Fazendo um silêncio oportuno para melhor facilitar ao queixoso a compreensão do ensinamento, concluiu:


- Todo aquele que busca o oceano da Verdade libertadora, deve crescer e avançar na sua direção. 


Quando surgirem problemas e dificuldades que não possam ser afastados, é necessário silenciar, trabalhar e crescer ultrapassando os óbices, em razão do destino à frente, que deve ser conquistado.


“Assim, nunca deve relacionar os desafios nem os obstáculos".


Antes cumpre-lhe alegrar-se com o terreno já percorrido, estimulando-se para vencer o trecho que se alonga à espera para ser vencido.


“Diante de novos dilemas é necessário orar para que a chuva do auxilio superior lhe chegue, fortalecendo-o com os recursos que lhe proporcionem a tudo superar, até o momento do grande encontro, no qual se plenifica e tranquiliza"..


“Desse modo, segue tu, adiante, fazendo o mesmo."


O discípulo compreendeu a lição e prosseguiu, antegozando o momento de penetrar no oceano da Verdade.


Não mais se deteve na queixa ou na amargura, na dor ou no ressentimento, despreocupando-se quanto à necessidade da defesa pessoal ou da justificação, pois que a sua era a meta superior que o esperava e não as falsas alegrias do aplauso transitório que no momento disputava.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Do livro Em algum lugar do futuro, 2.ed, 1987, p. 09-10.

terça-feira, dezembro 01, 2015

As três indagações - Eros






As três indagações

Eros


O aprendiz acercou-se do eremita e indagou:


- Desejo saber qual o momento mais importante da minha vida; a pessoa mais valiosa para mim e a tarefa mais relevante que devo executar? 


Tu, que és sábio e penetras no futuro do tempo, ajuda-me e esclarece-me.


O homem santo meditou, e, considerando a imaturidade do discípulo, respondeu:


- Agora é o momento mais importante da tua existência, pois que aqui estás; a pessoa mais relevante para a tua experiência evolutiva és tu mesmo, porquanto, apenas de ti depende o êxito ou o fracasso da tua vida atual; e a realização mais significativa para ti aqui se expressa no serviço de auto-iluminação através do amor, do estudo e do bem que nunca se devem apartar das tuas horas.


O jovem, que ambicionava um futuro portentoso, um relacionamento social honroso e realizações bombásticas, não pôde ocultar a decepção que se lhe desenhou na face, afastando-se, cabisbaixo, sem dizer palavra alguma.


Não teve a sensatez de entender que agora é o momento eterno; que ele próprio é o construtor da felicidade; e que a obra grandiosa resulta das pequenas contribuições do amor, do conhecimento e do bem.




FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Eros. Do livro Em algum lugar do futuro, 2.ed, 1987, p. 11 .