domingo, setembro 04, 2016

André Luiz Concede Espetacular Entrevista em 1964 - Francisco Cândido Xavier





André Luiz Concede Espetacular Entrevista em 1964

Francisco Cândido Xavier



Nesta entrevista, concedida ao Dr. Lauro Michielin, diretor do Anuário Espírita para a edição de 1964, n.º 1, André Luiz (espírito) respondeu às perguntas formuladas de números ímpares através do médium Waldo Vieira e as de números pares através do médium Francisco Cândido Xavier. 


Os temas são os mais diversos — sexualidade, homossexualidade, reencarnação, vida atual, etc..

*

1.Qual a quantidade aproximada de habitantes espirituais – em idade racional – que se desenvolvem, presentemente, nas circunvizinhanças da Terra?


“Será lícito calcular a população de criaturas desencarnadas em idade racional, nos círculos de trabalho, em torno da Terra, para mais de vinte bilhões, observando-se que alta percentagem ainda se encontra nos estágios primários da razão e sendo esse número passível de alterações constantes pelas correntes migratórias de espíritos em trânsito nas regiões do planeta.”

*

2. A quantidade de espíritos que vivem nas diversas esferas do nosso planeta tende, atualmente, a aumentar ou a diminuir?


“Qual acontece na crosta planetária, as esferas de trabalho e evolução que rodeiam a Terra estão muito longe de quaisquer perspectivas de saturação, em matéria de povoamento.”

*

3. Considerando-se que as criaturas dos reinos vegetal e animal, deste e de outros planos, absorvem elementos de economia planetária, pergunta-se: 

O nosso planeta dispõe de recursos para a manutenção e sustentação de uma comunidade de número ilimitado de indivíduos ou a despensa celeste do nosso domicílio cósmico se destina a uma sociedade de proporções limitadas, ainda que de dimensões desconhecidas?


“Certo, nos limites do orbe terreno não é justo conceituar os problemas da vida física fora de peso e medida, entretanto é preciso considerar que as ciências aplicadas à técnica, à indústria e à produção, nos vários domínios da natureza, assegurarão conforto e sustento a bilhões de espíritos encarnados na Terra, com os recursos existentes no planeta, por muitos e muitos séculos ainda, desde que o homem se disponha a trabalhar.”

*

4. Espíritos originários da Terra, têm emigrado, nos últimos séculos, para outros orbes?


“Seja de modo coletivo ou individual, em todos os tempos, espíritos superiores têm saído da Terra no rumo de esferas enobrecidas, compatíveis com a elevação que alcançaram. Quanto a companheiros de evolução retardada, principalmente os que se fizeram necessitados de corretivo doloroso por delitos conscientemente praticados, em muitos casos, sofrem temporária segregação em planos regenerativos.”

*

5. Espíritos originários de outras plagas costumam estagiar na Terra em encarnações de exercício evolutivo?


“Isso acontece com frequência, de vez que muitos espíritos superiores reencarnam no planeta terrestre a fim de colaborarem na educação da humanidade, e criaturas inferiores costumam aí sofrer curtos ou longos períodos de exílio das elevadas comunidades a que pertencem, pela cultura e pelo sentimento, porquanto a queda moral de alguém tanto se verifica na Terra quanto em outros domicílios do Universo.”

*

6. Considerando-se a enorme distância geométrica existente entre dois ou mais orbes de um sistema solar ou entre dois ou mais sistemas solares, pergunta-se:


a – os espíritos, em seu desenvolvimento evolutivo, ligam-se, necessariamente, a determinados orbes? b – na imensidão dos espaços que separam dois ou mais corpos celestes vivem, também, inteligências individuais?


“a) Em seu desenvolvimento, sim, qual acontece com a pessoa que em determinada fase de experiência física se vincula, transitoriamente, a certa raça ou família. 

*

b) Isso é perfeitamente compreensível; basta lembrar as milhares de criaturas que atendem aos interesses de um país ou de outro nas extensões do oceano.”

*

7. Quais os processos de locomoção utilizados nas migrações interplanetárias, considerando-se a possibilidade de migrações de entidades de categoria até mesmo criminosa, como parece ser o caso dos imigrantes do sistema planetário de Capela?


“Esses processos de locomoção, no plano espiritual, são numerosos. A técnica não se relaciona com a moral. Os maiores criminosos do mundo podem viajar num jato, sem que isso ofenda os preceitos científicos.”

*

8. Onde começa o Umbral?


“A rigor, o Umbral, expressando região inferior da espiritualidade, pelos vínculos que possui com a ignorância e com a delinquência, começa em nós mesmos.”

*

9. Onde se situa “Nosso Lar”?


“Não possuímos termos terrestres para falar em torno da geografia no plano espiritual, mas podemos informar que as primeiras fundações da cidade “Nosso Lar” por espíritos pioneiros da evolução brasileira se verificaram no espaço do território conhecido como Estado da Guanabara.”


*

Sexo



10. Por que a disciplina sexual é recomendada pelo plano espiritual cristão?


“Claramente que a disciplina sexual é recomendável em qualquer plano da vida para que a degradação não arruíne os valores do espírito.”

*

11. Há alguma relação entre sexo e mediunidade?


“Tanto quanto a que existe entre mediunidade e alimentação ou mediunidade e trabalho, relações essas nas quais se pede equilíbrio.”

*

12. As funções reprodutoras do sexo se destinam, somente, da vida na Terra?


“Em muitos outros orbes, compreendendo-se, porém, que mundos existem nos quais as funções reprodutoras não são compreensíveis, por enquanto, na terminologia terrestre.”

*


13. Espíritos sensuais mantêm atividades de natureza sexual após a desencarnação?


“Aos milhões, reclamando educação dos recursos do sentimento e das manifestações afetivas, como acontece nos caminhos da humanidade.”

*

14. Os perispíritos das entidades espirituais que se localizam nas vizinhanças da Terra conservam o órgão do aparelho sexual humano?


“Sim, e por que não? 

O órgão sexual é tão digno quanto os olhos e como não se deve atribuir aos olhos os horrores da guerra o órgão sexual não pode ser responsável pelo vício.”


*

15. Os espíritos conservam, para sempre, as condições de masculino e feminino?


"Respondamos com os orientadores espirituais de Allan Kardec que, na questão número 201, de 'O Livro dos Espíritos' afirmaram, com segurança, que o espírito tanto reencarna no corpo de formação masculina quanto no corpo de formação feminina.”

*

Homossexualidade


16. Como explicar os homossexuais?


“Devemos considerar que o espírito reencarna, em regime de inversão sexual, como pode renascer em condições transitórias de mutilação ou cegueira. 


Isso não quer dizer que homossexuais ou intersexos estejam nessa posição, endereçados ao escândalo e à viciação, como aleijados e cegos não se encontram na inibição ou na sombra para ser delinquentes. 


Compete-nos entender que cada personalidade humana permanece em determinada experiência merecendo o respeito geral no trabalho ou na provação em que estagia, importando anotar, ainda, que o conceito de normalidade e anormalidade são relativos. 


Lembremo-nos de que se a cegueira fosse a condição da maioria dos espíritos reencarnados na Terra, o homem que pudesse enxergar seria positivamente considerado minoria e exceção.”

*

17. Se vivemos tantas vezes participando da formação de casais frequentemente diversos, como explicar o ciúme?


"O ciúme é característico de nossa própria animalidade primitiva, sombra que a educação dissipará.”

*

18. O espírito desencarnado também está sujeito a crises prolongadas de ciúme? 


“Como não? 


A desencarnação é um acidente no trabalho evolutivo, sem constituir por si qualquer solução aos problemas da alma."

*

19. Como explicar a paixão que, tantas vezes, cega o indivíduo? (A paixão é, somente, uma doença humana?)


“Ainda aqui animalidade em nós é a explicação.”

*

20. O adultério é, sempre, causa de conflitos quando da volta dos cúmplices ao plano espiritual?


“Sim.”


*

Reencarnação


21. A reencarnação é lei imperativa em todos os orbes do Universo?


“Mais razoável dizer que a reencarnação é princípio universal, compreendendo-se que existem esferas sublimes nas quais a reencarnação, como recurso educativo, já atingiu características inabordáveis ao conhecimento humano atual.”


*

22. Se a Medicina da Terra aumentar – num futuro não muito distante – a média da vida humana na crosta, do ponto de vista educacional, uma única existência, de 500 anos, por exemplo, bastaria para libertar o espírito das necessidades da escola terrena?


"Cabe-nos aguardar o apoio mais amplo da Medicina à saúde humana, com vista à longevidade, entretanto, em matéria de libertação espiritual o problema se relaciona com a vontade acima do tempo. 


Quando a pessoa se decide ao burilamento próprio, com ânimo e decisão, a existência física de cinquenta anos vale muito mais que o tempo correspondente a cinco séculos, sem orientação no aprimoramento moral de si mesma.”


*

23. É de esperar-se que nos próximos milênios, quando a Terra se tornar um centro de solidariedade e de cultura, seja dispensado o processo de reencarnação como elemento indispensável de experiências e estudos?


“Digamos, com mais propriedade, que o espírito, alcançando a sublimação, não mais se encontra sujeito ao processo de reencarnação, por medida educativa, conquanto prossiga livre para reencarnar, como, onde e quando deseje, em auxílio voluntário aos semelhantes.”


*

24. A duração média de vida dos encarnados racionais de outros orbes corresponde à terrena?


“Não. 

Essas etapas de tempo variam de mundo a mundo.”


*

25. Todas as reencarnações, mesmo as dos indivíduos vinculados a condições inferiores, são objeto de um planejamento detalhado por parte dos administradores espirituais?


“Há renascimentos quase que automáticos, principalmente se a criatura ainda permanece fronteiriça à animalidade, entendendo-se que quanto mais importante o encargo do espírito a corporificar-se, junto da humanidade, mais dilatado e complexo o planejamento da reencarnação.”

*

26. As organizações espirituais que pautam as suas atividades dentro de programas alheios aos princípios cristãos também procedem a execuções de programas para a reencarnação de tarefeiros determinados em suas organizações?

“Sim.”

*

27. Reencarnações de espíritos de ordem superior, presididas por espíritos elevados, em meio inferior, estão sujeitos a represálias da parte de organizações espirituais interessadas na ignorância humana?


“Natural que assim seja. Recordemos o próprio Jesus.”

*

28. Se um espírito encarnado com propósitos cristãos pode, pela má conduta, transformar-se num instrumento das trevas, é de se perguntar se um espírito encarnado sob os vínculos de organizações ainda não cristianizadas no Espaço, pode, também, transformar-se num instrumento ostensivo do programa do bem?


“Perfeitamente. 


Assim ocorre porque o íntimo de cada um prevalece sobre o rótulo que caracterize a pessoa no ambiente humano."


*

Atualidades


29. Sabemos que outras civilizações terrenas se desfizeram em épocas remotas. Diante do perigo atual de uma conflagração atômica, é de se perguntar: estamos às portas da nova Jerusalém ou no começo de um novo fim?


“Na condição de espíritas-cristãos encarnados e desencarnados, pensemos no futuro da humanidade em termos de evolução, otimismo, confiança, progresso. 


De todas as calamidades, a civilização sempre surgiu em novos surtos de força para o burilamento geral, ao influxo da Providência Divina, ainda mesmo quando pareça o contrário.”

*

30. Habitantes de outros orbes conhecem a humanidade terrena, sua história, costumes, etc.?


“Sim.”

*

31. Diante dos progressos alcançados pela ciência, conseguirá o homem aportar a outros corpos de nosso sistema solar?


“Ninguém pode traçar fronteiras às conquistas da ciência humana. 


Quanto mais dilatados o serviço e a fraternidade, a educação e a concórdia na Terra, maiores as possibilidades do homem nas conquistas do espaço cósmico.”


*

32. Se a ciência humana se servir de seus recursos, pondo em risco a estabilidade do planeta, é de se esperar esteja a humanidade da Terra sujeita a uma intervenção direta da parte de outros planetas?


“Nossa confiança na sabedoria da Providência Divina deve ser completa. 


Ainda mesmo que a Terra se desintegrasse numa catástrofe de natureza cósmica, Deus e a vida não deixariam de existir. 


Uma cidade arrasada num cataclismo não significa a destruição de um povo inteiro. 


Justo que, em nos considerando coletivamente, temos feito por merecer longas aflições e duras provas na Terra, entretanto, diante da Infinita Bondade, devemos afastar quaisquer ideias sinistras da cabeça popular carecedora de harmonia e esperança para evoluir e servir.


Amemo-nos uns aos outros. 


Realizemos o melhor ao nosso alcance. 


Convençamo-nos de que o bem vive para o mal como a luz para a sombra. 


Edifiquemos o mundo melhor começando em nós mesmos, e confiemos na palavra fiel do Cristo, que prometeu amparar-nos e auxiliar-nos “até o fim dos séculos”. 


E assim nos exprimindo não nos propomos afirmar que, a pretexto de contar com Jesus, podemos andar irresponsáveis ou desatentos. 


Não. 


Forçoso trabalhar e cumprir as obrigações que a vida nos trace, a fim de sermos amparados e auxiliados por ele, sejam quais forem as circunstâncias.”




Fonte:
ASSOCIAÇÃO DE DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA.

sábado, setembro 03, 2016

A fábula da águia e da galinha - Leonardo Boff*






A fábula da águia e da galinha

Leonardo Boff*



Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. 


Oxalá nos faça pensar sempre a respeito.


"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.

Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. 


Cresceu como uma galinha.


Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.


Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:


- Esse pássaro aí não é uma galinha. 


É uma águia.


- De fato, disse o homem.


- É uma águia. 


Mas eu a criei como galinha. 


Ela não é mais águia. 


É uma galinha como as outras.


- Não, retrucou o naturalista.


- Ela é e será sempre uma águia. 


Este coração a fará um dia voar às alturas.


- Não, insistiu o camponês. 


Ela virou galinha e jamais voará como águia.


Então decidiram fazer uma prova. 


O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse:


- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!


A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. 


Olhava distraidamente ao redor. 


Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. 


E pulou para junto delas.


 O camponês comentou:


- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!


- Não, tornou a insistir o naturalista. 


- Ela é uma águia. 


E uma águia sempre será uma águia. 


Vamos experimentar novamente amanhã.


No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.


Sussurrou-lhe:


- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!


Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.


O camponês sorriu e voltou a carga:


- Eu havia lhe dito, ela virou galinha!


- Não, respondeu firmemente o naturalista. 


- Ela é águia e possui sempre um coração de águia. 


Vamos experimentar ainda uma última vez. 


Amanhã a farei voar.


No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. 


Pegaram a  águia, levaram-na para o alto de uma montanha. 


O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas.


O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:


- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!


A águia olhou ao redor. 


Tremia, como se experimentasse nova vida. 


Mas não voou. 


Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.


Foi quando ela abriu suas potentes asas.


Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. 


E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto.


Voou. 


E nunca mais retornou."



Existem pessoas que nos fazem pensar como galinhas. 


E ainda até pensamos que somos efetivamente galinhas. 


Porém é preciso ser águia. 


Abrir as asas e voar. 


Voar como as águias. 


E jamais se contentar com os grãos que jogam aos pés para ciscar.”  




Leonardo Boff* é teólogo, escritor e professor de ética da UERJ.



Fonte

BOFF, Leonardo. Folha de São Paulo. A fábula da águia e da galinha . Disponível em http://www.catequisar.com.br/mensagem/reflexoes/06/msn_147.htm. Acesso: 09 AG. 2014.










sexta-feira, setembro 02, 2016

Gravidez Na Adolescência, De Quem É A Responsabilidade? - Gerson Simões Monteiro





Gravidez Na Adolescência, De Quem É A Responsabilidade?

Gerson Simões Monteiro

Mas nos esquecemos que no aniversário dela de cinco aninhos pedimos para que ela dançasse "creu" ou uma outra música que mataria de vergonha uma dançarina de boate a uns dez anos atrás.


Permitimos que nossas filhas e filhos sejam ou fação parte de bondes dos "prostitutos ou das cachorras".


Somos coniventes quando em uma novela em que a personagem diz " tenho mais que aproveitar a vida enquanto estou com tudo encima".


Não será o momento de levarmos os nossos jovens os meninos e as meninas a refletirem sobre essas questões?


Se eles gostariam de ter filhos, e como seus filhos agissem como eles?


Lancei essa pergunta em um trabalho de evangelização com a pre-mocidade e a surpresa nas respostas.


Nenhum daqueles jovens gostariam de ter filhos como eles.


E perguntei então por que vocês são assim?


E eu pergunto, porque nós somos assim?


De quem é a responsabilidade?





FONTE




quinta-feira, setembro 01, 2016

O Espiritismo será a religião do futuro ou o futuro das religiões? - Gerson Simões Monteiro





O Espiritismo será a religião do futuro ou o futuro das religiões?

                                    Gerson Simões Monteiro


União das religiões


Para a discussão do tema se o Espiritismo será a Religião do futuro, a única religião da humanidade, ou se ela será o futuro das religiões, ou seja, se as religiões irão adotar os seus princípios fundamentais, trazemos inicialmente o pensamento de Allan Kardec sobre o assunto.

*

O Codificador trata dele no item 17, Sinais dos Tempos, do capítulo 18, de A Gênese, quando fala do surgimento da Geração Nova, em razão do ingresso da Terra na condição de Mundo de Regeneração. 


Vejamos o que diz Allan Kardec nesse item:

 *

“A fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social; mas não há fraternidade real, sólida e efetiva se não se apoiar sobre base inabalável. 


Essa base é a fé, não a fé em tais ou quais dogmas particulares, que mu­dam com os tempos e os povos e que mutuamente se apedrejam, visto que, anatematizando-se uns aos outros, alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fun­damentais que toda gente pode aceitar e aceitarão: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinido, a perpetuidade das relações entre os seres. 


Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada pode querer de injusto; que o mal vem dos homens e não dele, todos se considerarão filhos do mesmo Pai e se estenderão as mãos uns aos outros.


*


É essa fé que o Espiritismo faculta e que doravante será o eixo em torno do qual girará o gênero humano, quais­quer que sejam os cultos e as crenças particulares.”


 *



DEUS PARTICULAR DAS RELIGIÕES



Pois bem, a ideia generalizada entre quase todas as religiões, de que cada uma tem o seu próprio Deus, é nutrida pela pretensão de que o seu Deus é o único verdadeiro e o mais poderoso, em luta constante com os deuses dos outros cultos, e ocupado em lhes combater a influência.

*

De fato, quando os religiosos estiverem convencidos de que só existe um Deus no Universo e que, em definitivo, Ele é o mesmo que o adorado por eles sob o nome de Jeová, Oxalá, Tupã, Alá, Arquiteto do Universo, Olodum ou Deus, e que quando se puserem de acordo com os atributos essenciais da Divindade, compreenderão que, sendo único esse Ser, única tem de ser a vontade suprema, estender-se-ão as mãos uns aos outros, como os servidores de um mesmo Mestre e os filhos de um mesmo Pai.

*

Quando todos os homens, portanto, estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos, de que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada de injusto pode querer; e que o mal vem não dele, mas dos homens; todos se considerarão filhos do mesmo Pai e estenderão as mãos uns aos outros. 


Conclui Allan Kardec, sobre essa questão, dizendo que é esta a Fé que o Espiritismo dá, e que doravante será o eixo em torno do qual irá girar o gênero humano, quaisquer que sejam os cultos e as crenças particulares.

*


PRICÍPIOS FUNDAMENTAIS DO ESPIRITISMO



Eis, portanto, a chave da questão. Kardec não fala que o Espiritismo será a única religião do futuro, porém seus Princípios Fundamentais que todos podem aceitar e aceitarão, a saber, como vimos:

1º - A existência de Deus;


2º - a imortalidade da alma;


3º - a evolução do Espírito através da reencarnação; e


4º - a comunicação com os espíritos desencarnados.


Vale dizer que esses princípios são básicos para a criatura impulsionar a vontade no sentido de realizar a sua transformação moral.


*

Além do mais, Kardec não iria defender a ideia de uma religião universal, tal como a unidade religiosa implantada pela Igreja Católica Apostólica Romana, que acabou, como se sabe, na sinistra Inquisição, responsável por tantos crimes em nome de Deus.

 *


PENSAMENTO DE LEON DENIS



Ao encontro das ideias de Allan Kardec, anteriormente referidas, no item 17, do capítulo 18, de A Gênese, vem Leon Denis, Apóstolo do Espiritismo, na sua obra No Invisível, no capítulo XI, “Aplicação moral e frutos do Espiritismo”, ao se expressar:

*

“Ideia de que aos poucos as religiões do mundo irão agregar os conceitos fundamentais do Espiritismo. 


E que as religiões ficarão naturalmente tão parecidas, que não se fará mais a distinção entre uma e outra. Pouco importará a qual religião se siga. 


Haverá uma harmonia mundial em relação a conceitos sobre vida e espiritualidade. 


Todos unidos em concordância, em prol do Bem Universal”.

*

Eis porque no meio Espírita sempre ouvirmos como sendo uma afirmação de Leon Denis que “O ESPIRITISMO NÃO É A RELIGIÃO DO FUTURO, MAS O FUTURO DAS RELIGIÕES”, com base nesse texto do livro No Invisível, interpretando o pensamento do codificador do Espiritismo.


*


NOSSO LAR NÃO TEM TEMPLOS RELIGIOSOS



Com relação a Cidade no Além Nosso Lar descrita pelo Espírito André Luiz, pelo médium Chico Xavier, que recebe inúmeras almas que partem diariamente da Terra, ingressando em outro plano da vida, tem como ponto comum o idioma da língua portuguesa. 


Isso acontece, porque essa cidade foi fundada no século XVI por espíritos que na Terra tiveram a nacionalidade portuguesa, porém profitentes de diversas correntes religiosas da Terra.


*

Certo companheiro Espírita acreditava que para morar em Nosso Lar teria de professar o Espiritismo, e todos seus habitantes seriam Espíritas, mas o ponto comum é a fala da língua portuguesa. Como se sabe, a linguagem usada entre os Espíritos é a do pensamento. 


No entanto, muitas almas ainda não evoluídas, não conseguem se comunicar através do pensamento, donde a necessidade de palavra articulada. 


E outro detalhe, em Nosso Lar não existem edifícios para cada religião. 


Em determinado horário, o Governador da Cidade reúne-se em Grande Assembléia para a oração do dia, que é assistida por todos os residentes da Colônia Espiritual.

 *


CONCLUSÃO
           

O que acontece na Colônia Espiritual Nosso Lar, onde não há distinção entre religiões, prevalecendo a verdade da Lei Divina, é o que podemos entrever como será no futuro a vida social dos habitantes do Planeta Terra. 


Como filhos de Deus nos entenderemos como irmãos, comungando as religiões dos Princípios Fundamentais do Espiritismo. 

*

Então, podemos dizer que o Espiritismo não será a RELIGIÃO DO FUTURO, mas, sem dúvida, SERÁ O FUTURO DAS RELIGIÕES, que não terão como não reconhecer as verdades reveladas pelos Espíritos Superiores e codificadas por Allan Kardec.




FONTE