segunda-feira, março 25, 2013

Preocupação - Hammed





Preocupação
     
Hammed    

                       

 “Os preocupados vivem entorpecidos no hoje por quererem controlar, com seus pensamentos e com sua imaginação, os fatos do amanhã.”



Nossa percepção, hoje, nos esclarece sobre os fatos do ontem, talvez sobre acontecimentos da semana anterior ou, possivelmente, sobre eventos quase esquecidos de anos passados. 



Tudo ocorre dentro de um perfeito sincronismo tempo/espaço. 



Não adianta nos preocupar-nos com o nosso processo de aprendizado nem com o dos outros, pois, se alguém não está conseguindo caminhar convenientemente agora, é porque lhe falta algo a fazer, ou mesmo, coisas a aprender. 



No Universo tudo obedece a um ritmo natural; as raízes de nossa evolução corporal/espiritual estão arraigadas nas íntimas relações com a Natureza. 


Em nível mais profundo, somos parte dela.


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No entanto, é importante não confundirmos preocupação com prudência ou cautela. 



A previdência e o planejamento, para que possamos atingir um futuro promissor, são desejos naturais do homem de bom senso. 



Na realidade, preocupação quer dizer aflição e imobilização do presente, por causa de um suposto fato que poderá acontecer, ou ainda uma suspeita de que uma decisão poderá causar ruína ou perda. 



A preocupação excessiva com os fatos em geral e com o bem-estar das pessoas, está alicerçada, em muitas ocasiões, em um mecanismo psicológico chamado “autodistração”.


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As pessoas preocupadas têm dificuldade de concentração no momento presente e, por isso, fazem com que a consciência se desvie do foco da experiência para a periferia, isto é, vivem entorpecidos no hoje, por quererem controlar, com seus pensamentos e imaginação, os fatos do amanhã. 



Esse desvio de atenção é uma busca deliberada de distração do indivíduo; é uma forma de impedir a si próprio de ver o que precisa perceber em seu mundo interno.


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Quando dizemos que nos preocupamos com os outros, quase sempre estamos nos abstraindo:


a) das atitudes que não temos coragem de tomar;


b) das responsabilidades que não queremos assumir;


c) das carências afetivas que negamos a nós mesmos;


d) dos atos incoerentes que praticamos e não admitimos;


e) dos bloqueios mentais que possuímos e não aceitamos.



Deslocamos todos os nossos esforços, atenção e potencialidades para socorrer, proteger, salvar, convencer e aconselhar nossos “companheiros de viagem”, esquecendo muitas vezes, propositadamente ou não, que a nossa primeira e mais importante tarefa é nossa transformação interior. 




É incontestável que a preocupação jamais nos preservará das angústias do amanhã; apenas colocará obstáculos às nossas realizações do presente. 



Não podemos nem devemos forçar mudanças de atitudes nas pessoas. 



Em realidade, só podemos modificar a nós mesmos.


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Nosso livre-arbítrio nos confere possibilidades de uso particular com o fim específico de nos retificar, porém não nos dá o direito de querer modificar os outros. 



Acreditamos, ainda assim, que temos o poder de exigir que os outros pensem como nós e que podemos interferir nas manifestações daqueles que nos cercam. 



Por mais queridos que nos sejam, não é lícito dissuadi-los de suas decisões e posturas de vida. 



Cada um se expressa perante a existência, como pode.


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Assim, suas criações, desejos, metas e objetivos são coerentes com seu grau de evolução. 



Qualquer tipo de coação em um modo de ser, é profundo desrespeito. 



Por que condenar os atos e as atitudes de alguém que o próprio “Criador do Universo” deixou livre para decidir? 



Por que sofrer ou preocupar-se com isso? 



Nossas experiências da vida não acontecem por acaso. 



O planejamento divino nada faz sem um desígnio proveitoso; tudo tem sua razão de ser. 



Não é preciso desespero nem preocupação; tudo acontece como tem que acontecer.




ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco pelo Espírito Hammed .As dores da Alma.

domingo, março 24, 2013

A verdadeira propriedade - Momento Espírita






A verdadeira propriedade


A vida na Terra é eminentemente transitória.



Por longa que pareça determinada existência, seu término é uma certeza.



O plano espiritual é o ponto de partida e de chegada de todas as almas que renascem na Terra.



Elas aqui aportam trazendo projetos de trabalho e de crescimento pessoal.



A experiência terrena é como um estágio de aprendizado.



A morada natural dos Espíritos é no plano espiritual.



A ampla maioria dos homens não consegue assimilar essa verdade e os seus inevitáveis desdobramentos.



Muitos deles vivem na Terra como se nela se centrassem todas as suas aspirações.



Procuram riquezas, poder e projeção social, mesmo à custa de atos vergonhosos.



Agem como se apenas eles e suas famílias fossem importantes.



Nessa ótica, não titubeiam em semear a miséria e a desgraça nas vidas dos outros.



Enquanto cuidam de seus interesses imediatos, cobrem-se de crimes e desenvolvem numerosos vícios.



Mesmo quem não chega a extremos, raramente reflete a respeito da razão de sua existência.



A certeza da morte deveria funcionar como um antídoto para as ilusões mundanas.



A transitoriedade da experiência terrestre faz com que ela se assemelhe à preparação para uma grande viagem.



Quando alguém vai a um país distante, cuida de levar na bagagem objetos que lá sejam úteis.



De nada adianta gastar tempo e esforço para amealhar coisas que não poderão atravessar a fronteira.



Quem assim age corre o risco de chegar sem nada ao seu destino, na qualidade de um autêntico mendigo.



Sem dúvida é necessário cuidar dos interesses terrenos.



Não há problema algum no desfrute dos bens materiais e muito menos no trabalho que propicia o seu alcance.



O erro reside em centrar nas coisas mundanas toda atenção, em detrimento dos próprios interesses eternos.



Fortuna, beleza, poder, nada disso atravessa os portais da eternidade.



É insano comprometer a própria dignidade espiritual com conquistas transitórias.



Sempre chegará o momento de resgatar os equívocos cometidos e de reparar os estragos causados na vida do semelhante.



Embora o dinheiro e a importância fiquem para trás, os atos indignos praticados na sua busca são levados na consciência.



Ocorre que também os gestos nobres integram o patrimônio do Espírito em sua jornada de retorno ao lar.



Na verdade, o homem só possui efetivamente o que pode levar deste mundo.



Tudo o que será constrangido a deixar constitui apenas uma posse transitória.



Assim, nada do que é de uso do corpo é permanente e real.



Já os dons da alma são eternos: uma vez conquistados, jamais são perdidos.



Convém, pois, tratar de desenvolver a inteligência e as qualidades morais, reveladas mediante uma vida digna.



Elas são o único tesouro que pode ser levado na viagem de regresso ao verdadeiro lar.



Pense nisso.





Redação do Momento Espírita, com base no cap. XVI, item 9 de O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. Disponível em www.momento.com.br.

As linhas de uma flor - Momento Espírita





As linhas de uma flor


Pede-se a uma criança: “Desenha uma flor!” Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.



Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direção, outras noutras. Umas mais carregadas, outras mais leves. Umas mais fáceis, outras mais custosas.



A criança colocou tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu. Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.



Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: uma flor! As pessoas não acham parecidas essas linhas com às de uma flor!



Contudo a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor. E a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas.



Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!



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O belo texto de Almada Negreiros - poeta e artista plástico português – pode nos levar a várias reflexões.



A primeira nos leva pelos caminhos de Antoine de Saint-Exupéry e seu principezinho encantador, quando nos mostra a dificuldade que a alma adulta tem para compreender o mundo infantil (como se nunca tivesse transitado pela infância).



O aviador de Saint-Exupéry, quando criança, não conseguia ser compreendido em seus desenhos mirabolantes. Eram complexos demais para os adultos...



Outra nuance do poeminha nos leva a pensar sobre as potências de nossa alma e de como temos, dentro de nós, todas as linhas para desenhar o que bem desejarmos.



Os gérmens da perfeição, das virtudes da alma, estão todos conosco desde que fomos criados, buscando o tempo de serem desenvolvidos.



Assim como as linhas desenhadas pela criança, nos primeiros momentos nos parecem ininteligíveis, são os primeiros movimentos do ser humano rumo à felicidade.



Os traços vão se organizando com o tempo, com as encarnações, com os aprendizados, e nossa flor no papel vai ficando cada vez mais bela e mais próxima à figura original criada por Deus.



A perfeição da flor desenhada nunca chegará a ser a da florescência Divina, pois o Espírito alcança apenas uma perfeição relativa.



Porém, será igualmente bela a flor desenhada pelo homem após as sucessivas experiências na carne.



*   *   *



Vivemos para organizar os traços de nossa intimidade, buscando dar-lhes aspectos harmônicos, inspirados e guiados pelas leis Divinas.



A educação nunca foi um ato de colocar algo para dentro de nós, e sim de colocar para fora, desenvolvendo potencialidades.



A etimologia da palavra educação nos mostra os termos: ex, que significa para fora, seguido da expressão ducere, que se entende por guiar, conduzir, liderar.



Assim, educar é conduzir, guiar, retirar de dentro de nós algo que está lá, embrionário.



Olhemos para dentro, cuidemos de nós, invistamos nosso tempo na evolução espiritual e veremos esses traços bailando pelas telas do mundo produzindo grandes belezas.



Temos conosco os gérmens de todas as virtudes, de todas as flores de nossa alma.





Redação do Momento Espírita com citação do texto A flor, do livro A invenção do dia claro, de José Sobral de Almada Negreiros, ed. Assirio & Alvim. Disponível em www.momento.com.br.

sexta-feira, março 22, 2013

Amigos - Emmanuel





Amigos


Emmanuel


De quando a quando, aqui e além, por vezes, aparece determinado obreiro do bem que se acredita capaz de agir sozinho, no entanto, a breve tempo, reconhece a própria ilusão.



O Criador articulou a vida de tal modo, que ninguém algo constrói sem a cooperação de alguém.



Na Terra, há quem diga que amigo é alguém que nos procura unicamente nas horas de alegria e prosperidade, de vez que comumente se afasta quando o frio da adversidade aparece.



Temos nisso, porém, outra inverdade, porquanto o amigo, ainda mesmo cercado de obstáculos, compreende os companheiros que se distanciam dele, transitoriamente, entendendo que circunstâncias imperiosas os compelem a isso.



Na condição de espíritos ainda imperfeitos, é certo que, em muitas ocasiões, não nos achamos afinados uns com os outros, especialmente, no Plano Físico, nos momentos em que as nossas queixas recíprocas revelam-nos os pontos deficientes.



E se soubermos reconhecer que todos temos provas a superar e imperfeições a extinguir, não experimentaremos dificuldades maiores para exercer a solidariedade e praticar a tolerância, melhorando o nosso padrão de serviço e comportamento.



Se instalados na compreensão mais ampla, observamos que a amizade apenas sobrevive no clima da caridade que se define por prática do amor, de uns para com os outros.



Na posição de amigos, entendemos espontaneamente os nossos companheiros, oferecendo-lhes o apoio fraterno que se nos faça possível, mesmo quando estejamos separados, porquanto estaremos convencidos de que possivelmente, surgirá o dia em que necessitaremos que eles nos amparem com o mesmo auxílio.



Aprendamos a valorizar os nossos colaboradores para que não nos falte o concurso deles no momento certo.



Amigos são alavancas de sustentação.



Saibamos adquirir cooperadores e conservá-los, lembrando-nos de que o próprio Jesus escolheu doze irmãos de ideal para basear a campanha do Cristianismo no mundo.



Foi ele mesmo, o Mestre e Senhor, que, certa feita, lhes falou de modo convincente: - “Em verdade, não sois meus servos, porque vos tenho a todos por amigos do coração”.





XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Emmanuel. Convivência.