segunda-feira, junho 08, 2009



Oração da Solidariedade




Oração captada de Francisco de Assis e transmitida psicograficamente pelo espírito Carlos Murion ao médium José Medrado. (Assis, Itália, 08/05/99)


Que eu possa a quem está com frio dar o cobertor.


Mas se o frio for da alma, que eu tenha condições de dar afetivo calor.


Se alguém chorar, que eu possa suas lágrimas enxugar.


Mas se eu também estiver em dor, que pelo menos possa companhia fazer.


Porque é chocante, senhor, chorar sem ter alguém para nos consolar;


sofrer sem ter com quem dividir;


precisar desabafar e não ter quem ouvir;


enfermar sem ter com quem contar.


Assim, Senhor, e por tudo isso, eu te suplico:


preciso ao próximo servir, tendo tolerância para com a ignorância;


o desprendimento frente à pobreza;


a solicitude moral diante dos reclames das crianças;


atenção e amparo para com a velhice;


o perdão sem condição;


a brandura na exaltação;


a verdade sem interesse e o amor sem cobranças.


Mas, se nada disso eu puder ter ou fazer, que a vida me torne humilde


para reconhecer que preciso espiritualmente crescer.


Assim seja.


Texto disponível em <

Acesso">http://www.cidadedaluz.com.br/site/cidade/oracao_da_solidariedade.php>.Acesso 08 JUN 2009

Imagem disponível em<>. Acesso 08 JUN 2009

domingo, junho 07, 2009




Hoje é um dia muito especial para mim. Um desses dias que vale a pena olhar longe e almejar "grandes" conquistas. Refiro-me aquelas que dignificam a existência humana.

Hoje é o dia do meu aniversário e não poderia jamais esquecer de agradecer a Deus por tudo que recebi da vida e o que ainda receberei...

Agradeço imensamente pelas pessoas cuja convivência fui contemplada, mais especialmente pelos meus pais Fernando e Elza, pelo meu grande avô Hermínio, pelo tio Raul , pelos meus irmãos e amigos Maria Célia e Márcio e pelo Espírito Protetor a quem fui confiada na presente reencarnação.

Não poderia me furtar de agradecer a tantos espíritos com os quais convivi nas mais diferentes posições, na fieira das reencarnações e outros, com os quais ainda convivo que muito têm acrescentado à minha vida.

Que Deus abençoe a todos e para mim.... Feliz, mas muito feliz aniversário!!!

Que a cada dia deste novo ano, eu possa acordar como numa nova oportunidade reencarnatória e com o desejo de errar menos, porque grandes vitórias nos aguardam, desde que saibamos ir ao encontro delas, com ética e sabedoria...





AFINIDADE


Arthur da Távola



A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,delicado e penetrante dos sentimentos.



O mais independente.



Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,as distâncias, as impossibilidades.



Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.



Afinidade é não haver tempo mediando a vida.



É uma vitória do adivinhado sobre o real.



Do subjetivo sobre o objetivo.



Do permanente sobre o passageiro.



Do básico sobre o superficial.



Ter afinidade é muito raro.



Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.



Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depoisque as pessoas deixaram de estar juntas.



O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simplese claro diante de alguém com quem você tem afinidade.



Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.



É ficar conversando sem trocar palavra.



É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.



Afinidade é sentir com.



Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.



Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.



Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.



Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.



É olhar e perceber.



É mais calar do que falar.



Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.



Afinidade é jamais sentir por.



Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.



Compreende sem ocupar o lugar do outro.



Aceita para poder questionar.



Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.



Só entra em relação rica e saudável com o outro,quem aceita para poder questionar.



Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.



E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.Isso é afinidade.



Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceitao outro como ele é.



Por isso, aliás, questiona.



Questionamento de afins, eis a (in)fluência.Questionamento de não afins, eis a guerra.



A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.Independente dele.



A quilômetros de distância.Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.



Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.



Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,veremos ou falaremos.



Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem para buscar sintonias com pessoas distantes,com amigos a quem não vemos, com amores latentes,com irmãos do não vivido?



A afinidade é singular, discreta e independente,porque não precisa do tempo para existir.



Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu o vínculo da afinidade!No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relaçãoexatamente do ponto em que parou.



Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidasnem pelas pessoas que as tem.



Por prescindir do tempo e ser a ele superior,a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidadesancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.



Sensível é a afinidade.É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.



Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.



Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguirrestituir o clima afetivo de antes,é alguém com quem a afinidade foi temporária.



E afinidade real não é temporária. É supratemporal.



Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.



A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.



A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,plantios de resultado diverso.



Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,quantos das impossibilidades vividas.



Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,sem lamentar o tempo da separação.Porque tempo e separação nunca existiram.Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,para que a maturação comum pudesse se dar.



E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,a expressão do outro sob a forma ampliada erefletida do eu individual aprimorado.



Disponível em :< Acesso">http://www.pensador.info/p/aniversariar_de_arthur_da_tavola/1/>.Acesso 07 JUN 2009.

sexta-feira, junho 05, 2009

Tela de Boudin



Nossas preocupações

Por Momento Espírita




Como você lida com suas preocupações?



Existe alguma, neste exato momento, que esteja lhe consumindo as energias, os seus pensamentos?



Pois bem, vejamos o que nos diz Dale Carnegie, em trecho de sua obra Como evitar preocupações e começar a viver.



Narra ele o caso de um aluno seu que, certo dia, sofreu um colapso nervoso.



A causa? Preocupações.



O estudante confessa:Eu me preocupava com tudo: preocupava-me porque era muito magro; porque pensava que estava perdendo cabelo; porque receava não ganhar dinheiro suficiente para casar.Preocupava-me porque sentia que jamais seria um bom pai; porque pensava que não estava levando uma vida decente; porque pensava que tinha uma úlcera no estômago.Não podia mais trabalhar, renunciei ao emprego.



Criei, dentro de mim, tal tensão, que parecia mais uma caldeira com excesso de pressão e sem válvula de segurança.



A pressão tornou-se tão insuportável, que alguma coisa tinha de acontecer.



E aconteceu.



Se você nunca sofreu um colapso nervoso – diz ele – peça a Deus que jamais tal lhe aconteça, pois nenhuma dor física pode exceder o sofrimento que tanto aflige uma mente atormentada.



Meu colapso foi tão sério, que eu não podia falar nem mesmo com os membros de minha família.



Não me era possível controlar os pensamentos.



Sentia-me completamente tomado pelo medo.



Cada novo dia era um dia de agonia.



Considerava que todos tinham me abandonado – até mesmo Deus.



Sentia-me tentado a jogar-me no rio e terminar com tudo de uma vez.



Resolvi, porém, em lugar disso, fazer uma viagem à Flórida, na esperança de que a mudança de cenário pudesse fazer-me bem.



Ao subir no trem, meu pai me entregou uma carta e recomendou-me que não a abrisse antes de chegar à Flórida.



Chegando lá, alguns dias se passaram, e procurei arranjar trabalho num cargueiro, mas não tive sorte.



De modo que passava o tempo na praia.



Sentia-me mais infeliz na Flórida do que o era em casa.



Abri, pois, o envelope, para ver o que meu pai escrevera.



A nota dizia:“Meu filho, você está a 1.500 milhas de casa e não se sente de modo algum diferente, não é assim?Sabia que você não se sentiria, porque levou em sua companhia a única coisa que é a causa de todas as suas preocupações – você mesmo.Não há nada que não esteja bem em seu corpo ou em seu cérebro.Não foram as situações com que você deparou que o venceram: foi a maneira de você pensar nessas situações.O homem é o que ele pensa do fundo do seu íntimo. Quando você compreender isso, meu filho, pode vir para casa, pois estará curado.”



* * *



Há motivos, sim, para preocupações, porém, relevantes e profundas, aquelas que dizem respeito às questões espirituais, tendo em vista o impositivo do progresso que te espera.



Elas, no entanto, não se podem converter em inquietações que te prejudiquem a conduta emocional, porque fazem parte do teu programa de evolução.


Redação do Momento Espírita com base na parte IV do livro Como evitar preocupações e começar a viver, deDale Carnegie, ed. Companhia editora nacional e nocap. 23 do livro O amor como solução, pelo EspíritoJoanna de Ângelis, psicografia deDivaldo Pereira Franco, ed. Leal



Um silêncio eloquente

Momento Espírita



O hábito de reclamar e altercar é bastante difundido.



Ante a mínima contrariedade ou decepção, reclamações e discussões costumam surgir.



Tem-se a impressão de que todos esperam uma vida perfeita.



Como a perfeição não é deste mundo, explodem os destemperos e os atritos.



A esposa se agasta com a pouca atenção que sustenta receber do esposo.



O empregado reclama das exigências do patrão.



O chefe se irrita com as falhas dos subordinados.



Irmãos se atacam, sob o menor pretexto.



Estudantes blasfemam contra o professor exigente.



Mestres discursam a respeito da pouca dedicação de seus discípulos.



Quem tem alguma enfermidade se acha uma vítima da vida.



Aquele que cuida de parente enfermo também bufa contra o destino.



De um modo ou de outro, as criaturas em geral parecem contrariadas.



À míngua de um mundo cor-de-rosa no qual possam viver, fazem com que todos saibam que estão descontentes.



Não têm o cuidado de processar no próprio íntimo os seus dissabores.



Não se indagam da razão pela qual passam por dificuldades.



Especialmente, olvidam o silêncio como forma de preservar a paz do próximo.



Mas há um exemplo sobre o qual convém refletir.



Trata-se do comportamento de Jesus logo após Sua prisão.



O Mestre Divino jamais poderia ser acusado de omisso.



Sempre Se posicionou com firmeza, em defesa do bem e da verdade.



Levantou com desassombro Sua voz contra as hipocrisias dos fariseus.



Esclareceu de modo vigoroso os que faziam do Templo um local de comércio.



Contudo, na hora de Seu testemunho maior, calou a própria voz.



A caminho do calvário, passou em espetáculo para o povo, com a alma mergulhada em um maravilhoso e profundo silêncio.



Sem proferir a mais leve acusação, caminhou humilde, coroado de espinhos.



Não Se agastou com a ignorância que Lhe colocou nas mãos uma cana imunda, à guisa de cetro.



Não Se incomodou com as cusparadas dos populares exaltados.



No momento do calvário, Jesus atravessou as ruas de Jerusalém em um silêncio pleno de significados.



Como se desfilasse diante da Humanidade inteira, ensinou a virtude da tranquila submissão à vontade de Deus.


* * *


Antes de reclamar da vida, reflita sobre esse exemplo.


Jesus era puro e não desdenhou o sacrifício.


Entretanto, você certamente ainda carece de muitas experiências para completar seu processo evolutivo.


Se a vida lhe faz exigências, aquiesça.


Não espere a todo momento ser auxiliado e compreendido.


Habitue-se a ser quem entende e ampara.


Tendo em mente o maravilhoso silêncio de Jesus, aprenda a também silenciar suas queixas.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. XII do livro Boa nova,pelo Espírito Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.

terça-feira, junho 02, 2009



NUNCA DEIXE DE SONHAR


Momento Espírita



Ao chegar a este mundo, trazemos os olhos cheios de simplicidade e de uma alegria ingênua, contagiante...




Nessa época de infância, despreocupada e leve, quantos sonhos carregamos! A imaginação corre livre. Não há limites para a mente fértil. Tudo é possível.
Mas crescemos. E a vida vai se encarregando de apagar um pouco do brilho dos nossos olhos.




Ouvimos tantas vezes a palavra "não" que, aos poucos, nos revestimos de uma cautela exagerada. Passamos a ter medo de ousar ir além, de transpor até mesmo pequeninos limites.




Devagar, muito lentamente, passamos a colocar cada vez mais freios na alma, a exercer autocensura, a matar a imaginação.




Antes de sonhar, repreendemos a nós mesmos: "Ah, isso não é possível!" Ou "Isso não vai dar certo." E nem nos permitimos imaginar algo novo e ousado.
Mas, pensemos, vale a pena viver de forma tão metódica? Com cada passo contado? Com os sonhos reprimidos?




A resposta é não. Não vale a pena sufocar os sonhos, que podem ser a ponte para uma vida mais feliz e plena.




Um sonhador é alguém que não se acomoda. Está sempre buscando algo de bom, de novo, de diferente. É um idealista, um lutador.




Observe que não estamos falando de pessoas rebeldes, daquelas que desejam apenas quebrar regras como forma de provocação.




Falamos de pessoas que aspiram viver em um mundo mais justo, abençoado por gestos de fraternidade e cheio de ética, alegria e paz.




Você lembra quando John Lennon cantou que era um sonhador, mas que não era o único?




Na música "Imagine", ele imaginava um planeta livre de preconceitos religiosos, sem que as fronteiras dos países impedissem os homens de ser irmãos.




Pois é. O que Lennon queria mesmo era que mais sonhadores se juntassem a ele, para que o Mundo fosse um só, muito mais unido, mais solidário e amoroso.
Vamos atender a esse convite?




Sim, porque atender a esse chamado de irmandade é também aderir à mensagem de grandes líderes religiosos, de filósofos, de homens de bem.




Lembremos que a Humanidade caminha porque há quem sonhe. Inventores, cientistas, sacerdotes, pensadores em geral são grandes sonhadores.




Gandhi sonhou que a independência da Índia seria conquistada sem violência. E conseguiu dobrar o poderoso império britânico, sem pegar em armas. Apenas com gestos de amor, com seriedade e com uma vontade férrea.




São homens como esse os verdadeiros sonhadores. Não aguardam sentados. Não se deixam abater. Não permitem que o pessimismo alheio os contamine.




Sonhadores movem o Mundo, a partir de ideais que eles tornam realidade. Os seus são sonhos de bem-estar, de fraternidade, de gestos amorosos.




Permita-se, você também, sonhar coisas belas, buscar mudanças positivas. Toque as estrelas com as pontas dos dedos. Sonhe.




Sonhe, sim. Todos os dias, todas as horas. E tente fazer seus sonhos se materializarem, para mudar o Mundo para melhor.




Redação do Momento Espírita.Disponível em

segunda-feira, junho 01, 2009



Declaração de Bens


Hélio Fraga (texto verdadeiro)



O pai moderno, muitas vezes perplexo, aflito, angustiado, passa a vida inteira correndo atrás do futuro e se esquecendo do agora.



Na luta para edificar este futuro, ele renuncia ao presente.



Por isso, é um homem ocupado, sem tempo para os filhos, envolvido em mil atividades _ tudo com o objetivo de garantir o seu amanhã.



E com que prazer e orgulho, cada ano, ele preenche sua declaração de bens para o Imposto de Renda.



Cada nova linha acrescida foi produto de muito esforço, muito trabalho.



Lote, casa, apartamento, sítio _ tudo isso custou dias, semanas, meses de luta.



Mas ele está sedimentando o futuro de sua família.



Se ele parte um dia, por qualquer motivo, já cumpriu sua missão e não vai deixar ninguém desamparado.



E para ir escrevendo cada vez mais linhas na sua relação de bens, ele não se contenta com um emprego só _ é preciso ter dois ou três; vender parte das férias, em vez de descansar junto à família; levar serviço para fazer em casa, em vez de ficar com os filhos; e é um tal de viajar, almoçar fora, discutir negócios, marcar reuniões, preencher a agenda _ afinal, ele é um executivo dinâmico, faz parte do mundo competitivo, não pode fraquejar.




No entanto, esse homem se esquece de que a verdadeira declaração de bens, o valor mais alto, aquele que efetivamente conta, está em outra página do formulário do Imposto de Renda __ mais precisamente, naquelas modestas linhas, quase escondidas, onde se lê “relação dos dependentes”. Aqueles que dependem dele, os filhos que ele colocou no mundo, e a quem deve dedicar o melhor de seu tempo.



Os filhos são novos demais, não estão interessados em lotes, casas, salas para alugar, aumento de renda bruta _ nada disso. Eles só querem um pai com quem possam conviver, dialogar, brincar.




Os anos vão passando, os meninos vão crescendo, e o pai nem percebe, porque se entregou de tal forma ao trabalho _ vulgo construção do futuro _ que não viveu com eles, não participou de suas pequenas alegrias, não os levou ou buscou no colégio, nunca foi a uma festa infantil, não teve tempo para assistir a coroação da menina _ pois um executivo não deve desviar sua atenção para essas bobagens. São coisas de desocupados.




Há filhos órfãos de pais vivos, porque estão “entregues” _ o pai para um lado, a mãe para o outro, e a família desintegrada, sem amor, sem diálogo, sem convivência. E é esta convivência que solidifica a fraternidade entre os irmãos, abre seu coração, elimina problemas, resolve as coisas na base do entendimento.



Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos, porque correm de um lado para o outro o dia inteiro _ ginástica, natação, judô, balé, aula de música, curso de Inglês, terapia, lição de piano, etc._ e só se encontram de passagem em casa, um chegando, o outro saindo.



Não vivem juntos, não saem juntos, não conversam _ e, para ver os pais, quase é preciso marcar hora.




Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar vivida, a única mensagem que tenho para dar _ e que tem sido repetida exaustivamente em paróquias, encontros familiares, movimentos e entidades _ é esta : não há tempo melhor aplicado do que aquele destinado aos filhos.




Dos 18 anos de casado, passei 15 anos correndo e trabalhando, absorvido por muitas tarefas, envolvido em várias ocupações, totalmente entregue a um objetivo único e prioritário : construir o futuro para três filhos e minha mulher.



Isso me custou longos afastamentos de casa, viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão, uma vida sempre agitada, atarefada, tormentosa, e apaixonante na dedicação à profissão escolhida _ e que foi, na verdade, mais importante do que minha família.




E agora, aqui estou eu, de mãos cheias e de coração aberto, diante de todos vocês, que me conhecem muito bem.



Aqui está o resultado de tanto esforço: construí o futuro, penosamente, e não sei o que fazer com ele, depois da perda do Luiz Otávio.



De que valem casa, carros, sala, lote, e tudo o mais que foi possível juntar nesses anos todos de esforço, se ele não está mais aqui para aproveitar isso com a gente?



Se o resultado de 30 anos de trabalho fosse consumido agora por um incêndio, e desses bens todos não restasse nada mais do que cinzas, isso não teria a menor importância, não ia provocar o menor abalo em nossa vida, porque a escala de valores mudou, e o dinheiro passou a ter um peso mínimo e relativo em tudo.



Se o dinheiro não foi capaz de comprar a cura e a saúde de um filho amado (segundo informações constantes do site

www.velhosamigos.com.br o seu filho teria morrido de cancer aos 12 anos) , para que serve ele? Para ser escravo dele?


Eu trocaria _ explodindo de felicidade _ todas as linhas da declaração de bens por uma única linha que eu tive de retirar, do outro lado da folha : o nome do meu filho na relação dos dependentes. E como me doeu retirar essa linha na declaração de 1983, ano base de 82.



Helio Fraga, jornalista em Belo Horizonte, MG . Esta crônica consta do livro do próprio autor “A Família, Último Lugar?” (3ª edição) publicado pelas Edições Paulinas. O jornalista Helio Fraga, que foi cronista esportivo, também publicou outros livros relacionados com o assunto narrado na crônica. Entre eles “O Menino Valente” e “Ser Pai”, cujas rendas são recolhidas ao Hospital Mário Penna na capital mineira.