quarta-feira, setembro 09, 2015

D. Pedro II - Humberto de Campos





D. Pedro II

Humberto de Campos


Enquanto os vivos se reuniam em torno do monumento que o Brasil erigiu ao Patriarca da Independência, no Rio de Janeiro, os grandes "mortos" da Pátria igualmente se colocavam entre os encarnados, aliando-se ao povo carioca nas suas comovedoras lembranças.


Também acorri ao local da festa votiva dos Brasileiros, acompanhado do meu amigo José Porfírio de Miranda, antigo milionário do Pará, que a borracha elevara às culminâncias da fortuna, conduzindo-o em seguida, aos declives da miséria, nos seus caprichosos movimentos.


Os vivos e mortos do Brasil se reuniam na mesma vibração afetiva das recordações suaves, enviando ao nobre organizador da vida política da nacionalidade um pensamento de amizade e de veneração.


Antigo companheiro nosso, também no plano invisível, em plena via pública acercou-se de mim, exclamando:


- Chegas um pouco tarde.


José Bonifácio já não está presente; mas, poderás ainda conseguir uma proveitosa entrevista para os teus leitores.


Sabes quem saiu daqui neste momento?


- Quem? 

Pergunto eu, na minha fome de notícias.


- O Imperador.


- D. Pedro II?


- Ele mesmo. 


Após lembrar a grande figura do Patriarca, dirigiu-se com alguns amigos para Petrópolis, a reavivar velhas lembranças...


Em meu íntimo, havia um alvoroço de emoções. Lembrei-me de que, em toda a minha existência de jornalista no mundo, só enxergara um monarca dentro dos meus olhos: o rei Alberto I, dos Belgas, quando, no Clube dos Diários, a elite dos intelectuais do país lhe oferecera a homenagem de uma comovida admiração.


E ponderei se haveria mérito em consultar o pensamento de um rei, no outro mundo, onde todas as majestades desaparecem. 


Recordei a figura do grande imperador que Victor Hugo considerava o monarca republicano.


Com os olhos da imaginação, vi-o, de novo, na intimidade dos Paços de São Cristóvão: o perfil heráldico, onde um sorriso de bondade espalhava o perfume da tolerância; as barbas compridas e brancas, como as dos santos das oleografias católicas; o olhar cheio de generosidade e de brandura, irradiando as mais doces promessas.


Um vivo, em havendo de ir a Petrópolis, é obrigado ao trajeto penoso dos ônibus, embora as perspectivas maravilhosas do mais belo trecho de todas as estradas do Brasil; os desencarnados, porém, não necessitam de semelhantes sacrifícios. 


Num abrir e fechar de olhos, eu e o meu amigo nos encontrávamos na encantadora cidade das hortências onde os milionários do Rio de Janeiro podem descansar nas mais variadas épocas do ano.


Não fomos encontrar o Imperador nos antigos edifícios em que estabelecera a residência patriarcal de sua família; mas, justamente num recanto de jardim, contemplando as deliciosas paisagens da Serra da Estrela e apreciando o sabor das recordações amigas e doces.


Acerquei-me da sua individualidade, com um misto de curiosidade e de profundo respeito, procurando improficuamente identificar os dois companheiros que o rodeavam.


- Majestade!


- Tentei chamar-lhe a atenção com a minha palavra humilde e obscura.


- Aproximem-se meus amigos! - respondeu-me com benevolência e carinho.


-Aqui não existe nenhuma expressão de majestade.


Cá estão, fraternalmente comigo, o Afonso1 e o Luiz2, como três irmãos, sentindo eu muito prazer na companhia de ambos. Se o mundo nos irmana sobre a Terra, a morte nos confraterniza no espaço infinito, sob as vistas magnânimas do Senhor.


E, fazendo uma pausa, como quem reconhece que há tempo de falar e tempo de ouvir, conforme nos aconselha a sabedoria da Bíblia, exclama o Imperador com bondade:


- A que devo o obséquio da sua interpelação?


-  Majestade!


-Respondi, confundido com a sua delicadeza - desejara colher a sua opinião
com respeito ao Brasil e aos Brasileiros. Estamos no limiar do cinqüentenário de República e seria interessante ouvir o vosso conselho paternal para os vivos de boa vontade. 


Que pensais destes quarenta e tantos anos de novo regime?


- Minha palavra


- Retrucou D. Pedro - não pode ter a importância que a sua generosidade lhe atribui.


Que poderia dizer do Brasil, senão que continuo a amá-lo com a mesma dedicação de todos os dias?


Do plano invisível, para o mundo, prosseguimos no mesmo labor de construção da nacionalidade.


As convenções políticas dos homens não atingem os espíritos desencarnados. 


O exílio termina sempre na sepultura, porque a única realidade é o amor, e o amor, eliminando todas as fronteiras, nos ligou para sempre ao torrão brasileiro.


Não tenho o direito de criticar a República mesmo porque todos os fenômenos políticos e sociais do nosso país tiveram os seus pródomos no mundo espiritual, considerando-se a missão do Brasil dentro do Evangelho.


Apenas quero dizer que não só os republicanos, mas também nós os da monarquia, estávamos redondamente enganados. 


O erro da nossa visão, quando na Terra, foi supor no Brasil o mesmo espírito anglo-saxão que a Inglaterra legara aos Norte-americanos.


Eu também fui apaixonado pelo liberalismo, mas a verdade é que, em nossa terra, prevaleciam outros fatores mesológicos e, até agora, não temos sabido conciliar os interesses da nação com esses imperativos.


A ausência de tradição nos elementos de nossa origem como povo estabeleceu uma descentralização de interesses, prejudicial ao bem coletivo do país. 


Para a formação nacional, não vieram da metrópole os espíritos mais cultos.


Pesando, de um lado, os africanos, revoltados com o cativeiro, e, de outro, os índios, revoltados com a invasão do estrangeiro na terra que era propriedade deles, a balança da evolução geral ficou seriamente comprometida. Sentimentos excessivos de liberdade não nos permitiram um refinamento de educação política.


 Todos querem mandar e ninguém se sente na obrigação de obedecer.


Quando no Império, possuíamos a autoridade centralizadora da Coroa, prevalecendo sobre as ambições dos grupos partidários que povoavam os nossos oito milhões de quilômetros quadrados; mas, quando os republicanos sentiram de perto o peso das responsabilidades que tomaram à sua conta, os espíritos mais educados reconheceram o desacerto das nossas concepções administrativas.


Enquanto as nações da Europa e os Estados Unidos podiam empregar livremente em nosso país os seus capitais, a título de empréstimos vultosos que desbaratavam compulsoriamente a nossa economia, o Brasil podia descansar na monocultura, fazer a política dos partidos e adiar a solução dos seus problemas para o dia seguinte, dentro de um regime para o qual não se achava preparado em 1889.


Mas, quando se manifestou a crise mundial de 1929, todas as instituições políticas sofreram as mais amplas renovações, dentro dos movimentos revolucionários de 1930. 


Os capitais estrangeiros não puderam mais canalizar suas disponibilidades para a nossa terra, controlados pelos governos autárquicos dos tempos que correm, e o Brasil, acordou para a sua própria realidade. 


Aliás, nós, os desencarnados, há muito tempo procuramos auxiliar os vivos na sua tarefa.


- Quer dizer que também tendes inspirado os labores dos estadistas brasileiros?


- Sim, de modo indireto, pois não podemos interferir na liberdade deles.


Há alguns anos, procurei auxiliar Alberto Torres nas suas elucubrações de ordem social e política.


Em geral, nós os desencarnados, buscamos influenciar, de preferência, os organismos mais sensíveis à nossa ação e Torres era o instrumento de nossas verdades para a administração. 


A realidade, porém, é que ele falou como Jeremias.


Somente a gravidade da situação conseguiu despertar o espírito nacional para novas realizações.


- Majestade, as vossas palavras me dão a entender que aprovais o novo estado de coisas do Brasil.


Aplaudistes, então, a queda da denominada república velha, sob as vibrações revolucionárias de 1930?


- Com as minhas palavras - disse ele bondosamente - não desejo exaltar a vaidade de quem quer que seja, nem deprimir o esforço de ninguém.


Não posso aplaudir nenhum movimento de destruição, pois entendo que, sobre a revolução, deve pairar o sentimento nobre da evolução geral de todos, dentro da maior concórdia espiritual.


Considere que, examinando a minha consciência, não me lembro de haver fortalecido nenhum sentimento de rebeldia nos meus tempos de governo; entretanto, muito sofri, verificando que eu poderia ter suavizado a luta entre os nossos estadistas e os políticos da América espanhola.


Outra forma de ação poderíamos ter empregado no caso de Rosas e de Oribe e mesmo em face do próprio Solano Lopes3, cuja inconsciência nos negócios do povo ficou evidentemente patenteada. 


E note-se que o problema se constituía de graves questões internacionais.


O nosso mal foi sempre o desconhecimento da realidade brasileira.


Os nossos períodos históricos têm sofrido largamente os reflexos da vida e da cultura européias.


Nos tempos do Império, procurei saturar-me dos princípios democráticos da política francesa, tentando aplicá-los, amplamente, ao nosso meio, longe das nossas realidades práticas.


Os republicanos, como Benjamin Constante, Deodoro, etc., deram-se a estudar a "República Americana", de Bryce, distantes dos nossos problemas essenciais.


Quando regressei das lutas terrestres, procurei imediatamente colaborar na consolidação do novo regime, afim de que a 3 Alusão às lutas e guerra em que se envolveu o Brasil com as Repúblicas do Uruguai, Argentina e do Paraguai.


- Minha palavra - Retrucou D. Pedro - não pode ter a importância que a sua generosidade lhe atribui.


Que poderia dizer do Brasil, senão que continuo a amá-lo com a mesma dedicação de todos os dias?


Do plano invisível, para o mundo, prosseguimos no mesmo labor de construção da nacionalidade.


As convenções políticas dos homens não atingem os espíritos desencarnados. 


O exílio termina sempre na sepultura, porque a única realidade é o amor, e o amor, eliminando todas as fronteiras, nos ligou para sempre ao torrão brasileiro.


Não tenho o direito de criticar a República mesmo porque todos os fenômenos políticos e sociais do nosso país tiveram os seus pródomos no mundo espiritual, considerando-se a missão do Brasil dentro do Evangelho.


Apenas quero dizer que não só os republicanos, mas também nós os da monarquia, estávamos redondamente enganados.


O erro da nossa visão, quando na Terra, foi supor no Brasil o mesmo espírito anglo-saxão que a Inglaterra legara aos Norte-americanos.


Eu também fui apaixonado pelo liberalismo, mas a verdade é que, em nossa terra, prevaleciam outros fatores mesológicos e, até agora, não temos sabido conciliar os interesses da nação com esses imperativos.


A ausência de tradição nos elementos de nossa origem como povo estabeleceu uma descentralização de interesses, prejudicial ao bem coletivo do país. 


Para a formação nacional, não vieram da metrópole os espíritos mais cultos.


Pesando, de um lado, os africanos, revoltados com o cativeiro, e, de outro, os índios revoltados com a invasão do estrangeiro na terra que era propriedade deles, a balança da evolução geral ficou seriamente comprometida.


Sentimentos excessivos de liberdade não nos permitiram um refinamento de educação política.


Todos querem mandar e ninguém se sente na obrigação de obedecer.


Quando no Império, possuíamos a autoridade centralizadora da Coroa, prevalecendo sobre as ambições dos grupos partidários que povoavam os nossos oito milhões de quilômetros quadrados; mas, quando os republicanos sentiram de perto o peso das responsabilidades que tomaram à sua conta, os espíritos mais educados reconheceram o desacerto das nossas concepções administrativas.


Enquanto as nações da Europa e os Estados Unidos podiam empregar livremente em nosso país os seus capitais, a título de empréstimos vultosos que desbaratavam compulsoriamente a nossa economia, o Brasil podia descansar na monocultura, fazer a política dos partidos e adiar a solução dos seus problemas para o dia seguinte, dentro de um regime para o qual não se achava preparado em 1889.


Mas, quando se manifestou a crise mundial de 1929, todas as instituições políticas sofreram as mais amplas renovações, dentro dos movimentos revolucionários de 1930. 


Os capitais estrangeiros não puderam mais canalizar suas disponibilidades para a nossa terra, controlados pelos governos autárquicos dos tempos que correm, e o Brasil, acordou para a sua própria realidade.


Aliás, nós, os desencarnados, há muito tempo  procuramos auxiliar os vivos na sua tarefa.


- Quer dizer que também tendes inspirado os labores dos estadistas brasileiros?


-  Sim, de modo indireto, pois não podemos interferir na liberdade deles.


Há alguns anos, procurei auxiliar Alberto Torres nas suas elucubrações de ordem social e política. 


Em geral, nós os desencarnados, buscamos influenciar, de preferência, os organismos mais sensíveis à nossa ação e Torres era o instrumento de nossas verdades para a administração. 


A realidade, porém, é que ele falou como Jeremias.


Somente a gravidade da situação conseguiu despertar o espírito nacional para novas realizações.


-  Majestade, as vossas palavras me dão a entender que aprovais o novo estado de coisas do Brasil.


Aplaudistes, então, a queda da denominada república velha, sob as vibrações revolucionárias de 1930?


- Com as minhas palavras - disse ele bondosamente - não desejo exaltar a vaidade de quem quer que seja, nem deprimir o esforço de ninguém. 


Não posso aplaudir nenhum movimento de destruição, pois entendo que, sobre a revolução, deve pairar o sentimento nobre da evolução geral de todos, dentro da maior concórdia espiritual.


Considere que, examinando a minha consciência, não me lembro de haver fortalecido nenhum sentimento de rebeldia nos meus tempos de governo; entretanto, muito sofri, verificando que eu poderia ter suavizado a luta entre os nossos estadistas e os políticos da América espanhola. 


Outra forma de ação poderíamos ter empregado no caso de Rosas e de Oribe e mesmo em face do próprio Solano Lopes3, cuja inconsciência nos negócios do povo ficou evidentemente patenteada. 


E note-se que o problema se constituía de graves questões internacionais.


O nosso mal foi sempre o desconhecimento da realidade brasileira.


Os nossos períodos históricos têm sofrido largamente os reflexos da vida e da cultura européias. 


Nos tempos do Império, procurei saturar-me dos princípios democráticos da política francesa, tentando aplicá-los, amplamente, ao nosso meio, longe das nossas realidades práticas. 


Os republicanos, como Benjamin Constante, Deodoro, etc., deram-se a estudar a "República Americana", de Bryce, distantes dos nossos problemas essenciais.


 Quando regressei das lutas terrestres, procurei imediatamente colaborar na consolidação do novo regime, afim de que a divisão e os desvarios de muitos dos seus adeptos não terminassem no puro e simples desmembramento do país.


Graças a Deus, conseguimos conduzir Prudente de Morais ao poder constitucional, para acabarmos reconhecendo agora as nossas realidades mais fortes. 


Devo, todavia, fazer-lhe sentir que não me reconheço com o direito de opinar sobre os trabalhos dos homens públicos do país.


Cabe-me, sim, rogar a Deus que os inspire, no cumprimento de seus austeros deveres, diante da pátria e do mundo. 


O grande caminho da atualidade é a organização da nossa Economia em matéria de política, e o desenvolvimento da Educação, no que concerne ao avanço sociológico dos tempos que passam.


Os demais elementos de nossas expressões evolutivas dependem de outros fatores de ordem espiritual, longe de todas as expressões transitórias da política dos homens.


A essa altura notei que a minha curiosidade jornalística começava a magoar a venerável entidade e mudei repentinamente de assunto.


- Majestade, que dizeis da grande figura hoje lembrada?


- O vulto de José Bonifácio foi sempre objeto de meu respeito e de minha amizade.


E olhe que foi ele o mais sensato organizador da nacionalidade brasileira, cujo progresso acompanha, carinhosamente, com a sua lealdade sincera.


Hoje, que se comemora o centenário da sua desencarnação, devemos relembrar o seu regresso de novo ao Brasil, em meados do século passado, tendo sido uma das mais elevadas expressões de cultura, na Constituinte de 1891.


Dispunha-me a obter novos esclarecimentos; mas, o Imperador, acompanhado de amigos, retirava- se quase que abruptamente da nossa companhia, correspondendo fraternalmente a outros apelos sentimentais.


Palavras amigas de adeus e votos de ventura no plano imortal e eu e o meu amigo José Porfírio lá ficávamos com a suave impressão da sua palavra sábia e benevolente.


Daí a momentos, o meu companheiro quebrava o silêncio de minha meditação:
- Humberto, os monarquistas tinham razão!...


 Este velho é um poço de verdade e de experiência da vida!


Você deve registrar esta entrevista, oferecendo aos vivos estas palavras quentes de conhecimento e de sabedoria!...


E aqui estou escrevendo para os meus ex-companheiros pelo estômago e pelo sofrimento.


Acreditarão no humilde cronista desencarnado?


Não guardo dúvidas nesse sentido. Penso que obteria mais amplos resultados, se fosse ao Cemitério do Caju e gritasse a palavra do Imperador, para dentro de cada túmulo.


***


1Afonso Celso de Assis Figueiredo, Visconde de Ouro Prêto. Foi presidente do último gabinete ministerial que teve a monarquia.

2Luiz Felipe Gastão de Orleans, Conde d'Eu. Foi genro de D. Pedro II, por ter casado com a princeza Isabel.




3Alusão às lutas e guerra em que se envolveu o Brasil com as Repúblicas do Uruguai, Argentina e do Paraguai.

***


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Humberto de Campos. Novas Mensagens, p. 4-6.

terça-feira, setembro 08, 2015

Devolução - Emmanuel





Devolução

Emmanuel


Queres felicidade.

Felicidade, porém,

é uma construção a fazer.

O alicerce está em ti mesmo.

Recorda: terás sempre

o que deres de ti.

O retorno é de lei.

Ainda mesmo que em migalha,

distribui a esperança e alegria.

Mesmo sofrendo,

oferece um sorriso aos outros.

Tanto quanto puderes,

faze os outros felizes.

Pouco a pouco,

terás centuplicadamente

aquilo que semeias.

Não te esqueças:

felicidade é devolução.




XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Emmanuel.












Que nesta semana você possa comprovar a propriedade da lei de causa e efeito, distribuindo, e recebendo em troca, amor, compreensão, solidariedade, amizade, paz, cumplicidade, alegria, bonança, bondade, serenidade, descontração, esperança, boa vontade, satisfação, confiança, energia, paciência, tolerância, generosidade, complacência, esperança, amor... e quantos mais sentimentos e energias positivas que você distribuir.

Quadros e Flores - Irmão José






Quadros e Flores

Irmão José




Decora a tua casa com quadros e flores.



Investimento material acessível com retorno garantido de paz.


Conserva sempre uma porta ou uma janela aberta para um jardim.


Aprecia, nas ramadas, o canto dos pássaros ou a faina das abelhas.


Quem sabe contemplar a harmonia da natureza comunga com o Criador.


Dependura na parede uma tela que te inspire bons sentimentos e te induza a positivas recordações.


Não raro, a perturbação vitima o homem pelos seus sentidos físicos.


O ambiente de uma casa também reflete o estado d'alma de seus moradores.


Se Deus não se importasse com a beleza e com o bom gosto, não teria enfeitado de estrelas o firmamento e nem pintado, "a mão". cada pétala de flor.


Não te esqueças de que a Bíblia conta que o homem e a mulher foram criados e colocados num jardim.






BACELLI, Carlos A. pelo Espírito Irmão José. Do livro Teu Lar .

segunda-feira, setembro 07, 2015

O Espiritismo no Brasil - Humberto de Campos



O Espiritismo no Brasil


Humberto de Campos


Numerosos companheiros de Allan Kardec já haviam regressado às luzes da espiritualidade quando inúmeras entidades do serviço de direção dos movimentos espiritistas no planeta deliberaram efetuar um balanço de realizações e de obras em perspectiva, nos arraiais doutrinários, sob a bênção misericordiosa e augusta do Cordeiro de Deus.


Vivia-se, então, no limiar do século XX, de alma aturdida ante as renovações da indústria e da ciência, aguardando-se as mais proveitosas edificações para a vida do globo.


Falava-se aí, nesse conclave do plano invisível, com respeito à propagação da nova fé, em todas as regiões do mundo, procurando-se estudar as possibilidades de cada país, no tocante ao grande serviço de restauração do Cristianismo, em suas fontes simples e puras.


Após várias considerações, em torno do assunto, o diretor espiritual da grande reunião falou com segurança e energia:


-  "Irmãos de eternidade: no mundo terrestre, de modo geral, as doutrinas espiritualistas, em sua complexidade e transcendência, repousam no coração da Ásia adormecida; mas, precisamos considerar que o Evangelho do Divino Mestre não conseguiu ainda harmonizar essas variadas correntes de opinião do espiritualismo oriental com a fraternidade perfeita, em vista das nações do Oriente se encontrarem cristalizadas na sua própria grandeza, há alguns milênios”.


Em breve, as forças da violência acordarão esses países que dormem o sono milenário do orgulho, numa injustificável aristocracia espiritual, afim de que se integrem na lição da solidariedade verdadeira, mediante os ensinamentos do Senhor!... 


Urge, pois, nos voltemos para a Europa e para a América, onde, se campeiam as inquietações e ansiedades, existe um desejo real de reforma, em favor da grande cooperação pelo bem comum da coletividade. 


Certo, essa renovação é sinônima de muitas dores e dos mais largos tributos de lágrimas e de sangue; mas, sobre as ruínas da civilização ocidental, deverá florescer no futuro uma sociedade nova, sobre a base da solidariedade e da paz, em todos os caminhos dos progressos humanos... 


Examinemos os resultados dos primeiros esforços do Consolador no Velho Mundo!..."


E os representantes dos exércitos de operários, que laboram nos diversos países da Europa e da América, começaram a depor, sobre os seus trabalhos, no congresso do plano invisível, elucidando-os sinteticamente:


- "A França - exclamava um deles - berço do grande missionário e codificador da doutrina, desvela-se pelo esclarecimento da razão, ampliando os setores da ciência humana, positivando a realidade de nossa sobrevivência, através dos mais avançados métodos de observação e de pesquisa.


Lá se encontram ainda numerosos mensageiros do Alto, como Denis, Flammarion e Richet, clareando ao mundo os grandes caminhos filosóficos e científicos do porvir".


- "A Grã Bretanha - afirmava outro - multiplica os seus centros de estudo e de observação, intensificando as experiências de Crookes e dissolvendo antigos preconceitos."


- "A Itália - asseverava novo mensageiro - teve com Lombroso o início de experiências decisivas.


O próprio Vaticano se interessa pela movimentação das idéias espiritistas, no seio das classes sociais, onde foi estabelecido rigoroso critério de análise, no comércio com os planos invisíveis para o homem terrestre."


- "A Rússia, bem como outras regiões do Norte - prosseguia outro emissário – conseguira com Aksakof a difusão de nossas verdades consoladoras. 


Até a corte do Czar se vem interessando nas experimentações fenomênicas da doutrina."


- "A Alemanha - afirmava ainda outro - possui numerosos físicos que se preocupam cientificamente com os problemas da vida e da morte, enriquecendo os nossos esforços de novas expressões de experiência e cultura..."


Iam as exposições a essa altura, quando uma luz doce e misericordiosa inundou o ambiente da reunião de sumidades do plano espiritual. 


Todos se calaram, tomados de emoção indizível, quando uma voz, augusta e suave, falou, através das vibrações radiosas de que se tocava a grande assembléia:


- "Amados meus, não tendes para a propagação da palavra do Consolador, senão os recursos da falível ciência humana? 


Esquecestes que os excessos do raciocínio prejudicaram o coração das ovelhas desgarradas do grande rebanho? 


Não haverá verdade, sem humildade e sem amor, porque toda a realidade do Universo e da vida deve chegar ao pensamento humano, antes de tudo, pela fé, ao sopro dos seus resplendores eternos e divinos!... 


Operários do Evangelho: excelente é a ciência bem intencionada do mundo, mas não esqueçais o coração, em vossos labores sublimes... 


Procurai a nação da fraternidade e da paz, onde se movimenta o povo mais emotivo do globo terrestre, e iniciai aí uma tarefa nova. 


Se o Cristo edificou a sua igreja sobre a pedra segura e inabalável da fé que remove montanhas e se o Consolador significa a doutrina luminosa e santa da esperança de redenção suprema das almas, todos os seus movimentos devem conduzir à caridade, antes de tudo, porque sem caridade não haverá paz, nem salvação para o mundo que se perde!..."


Uma copiosa efusão de luzes, como bênçãos do Divino Mestre, desceu do Alto sobre a grande assembléia, assim que o apóstolo do Senhor terminou a sua exortação comovida e sincera, luzes essas que se dirigiam, como aluvião de claridades, para a Terra generosa e grande que repousa sob a luz gloriosa da constelação do Cruzeiro.


E foi assim que a caridade selou, então, todas as atividades do Espiritismo brasileiro. 


Seus núcleos, em todo o país, começaram a representar os centros de eucaristia divina para todos os desesperados e para todos os sofredores. 


Multiplicaram-se as tendas de trabalho do Consolador, em todas as suas cidades prestigiosas, e as receitas mediúnicas, os conselhos morais, os postos de assistência, as farmácias homeopatas gratuitas, os passes magnéticos, multiplicaram-se, em toda parte no Brasil, para a fusão de todos os trabalhadores, no mesmo ideal de fraternidade e de redenção pela caridade mais pura.


Mensagem recebida  pelo médium Francisco Cândido Xavier, em 5 de novembro de 1938



XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Humberto de Campos. Novas Mensagens, p.02-03.