domingo, abril 07, 2024

A Noite - Casimiro Cunha

 

 


A Noite 

Casimiro Cunha

 

Crepúsculo. 


E, após o dia de esforços laboriosos, eis que surge a noitecheia de apelos maravilhosos.


Deus desdobrou sobre a Terra seu manto misterioso, como pausa necessária de pensamento e repouso.


As estrelas que se acendem, com ternura e rutilância, parecem luzes que acenam de uma cidade a distância.


A luz ditosa convida à paz e à meditação.


A noite é a parada amiga de calma renovação.


Se o dia pertence à luta da construção terrenal, a noite é o sagrado ensejo da vida espiritual.


Os homens ignorantes abusam do seu valor, dando vida a todo impulso de natureza inferior.


Mas quem sabe ser do Cristo encontra nela a harmonia da fonte de vibrações do amor, da paz, da alegria.


Palpita em seu manto a bênção do Pai Amado que aprova.


É a ilha rica e encantada, repleta de força nova.


Alegra-te em cada noite, e, tomando o bem por guia, entrega a Deus o inventário das lutas de cada dia.


Não te enerves no repouso, renova teu compromisso.


Quem não sabe descansar, mentiroso é o serviço.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da naturezaSão Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap. 35, p.36.


sábado, abril 06, 2024

A Muda - Casimiro Cunha

 


A Muda 

Casimiro Cunha

 

Quem penetre no jardim, quando em plena floração, não pode dissimular sincera admiração.


Açucenas desabrocham desdobrando-se em beleza, mostrando a maternidade das forças da Natureza.


Além do jardim florido, quem se dirija ao pomar, experimenta emoção que não pode disfarçar.


As árvores generosas, sob auréolas de verdura, servem pomos de bondade às mesas da criatura.


Flores ricas, frutos nobres, na abundância indefinível, demonstram a Providência na bondade inexaurível.


Observe-se, porém, como quem cumpre o dever, que o nosso primeiro impulso vem da ideia de colher.


As flores são decepadas, esmaga-se o fruto a esmo, em tudo o egoísmo extremo, dando conta de si mesmo.


São raros os previdentes que guardam consigo a muda, por plantá-la com desvelo na terra que sempre ajuda.


Em nossa vida, igualmente, se vamos à luz dos bons, refletimos tão somente na colheita de seus dons.


Não basta, porém, ganhar, por deixarmos de ser pobre: Plantemos em nossa vida a muda do exemplo nobre.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 34, p.35.


 

sexta-feira, abril 05, 2024

A Montanha - Casimiro Cunha

 


A Montanha 

Casimiro Cunha

 

Dentre todas as paisagens, talvez a mais bela e estranha, é aquela que se observa na solidão da montanha.


Dura e estéril muitas vezes, deserta, triste, empedrada, a montanha nos parece a terra amaldiçoada.


Entre as rochas do seu corpo, florescem cardos somente, flores rudes e espinhosas da soledade inclemente.


Seus píncaros elevados, na figura da paisagem, chamam somente a atenção do espírito de coragem.


Comparada ao movimento do vale em relva macia, fornece a impressão penosa da aridez e da agonia.


Entretanto, em todo tempo, é a sua força que encerra o amparo cariciosa aos vales de toda a Terra.


Sem sua dureza agreste, repleta de solidão, as planícies morreriam por falta de proteção.


É ela a mão silenciosa da energia que produz; no seu cume nunca há sombras, seu dia inteiro é de luz.


No mundo, as almas do amor, mais sábias, mais elevadas, são montanhas que parecem estéreis e desprezadas.


Todavia, é o sacrifício, de sua desolação, que sustenta em toda a vida os vales da evolução.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da naturezaSão Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 33, p.34.

 

quinta-feira, abril 04, 2024

A Construção - Casimiro Cunha

 


A Construção 

Casimiro Cunha

 

O homem sensato e nobre, quando faz a moradia, toma alvitres à prudência, conselho à sabedoria.


Primeiramente examina o local, a posição, e edifica os alicerces devidos à construção.


Não se cansa de escutar as vozes da sensatez, que sugerem vigilância e induzem à solidez.


Muito antes da parede, da janela, do portal, reflete fazendo contas e escolhe o material.


Raciocina por si mesmo, não perde ponderações, e estuda todo problema das suas aquisições.


Não se atira a preço baixo, de matéria condenada; A sucata não lhe serve, nem madeira carunchada.


Acima de toda ideia.


Vibra a ideia de seu lar, seleciona a caráter cada coisa em seu lugar.


Impõe-se nos seus desejos, sereno, prudente, ativo; O senso da qualidade garante-lhe o objetivo.


Esse homem previdente dá lições a cada qual, na construção do edifício da vida espiritual.


Escolhe teus pensamentos no dever que te governa.


Ideias, palavras, atos, constroem-te a casa eterna.


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da naturezaSão Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 16, p.15.

 

 

quarta-feira, abril 03, 2024

A Capa - Casimiro Cunha

 


 

A Capa 

Casimiro Cunha

 


Enquanto vibra o calor do verão, em luz florida, a capa confortadora permanece recolhida.


Em tudo há sol claro e quente, após a bênção do orvalho. . .


Oculta-se a capa amiga nas reservas de agasalhos.


Entretanto, chega um dia, que surge na imensidão, envolto de sombras frias e sopros de tempestade.


Rajadas dilacerantes invadem a atmosfera, não mais a carícia doce das tardes de primavera.


De outras vezes, muito embora cesse a grande ventania, continua o inverno forte, torturando noite e dia.


Ar gelado, névoas densas ao longo de toda a estrada, se a neve não cai do céu, a terra sofre a geada.


É quando a capa bondosa aparece no caminho, como a terna mensageira do consolo e do carinho.


Requestada em toda parte, no tempo frio e brumoso, trabalha, conforta e ajuda, sem as pausas do repouso.


Assim, no inverno das dores que trazem desolação, a crença é a capa celeste que agasalha o coração.


Mas no mundo há muito crente, que quando padece e chora, desatende a Providência e atira com a capa fora.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 11, p.10.

terça-feira, abril 02, 2024

A Candeia - Casimiro Cunha

 


A Candeia 

Casimiro Cunha

 

A sombra desce de manso, o silêncio volve aos ninhos, é a noite cariciosa que se estende nos caminhos.


Na casa pequena e simples que é refúgio da pobreza, é mais densa a escuridão que amortalha a Natureza mas no quadro desolado perpassa a bênção do amor, a candeia humilde e rude clareia do velador.


Na sala desguarnecida da morada carinhosa, sua luz mostra a beleza de uma estrela generosa.


Aproveita-se-lhe o encanto na esfera da utilidade, mas quase ninguém lhe vê o espírito de humildade.


Seu processo de ajudar nas sombras da noite escura, revela lição sublime ao plano da criatura.


Por servir de fonte calma ao clarão bondoso e amigo, ela queima a provisão de tudo que tem consigo, consome o óleo, a torcida, perde o brilho, perde a graça, suporta o calor do fogo, sofre o assédio da fumaça.


E Guarda, com Deus, a glória de haver produzido o bem, sem ferir qualquer pessoa, sem prejuízo a ninguém.


Quem deseje iluminar, proceda como a candeia: A si mesmo se ilumine sem reclamar luz alheia.

 

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da naturezaSão Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 8, p.7.

 

 

segunda-feira, abril 01, 2024

A Bússola - Casimiro Cunha

 


A Bússola 

Casimiro Cunha

 

Na viagem rude e longa em região solitária, a todos os viajores a bússola é necessária.


Quando a jornada é difícil, aquele que a tem, de perto, vai seguindo confortado na bênção do rumo certo.


Sofrem ventos formidandos e a sombra prometa a morte, a bússola honesta e firme não perde a visão do Norte.


Muita vez, em mar revolto, nas zonas desconhecidas, atende, silenciosa, dando fé, salvando vidas.


Tudo angústia da borrasca e trevas de nevoeiro, mas a bússola responde aos olhos do timoneiro.


De outras vezes, no deserto, se palpita a inquietação, traduz generosamente o conforto e a direção.


Em meio a vacilações, significa o resumo de grandes consolações a quem ame o próprio rumo.


Tanto em água revoltada, como em areia, em espinho, a bússola generosa jamais esconde o caminho.


Nas rudes experiências da romagem terrenal, não se pode prescindir do rumo espiritual.


Se caminhas neste mundo, sejas moço, sejas velho, não esqueças, meu amigo, a bússola do Evangelho.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay Ltda,2002, ed.1. Cap 5, p.6.