sexta-feira, setembro 29, 2006


O velho problema da felicidade


Jorge Luiz Hessen


Kardec indaga aos Espíritos se "Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?” Os Benfeitores responderam que “Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra."
Experimentamos momentos decisivos a cada instante da vida. Não podemos esperar outro clima de luta, nem outro lugar de batalha, senão o que defrontamos, resultado das nossas realizações do presente e do passado. “O problema da felicidade pessoal nunca será resolvido pela fuga ao processo reparador”. As dores deixam marcas, porém lembremos que “o lutador que não traz a cicatriz da batalha, ao receber quaisquer condecorações externas, não é vitorioso!” portanto, sofrer também compõe as linhas do currículo humano. A felicidade é uma resultante da vitória na refrega.


Não podemos esquecer que a Terra é um mundo de expiações e provas, por isso a felicidade total não se encontra aqui no planeta, porém em mundos mais evoluídos. Em nosso Orbe a felicidade é relativa, consoante diz o item 20, capítulo V (Bem-aventurados os aflitos), de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

A felicidade, nasce na paz da consciência tranqüila pelo dever cumprido e cresce, no íntimo de cada pessoa, à medida que a pessoa procura fazer a felicidade dos outros, sem pedir felicidade para si própria. Destarte a importância do inesquecível mandamento de Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Quando este preceito for praticado, certamente usufruiremos a felicidade do Mundo Melhor.

A felicidade depende exclusivamente de cada criatura. Brota da sua intimidade. Depende de seu interior. Como ensinou o doce Mestre Galileu: “o reino dos céus está dentro de vós.” Portanto, a verdadeira felicidade reside na conquista dos tesouros imperecíveis da alma.

Estabelecendo, conforme o Eclesiastes, que a verdadeira "felicidade não é deste mundo", Jesus preconizou que o homem deve viver no mundo sem pertencer a ele, facultando-lhe o autodescobrimento para superar o instinto e sublimá-lo com as conquistas da razão, a fim de planar nas asas da angelitude.

A felicidade é o bem que alguém proporciona ao seu próximo. O eu se anula, então, para que nasça a comunidade equilibrada, harmônica e feliz. “A alegria de fazer feliz é a felicidade em forma de alegria”.

Na clássica Grécia o filósofo Epicuro procurou demonstrar que a sabedoria é verdadeiramente a chave da felicidade. Antes dele, Diógenes, cognominado o Cínico, estabelecia que o homem deve desdenhar todas as leis, exceto as da Natureza, vivendo de acordo com a própria consciência e com total desprezo pelas convenções humanas e sociais. Entre os pensadores gregos Sócrates, considerado o pai da ciência moral, em sua dialética a expressar-se, não raro de forma irônica, combatia os males que os homens fomentam para gozarem de benefícios imediatos, objetivando com essa atitude de reta conduta o bem geral, a felicidade comunitária.

Para a filósofa Dulce Critelli, confundir felicidade com desejo é um escorregão herdado do estoicismo e do epicurismo, as primeiras escolas filosóficas a pensar a moral de forma individual. Desde então, muitas pessoas acreditam que a felicidade está na satisfação do prazer. Por isso, a roupa de grife, a cirurgia plástica e o carro do ano são tão valorizados. Antes, admirávamos pessoas honradas e generosas. Não é feliz o homem em possuir ou deixar de possuir, mas pela forma como possui ou como encara a falta de posse.

Segundo Joanna de Ângelis “depois da Segunda Guerra Mundial o existencialismo reconduziu o homem à caverna, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das grandes metrópoles e ali entregando-se à fuga da consciência e da razão pelo prazer, numa atitude de desconsideração pela vida, alucinado pelo gozo imediato”. “O estágio atual de evolução espiritual média do ser humano não lhe garante ausência total de sentimentos de ódio, inveja, rancor, egoísmo e de atitudes compatíveis com esses sentimentos.”

Em uma sociedade onde o homem fosse consciente da vontade de Deus, isto é, da prática do bem, não haveria violência, drogas, seqüestros, prostituição, poligamia, traição, inveja, racismo, inimizades, tristeza, fome, ganância, guerras. E, mais ainda, não é raro encontrar-se nas ruas pessoas que tiveram algum relevo social, e agora perambulam embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando.

Sabemos que muitos psiquiatras, psicanalistas, psicólogos, astrólogos, esotéricos e embusteiros de toda sorte, enriquecem a custa do “mal do século”: A Depressão. Existe todo tipo de comprimidos: É pílula para dor de dente, dor cabeça, emagrecimento, sono (benzodiazepínicos), calmante (ansiolíticos), excitante. Faz-se propaganda dos comprimidos como se eles pudessem resolver tudo. Em verdade, quando não entendemos o verdadeiro amor ficamos procurando, nos labirintos da ilusão, uma fórmula mágica para a felicidade. Para o psiquiatra Roberto Shinyashiki "o mundo exige que as pessoas estejam permanentemente alegres e, por isso, ele se tornou o paraíso das drogas e do Prozac". Para Shinyashiki, o importante é ouvir a própria consciência em vez de buscar os aplausos dos outros.”

“A depressão é dez vezes mais freqüente hoje do que era em 1960. Ela também ataca cada vez mais cedo. Acredito que o que aconteceu foi um excesso de confiança nos atalhos que prometem a felicidade imediata: drogas, consumismo e sexo casual, entre outros exemplos. Tudo isso é fruto do narcisismo. E o narcisismo pode levar à depressão. Preocupar-se demais consigo próprio só faz intensificar tendências depressivas. Os profissionais da auto-ajuda vivem apregoando que todo mundo deve ‘entrar em contato com seus sentimentos’. Ora, há limite para isso. Talvez fôssemos mais felizes se nos preocupássemos mais com o outro”.

Cremos que as teorias atuais sobre o bem-estar em Psicologia e Economia não dão conta na descrição dos resultados. Urge uma novas propostas teóricas para interpretar a felicidade em termos de valores mais duradouros. Tais dados comprovarão a assertiva dos espíritos e do Evangelho de que os bens materiais não trazem felicidade. A felicidade não é resultante de privilégios biogenéticos e de personalidade nem, muito menos, ela pode ser adquirida com a obtenção de um bem de consumo.

Desfrutamos de uma realidade tecnológica que, num passado recente era impossível imaginarmos exceto nos filmes de ficção. Recordo-me do início da década de 70, não havia como pensar em fornos microondas, videocassete; telefone celular; microcomputadores; cartões magnéticos; e, principalmente, a Internet e no entanto, atualmente são recursos comuns.
Os programas de televisão de qualidade dúbia, tornaram-se os preceptores dos nossos filhos. As novelas impõem a moda, invertem os valores éticos da vida real, deturpam consciências, transformam cabeças, e mudam culturas. Folhetins que instigam muita alegria ruidosa, incontáveis expressões festivas, exibição de gozos, mas muito pouca harmonia nos telespectadores.


Cremos que os pequeninos sacrifícios em família formam a base da felicidade no lar. O Professor da Universidade da Virgínia (EUA), Jonathan Haidt escreveu em seu livro The happiness hypothesis que a família e os amigos são mais relevantes do que o dinheiro e a beleza. "Uma condição que nos torna felizes é a capacidade de nos relacionarmos e estabelecermos laços com os demais."

Ter um princípio religioso propicia não apenas viver por mais tempo como se sentir mais felizes do que os contumazes agnósticos e ateus. "A religião dá a esperança de que tudo vai melhorar, mesmo que seja após a morte. Ela conforta" , explica o cientista da religião Frank Usarski, da PUC de São Paulo. Autor do best-seller Sucesso é ser feliz.

O Espiritismo nos dá suporte moral e outras diversas motivações, revelando-nos a imortalidade, a reencarnação e a lei de causa e efeito, explicando-nos que a felicidade é possível e que se constrói no dia-a-dia no esforço continuado para luta contra as nossas tendências inferiores.

Desenvolvamos, pois, o hábito de colocar espiritualidade em nossa vida. Aprendamos a observar o mundo pela ótica do espírito e sejamos felizes compreendendo a vida como um dom de Deus.*



Jorge Luiz Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. É Servidor Público Federal lotado no INMETRO de Brasília; Formação acadêmica: Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História, Escritor (dois livros publicados) Jornalista e articulista com vários artigos publicados na Revista O médium de Juiz de Fora, Reformador da FEB, O Espírita de Brasília (pertence ao conselho editor), do Jornal da Federação de Mato Grosso e do Jornal da FEDERAÇÃO DO DF. Site do autor: http://meuwebsite.com.br/jorgehessen/



Referências Bibliográficas



1- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB , 2003, pergunta 920
2 - idem
3- Xavier Francisco Cândido. Fonte Viva, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB,
4- Franco, Divaldo Pereira. Compromissos Iluminativos – Ditado pelo Espírito Bezerra de Menezes Ba: Ed Leal, 2004
5- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB , 2003, item 20, Cap V
6- (Jo 15, 12).
7- (Lucas 17:20-21).
8- (Ec 6:1-5)
9 -Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas – Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis , RJ: ED FEB, 1971
10- Cf. Istoé on line (13/09/2006) in Segredos da Felicidade
11-Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas – Ditado pelo Espírito Joanna de 9-Ângelis, RJ: ED FEB, 1971
12-idem
13-Fonte: Jornal Mundo Espírita – Jan/1998/artigo de Nilson Ricetti Xavier Nazareno
14-idem
15-Martin Seligman, de 61 anos, professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos e também ex-presidente da Associação Americana de Psicologia
16-idem
17-idem

quinta-feira, setembro 28, 2006


DECISÃO INCONSEQÜENTE



São muito os que, infelizmente, deliberam procurar o mal, de livre e espontânea vontade.
Saem à caça de aventuras inconseqüentes.
Vão ao encontro da dor em seu próprio habitat.
Caminham na rota da ilusão.
Peregrinam, exaustivamente, em busca leviana.
Sorvem a taça do embriagante vinho do prazer.
Colocam-se à mercê de irresistível assédio.
Expõem-se, voluntariamente, à perturbação e ao desequilíbrio.
Comprazem-se em estados de obsessão, tendentes ao vampirismo.
Submetem-se à sugestão das trevas, sem esboçarem a menor resistência.
Criam oportunidade para que coisas desagradáveis lhes sucedam.
Insistem tanto no que lhes é nocivo, que praticamente anulam todo o esforço dos que se empenham em protegê-los.


Irmão José

::Do livro Dias Melhores :: Psicografia de Carlos A. Bacelli:: Mensagem dos companheiros do Grupo Espírita Renascer/MG ::

Perdoe os outros, mas não se esqueça de perdoar-se também
Para viver bem...


É preciso perdoar, o que nem sempre é fácil.As desavenças chegam, muitas vezes, a um ponto que palavras são usadas como chicotes deixando marcas que cavam sulcos profundos no corpo mental.Mas em tudo é preciso renovação e o ódio , além de prejudicar com suas vibrações quem nos ofende, envenena nosso sangue e traz mais estragos à nossa saúde.Fácil não é, mas com certeza, não é impossível.Faça uma forcinha, comece já a perdoar.

Humbert Pazzian

::Texto extraído do livro Para viver bem... página 138Letras & Textos EditoraAutor: Humberto Pazian:: Mensagem do Grupo Espírita Fraternidade de Assis/SP::

quarta-feira, setembro 20, 2006




RESGUARDA-TE NA SERENIDADE

Necessitas de serenidade
a cada passo. Serenidade para
discernir, atuar e viver.

A vida é galopante e muda
os seus cenários a cada minuto,
exigindo permanente serenidade
a fim de não esmagar as pessoas.

Quem se aflija, e tente seguir
a velocidade ciclópica destes dias,
arrebenta-se, porque sai de uma
para outra situação com muita
rapidez, sem mesmo ter tempo
para adaptação na fase anterior.

As notícias chegam e os
acontecimentos passam,
produzindo imenso desgaste
emocional, mental e físico.

Resguarda-te na serenidade,
preservando os equipamentos
da tua existência,
que estão programados
para o uso adequado
e não para o abuso.


Joanna de Ângelis

segunda-feira, setembro 18, 2006

Quem não erra não está vivo



PARA VIVER BEM...


Não se perturbe com os seus erros.

Todos nós gostaríamos de acertar sempre, não há dúvida nisso,
mas sabemos que não é assim que ocorre.

Quando errar ou falhar perante seus objetivos é natural que fique um pouco entristecido,
mas é só isso e pronto.

Como disse o poeta “levante, sacode a poeira”, e continue o caminho.

Uma vez reconhecido o erro terá condições de não mais cometê-lo.

Pensando dessa forma, nossos “tropeços”, tornam-se importantes lições
para nossa evolução e conseqüente felicidade.


Humberto Pazian


Texto extraído do livro Para viver bem... p. 136Letras & Textos EditoraAutor: Humberto Pazian:: Mensagem do Grupo Espírita Fraternidade de Assis

domingo, setembro 17, 2006


AMAI OS VOSSOS INIMIGOS
Compilação nas Obras Espíritas
Allan Kardec



"O Livro dos Espíritos"

Capítulo XI

Lei de Justiça, amor e Caridade.

III - Caridade e Amor ao Próximo

887. Jesus ensinou ainda: "Amai aos vossos inimigos". Ora, um amor pelos nossos inimigos não é contrário às nossas tendências naturais, e a inimizade não provém de uma falta de simpatia entre os Espíritos?
— Sem dúvida não se pode ter, para com os inimigos, um amor terno e apaixonado. E não foi isso que ele quis dizer. Amar aos inimigos é perdoá-los e pagar-lhes o mal com o bem. É assim que nos tornamos superiores, pela vingança nos colocamos abaixo deles.
"O Evangelho Segundo o Espiritismo"



Pagar O Mal Com O Bem

1. Tendes ouvido o que foi dito: Amarás ao teu próximo e aborrecerás ao teu inimigo. Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeias, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de vosso Pai, que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos. Por que, se não amardes senão aos que vos amam que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também assim? E se saudares somente aos vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? Não fazem também assim os gentios? _ Eu vos digo que, se a vossa justiça não for maior e mais perfeita que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus. (Mateus, V:20, 43-47).

2. E se vós amais somente aos que vos amam que merecimento é o que vós tereis? Pois os pecadores também amam os que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que merecimento é o que vós tereis? Porque isto mesmo fazem também os pecadores. E se emprestardes somente àqueles de quem esperais receber, que merecimento é o que vós tereis? Porque também os pecadores emprestam uns aos outros, para que se lhes faça outro tanto. Amai, pois, os vossos inimigos, fazei o bem, e emprestai, sem nada esperar, e tereis muito avultada recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, que faz bem aos mesmos que lhe são ingratos e maus. Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. (Lucas, VI: 32-36).

3. Se o amor ao próximo é o princípio da caridade, amar aos inimigos é a sua aplicação sublime, porque essa virtude constitui uma das maiores vitórias conquistadas sobre o egoísmo e o orgulho.
Não obstante, geralmente nos equivocamos quanto ao sentido da palavra amor, aplicada a esta circunstância. Jesus não entendia, ao dizer essas palavras, que se deve ter pelo inimigo a mesma ternura que se tem por um irmão ou por um amigo. A ternura pressupõe confiança. Ora, não se pode ter confiança naquele que se sabe que nos quer mal. Não se pode ter para com ele as efusões da amizade, desde que se sabe que é capaz de abusar delas. Entre pessoas que desconfiam uma das outras, não podem haver os impulsos de simpatia existentes entre aquelas que comungam nos mesmos pensamentos. Não se pode, enfim, ter a mesma satisfação ao encontrar um inimigo, a que se tem com um amigo.


Esse sentimento, por outro lado, resulta de uma lei física: a da assimilação e repulsão dos fluidos. O pensamento malévolo emite uma corrente fluídica que causa penosa impressão; o pensamento benévolo envolve-nos num eflúvio agradável. Daí a diferença de sensações que se experimenta, à aproximação de um inimigo ou de um amigo. Amar aos inimigos não pode, pois, significar que não se deve fazer nenhuma diferença entre eles e os amigos. Este preceito parece difícil, e até mesmo impossível de se praticar, porque falsamente supomos que ele prescreve darmos a uns e a outros o mesmo lugar no coração. Se a pobreza das línguas humanas nos obriga a usarmos a mesma palavra, para exprimir formas diversas de sentimentos, a razão deve fazer as diferenças necessárias, segundo os casos.

Amar aos inimigos, não é, pois, ter por eles uma afeição que não é natural, uma vez que o contato de um inimigo faz bater o coração de maneira inteiramente diversa que o de um amigo. Mas é não lhes ter ódio, nem rancor, ou desejo de vingança. É perdoá-los sem segunda intenção e incondicionalmente, pelo mal que nos fizeram. É não opor nenhum obstáculo à reconciliação. É desejar-lhes o bem em vez do mal. É alegrar-nos em lugar de aborrecer-nos com o bem que os atinge. É estender-lhes a mão prestativa em caso de necessidade. É abster-nos, por atos e palavras, de tudo o que possa prejudicá-los. É, enfim, pagar-lhes em tudo o mal com o bem, sem a intenção de humilhá-los. Todo aquele que assim fizer, cumpre as condições do mandamento: Amai aos vossos inimigos.

Aquele para quem a vida presente é tudo, só vê no seu inimigo uma criatura perniciosa, a perturbar-lhe o sossego, e do qual somente a morte o pode libertar. Daí o desejo de vingança. Não há nenhum interesse em perdoar, a menos que seja para satisfazer o seu orgulho aos olhos do mundo. Perdoar, até mesmo lhe parece, em certos casos, uma fraqueza indigna da sua personalidade. Se não se vinga, pois, nem por isso deixa de guardar rancor e um secreto desejo de fazer o mal.

Para o crente, e mais ainda para o espírita, a maneira de ver é inteiramente diversa, porque ele dirige o seu olhar para o passado e o futuro, entre os quais, a vida presente é um momento apenas. Sabe que, pela própria destinação da Terra, nela devem encontrar homens maus e perversos; que as maldades a que está exposto fazem parte das provas que deve sofrer. O ponto de vista em que se coloca torna-lhe as vicissitudes menos amargas, quer venham dos homens ou das coisas. Se não se queixa das provas, não deve queixar-se também dos que lhe servem de instrumentos. Se, em lugar de lamentar, agradece a Deus por experimentá-lo, deve também agradecer a mão que lhe oferece a ocasião de mostrar a sua paciência e a sua resignação. Esse pensamento o dispõe naturalmente ao perdão. Ele sente, aliás, que quanto mais generoso for, mais se engrandece aos próprios olhos e mais longe se encontra do alcance dos dardos do seu inimigo.

O homem que ocupa no mundo uma posição elevada não se considera ofendido pelos insultos daquele que olha como seu inferior. Assim acontece com aquele que se eleva, no mundo moral, acima da humanidade material. Compreende que o ódio e o rancor o envileceriam e rebaixariam, pois, para ser superior ao seu adversário, deve ter a alma mais nobre, maior e mais generosa.


Para os Inimigos e os Que Nos Querem Mal


46. Prefácio _ Jesus disse: Amai os vossos inimigos. Esta máxima nos revela o que há de mais sublime na caridade cristã. Mas Jesus não queria dizer que devemos ter pelos inimigos a mesma ternura que dedicamos aos amigos. Por essas palavras ensina-nos a perdoar as ofensas, perdoar todo o mal que nos fizerem e pagar o mal com o bem. Além do merecimento que tem essa conduta aos olhos de Deus, serve para mostrar aos homens o que é a verdadeira superioridade.

47. Prece _ Meu Deus, perdôo a Fulano o mal que me fez e o que pretendia fazer-me, como desejo que me perdoeis, e que ele por sua vez me perdoe as faltas que eu tenha cometido. Se o pusestes no meu caminho como uma prova, seja feita a Vossa vontade. Afastai de mim, oh! Meu Deus, a idéia de maldizê-lo, e qualquer sentimento malévolo contra ele. Que eu não sinta jamais nenhuma alegria pelos males que o possam atingir, nem qualquer aborrecimento pelos benefícios que ele venha a receber, a fim de não manchar minha alma com sentimentos indignos de um cristão. Possa a Vossa bondade, Senhor, ao tocar-lhe o coração, induzi-lo a melhores sentimentos para comigo!
Bons Espíritos inspirai-me o esquecimento do mal e a lembrança constante do bem! Que nem o ódio, nem o rancor, nem o desejo de lhe retribuir o mal com o mal, penetrem no meu coração, porque o ódio e a vingança são próprios unicamente dos maus Espíritos, encarnados e desencarnados! Que eu esteja, pelo contrário, sempre pronto a lhe estender a mão fraterna, a pagar-lhe o mal com o bem, e a ajudá-lo quando possível.
Desejo, para experimentar a sinceridade das minhas palavras, que se me apresente uma oportunidade de lhe ser útil. Mas, sobretudo, oh! Meu Deus preservai-me de fazê-lo por orgulho ou ostentação, abatendo-o com uma generosidade humilhante, o que anularia os méritos da minha atitude. Porque, nesse caso, eu bem mereceria estas palavras do Cristo: Já recebestes a vossa recompensa. (Cap. XIII, nº. s 1 e segs.).


Pelos Inimigos do Espiritismo

51. Prefácio _ De todas as liberdades, a mais inviolável é a de pensar, que compreende também a liberdade de consciência. Lançar a anátema contra os que não pensam como nós, é reclamar essa liberdade para nós e recusá-la aos outros, e é violar o primeiro mandamento de Jesus: o da caridade e do amor do próximo. Perseguir os outros pela crença que professam, é atentar contra o mais sagrado direito do homem: o de crer no que lhe convém, adorando a Deus como lhe parece melhor. Constringi-los à prática de atos exteriores semelhantes aos nossos, é mostrar que nos apegamos mais a forma do que à essência, às aparências do que à convicção. A abjuração forçada jamais produziu a fé. Só pode fazer hipócritas. É um abuso da força material, que não prova a verdade. Porque a verdade é segura de si mesma; convence e não persegue, porque não tem necessidade de fazê-lo.
O Espiritismo é uma opinião, uma crença; fosse mesmo uma religião, por que não teriam os seus adeptos a liberdade de se dizerem espíritas, como a tem os católicos, os judeus e os protestantes, os partidários desta ou daquela doutrina filosófica, deste ou daquele sistema econômico? Esta crença é falsa ou verdadeira: se é falsa, cairá por si mesma, porque o erro não pode prevalecer contra a verdade, quando a luz se faz nas inteligências; e se é verdadeira, a perseguição não a tornará falsa.
A perseguição é o batismo de toda idéia nova, grande e justa, cuja propagação aumenta, na razão da grandeza e da importância da idéia. O furor e a cólera dos seus inimigos são equivalentes ao temor que ela lhes infunde. Foi essa a razão das perseguições ao Cristianismo na antiguidade, e essa a razão das perseguições ao Espiritismo, na atualidade, com a diferença de que o Cristianismo foi perseguido pelos pagãos, e o Espiritismo o é pelos cristãos. O tempo das perseguições sanguinárias já passou, é verdade, mas se hoje não matam o corpo, torturam a alma. Atacam-na até mesmo nos seus sentimentos mais profundos, nas suas mais caras afeições. As famílias são divididas incitando-se a mãe contra a filha, a mulher contra o marido. E mesmo a agressão física não falta, atacando-se o corpo no tocante às suas necessidades materiais, ao tirarem às pessoas o próprio ganha-pão, para reduzi-las à fome. (Cap. XXIII, nº. 9 e segs.).
Espíritas, não vos aflijais com os golpes que vos desferem, pois são eles a prova de que estais com a verdade. Se não o estivésseis, vos deixariam em paz, não vos agrediriam. É uma prova para a vossa fé, pois é pela vossa coragem, pela vossa resignação, pela vossa perseverança, que Deus vos reconhece entre os seus fiéis servidores, os quais já está contando desde hoje, para dar a cada um a parte que lhe cabe, segundo suas obras.
A exemplo dos primeiros cristãos orgulhai-vos de carregar a vossa cruz. Crede na palavra do Cristo, que disse: "Bem-aventurados os que sofrem perseguições pela justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma". E acrescentou: "Amai aos vossos inimigos, fazei bem aos que vos fazem mal, e orai pelos que vos perseguem". Mostrai que sois os seus verdadeiros discípulos, e que a vossa doutrina é boa, fazendo, para isso, o que ele ensinou e exemplificou. A perseguição será temporária. Esperai, pois, pacientemente, o romper da aurora, porque a estrela da manhã já se levanta no horizonte. (Cap. XXIV, nº. 13 e segs.).


Bibliografia:

Livro dos EspíritosO Evangelho Segundo o EspiritismoProntuário da Obra de Allan Kardec – Ney da Silva Pinheiro

Graça Maciel/julho/2006
www.luzdoespiritismo.com







Desejo a todos aqueles que se fizeram nossos inimigos, vibrações de muita Paz, sob as bênçãos do Divino Amigo , que não permite que caia um fio de cabelo de nossa cabeça, sem o seu consentimento...

sábado, setembro 16, 2006



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Não acredites que a Lei Divina
possa te privilegiar em detrimento de alguém.

O que te acontece é conseqüência do mérito.

Quanto mais causas gerares no bem,
mais efeitos positivos experimentarás.

És o pólo convergente de tuas próprias ações.

Crias, em torno de ti, um campo magnético,
atraindo ou repelindo forças.

A repercussão da menor de tuas atitudes te procura e te encontra,
onde quer que te escondas.

A treva só pode ser anulada pela luz.

O ódio só se extingue através do amor.

Arranca, depressa, o joio que plantaste,
antes que ele se alastre e sufoque a boa semente.

Repara logo o erro que cometeste,
impedindo que ele cumpra o seu ciclo e volte a ti,
acrescido de vibrações negativas acumuladas.

Não deixes que o mal avance,
a partir de tuas mãos ou de tua palavra.

Age sem demora e impede que a tua invigilância consumada
te escape ao controle, mais do que já te tenha escapado.


Irmão José

Do livro Dias Melhores ::Psicografia de Carlos A. Bacelli:: Mensagem do Grupo Espírita Renascer:: Iguatama/MG :: http://www.ger.org.br/ajude_nos.htm